Música e Vinho | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

VINHO CHIANTI RUFFINO

Tem um vinho que todo mundo conhece: o Chianti Rufino. Ele é um clássico, e do consagrado produtor da Toscana. Um vinho que tem sua produção controlada para garantir a qualidade e foi a primeira garrafa a exibir o selo de Doc G na Itália. A vinícola Rufino foi fundada em 1877, em Chianti, e, em apenas quatro anos, conquistou a primeira medalha de ouro em Chianti. Eles ganharam também o ouro na Feira de Bordeaux, logo nos primeiros anos. Todo mundo conhece um Chianti, o tinto de Sangiovese com canaiolo, mas a vinícola tem deliciosos vinhos brancos também da uva Pinogridio, que é uma uva que eu amo. Vinhos frescos, aromas de frutas tropicais e mineral. Tem espumantes rosés, moscatos dastes, além de pras secos e tintos com base em Sangiovese e outras uvas, como merlot, cirá, cabernet sauvignon, petit verdot e até alicante branco. Boucher. São vinhos como o Asiano, o Ducale e o Modus, além de Brunelos, como o Grepeno Masi, um Sangiovese grosso — é a uva —, um estágio mais longo, mais maduro e com aromas e final de boca que lembram chocolate e um tabaco bem suave. E o rico e encorpado Alouda, feito de Cabernet Franc, Merlot e Colorino, um vintage que só sai em safras excepcionais, como a afina no tanque de aço e depois na garrafa. Extremamente elegante, encorpado, aromas balsâmicos, baunilha, para harmonizar com a Bisteca Fiorentina, que eu tive o prazer de experimentar em Florença, com batatas assadas, muito alho e azeite. Lembre-se sempre de manter a moderação, para você ver que Ante Rufino tem muito mais do que só Quianti. A gente acha que é o nome do produtor, e não: o produtor se chama Rufino, e você vai encontrar todas essas outras variações de vinhos, como Modos Alouda, do Cali, asiano, moscatos pra secos e rosês, todos de produção do mesmo produtor na região mais famosa da Itália. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

25/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:12

TILIA MALBEC SYRAH

E se você também procura vinhos bons e baratos, está na hora de anotar o nome do vinho de hoje. No mundo do vinho, a palavra terroir é sempre falada, e o vinho argentino Tilha traz no rótulo e na concepção a valorização do terroir argentino. Tilha é uma árvore cultivada na Argentina que simboliza o sagrado e que protege os guerreiros. O chá da flor da Tilha é calmante, e os trabalhadores dos vinhedos costumam descansar bebendo chá de Tilha à sombra das próprias árvores. A ideia do vinho é justamente valorizar a árvore regional Tilha. Os vinhos do produtor Tilha são da família Catena Zapata e recebem os melhores elogios da crítica internacional especializada. O Tilha Malbec-Cirá, por exemplo, passa seis meses em carvalho francês e americano. É um vinho super moderno e saboroso. Combina com carnes assadas, massas e risotos. Ainda recebeu 90 pontos de James Sutley, em 2017, e 90 pontos do renomado Robert Parker, em 2015, que o considerou impressionante e melhor custo-benefício. Combinei com carnes assadas, frango, maminha e linguiças assadas, para comer sem frescura, num churrasco bem descontraído, com vinho fácil de beber entre amigos. Tem vinho que é assim: bom, gostoso, barato e fácil de beber.

24/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:26

VINHOS FORTIFICADOS

Quando falamos em vinhos fortificados, rapidamente vêm os vinhos do Porto à mente. Mas não podemos esquecer também dos vinhos Madeira e do Jerez. O Madeira é português também, da ilha de mesmo nome. São vinhos feitos com uma das uvas negras que citei, a tinta negra mole. Os Madeiras são altamente alcoólicos, como os Portos: únicos, longevos e de alta qualidade. Os vinhos Madeira eram o estilo preferido dos czares russos e foi também o estilo de vinho do famoso brinde erguido em comemoração à Declaração da Independência dos Estados Unidos, no 4 de julho. Os vinhos Madeira passam por processo de oxidação em cascas de madeiras antigas e, por isso, têm aromas que chamamos de etéreos, aromas de envelhecimento, como o mofo, mais fechados, além das frutas cristalizadas e um certo néctar. O Jerez, o mais antigo vinho da Europa, também é fortificado e produzido há mais de dois mil anos. É tão complexo na produção quanto no paladar e nos aromas. São vários estilos de Jerez, vão desde os secos até os açucarados. Eu degustei um Jerez doce numa prova de três vinhos fortificados: um Porto, um Madeira e um Jerez. É legal comparar as cores, os aromas e os sabores dos três vinhos juntos, todos com coloração bem envelhecida, meio opaca, diferente dos outros vinhos mais vivos que a gente costuma degustar. Com borras sobrando, aromas totalmente fechados, mistura o doce com mofo, caramelo, madeira velha, nozes, frutas secas, chocolate e mais mofo. Como alguém pode amar tanto aromas de coisas envelhecidas? É exatamente isso que eu curto. E, só para resumir esses três vinhos fortificados do Musique Vinho de hoje, todos os três têm alta graduação alcoólica. Têm adição de aguardente vínica no processo, todos com sabores fortes e texturas robustas. O Porto só tem doce, e o Madeira e o Jerez podem ser secos ou doces. Vamos lá: fortifique um pouquinho seu paladar à risca e na degustação com vinhos diferentes. Lembrando sempre, claro, de manter a moderação e, se beber, não dirija.

23/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:20

UVA NERO D´AVOLA

Outro dia, no tema “meu paladar não é igual ao seu”, encerrei falando sobre a uva Nero d’Avola, que de tanto insistir acabei gostando, mas é bom lembrar, nessa hora, que não quer dizer que todos os vinhos dessa uva sejam excelentes, tudo depende do produtor. Degustei o Luigi Leonardo, da Sicília, da uva Nero d’Avola com Merlot, da cantina Esguarze Luigi. O vinho fez sucesso, foi degustado com carnes grelhadas. Já comentei a impressão ruim que eu tinha dessa uva: eu achava muito dura. De verdade, confesso que não sei se os produtores passaram a trabalhar melhor a uva até encontrar seu equilíbrio de presença de taninos verdes demais, que, para mim, pareciam duros, ou se eu mesma mudei meu paladar, evolui para esse lado de aromas mais fechados. Ainda assim, eu sempre gostei, mas estou numa fase tão de aromas fechados e tostados que nem sei se volto ao frutadinho um dia. Aliás, eu sei sim: é a estação do ano. Entre outono e inverno, é isso mesmo, com roupas, comidas e vinhos. E depois, quando a primavera chegar, as taças serão invadidas novamente pelos rosés, pinoses, espumantes, brancos e todos os vinhos mais frutadinhos e leves. Por enquanto, sugiro o Luigi Leonardo, tanto o Nero d’Avola com Merlot, da Sicília, quanto o Luigi Leonardo de Nero d’Avola com Syrah, de outra região ali bem pertinho de Dock, chamado Terra Siciliane. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

21/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:37

REGRA DE HARMONIZAÇÃO

Regra de harmonização normalmente não contempla vinho para coxinha de galinha, mas até hoje eu digo que a melhor entrada que comi no restaurante mais estrelado do Brasil foi uma coxinha de galinha, e eu preciso descrever para vocês. Uma coxinha muito bem temperada. Na base da coxinha, um purê de mandioca muito bem cremoso com catupiry. Então, o catupiry veio por fora. O serviço foi feito em pratos fundos, para regar com o melhor caldo de galinha da vida. Realmente, uma coxinha inesquecível. Você acha que não combina? Ainda tem preconceitos e acha que vinho é só para alta gastronomia? Ou não gosta de coxinha? Eu te provo tecnicamente a harmonização. As comidas gordurosas têm que contrapor com vinhos mais frescos. A gordura seca o paladar, e a acidez faz salivar. A crocância da fritura combina com o creque-creque das bolhas do gás do espumante, traduzindo os perlages. Frango é uma carne branca e combina com vinhos brancos, como os espumantes brancos. A coxinha é cheia de temperos e ervas, e os espumantes têm aromas herbáceos maravilhosos. Para encher a boca e salivar de vez, o purê de mandioca com catupiry é super cremoso, assim como a textura da espumatização que se forma na boca a cada gole de vinhos espumantes. Prato quente com vinho gelado oscela uma armonização de contraponto, que é a cara da nova era do mundo do vinho. Bem-vindos à descontração, à liberdade que os antigos deuses já pregavam desde a antiguidade, à alegria dos jovens consumidores de vinhos e à paixão pela bebida que é secular e que se renova a cada dia, a cada música e vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

20/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:50

VINHEDOS DE PENFOLDSA

A história do produtor australiano Penfolds se confunde com a história vitivinícola do próprio país. Fundada em 1844, a Penfolds é hoje a marca mais prestigiada e admirada do mundo, título recebido em 2019 pela Drinks International. A avaliação considera que a vinícola conseguiu manter um alto nível de qualidade em toda sua linha, que, aliás, é bem extensa. Os vinhedos de Penfolds estão localizados ao sul da Austrália, a região mais privilegiada do país. Mas o produtor utiliza uvas não só de vinhedos próprios, mas também de vinhedos arrendados e de produtores independentes, um total de 220 vinhedos em toda a Austrália. Produz excelentes vinhos de custo-benefício, como Rawson's Retreat ou Koonunga Hill, até superícones como Grange, já eleito o melhor vinho do mundo em 1995 pela revista Wine Spectator. O Grange foi designado como Heritage Icon, patrimônio nacional na Austrália, sendo o único vinho a merecer essa marca.

19/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:12

VINHO E MEMÓRIA

O nosso tema de hoje é o vinho memórias. Para os filósofos, a memória é a garantia da nossa própria identidade. São as lembranças conservadas, ideias ou imagens que lembramos sem esforço algum. Podem ser as memórias visuais, memórias olfativas e até as memórias sentimentais. Boas lembranças é tudo aquilo que te traz calorzinho ao coração. E o vinho memórias da vinícola El Principal, do Chile, foi criado em 1999, em homenagem aos quatro séculos de história, quatro séculos de memórias. O símbolo do roto é o espiral da vida e representa o círculo da vida, que é o permanente movimento gerado pelas nossas experiências e pelas nossas memórias. O espiral da vida é presente nas antigas civilizações e representa a evolução e o constante desenvolvimento. Podemos dizer que hoje já gosto melhor, porque tenho memórias olfativas e memórias visuais. No mundo do vinho, essa evolução e desenvolvimento acontece a cada nova safra, a cada geração e, a cada degustação, vamos formando nossas memórias olfativas. Cada um tem sua memória vinífera: aquele vinho em tal lugar, com tal pessoa. A composição do vinho Memórias foi cuidadosamente elaborado para manter o frescor da fruta e preservar a intensidade do vinho. A base é a uva Cabernet Sauvignon, com um assemblage de peti verdot para aumentar a acidez e o frescor do vinho. Cirrar, para dar suas notas de especiarias, a uva Carmeneri foi utilizada para intensificar a cor vermelha e os taninos redondos. E a uva Cabernet Franc, pelos seus intensos sabores e aromas. Este é o famoso assemblage do vinho Memórias. Resulta um vinho que coleciona reconhecimentos, como o melhor vinho do concurso Catador Santiago, em 2018, e 90 pontos por Robert Parker com a safra de 2015. O vinho chileno Memórias traz contigo toda a carga de informações, de memórias e de lembranças dos estudos da vinícula e também a carga de informações, histórias e memórias da própria videira. Lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar novos vinhos.

18/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:21

BODEGA ROUTINE

A bodega Routine se instalou no Vale do Uco, na Argentina. Foi a primeira a se instalar nessa região. De lá para cá, a região se despontou como uma das principais produtoras da Argentina. A vinícola está presente com três vinhedos: Guatala Rari, a 1200 metros; Altamira, a 1100 metros; e o vinhedo chamado La consulta, a 950 metros, onde se planta apenas Malbec. Escolhi o Routine 50% Malbec e 50% Cabernet Sauvignon, um vinhão. A cor chega a vibrar na taça, super intenso, um roxo profundo. A união das duas super uvas deu um resultado super harmônico. A Cabernet Sauvignon entrega ao vinho corpo e estrutura, e a vinícola que suaviza os taninos, em uma combinação única de aromas e sabores, com camadas e camadas de fruta, ameixa, baunilha e leite. Muita força no vinho. Realmente, o enólogo Mariano de Paola tem razão quando diz que a vinícola foi desenhada para produzir vinhos ultraprêmios. A revista britânica The Canter já o destacou como um dos 30 melhores enólogos do mundo. Para nós, só nos resta aproveitar vinhos como o rutine Cabernet Sauvignon Malbec Argentino.

17/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:22

ARTE DA TANOARIA

E uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. Hoje vamos falar da arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada em todo o mundo é o carvalho, porque apresenta a melhor porosidade, o que possibilita a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem também impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, além de resistência — podendo durar até 100 anos — e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril de carvalho. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é 225 litros e, quanto menor o barril, maior ele influencia no estilo do seu vinho. O uso do barril de carvalho influencia a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita baseada no envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas só para lembrar: os vinhos mais jovens podem ter nenhum estágio na madeira ou inferior a 12 meses. Os Crianza, 12 meses na madeira e mais 3 em garrafa. Os Reserva, 12 meses em madeira mais 4 em garrafa. E os Gran Reserva, 24 meses em madeira e 6 anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos, na estrutura e na textura dos vinhos. Pode variar nessa evolução de aromas e também no sabor do seu vinho. Por trás de cada barrica há uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

16/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:59

CORTE BORDALÊS

O tema de hoje será o corte bordalês. Quando se fala em vinhos de corte, a maior referência é o corte bordalês, que tem a base das uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, e pode ter uma porcentagem pequena de Petit Verdot e Malbec. O corte bordalês é, sem dúvida, um dos mais admirados e copiados do mundo; por isso, é possível encontrar vinhos deste estilo por todo o mundo. Os produtores bordaleses dizem que a mistura das uvas é que dá aos vinhos a melhor qualidade, equilíbrio, delicadeza e nobreza: uma uva completa a outra. A harmonização entre potência, cor, taninos, longevidade, aromas e acidez resulta nos vinhos chamados de “receita”: um elemento de cada uva, e o enólogo consegue chegar à proporção e resultado que busca. Até porque as uvas se comportam de maneira distinta conforme a safra, então essa proporção não é rígida. Cada produtor pode escolher entre as uvas da região,Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, um pouquinho de Petit Verdot e Malbec, e fazer a sua própria mistura, sem fugir muito do estilo Bordeaux, tão reverenciado em todo o mundo. Falamos sempre em cortes de uvas tintas, mas a região Bordeaux também tem o corte branco, e as uvas principais são, geralmente, Sauvignon Blanc e Muscadet. Bordeaux, para quem está entrando agora no mundo do vinho, é o nome de uma região vinícola que fica no sudoeste da França e produz alguns dos vinhos mais caros do mundo. Mas você também pode encontrar opções de vinhos que imitam o estilo Bordeaux a preços bem mais acessíveis. É só encontrar algum vinho que tenha esse assemblage entre Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. São os mais comuns de se encontrar, principalmente na Argentina, mas também no Chile, na Nova Zelândia, além dos franceses, é claro. E lembre-se de manter a moderação: se beber, não dirija.

14/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:08

VINHOS CHILENOS

Há algum tempo fiz uma degustação de vários vinhos chilenos. Entre eles, conheci a Pérez Cruz e citei os vinhos da uva Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon da linha Limited Edition. Desta vez, degustei o Cihá, que vem ganhando inúmeros reconhecimentos em eventos, em guias e concursos, como o Descorchados, o Wines of Chile Awards e o Concurso Mundial de Bruxelas. Degustei a safra 2014, já que esta uva do Mediterrâneo se desenvolve, amadurece e evolui muito bem. Buscando na ficha técnica, o Pérez Cruz Cihá é feito com 90% da uva Cihá, 5% de ganacha e 5% da uva Movedre. Passa 14 meses no Carvalho Francês e tem um álcool elevado, 14%. São três aspectos importantes para saber se o vinho tem capacidade de evoluir bem e ainda estar em bom estágio de vida após 4 anos de concursos: colheita, a variedade da uva é a primeira, ao uso da madeira e o álcool elevado. E ok, o vinho estava delicioso. Achei mais um detalhe. O vinho passou 30 dias de maceração, 30 dias de contato entre o líquido e a casca, extraindo cores, aromas, sabores e mais potencial de evolução. Na verdade, o vinho estava espetacular. A fruta madura, pimenta, com uma acidez super gastronômica. E eu traduzo: acidez super gastronômica quer dizer que saliva a boca, dá vontade de comer alguma coisa. Um vinho de bom corpo, bem estruturado, redondo e sem arestas. E mais uma vez eu traduzo novamente: sem sobrar ou faltar os famosos 4 A's do vinho. Açúcar, amargura, acidez e álcool. O vinho tem que ter os 4 A's, só que nem de mais e nem de menos, muito menos desequilibrado. Tem vinho que tem muito açúcar e pouca acidez. O famoso vinho chato, xoxo, sem vida, sem graça. A vida é curta para se beber vinhos ruins. Então anota aí para você experimentar logo: Pérez Cruz Limited Edition Cijá. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

13/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:14

BRAMARE MALBEC DE LUHANDECUYO

A Argentina Vinha Cobos é do renomado enólogo produtor Paul Hobbs, foi fundada em 1988 em Mendonça. Eu degustei o Brahmari Malbec de Luhandecuyo. A diferença de rótulos por terroir é um diferencial dessa vinícola. Eles prezam muito os diferentes aspectos dos vinhos que trazem as notas do terroir. Este é um supervinho de cor forte, intensa, aquele vermelho rubi quase negro, de terroir pedregoso, e traz um certo mineral, produz vinhos fortes. O envelhecimento e evolução do vinho acontece em barricas mescladas entre carvalho americano e francês, de novos e segundo uso, durante 18 meses. Além da coloração intensa, apresenta também fruta vermelha e negra. É um vinho amplo, de taninos macios, intensos e longa persistência. Mais um vinhão, como diria o Paul Hobbs. Bom dia, doutor Joaquim Spadone, um grande abraço, Joaquim Spadone. Me deu vontade de harmonizar e corri para fazer um risoto de filé com funghi. Malbec pede carne, não tem jeito. Funghi tem gosto de carne, e o risoto fica ainda mais escuro, untuoso, mais pesado, rico, complexo de sabores e harmônico. O vinho Cobus Brahmari Malbec combina com risoto de filé e funghi, e lembrando sempre de manter a moderação. Reúna os amigos, deguste o seu vinho, mas mantenha a moderação para aproveitar vinhos novos e diferentes.

12/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:30

TELLUS CERRADO LISO

Vinho e seus deuses. Degustei o Telo e Cirrado Lázio. A propriedade fica a uns 50 km de Roma e o nome vem da deusa romana da terra, do solo fértil, Telo. O rótulo me chamou a atenção e descobri que foi escolhido em um concurso de arte que aconteceu no belíssimo Castelo de Sant'Angelo, em Roma. O Castelo de Sant'Angelo é um cenário belíssimo e foi lá que aconteceu a grande ópera Tosca, de Giacomo Puccini. Totalmente cheio de arte. Um monumento rico, que tem a estátua de um anjo coroando o edifício. Telo e Cirrado é um vinho cheio de arte. A garrafa tem o formato das antigas garrafas romanas e o vinho é do produtor Falesco. Um super Cirrado de coloração vermelho bem intenso, frutas frescas e as famosas especiarias da Cirá, com um toque de baunilha pelos seus 5 meses de carvalho. O Telo e Cirá é um vinho cedo, com taninos macios, rico e persistente. Acompanha super bem pizzas de calabresa, queijos maturados e massas com molhos fortes, como o nhoque de quatro queijos da minha amiga Gabriela Grandu. Que perfeição! Cremoso, aromas lácteos, sabores extremamente harmoniosos, incrível! Nhoque aos quatro queijos com vinho tinto é uma boa sugestão de harmonização, lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija!

11/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:27

PÃO E VINHO

Em outros contextos já falamos sobre a dupla que eu amo: pão e vinho. No Música e Vinho de hoje, vamos harmonizar alguns tipos de pães, já que a cada dia surgem variedades de receitas e as antigas estão sendo resgatadas. Pão não é só pão e acabou. Muda a textura, o tipo de ingredientes, a fermentação, o recheio ou a cobertura, o formato, com ou sem casca, com ou sem leite e por aí vai. Começamos pelo espumante: combina com brioches. Espumante, inclusive, tem aroma de pão, lembrando os brioches. Você já deve ter visto, nas descrições de alguns champanhas, notas aromáticas de brioche. Experimente para ver como fica bom, porque o brioche é bem macio e tem um sabor meio adocicado, macio como a textura cremosa da espumatização dos vinhos espumantes. Pode ser uma entradinha: brioche com queijos e espumantes. Os pães doces, com frutas secas, chocolates e castanhas, se harmonizam com os vinhos do Porto. Pode ser a sua sobremesa: pão doce com sorvete e vinho do Porto. Os pães de azeitona combinam com os vinhos da uva Nerodávola, a uva italiana defumada da Sicília. O sabor defumado combina com o amargor das azeitonas. Se você combinar com uma berinjela ou uma caponata de berinjela, pode colocar no pão e já vira um prato bem gostoso. E as famosas focaccias? Combinam com vinhos rosés mais secos. É um super pão que eu adoro: bem leve e fresco, com sabor acentuado do sal e do alecrim. O frescor do pão com o frescor do rosé. Agora vamos para os pães recheados: recheados com linguiça, com queijos e outros sabores mais fortes. Combinam com vinhos tintos, como o malbec e o sirrá. Neste caso, você pode ficar só no pão ou servi-lo com massas com bastante molho de carnes ou queijo. Pão e vinho: nem só de pão e vinho vive o homem. Se tiver música, também fica muito bom.

10/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:03

HARMONIZAÇÃO DE VINHO E PEIXE

Nada é mais delicado que as lascas de um filé de robalo. Um peixe encontrado principalmente na costa do Nordeste brasileiro, onde atinge tamanho e peso ideais. É um peixe bom de briga com os pescadores, mas não perde a delicadeza, a textura e a umidade no prato. A versatilidade de receitas é grande. Eu provei um da estação, em caldo de sementes e especiarias, bem escuro e forte. Uma das maravilhas do Tangará, do Jean-Georges. O robalo merecia a delicadeza do Muscadet de Sèvre-et-Maine, do Bernard Chérot, de fermentação em sur lie, quando o vinho fermenta sobre as borras e ganha estrutura, complexidade aromática e profundidade. A fermentação em sur lie também auxilia retardando o processo de oxidação do vinho. O Muscadet é elaborado com a uva Melon de Bourgogne, também conhecida como Muscadet, uma uva de belíssima acidez, frescura e coloração com reflexos esverdeados. É uma das uvas principais do Vale do Loire, na França. A principal sugestão de harmonização para os Muscadets são frutos do mar e peixes. A sequência da degustação seguiu com outro francês: o Figaro Rosé, da Mas de Daumas Gassac, do sul da França, no Languedoc-Roussillon. Um rosé de Carignan que pedia um vinho com mais corpo que o branco. Poderia ser até um vinho tinto leve, mas eu escolhi rosé para fazer parte do Rosé Revolution, que tomou o mundo, e para não fugir do que acredito e defendo há muito tempo: a versatilidade e o lugar de destaque que os rosés merecem. A Mas de Daumas Gassac é uma vinícola orgânica que cultiva as uvas originais das sementes, sem clonagem, e assim preserva as qualidades aromáticas e os sabores das uvas. Robalo, vinhos rosé, ambos franceses, e a adstringência de um café para fechar a noite. Valeu a experiência do estrelado Michelin. Lembre-se de manter a moderação sempre. Se beber, não dirija.

09/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:12

VINHOS DE JERUSALÉM

Uma excelente manhã para você. Curiosidades do mundo do vinho você tem aqui, no Musique Vinho. O vinho está tão presente na Bíblia que só não é citado em um dos livros, o Livro de Jonas. Ao fim do dilúvio, a primeira coisa que Noé fez foi plantar a videira, e o vinho foi a bebida escolhida para a última ceia de Jesus. Naquele tempo, a cirrá era a uva mais plantada na região de Jerusalém. Conta a história que São Patrício teria plantado a cirrá no Rhone ao retornar de uma peregrinação à Terra Santa, e hoje o Rhone é o berço da uva cirrá. Mas tudo começou há muitos anos, junto com a história da humanidade. Hoje, em Jerusalém, pesquisadores estão estudando sementes queimadas e secas, descobertas em escavações arqueológicas, para comparar a uvas vivas e talvez recriar as uvas daquele tempo, como se dizia nas celebrações. Daquele tempo ao nosso tempo, hoje temos o Domânio do Castel, de videiras plantadas nas colinas da Judeia, perto de Jerusalém. Israel tem hoje 6 mil hectares de vinhedos de Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Sauvignon Blanc e bem pouco da uva Sihá. As colinas da Galileia formam a região mais importante em qualidade, com excelente altitude, até 1.200 metros, e clima frio propício ao cultivo das videiras. Se quiser experimentar os vinhos da Judeia no estilo Bordeaux, como se chama em Bordeaux, segundo os vinhos equilibrados e cheios de sabor, o Domane do Castel é feito de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar vinhos diferentes, como os vinhos de Jerusalém

07/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:42

VINHO LA BANDA DE LOS

Uma excelente manhã para você. Degustei, outro dia, um vinho do produtor Família Vicentina, Argentina, e me surpreendi positivamente com um vinho que tem um nome bem original. A linha se chama Banda de los Três Súcios e, a princípio, herdinaram três vinhos de uvas que foram consideradas totalmente inviáveis. Os vinhos se chamam El Contrabandista, de Petit Verdot; El Tramposo, de Cabernet Franc; e El Renegado, de Cabernet Sauvignon. A linha surgiu na safra de 2014, que não foi grande coisa. O cuidado com os vinhos foi redobrado e cada variedade foi deixada nos barris para ver como se comportavam e evoluíram: a Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc e a Petit Verdot. Pareciam que não dariam nada. Eram vinhos rebeldes, terrosos, sem expressão e impuros. O Tramposo, de Cabernet Franc, era tímido, mas se abriu ao ser engarrafado e mostrou sua elegância e intensidade. O Renegado, Cabernet Sauvignon, que era todo desalinhado, se converteu em um lorde. E o Contrabandista, de Petit Verdot, que eu degustei, mostra bastante fruta e profundidade. O Contrabandista de Petit Verdot é um vinho elaborado de vinhedos de 15 anos, com 25 dias de maceração — e eu traduzo: maceração é o líquido em contato com a casca para extrair força, cor e sabor. Armazenado por 12 meses em carvalho francês de tosta alta, tem um perfume de flores, expressão aromática de tabac, com certo mineral, taninos elegantes, fruta doce e baunilha. Um vinho daqueles encorpados, gordos, mas muito diferente. Tem personalidade. Aliás, é um 100% Petit Verdot, uma uva com poucos varietais pelo mundo. Vale experimentar o Contrabandista Petit Verdot da família Vicentin, na Argentina. Lembrando sempre de manter a moderação.

06/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:56

CHATEAU SAINT MICHEL RIESLING

Antes mesmo de gravar, eu já postei e comentei muito sobre uma vinícola que eu gosto demais nos Estados Unidos, da região noroeste, no estado de Washington: Chateau San Michel. Tem vinhos de excelente custo e qualidade indiscutível, e o mais legal é que eles unem música e vinho. Durante o verão americano, até o dia 15 de setembro, eles seguem com vários concertos na vinícola. Já sabemos que música combina com vinho. As apresentações vão de Ben Harper a Pink Floyd. Conheci a vinícola em 2016 com Cabernet Sauvignon e depois degustei várias outras uvas, mas só agora tive a oportunidade de degustar o Riesling, o mais vendido do mundo. O Chateau San Michel Riesling, do Vale de Colúmbia, é super refrescante e crocante. Tem aromas de maçã verde e um mineral bem gostoso. Agrada a todos porque não é muito seco nem muito mineral, então, se tiver mais, dê uma olhada. Torna fácil de beber, mas tem todas as características de qualidade da uva Riesling. Harmonizei com vieiras ao yuzu: vieiras frescas e cruas, com muito frescor, salgadinho e o azedo intenso do molho de yuzu, que é uma compota, uma conserva de limão. Você pode harmonizar também com frutos do mar, frango, queijos frescos, comida japonesa, enfim, todos os pratos frescos e leves. A vinícola tem mais três rótulos de vinhos brancos feitos com a mesma uva Riesling, como o Heroica, o Cold Creek e o Colheita Tardia. A vinícola Chateau Saint Michel foi eleita, em 2012, como o produtor do ano dos Estados Unidos; em 2011, com a marca mais admirada; em 2013, como a vinícola do ano do Pacífico; e está sempre entre os Top 100 da Wine Spectator, comemorando mais de 50 anos usando as tradições do Velho Mundo e as tecnologias do Novo Mundo. Até pouco tempo diziam que grandes vinhos americanos eram só os californianos. Quero arriscar um vinho de Washington? Que tal começar com o Chateau Saint Michel? Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar o seu próximo vinho e descobrir vinhos maravilhosos como o Chateau Saint Michel Riesling.

05/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:14

VINHOS DA NOVA ZELÂNDIA

O música vinho de hoje fala sobre a Oceania, a ilha da Nova Zelândia, no Pacífico. Na minha cabeça, quando penso em Nova Zelândia, vejo Sauvignon Blanc, vinhos brancos, leves, frescos, minerais e com aromas tropicais. A uva Sauvignon Blanc corresponde a 42% da área plantada no país e é a protagonista. Dizem que não existe vinho branco mais frutado no mundo que os Sauvignon Blancs da Nova Zelândia. A mais famosa região é Marlborough, fica a nordeste da ilha sul e é onde se concentra 73% da produção de todo o país. Degustei o pontuado Ribbonwood Sauvignon Blanc, de Marlborough. O nome vem da árvore Ribbonwood, nativa da região, para mostrar a responsabilidade com a manutenção da região, a sustentabilidade das árvores que foram replontadas pelo produtor. A primavera já está chegando e os vinhos vão mudando. Começam a voltar os vinhos brancos, frescos e até os tintos mais leves. O Ribbonwood tem aromas de ervas, aspargos e maracujá, além de notas minerais e uma elevada acidez. Se você gosta da boca salivando, vai curtir harmonizar este delicioso vinho branco da Nova Zelândia, a terra dos melhores Sauvignon Blancs, com queijos brancos de cabra, saladas, lasanhas de legumes. Pode ser também camarões empanados, risoto de frutos do mar. Essa harmonização fica perfeita com pratos que tenham certa crocância e até um pouco picante, porque a acidez vai refrescar o seu paladar. Um excelente Sauvignon Blanc para você, lembrando sempre de manter a moderação.

04/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

VINHOS DA SERRA CATARINENSE

Da Serra Catarinense vem a produção dos excelentes vinhos da Vila Franchione, uma vinícola fundada em 2004 com a seguinte missão: enriquecer a celebração da vida ao sabor de um elegante vinho elaborado com amor e arte. Para eles, o vinho é considerado uma obra de arte que vai expressar suas características e sensibilidade ao integrar com quem o degusta: você. E não só a arte do vinho, mas as artes plásticas estão presentes na Vila Franchione, na galeria que já expôs nomes internacionais e obras dos artistas brasileiros como Juarez Machado e Luciano Martins. Os dois artistas são brasileiros que retratam várias obras com cenas de vinhos e seus momentos de degustação. Degustei o vinho Francesco, um belo assemblage entre as uvas Merlot, Cabernet Sauvignon, Raca, Berner Frank e Malbec. Sinceramente, estava procurando um vinho brasileiro gostoso, mas confesso a surpresa. Pode ser preconceito, mas parecia um Bordeaux. Que belo vinho brasileiro e catarinense! É que é tão novo isso pra nós? A vinícola começou só em 2004, como eu disse, e eu degustei o Francesco 2009. Outra grande surpresa: a Saffra, um vinho de nove anos ainda tão perfeito. O Francesco é muito elegante, tem super potência aromática, com evolução de aromas terciários, sem perder a fruta. Mistura chocolate com couro, framboesas, café, volta pras compotas de frutas vermelhas e se mistura ainda ao tabaco. É isso que mais me encanta nos vinhos: as evoluções, as mudanças de aromas e sabores que marcam a presença com um bom corpo, bom tanino. É um vinho bem vivo, com uma boa acidez, tem maciez na boca. A sugestão de guarda é de 10 anos. Mais. Acabei de degustar o vinho e acho que ele ainda aguenta pelo menos mais dois a três anos. O Francesco passou 14 meses no carvalho francês. Eu harmonizei com pizza e depois com queijos, mas poderia ser também pratos à base de carnes vermelhas, massas ou risottos. Um belo vinho tinto brasileiro da Serra Catarinense. Mais uma sugestão para você continuar as suas degustações.

03/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:26

VINHO VILLA CARDETO

Da região central da Itália, chamada Umbria, vem o delicioso vinho Villa Cardetto, elaborado com a uva Pinogridio. Só para situar, a uva Pinogridio é rosada e tem a origem na França, mas é famosa também na Itália e recebe outros inúmeros nomes em várias partes do mundo, como o Rulander, na região da Áustria. Sivipinô é o nome que ela recebe na Eslovênia, Alcerroá gris na própria Alsácia e Pinogris. Essa uva tem características de um vinho com boa acidez, pouco corpo, aromas cítricos de carambola, maçã verde, amêndoas; é um vinho seco, mas com aromas adocicados. Degustei o Villa Cardetto Pinogridio, da Umbria, uma combinação perfeita para peixes como linguado, massas com frutos do mar, frango ao molho agridoces, saladas e quiches de legumes. A região da Umbria é de muitas colinas e algumas montanhas e, bem ao centro, está localizada a cidade medieval de Orvieto, outro grande destaque da Umbria, que dá nome a um vinho elaborado com as uvas trebiano, malvazia, greteto e pode ter um corte de chardonnay. O vinho se chama Orvieto; é o estilo de vinho e não o nome do produtor. Passei pela Umbria de carro e subi até a cidade de Orvieto, uma pérola no alto das pedras, rodeada de vinhedos e oliveiras, uma belíssima paisagem. Lembrando sempre que, se beber, como eu fiz, não dirija.

02/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

OVO E LEITE NO VINHO?

Você sabia que vinho pode ter traços de ovo e leite? Essa informação já é obrigatória no contrarótulo dos vinhos na Europa. A prática é comum: os produtores utilizam ovos nos vinhos tintos e leite em vinhos brancos para retirar as impurezas, aromas indesejados e capturar todas as partículas em suspensão no vinho. É o processo de clarificação. Além do ovo e do leite, que podem causar alergia a algumas pessoas, já falei aqui no Music Vinho sobre a intolerância ao SO2 em excesso, que pode provocar dores no estômago, além do excesso de álcool, que causa dores de cabeça. E agora, mais uma descoberta, feita pelo cientista italiano Giuseppe Palmisano, na Universidade de Turim. Ele descobriu as glicoproteínas que se formam naturalmente durante o processo de fermentação e que podem causar alergia, igual ao látex, por exemplo. Alguns dos sintomas são espirros, coceira e vermelhidão pelo corpo, além de dor de cabeça e dores abdominais. Uma outra pesquisa observou que as pessoas que apresentaram alergia ao vinho tinham também outras alergias alimentares. Então, observe se suas reações são realmente do vinho ou de algum alimento da comida que acompanha o seu vinho. Quem é alérgico apresentará os sintomas mesmo que consuma o vinho com moderação e, a melhor indicação, é claro, nesses casos, é consultar sempre o seu médico.

28/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:36

VINHO FAZZOLLETO

inhos no estilo passito são comuns na Itália. É o processo utilizado na elaboração dos famosos vins santo e dos amarones. Mas nunca tinha ouvido falar na região do Piemonde elaborados com a uva barbera no estilo passito e fiquei super curiosa para pesquisar. O fazoleto barbera passito foi o rótulo que me chamou a atenção. Ele é elaborado pela Cooperativa Vinícula Aráutica, fundada em 1954 no Piemonte, e o vinho é elaborado com 100% da uva barbera. 20% da uva somente é deixada na vinha, no pé, por mais três semanas para pacificação. A técnica de apacimento das uvas é para concentrar mais aromas e sabores, já que o vinho perde água e volume e concentra açúcar. O processo pode acontecer antes da colheita, deixando a uva secar no pé ou em esteiras após a colheita, após colhidas ou também penduradas em galpões após a colheita. O fazolo é descrito como um vinho de médio corpo e moderadamente tânico, para acompanhar massas com carnes e lasanhas. Ainda não degustei. Se você já experimentou um passito do pie monte, compartilha comigo usando a hashtag música e vinho. A uva barbera é a uva típica da região do pie monte, ao norte da Itália. É a região dos parreirais encobertos por névoas no outono. Normalmente, os vinhos desta uva barbera são leves, como o Barbera Lacuerça, que já citei várias vezes, mas este processo de desidratar a uva traz potência e concentração, mudando totalmente o estilo do vinho. Um vinho diferente para você experimentar e descobrir, a cada dia, novos aromas e sabores do vinho. E ainda ir além, pesquisando sobre cada região de vinho que você degustar, você entende melhor a história e a cultura do local. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija

27/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:00

VINHO ISADE SELECTION TINTO

Se você ainda tinha dúvidas, eu adoro ganhar vinho de presente. Pode ser no Ano Novo, Páscoa, Natal, aniversário, Dia da Mulher, Dia dos Namorados, Dia do Sommelier, Dia do Radialista, Dia das Mães, eu aceito vinhos de presente. Ganhei o Isade Selection Tinto, da Rioja, na Espanha. O vinho tem 80% da uva Tempranillo e 20% da uva Graciano. A Tempranillo vem de “temprano”, a que amadurece cedo, você já conhece. Mas a Graciano, eu sei que só 20% parece pouco, mas não, faz uma diferença grande ao vinho. A Graciano recebe os nomes também de Tinta Miúda e Morastel. Ela é uma uva de grande complexidade em sabor e aromática, porque, ao contrário da Tempranillo, demora para amadurecer e ganha complexidade aromática. A Graciano é bastante tânica e isso traz a qualidade ao vinho. 80% de Tempranillo e 20% de Graciano, e ganhamos o Isade Selection. Tem uma coloração rubi bem intensa e é super complexo nos aromas. Vai da fruta ao fumo. As vinhas são antigas, de mais ou menos 60 anos. O fumo vem dos barris de carvalho, durante os 16 meses de madeira. Eu harmonizei o meu Isade com costelinha de porco assada. Esses são os pratos típicos da Rioja: carneiro, porco. Várias safras do Isade estão pontuadas por Robert Parker com 94 pontos, por exemplo, na safra de 2010. Degustei o 2014 e mostra que o vinho é de boa guarda. Mais uns 8 anos, pelo menos, e agora ele estava no auge.

26/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:46

VINHO TINTO SALBIDE

Está no ar mais uma edição do Música e Vinho. Do coração da Rioja lavesa vem o vinho tinto salbide, um 100% tempranilo. O salbide é um vinho espanhol bem típico, mas com menos madeira que os riojas de uns 10 anos atrás. Os 14% de álcool não pesam, a madeira é bem sutil e elegante. Foram apenas 12 meses em carvalho, bem menos que o comum na Espanha, entre 16 e 48 meses de madeira. A tempranilo é a uva rainha da Espanha, pode produzir vinhos muito leves e jovens a vinhos muito longevos e encorpados. O salbide me encantou, mantém perfeito equilíbrio entre fruta e madeira. Mantém a tipicidade da Espanha usando a madeira, vinhas de mais ou menos 45 anos no coração da Rioja, mas muito fácil de beber. O salbide tem uma coloração cereja, intensos aromas de frutas negras e baunilha, muito frescura. E essa é a principal característica de modernidade nesse vinho. É esse frescor e vivacidade que o fazem ganhar admiradores do novo mundo. É o que a gente busca, frescor no vinho. Potência em nariz, equilíbrio em boca e um vinho vivo, com bastante acidez. Bom para acompanhar aperitivos ou um belo jantar. Um vinho para toda hora, sem muitos mistérios. Se bem que ele se abre aos poucos e aí vêm os aromas animais, que eu também amo. Quem sabe você encontre outros aromas? Aproveite e compartilhe comigo usando a #MusicaeVinho.

25/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:33