Música e Vinho | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

UVA PINOT GRIGIO

E uma excelente manhã para você, obrigada pela companhia de sempre em mais uma edição do Música e Vinho. A vinícola Barone Montalto é uma jovenzinha na ilha da Sicília. Ela é colonizada por gregos e, posteriormente, pelos romanos, que deixaram muitas influências, como teatro e arquitetura. A Barone Montalto foi fundada em 2000 e acompanha a nova tendência dos vinhos sicilianos, muito próximos aos vinhos do Novo Mundo. Embora sejam vinhos de terroir vulcânico, apresentam sabor, são vinhos de aromas vivos, pronunciados e bem aparentes, que se mostram fácil e, principalmente, vinhos que agradam a todos. Tenho um carinho pelo Barone Montalto, pois o degustei pela primeira vez na Itália e a uva Pinogridio está entre as minhas brancas preferidas. O Barone Montalto Pinogridio, da linha aquarelo, tem a coloração esverdeada, lembrando maçã verde e libão. Os mesmos aromas que aparecem no olfato. Na boca é um vinho de paladar só. Suave, como uma mousse, e traz acidez e mais notas de limão, como um limão siciliano. Um vinho de tampa de rosca para facilitar. Pode gelar, beber jovem e acompanhado de risoto de camarão, massas com ervas frescas e manteiga. Um vinho de alta salivação, causada pelo frescor da acidez do Barone Montalto. Para lembrar que esse vinho é siciliano, leves e toques de defumado. Afinal, estamos na ilha de terroir vulcânico e vulcões ativos. Bom pinogride para você!

05/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:33

CORTESE DI GAVI

O Música e Vinho é pra você que quer saber mais, que quer se aventurar no mundo do vinho, quer ver ou te inspirar notas de frutas brancas, frescas, amêndoas e flores. Que delícia de vinho branco piemontês! Se você também está aberto a se aventurar e conhecer novos vinhos, que tal experimentar um cortese de Gave? A Vila de Gave e esta classificação de vinhos Gave é do norte da Itália e está localizada no piemonte, bem próximo à cidade de Gênova. E para harmonizar com os pratos da culinária mediterrânea, peixes e crustáceos, os produtores da região começaram a plantar e a produzir vinhos com uvas brancas. A cortese de Gave produz vinhos frescos, secos e de alta acidez, por isso muitos produtores optam pela fermentação malolática para arredondar e retirar um pouco da alta acidez, ou o produtor aproveita a sacidez para produzir belíssimos vinhos espumantes. Degustei o Ildodi. Ildodi era a denominação de chefe ou comandante, nome usado para os dirigentes máximos da cidade de Gênova. Um vinho de grande frescor, uma boa persistência e super gastronômico para beber gelado. O Ildodi é da vinícola Broglie, que já serviu seus vinhos no Vaticano em comemorações aos 25 anos do pontificado do Papa João Paulo II, em reuniões importantes como a do G8 em 2009 e em vários banquetes oficiais. Se você está aberto a se aventurar, que tal experimentar Cortese de Gave? Uma ótima manhã para você!

04/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

VINHOS ROSÉS

Sabe qual é o queridinho do momento? São os vinhos rosés. Apaixonados por vinhos rosés são declarados rosé lovers, como eu. Já degustou vinhos rosés? Se ainda tem preconceito, você não sabe o que está perdendo. Ele não é nem branco nem tinto, mas tem aromas de tinto e frescor de branco. O melhor dos dois mundos. E ainda a versatilidade de harmonizar com uma infinidade de pratos, desde saladas, massas ao sugo, embutidos mais leves. Pode ser frutos do mar, frango, comida japonesa e muito mais. Celebridades como Angelina Jolie e Brad Pitt influenciaram muito o aumento do consumo de rosés quando lançaram o Chateau de Miraval Rosé. É sucesso absoluto na Provence, elaborado com as uvas Cinsault, Grenache Noir, Syrah e Role. 5% do vinho passa em Carvalho. Tem uma fruta intensa no nariz e em todos os ingredientes. Em boca, notas frutadas e minerais. O Chateau de Miraval é puro música e vinho. Olha que fantástica essa história. Em 1970, o pianista e compositor de jazz Jacques Luzier comprou a propriedade e a transformou em um estúdio de gravação, onde músicos como a banda Pink Floyd e Sting gravaram algumas músicas. Da música para os filmes, me inspirei nos 50 tons de rosa. Só para você entender que a variação de cores dos vinhos rosés é imensa. Vai do rosa salmão ao pink, cereja, pêssego, casca de cebola e até tons mais atijolados. Depende da uva ou dos cortes de uvas tintas usadas. Depende se a casca tem mais pigmentação ou não. Depende também do tempo de maceração, que é o contato do suco da uva com a casca e o processo de elaboração. Tem sempre um rosé para te encantar. É só você escolher um dos tons de rosé que mais te agrada. Se você está aberto a novas experiências, o Música e Vinho te inspira. E eu quero saber o que você está degustando. Compartilhe conosco usando a hashtag Música e Vinho através das redes sociais.

03/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:14

VINHOS DOCES

Se você gosta dos docinhos, vamos encontrá-los, mesmo que venha de longe, das colinas do Piemonte, uma região belíssima, premiada como Patrimônio Mundial da Unesco. Sobre vinhos docinhos, eles são perfeitos para harmonizar com sobremesas e ainda para você criar drinks com algum ingrediente que quebre a doçura. É nessa região do Piemonte que se produz os famosos astes. Aste é o nome da região e também do método de elaboração desses espumantes. O método aste forma a espumatização em uma única etapa de fermentação, dentro de autoclaves, como é feito do método charmate. Pelo método aste, o vinho atinge entre 6 e 10 graus de álcool, e a fermentação já é interrompida, assim sobra açúcar e o gás é mantido sem deixar escapar na atmosfera. Os aromas frutados são bem presentes e o álcool é bem levinho. Da mesma região descobri um vinho feito não com as uvas moscatos, mas com uma uva diferente, a braqueto. Uma uva tinta cultivada predominantemente no Piemonte. A braqueto é usada normalmente para a elaboração de espumantes tintos, pouco usual para nós, mas deliciosos. Especialmente os docinhos, como o aqués e braqueto. Aromas de flores, morango, framboesa, amora e cravo. Um espumante tinto e docinho para você harmonizar com saladas de frutas, lembrando sempre de manter a moderação.

02/02/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:33

VINHO DA CASA PERINI SOLIDÁRIO

Uma ótima manhã para você. Se cada um de nós encontrarmos, em seu universo de trabalho ou na sua comunidade, uma forma de ajudar ao próximo, já estaremos com um grande passo para a evolução da humanidade. Há vários projetos solidários no mundo do vinho, como o Vinho da Casa Perini e Virícula Nacional, com o nome Solidário. O vinho é elaborado com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot. A maior parte do lucro é destinado ao Instituto da Mama do Rio Grande do Sul e à Federação Brasileira da Hemofilia. O câncer de mama tem cura, se detectado precocemente, e a hemofilia tem tratamento. Vinho e saúde sempre estiveram próximos, desde o uso do vinho para tratar feridas na antiguidade até a indicação por médicos de consumo frequente e moderado para ajudar na prevenção de inúmeras doenças, especialmente as cardíacas. Vinho traz bem-estar, alegria e une as pessoas. O estról é a principal substância que apresenta as propriedades benéficas à saúde. Essa substância está presente em maior concentração no caso das uvas tintas, especialmente as uvas Taná, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. O Casaperini Solidário é elaborado com as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot. Você contribui para uma causa e se beneficia também. Consulte sempre o seu médico e beba com moderação.

31/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:27

SOUVIGNON BLANC CHILENOS

Eu amo os vinhos Sauvignon Blanc chilenos, e sabe por que eles me encantam? Tudo: coloração esverdeada, aromas de frutas brancas maduras e um delicioso frescor na boca. Sauvignon Blanc de regiões frias, como o Vale do Colchagua, no Chile, tem uma mineralidade, isso ajuda a mineralidade dessa uva. Degusteio Caliterra Sauvignon Blanc. A vinícola é bem nova, foi fundada em 1996 pela união entre o americano Robert Mondavi e a vinha Errazures, já instalada no Chile. O Caliterra Sauvignon Blanc tem os aromas super intensos que lembram manga e também maracujá. Além de ser muito cítrico e mineral, lembra tomates e pimenta verde. A safra de 2015 recebeu 89 pontos no guia Descorchados e a medalha de ouro no International Wine Challenge. A partir dessa safra, os vinhos. Vinhos da linha Kaliterra Reserva foram responsáveis por renovar o estilo da vinícola, trazendo cada vez mais frescor. E esse frescor é típico da região de Casa Blanca, de clima costeiro mais frio. Sauvignon Blanc é uma uva que se destaca no Chile, na Nova Zelândia e na França, na região do Vale-du-Loi. Pode escolher sem medo, que é bem difícil ter um vinho dessa uva que não vá te agradar. Isso se você gosta de vinho sem madeira, de vinho branco leve, de vinho com acidez alta, enfim, Sauvignon Blanc é exatamente isso. A minha harmonização desse dia foi bem torta e não deu certo. Acabei ficando só no vinho e água para hidratar, mas poderia ser saladas, torta de legumes, peixes ou cevites. Mantenha sempre a moderação, lembre-se de beber água para acompanhar a sua degustação e de compartilhar nas redes sociais usando a nossa hashtag Musica e Vinho.

30/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:57

DEGUSTAÇÃO

Nossa, que vinho bom, muito bom, excelente, delicioso. Quando a gente começa a beber vinhos e ainda não consegue descrever o que sentimos, é assim mesmo, mas já é o primeiro passo. Vinho é assim: vivo, evolui, melhora, muda, amadurece, trava a língua, saliva, esquenta, refresca, oxida, envelhece e até explode, como os espumantes. Tudo é possível. O exercício da degustação é gostoso, divertido e vai te levar a esse caminho de entender cada sensação que o vinho te traz. As etapas são visual, aromática e gusta ativa. Primeiro, sirva um terço da taça e observe a coloração. Vinhos brancos ganham cor com a idade e vinhos tintos perdem coloração. Você ainda pode analisar o brilho ou opacidade da cor, os reflexos e mudanças de tonalidade da cor e a famosa lágrima do vinho. O quanto mais rápido escorrer o líquido, menos alcoólico é o vinho. Só é possível entender essas variações de coloração se colocar estilos diferentes nas taças, uma ao lado da outra. Assim, você vai ampliar seu conhecimento fazendo comparações. Um vinho da uva Chardonnay com barricas, ao lado de um Sauvignon Blanc jovem, tem grande diferença. Já os vinhos brancos, dentro das garrafas, nas prateleiras ou ainda na adega, às vezes você pode confundir com o vinho tinto, porque parece tudo igual. Exercícios como este são bem divertidos e, se você também já fez essa degustação, lembre-se de compartilhar conosco usando a #músicaevinho.

29/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

VINHO E SEUS AROMAS

Já reparou naquelas pessoas que pegam o vinho e vão logo cheirando? Eu sei que, para muita gente, isso parece frescura, mas eu explico. Faz parte da degustação do vinho: as etapas são visual, aromática e agustativa. Se você fizer as duas que antecedem a degustação, o vinho pode ser ainda mais agradável. Nem adianta torcer o nariz, porque é uma questão de tempo: todo mundo vai beber vinho um dia. A etapa aromática é super prazerosa. Procure na internet uma coisa chamada roda de aromas de vinhos, e você vai encontrar todas as famílias aromáticas possíveis nos vinhos. São muitos, mas bem distintos. E, para mim, é uma viagem sensorial que só engrandece o vinho. Sirva apenas um terço da taça para o vinho ter espaço para liberar o álcool e você fazer o giro que vai liberar os aromas. Cada família aromática pode ter relação tanto com vinhos brancos como com vinhos tintos, e um só vinho pode apresentar várias famílias aromáticas. Um exemplo: champanhe branco pode ter aromas tanto de flores como de frutas brancas, além de pão e manteiga. Um vinho Pinot Noir tinto pode ter aromas de frutas vermelhas, como morango. Um Malbec pode ter aromas de frutas vermelhas maduras e frutas em compota. Um Sauvignon Blanc pode ter aromas de maracujá e de ervas frescas. Um vinho tinto envelhecido da Sicília, por exemplo, pode ter aromas de defumado, charuto e de frutas negras. Já pensou você sentir e conseguir descrever esses aromas no vinho sem nem mesmo tê-lo colocado em boca? Essa é a experiência sensorial na etapa aromática de degustação dos vinhos. Se você também teve alguma experiência interessante na etapa aromática, compartilhe conosco usando #musica&vinho.

28/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:57

VINHO ASSEMBLAGE

O nosso tema de hoje é um super duelo entre Douro e Douero. Um só rio, duas super regiões vinícolas ao longo dos seus 850 km do rio Douro. No lado espanhol nasce o Douero e chega a sua fosa em Vila Nova de Gaia, já em Portugal, com o nome de rio Douro. As duas regiões elaboram vinhos bem distintos, mas ambos de grande prestígio. Então, se você fizer uma harmonização entre Douro e Douero, não vai ser fácil, é um super duelo. Os vinhos do Douro têm características florais intensas e o uso de carvalho francês como predominância. Já a ribeira do Douero, na Espanha, é mais frutado e usa carvalho americano. Na ribeira do Douero, na Espanha, a Tempranilo reina e desenvolve vinhos muito elegantes, complexos, concentrados, potentes e harmônicos. Hoje, já usa uvas estrangeiras nos cortes. Triplicou o número de produtores e tem uma grande variedade de vinhos, que vai dos jovens com dois meses de envelhecimento aos vinhos mais velhos, reservas à moda antiga. No Douro, em 2003, surgiram os Douro Boys, uma geração de produtores que passou a usar as uvas do porto para fazer os tintos secos, que chamaram de novos durienses. Agora, já estamos com a geração Douro Kids, os novos durienses que estão em direção ao primeiro grupo e contribuir com as suas ideias, seja no marketing ou na enologia. Uma das novidades é que eles estão plantando e produzindo um vinho feito 100% com a uva baga, a uva símbolo de outra região chamada Bairrada, só que estão produzindo no Douro. O vinho não foi ainda engarrafado, mas vem novidade por aí. Além de vinhos varietais, outra novidade no Douro, 100% com toriga nacional, sendo que o comum no Douro sempre foram os famosos. Assemblagens, as misturas de uvas.

27/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:02

PIZZATO CONCENTUS

Tem uma vinícola brasileira que está ousando e provocando o mercado. A Pisato, do Vale dos Vinhedos, que já comentei sobre o Fausto Merlot e o espumante Brute Natur, que segue a tendência de zero açúcar. Bom para nós, porque açúcar só tira a nossa energia. A Pisato está plantando e elaborando vinhos com uvas bem diferentes, como Alicante Boucher desde 2004 e a uva Egiodola, uma das poucas versões dessa uva no Brasil, mas ainda não degustei. Está apostando também na Merlot, que há muito tempo o Brasil está tentando colocar como uva-bandeira, e outras versões ainda em assemblage. Ganhei, degustei o Pisato Consentos. Consentos, em latim, é harmonia, consenso, e o vinho é o perfeito consenso entre Merlot, Cabernet Sauvignon e Taná, um assemblage. O Consentos traz notas mais fechadas, como Bosque Molhado, Café com Leite, Ameixas, especiarias doces como cravo e chocolate. São 11 dias macerando, extraindo aromas e sabores das três uvas. 70% do vinho é Merlot, apesar de estar realmente se empenhando na uva Merlot. 70% do vinho é Merlot e, apesar de realmente estar se empenhando para que a Merlot seja a nossa uva bandeira, o restante é 15% de Taná e 15% de Cabernet Sauvignon. É bem encorpadinho para a maioria dos vinhos brasileiros. Tem uma persistência média longa e a sugestão de harmonização são as caças, churrascos e molhos com vinho tinto. Harmonizei com empadas de calabresa, o molho funghi. Deu certo. E você? Também inventa harmonizações com vinhos em casa? Aproveite e compartilhe comigo usando a hashtag música e vinho. 🍷

26/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:47

CHÂTEAU PUYCARPIN BORDEAUX

Eu tenho um amigo que gosta muito de vinhos, mas nunca conseguiu se entender com os bordôs tintos. Você também acha difícil? O fantasma dos bordôs é o preço, sempre apresentados como os vinhos mais caros do mundo, daí espanta mesmo. Degustei uma opção muito boa de custo justo, na faixa dos 120 reais, o Chateau Puicarpan de Bordeaux. Bordeaux é uma região francesa de vinhos dividida em margem direita e margem esquerda. Na margem direita está a subregião de Saint-Emilion, de grandes vinhos da uva Merlot. E em Saint-Emilion há uma apelação, uma outra partezinha de terra dentro de Saint-Emilion, chamada de Cotes du Castillon. Ali produzem-se vinhos que usam a maior parcela da uva Merlot, em vinhos tintos que vão de médio corpo a encorpados. A Cote du Castillon produz vinhos com certa rusticidade, que vai se afinando com o tempo. Degustei o xatopo e carpam, 80% da uva merlot e 20% de cabernet sauvignon, com passagem de 8 meses em madeira e 14% de álcool, então você pode guardar por uns 4 anos. Na boca, um perfeito equilíbrio entre madeira e fruta. Acidez na medida certa, taninos presentes, aromas que lembram a meixa seca, caça e o famoso soboá, aquele aroma de terra molhada bem típico nos tintos bordaleses.

24/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:30

MACCIARELI DE MONTEPULCIANO

Na década de 70, o produtor italiano Gianni Maciarelli resolveu mudar o sistema de condução dos vinhedos em Abruzo e foi criticado. Com rendimento bem inferior, ele produziu vinhos mais concentrados que os produzidos na região de Abruzo, que fica ao centro da Itália. Após algumas décadas, hoje ele é copiado e chamado de anjo da guarda do Abruzo, pois revolucionou a produção e colocou a região em evidência aos críticos e também aos consumidores de todo o mundo. Degusteio o Maciarelli de Monteputiano da safra de 2016. Uma das características da uva símbolo da região, a uva Monteputiano, é a coloração profunda, baixa acidez e taninos doces, deliciosos quando jovens, mas podendo evoluir até uns 10 anos. De Abruzo melhorou o estilo de Abruzo, mas sem perder a tipicidade italiana ​ Ao beber, você sabe que é um vinho italiano, pede comida, saliva na boca. Eu harmonizei com queijos, pastas, frutas, castanhas e carnes. Uma mesa bem farta, bem italiana mesmo. Agora é um momento de reflexão e pergunta, eu quero saber de você. Você procura vinhos que sejam muito diferentes um do outro? Quer encontrar vinhos que tenham a cara, ou melhor, o gosto de cada região ou país? Ou você procura vinhos que goste e pronto?

23/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:34

VINHO CLAUDE VAL

O Domane Paul Mas do Languedoc produz um vinho branco chamado Claudeval. É o mesmo produtor do Arrogant Frog. A linha Claudeval é sempre feito de assemblages de uvas tradicionais e regionais do sul da França, como as uvas brancas Grenache Blanc, Vermentino, Chassant, Mausac, Sauvignon Blanc e Chenin Blanc. Essa é a composição das uvas do famoso Claudeval branco. O vinho permanece três meses sobre as borras, as chamadas lias. Ou você pode encontrar no rótulo ou na ficha técnica escrito como surli. Nesse período, o vinho ganha estrutura, acidez e notas de flores e frutas brancas, como pera e maçã. Eu adoro esse estilo de vinhos brancos secos e minerais para acompanhar com um arroz com frutos do mar e ervas frescas. Que tal a sua sugestão de harmonização? E eu quero saber qual é a sua sugestão de harmonização, o que você está degustando? Compartilhe conosco usando a hashtag Musica e Vinho através das redes sociais.

22/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:04

BENEFÍCIOS DO VINHO

A sabedoria popular sempre reconheceu as qualidades e contribuições físicas e espirituais do vinho. A ciência conseguiu provar após dois mil anos e não há dúvidas: vinho faz bem à saúde e para a alma. Tornou-se uma bebida fundamental. Já dizia o poeta romano Bábrios: o grau de civilização de um povo é sempre proporcional à qualidade e à quantidade de vinhos que consome. O vinho é, sim, um instrumento cultural repleto de simbolismos. Através do vinho, experimentamos novas culturas e adquirimos conhecimentos sobre cada povo, gastronomia e região à qual o vinho pertence. De Pasteur, no século XIX, a Serge Renaud, em 1991, o vinho faz bem à saúde. Pasteur introduziu a pasteurização, que elimina as bactérias do vinho por aquecimento da bebida. Renaud confirmou a boa relação entre o consumo de vinhos e a saúde, e a menor incidência de doenças coronarianas. Mais recentemente, os cientistas se concentram na ação rejuvenecedora dos antioxidantes do vinho. Os estudos continuam a examinar várias partes do corpo humano onde o vinho pode agir beneficamente, mas, dos efeitos da mente, ninguém tem dúvidas. E há muitas contribuições quanto aos avanços da política, ciência e literatura, desde a antiguidade à atualidade, desenvolvidas a partir do vinho. Do comércio marítimo do Mediterrâneo aos simpósios políticos e filosóficos em que partilhavam uma taça de vinho, o vinho sempre teve seu prestígio e hoje é capaz de unir as pessoas com fortes laços histórico-culturais, das taças de cristal aos copos de acrílico. Um bom vinho para você, uma ótima manhã, e lembre-se de compartilhar o que você está degustando usando a hashtag musica&vinho através das redes sociais.

21/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:56

COLLE PETRITO ROSSO

O dia estava muito quente, e eu estava sem companhia para tomar um vinho. Todos procuravam uma bebida para gelar, para refrescar, e eu concordei. Mas, depois de alguns minutos, minhas papilas gustativas pediram um vinho, e lá fui eu a mais um desafio: agradar a quem não é tão fã de vinho e, para completar, ao meio-dia, em um. Os pratos eram linguiça suína com ervas, bife de angos e carneiro assados. Escolhi o país dos vinhos mais gastronômicos, a Itália. Decidi por álcool mais baixo, apenas 12%, que permite gelar um pouco mais o vinho sem amargar. Escolhi um vinho tinto para acompanhar as carnes e, depois, o preço, que, aliás, era o vinho mais barato da carta. Um vinho jovem chamado Colepetrito Rosso, apenas rosso, tinto e italiano. O vinho agradou em cheio, porque é um estilo muito simples e fácil de beber, com notas aromáticas de chá preto, frutas vermelhas e orégano. E era exatamente o aroma de orégano, que é uma especiaria que dá muita vontade de comer. E, como a linguiça tinha ervas, entre elas o orégano, ficou perfeita a harmonização. O colepetrito rosso é feito com a uva monteputiano. Essa é a segunda uva, a segunda variedade mais plantada na Itália, atrás somente da uva sangiovese. A sangiovese, ao lado da cirá, são as duas uvas que formam belos assemblages com a monteputiano. Desafio concluído. Só ouvia as descrições: acidez boa, o sabor combina com a comida, vinho equilibrado de médio corpo, macio, melhor ainda com a comida, e por aí vai. Desafio concluído, consegui agradar a turma. Lembre-se sempre que, se beber, não dirija.

20/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:51

VINHOS ESLOVENOS

A Priscila Carvalho sugeriu o tema Eslovênia, e esse é o nosso assunto de hoje. A Eslovênia fica ao norte da Itália, no leste europeu, e, embora os vinhos eslovenos sejam pouco conhecidos, a história é bem antiga. Os Celtas levaram o vinho a 2500 anos, antes mesmo dos romanos terem levado a cultura para França e Espanha. Descobri nessa pesquisa que o povo esloveno consome 43 litros de vinho per capita ano, mas o consumo é regular e moderado. São cerca de 28 mil vinícolas produzindo na Eslovênia. Tem tanta história antiga que a videira considerada mais antiga do mundo, com cerca de 500 anos, está na Eslovênia, na cidade de Maribor. A vinha tem 30 metros de extensão, em um tronco de cerca de 80 centímetros de diâmetro, as famosas vinhas velhas. É uma variedade tinta local chamada de Modra Cavicina. Pinturas de quadros do século XVI confirmam o retrato do casarão onde a vinha está sustentada, já com a videira ornamentando a fachada. A casa histórica e a vinha são patrimônios da humanidade pela Unesco. Existe uma colheita simbólica dessa videira, e os vinhos são usados apenas para presentear autoridades. Mais de tempos em tempos, mudas são plantadas pelo mundo. Em 2018, no dia 26 de setembro, essa muda chegou ao Brasil, em Bento Gonçalves, e foi plantada durante a primeira edição da Wines of South America. Já tem uma muda da videira mais antiga do mundo no Brasil. Vamos produzir um vinho esloveno brasileiro.

19/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:45

DESCOBERTAS DO VINHO

Quem acha que sabe tudo de vinho está muito enganado! Eis o motivo de tanto fascínio pelo assunto: novas descobertas a cada dia! Você conhece a uva Gioia del Colle, Merelone, Zim? Uva de Corato, Della Pérgula ou Primitivo de Goya, Primitivo Nero? Todos são outros nomes da mesma uva Zinfandel. Pesquisas indicam que 90% da produção da uva Zinfandel é feita nos Estados Unidos. E o estilo mais produzido por lá é o White Zinfandel, o rosé que se chama branco, numa coloração rosé e levemente adocicada. O estilo White Zinfandel ganhou destaque nos anos 70, quando os Estados Unidos descobriram a uva Zinfandel após o período de proibição das bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. O estilo ganhou o paladar dos Estados Unidos. Americanos, são vinhos de curtíssima maceração. Mais um acaso do processo de fermentação interrompida sem motivo aparente, e o vinho não extraiu coloração e tinha alto nível de açúcar. Só pra lembrar: durante a fermentação, o açúcar é transformado em álcool, de forma que, se a fermentação é interrompida, sobra açúcar e o álcool é baixo. E, já que o vinho não tinha mais como extrair coloração, o produtor resolveu retomar a fermentação seguindo o processo de vinhos brancos e obteve um vinho rosé fresco, levemente adocicado, que tem um mercado imenso nos Estados Unidos e no mundo. O White's Infandel é um estilo de vinho que ganhou o nome também de Blush. Procure um bom produtor americano e experimente seu Blush em dias quentes, afinal, o verão está aí. Lembrando sempre de manter a moderação.

17/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:52

VINHO LUIS CAÑAS CRIANZA

a mais tradicional região Vite Vinícula da Espanha, a Rioja, vem o vinho Luís Canhas. A terra das tempranilhos, mas que usa também no corte as uvas garnacha e graciano, mas não admite ainda a entrada de cabernet Sauvignon, merlot e outras uvas francesas. É uma forma de preservar o estilo da Rioja. Aliás, uma coisa mudou. Antes o doc Rioja, que é bem grande, só mencionava no rótulo Rioja, e agora já destaca as subregiões Rioja Alta, Rioja Baixa e Rioja Alaveça, que tem diferenças de terroir e altitude, e já começam também a ser aceitos destaques no rótulo, mencionando as comunidades, os vilarejos ou os vilagens onde os vinhos são produzidos, para valorizar cada região. Degusteio Luís Canhas Criança. Tem 95% de tempranilo e 5% da uva garnacha, de vinhedos com idade média de 30 anos. Já mostra uma força de raiz que busca nutrientes a fundo e que expressa no vinho intensidade e força, desde a coloração até ao paladar. Passa 18 meses em carvalho, exatamente como determina a classificação de envelhecimento na espanha para ser um rioja criança. Na boca tem notas de morango, um pouquinho de baunilha, muita madeira, é claro, e um aceto balsâmico, de taninos redondos e bom retrogosto. É um vinho super gastronômico. O luís canhas criança pode ser harmonizado. Que tal um churrasco com batatas assadas? Pode ser mandioca frita também, ou um cozido de carnes com legumes, lembrando sempre, é claro, de manter a moderação.

16/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:49

ESPUMANTE NATURE

É uma excelente manhã para você, apaixonado por música e também por vinho. Outro dia falei sobre o espumante Natur da vinícola Apisato, no Vale dos Vinhedos, ao sul do Brasil. Uma tendência em diminuir açúcar, e os espumantes com dosagem zero, os Natur, estão ganhando espaço. Mas Apisato tem ainda a linha chamada Fausto, de vinhos mais descontraídos, vindos do vinhedo de nome Fausto, bem pertinho do Vale dos Vinhedos, com vinhos que já são exportados desde 2013. Degustei o Fausto Merlot, uma uva que identifica e representa o Brasil e a destaque da vinícola desde 1999. O Fausto Merlot já é exportado para seis países e recebe destaques como o Vinho da Classe Executiva de uma Supercompania Aérea, em 2014. Destaque no Guia Internacional Mil Vinhos para provar, entre outros destaques em painéis de vinhos no Brasil e no exterior. Frutado. Não perde seu frescor porque passa apenas seis meses em carvalho de segundo uso, que já é bem mais leve. Lembra meixas, tem um certo terroso e couro. Um vinho de bom retrogosto fresco, já que é um vinho jovem e para consumir ainda jovem. E é de tampa de rosca, fácil de abrir. É super gastronômico. Pede um risoto de cogumelos, uma carne suína, pode ser uma pancheta ao molho de manteiga, massas de molhos como bolonhesa, berinjelas ao pomodoro, queijos em embutidos ou ainda uma linguiça com pão e molho de alho, pode ser? Já me deu vontade de beber um Fausto Merlot. Lembrando sempre, claro, de manter a moderação.

15/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:44

VINHO LA LINDA

Tem vinhos que conseguem se reinventar, como o caso do vinho La Linda da Bodega Luí de Bosca da Argentina. Um clássico que modernizou seu rótulo e também evoluiu muito em boca. A Bodega Luí de Bosca foi fundada em 1901 por produtores italianos vindos da região do Piemonte, na Itália. Já estão na sua quarta geração e com vinhedos bem antigos, como os do finca La Linda, que chegam a 50 anos. Já dizia o famoso produtor La Fitte que os primeiros 100 anos são difíceis, mas depois vai. Vinhos de vinhedos de média de 30 anos, com certeza, irão elaborar vinhos cada vez melhores. Degustei o clássico La Linda Cabernet Sauvignon da Safra de 2017, que se destacou na prova que fiz com outros 3 Cabernet Sauvignon, todos da América do Sul. Um vinho com aromas bem incrível, tensos e expressivos de fruta madura e frutas do bosque, além de especiarias. Taninos bem estruturados, mais equilibrados e harmoniosos. Era um vinho para acompanhar queijos maduros, carnes assadas, cozidas, massas e risotos. É daqueles vinhos que acompanham desde os embutidos até uma Bela Marisa Bel. Recebeu 91 pontos na safra de 2015 pelo crítico americano de vinhos James Suckling. E esta nota foi dada em 2017, com o vinho no auge dos seus dois anos de safra. O Fin Cala Linda é um clássico para sua lista dos vinhos bons e baratos. Lembre-se sempre de manter a moderação, mantenha o consumo moderado e consciente do vinho para aproveitar novos vinhos a cada dia.

14/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:45

VINÍCULA SALTON

lembrando sempre de manter a moderação e se beber, não dirija. Há muito tempo não degustava os vinhos da vinícula Saltón, constituída em 1910 no Brasil. Ela foi fundada pelos imigrantes italianos da família do senhor Antonio Domênico Saltón, vindos do Véneto. Os espumantes são super conhecidos e têm excelente custo-benefício. O vinho Saltón Talento já foi considerado um dos melhores tintos do Brasil. Ele é um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Taná. São quase 20 dias de maceração, 12 meses de carvalho francês, mais 12 meses na garrafa. É um super vinho brasileiro. Degustei agora o vinho da linha exclusividade, de garrafas e produção bem limitada. O vinho se chama Septimum, com sete uvas. As uvas são Taná, Ancelota, Merlot, Cabernet Franc, Terodego, Cabernet Sauvignon e Marcelin. Tudo junto em um único vinho. A maceração de 5 dias, mais 15 dias no carvalho francês e um ano de garrafa, para se ter um vinho profundo, de coloração vibrante, bem equilibrado às sete uvas. Aromas de frutas secas, vermelhas e negras, com notas balsâmicas, especiarias e baunilha. Este é um vinho bastante complexo e aveludado, de taninos redondos e acentuado final de boca. Que tal um vinho brasileiro com massa de berinjela, ravioles e torteles ao molho de carnes ou caças? Já temos ótimas opções de vinhos nacionais, e o Septimum é um deles, lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

13/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:36

RECEITAS COM VINHO

E uma excelente manhã para você que curte a Centro América FM, também o música e vinho. O vinho tem lugar reservado à mesa, e não pense que é só na taça, mas no prato também. Você já deve ter comido alguma receita que leva vinho, tanto espumante quanto vinhos brancos, tintos e até os portos. Se acabou o gás do espumante e você não bebeu tudo, vai para a panela, para dar cremosidade aos molhos para peixes e frutos do mar ou frangos, para o molho da salada, para incorporar os grãos do seu risoto, para preparar uma marinada para o seu peixe. Os vinhos brancos podem incrementar o refogado dos cogumelos do seu estrogonofe, serve também para fazer um risoto de aspargo e abobrinha, ou usar para o molho de peixes e frangos. Já os vinhos tintos servem para uma grande variedade de receitas, para marinar carnes vermelhas, faz carnes de panela ao molho de vinho tinto, filés ao molho de vinho, risotos mais escuros, como linguiça, presuntos, carnes e cogumelos. Além do arroz de polvo, fica super gostoso. Várias massas com molho de vinho e carnes, e as sobremesas com mussagu, peras ao vinho, panacota e muito mais. E os vinhos do Porto, embora sejam doces, entra na receita de pratos salgados. Já comi um filé com espumas de vinho do Porto, mas você pode testar em casa uma redução de vinho do Porto com caldo de carne, com muitos temperos, ervas, sal, pimenta, alho, e servir sobre uma carne vermelha. Pode servir também como molho para pera grelhada e ainda umedecer a massa do seu bolo confeitado com vinho do Porto. Não desperdice nada. Todo vinho pode virar vinagre, mas, antes disso, vai para a panela.

12/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:47

UVA NERO DI TROIA

Uma excelente manhã para você. Obrigada pela sua companhia de sempre e para você que quer saber mais sobre música e vinho. A uva de Tróia também é conhecida como Nero de Tróia, ou Sumarelo, ou Somarelo, e é típica do sul da Itália. A uva não é originária da Turquia, onde aconteceu a famosa Guerra de Tróia, mas a lenda diz que ela foi levada para a Itália por um herói da Guerra de Tróia que foi exilado após a guerra, chamada Diomedes. A uva é da cidade de Tróia, na Itália, na Puglia, a mesma região da uva primitivo. É uma variedade de maturação tardia e muito resistente às pragas. Mesmo assim, vem sendo substituída pela uva primitivo e pela negro-amaro. A uva Nero de Tróia produz vinhos com aromas de violeta, cereja madura, couro, tabaco, muito cacau e cassis. São geralmente vinhos profundos, complexos, de cor viva e ricos em taninos. A distringência típica, às vezes, é suave com os cortes, a mistura ou assemblage de outras uvas, como a Monteputiano. É uma uva típica da Toscana, sim, porém é comum encontrar vinhedos na proporção 3 por 1 de Nero de Troia e Monteputiano. São três fileiras de Nero de Troia e uma fileira de Monteputiano plantadas na região da Puglia. Uma tendência é a vinificação de varietais 100% Nero de Troia, e os xenólogos diminuem a gerengência normal desta uva com macerações mais curtas e controlando a temperatura na fermentação. Os vinhos da uva Nero de Troia harmonizam muito bem com carnes, especialmente raguz de coelho, cordeiro, ossobuco e massas com sabores fortes. Lembre-se sempre de manter a moderação. Já pensou degustar um vinho da uva Nero de Troia? É mais uma novidade que você só encontra aqui no Musica e Vinho.

10/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:52

UVA SYRAH

Que bom ter a sua companhia nesta manhã para descobrir mais novidades sobre o mundo do vinho. Essa eu não sabia. Chirá é a décima uva mais plantada em Portugal, fica atrás apenas das uvas nativas, as autóctones. Ela se adapta muito bem ao terroir do alentejo, suporta o calor intenso, solo pobre, e mostra nos vinhos muita fruta, pimenta e especiarias. A Chirá vem se destacando também no Douro, a terra de produção das uvas para o vinho do Porto. Os Chirás portugueses têm grande potencial aromático. São vinhos complexos, com notas animais e fruta muito madura, além de taninos ricos, bom para a produção de vinhos de guarda. A Chirá surgiu há pouco mais de 20 anos em Portugal, mas já ocupa 4 mil hectares de área plantada. Degustei o quinta do crasto Superior Chirá, com vinhas de 11 anos. Um vinho de 2014, engarrafado em 2016. 97% do vinho é de 2014. O vinho é feito com a uva sirrai, 3% da uva branca vionier, só para dar um equilíbrio. As uvas são do Douro Superior, que é a melhor localização para a qualidade das uvas. Passou cinco dias macerando em temperaturas baixas, para manter a elegância do vinho, além dos 16 meses de carvalho francês. O vinho é bem escuro, com frutas silvestres, notas de chocolate, um vinho fresco, persistente, de taninos firmes, sensação de boca mentolada, encorpado e suave ao mesmo tempo. O quinta do crastro superior se harmoniza muito bem com a gastronomia local do Douro: carneiro assado, javali, perdiz e cozidos à portuguesa. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar o seu próximo vinho com os novos sirrars portugueses.

09/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:47

VINHOS TERROIR

E uma excelente manhã para você, obrigada pela sua companhia, e mais uma edição do Musica e Vinho. Fala-se muito em terroir, em a expressão de um terroir. São vinhos elaborados com a mesma variedade de uva, às vezes pelo mesmo produtor, mas com características bem distintas, preservando apenas o seu terroir. Terroir é um termo francês, mas que se origina do latim território. É uma extensão de terra que tem as mesmas características física e natural, de geografia, solo, topografia, clima, etc. À medida que o terreno muda sua característica, temos um novo terroir, e cada um recebe melhor um tipo de uva, ou a mesma uva pode se desenvolver muito bem em terroirs diferentes, porém com texturas, cores, aromas e sabores diferentes. Está na moda, sim, identificar e destacar a expressão de cada terroir, deixar que a terra mostre suas nuances e diferencie os milhares de rótulos disponíveis no mundo. O mercado do vinho vem revelando novas uvas que, na verdade, estavam apenas esquecidas, como novos doques, maipuandis no Chile é um exemplo, e outras denominações que estão ganhando destaque, como IGT Terra Siciliane da Ilha da Sicília, que expressa muito bem o seu terroir vulcânico nos vinhos. É exatamente isso que está acontecendo. Em várias regiões do mundo, o produtor prefere manter o seu terroir, mostrar o diferencial da sua terra. Quanto mais identidade ao vinho, mais curiosidade desperta o consumidor. E tem mais um aspecto que pode mascarar o terroir: é o uso de madeira nos vinhos. Principalmente madeiras novas podem mascarar as características primárias do vinho, aqueles aromas e sabores que vem da uva. Por isso, se você busca vinhos com expressão de terroir, que mostram sua essência, o melhor armazenamento é em tanques de aço e nox ou o uso de barricas usadas de carvalho francês, que são os mais sutis. Assim, você terá vinhos com real expressão de terroir. Lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

08/01/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:06