Música e Vinho | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

HARMONIZAÇÃO ENTRE VINHO E CHOCOLATE

E que bom ter a sua companhia nesta manhã para falar de uma harmonização super gostosa: vinho e chocolate, um clássico. Para que essa combinação funcione, o vinho precisa ser tão intenso quanto o chocolate, para equilibrar a untuosidade, a intensidade e o sabor de ambos. Falamos sobre essa harmonização sempre na Páscoa, mas chocolate é algo que podemos aproveitar o ano todo. Portos e Tokays combinam muito bem com chocolate. Você também pode variar: fazer molhos de chocolate amargo para carnes vermelhas ou massas e harmonizar com um Malbec ou um Nebbiolo. Para finalizar a refeição, um Porto acompanhado de uma palha italiana é simplesmente perfeito. Vinho e chocolate também são uma deliciosa opção para presentear. E você ainda pode se esbaldar nos bombons trufados de vinho, isso mesmo, bombons de chocolate amargo com recheios de vinho tinto, como Cabernet Sauvignon, Malbec ou até Porto.

04/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 0:55

UVA MORENILHO

Que coisa sem fim! Uma outra uva que eu nunca tinha ouvido falar: Morenilho, também conhecida pelos nomes Mandon, Mandó, Galmeta ou Galmete. Nenhum dos meus livros falava sobre ela, e na internet há pouquíssimas informações. Sei que é uma uva quase extinta, atualmente em fase de recuperação. É espanhola e entra na composição de um vinho chamado Materteresina, e também do Finca Morenilho, 100% da uva autóctone da região de Terra Alta, no extremo da Catalunha. O Finca Morenilho apresenta aromas florais, balsâmicos, tostados e um toque de cacau. Já o Materteresina é um assemblage de cinco uvas: Garnacha, Tempranillo e Morenilho, espanholas; e Merlot e Cirrá, francesas. Comparando os dois vinhos, nota-se similaridade nos aromas, principalmente os toques defumados e balsâmicos. Ambos são vinhos carnudos, gordos e persistentes. Vinhos de Morenilho são verdadeiros achados para quem está na fase de experimentar vinhos diferentes do comum. Para harmonizar, combinam muito bem com cordeiros com páprica e outras especiarias, javali com castanhas ou costelas de porco com figo. E você, o que está degustando? É só compartilhar comigo usando a hashtag #musicvinho nas redes sociais.

03/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:40

UVA SOUVIGNON BLANC

A uva Sauvignon Blanc é consagrada em países como a Nova Zelândia, assim como a tinta Pinanoir. Essas são as duas uvas principais de destaque do país Nova Zelândia. A Nova Zelândia é um país bem pequeno, mas com um grande número de regiões vinícolas. São 12 no total. 42% da área plantada é da uva branca Sauvignon Blanc. São mais de 500 vinícolas no país, e elas abastecem um consumo que está dividido: 50% para consumo próprio e 50% para exportação. Bom isso, né? A maioria das vinícolas está localizada no lado leste da ilha, onde estão mais protegidas das grandes chuvas das montanhas do oeste e beneficiadas pelo sol e pela brisa fresca do litoral leste. As uvas não escondem a característica principal dos vinhos da Nova Zelândia, que são finesa e elegância: Sauvignon Blanc e Pinanoir. Os vinhos da uva Sauvignon Blanc são frutados e elegantes, e os Pinot Noir, mais intensos e concentrados que os vinhos da Borgonha. Degustei o Kaffir Sauvignon Blanc, super frutado, cítrico e com um leve mineral, para acompanhar frutos do mar. Degustei também o Silene Pinot Noir, de frutas maduras e uma seda ao paladar. E você, está degustando o quê? Compartilhe conosco usando a hashtag Música e Vinho através das redes sociais.

02/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:27

HARMONIZAÇÃO CLÁSSICA

Cada região do mundo tem uma comida típica que tem relação com o clima, o solo, as influências de colonização, além de guerras e seus rios, além do seu povo. O Velho Mundo do vinho, especificamente a Europa, tem suas harmonizações clássicas que valem ser lembradas. Alguns pratos têm nomes bem diferentes, mas eu vou te mostrar que, na realidade, eles são velhos conhecidos da nossa mesa. Quer ver? Bife bourguignon com Pinot Noir. Eu adoro bife bourguignon, e você também. É a famosa carne de panela com vinho e legumes, com aquele caldo suculento. Tradicionalmente, a receita é da Borgonha, na França, e a carne era marinada no vinho da região, os tintos de Pinot Noir. Daí o motivo da harmonização. Quer ver outro nome francês que, na verdade, é o nosso grande conhecido? Entrecote, harmonizado com vinho Bordeaux. O entrecote é o contrafilé, ideal para grelhar. Na França, eles servem com molho e batatas fritas ou grelhadas. É o prato feito francês, que harmoniza com o tinto de Bordeaux, vinho mais encorpado e de taninos ativos, para acompanhar carnes grelhadas. E, para fechar, a terra das massas: a Itália. Espaguete à bolonhesa com o vinho de Chianti. Não dá para falar de espaguete à bolonhesa sem lembrar da surpresa de uma cliente, na hora em que degustou e descobriu que espaguete à bolonhesa era o molho de tomate com aquela carne moída bem gostosa. A acidez do tomate fica perfeita com a acidez da uva Sangiovese, que é a base dos vinhos de Chianti. E você, também se inspirou para fazer em casa uma harmonização clássica? Você pode compartilhar comigo usando a hashtag musica&vinho pelas redes sociais.

01/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:56

RIOJA RED BLEND

Descobri uma terminologia usada no vocabulário do vinho que eu não sabia. Rioja Red Blend é o termo usado para descrever a combinação das uvas tintas da região espanhola de Rioja, que usa normalmente as uvas tempranilo. Além de tempranilo, esse corte tem também garnacha, amazoelo e graciano. A base é a tempranilo, com sua variedade de sabores e aromas, que vão das frutas vermelhas, como o morango e a cereja, até sabores mais ricos e suculentos, como ameixa, chocolate e frutas cozidas. A garnacha traz corpo ao vinho e adiciona sabores como framboesa e uma certa picância. A amazoelo, ou também conhecida como carinam, traz coloração escura ao vinho e taninos bem presentes. E a uva graciano incorpora ao vinho perfumes e estrutura. Que tal experimentar um Rioja Red Blend e sair do lugar comum? Lembre-se: a Espanha não é só tempranilo. O promessar a criança é uma boa opção, com pelo menos 12 meses em carvalho e 2 anos de envelhecimento geral. E essa mistura de uvas, o Rioja Red Blend, pode ser encontrado não só na Espanha, mas na Califórnia e Austrália. Eu entendi esse estilo como corte bordalês, das três principais uvas tintas da região de Bordeaux, que unicabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Juntas, formam uma bela parceria, e esse corte típico é copiado em várias regiões vinícolas do mundo. O corte da Rioja Red Blend também começa a ser copiado e, por isso, aparece não só na Espanha, mas na Califórnia e Austrália. Talvez a gente comece a ver mais Rioja Red Blend no mercado. Por enquanto, a minha sugestão é o promessar a criança.

31/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:49

DEGUSTAÇÃO TÉCNICA

É legal identificar se o vinho é do seu gosto ou não, mas melhor ainda é entender por quê. Quais são os aspectos que te agradam? Será que você gosta do vinho mais leve ou mais encorpado? Mais ou menos acidez? Mais ou menos taninos? Em uma degustação técnica, procure colocar o vinho na boca e depois girá-lo, porque ele percorre todos os lados da língua, onde sentimos as sensações do vinho: açúcar, amargor, acidez e álcool. Esses são os quatro elementos possíveis de sentir. E depois você engole, e assim você prepara as papilas gustativas para degustar o vinho, e os aromas entram pelo nariz, e o álcool evapora. O ideal é beber uma boa quantidade, mas sem encher demais a boca, para dar esse espaço de giro para o vinho na boca. Se você ainda não experimentou assim, vai ver que faz grande diferença. Se estiver degustando, colocando um vinho espumante, vai perceber o gás, as borbulhas que dão a sensação de picadas na língua, causando uma provocação e trazendo junto acidez, fazendo a boca salivar. Um vinho branco da uva Pinogrid pode ter sensação de médio corpo, pouca acidez e certa doçura ao final de boca. Um vinho já é mais encorpado, vai pesar na boca e até esquentar a língua, pois, muito provavelmente, será bem alcoólico. Daí vem a sensação de peso e calor na boca. Há muitos termos para se usar nas degustações de vinhos, e isso é fácil de encontrar na internet, como termos de vinho: adstringente, equilibrado, verde, fechado e por aí vai. Se você também tem experiências na sua degustação, compartilhe conosco nas redes sociais, usando a hashtag música e vinho.

30/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:50

UVA SOUVIGNON

Quando a uva sobrevive às temperaturas geladas e até neve da Serra Catarinense, no Brasil, dizem ser uma uva selvagem ou uma Sauvignon. E é assim que se comporta a Sauvignon Blanc. Ela vem se destacando no terroir catarinense, e já se discute a criação de uma DOC, uma denominação de origem controlada, para proteger as características da Sauvignon Blanc na região da Serra Catarinense. A Serra, na região de São Joaquim, tem altitudes entre 900 e 1400 metros. Um dos fatores atribuídos pelos enólogos para o destaque da Sauvignon Blanc em terras catarinenses é o ciclo intermediário da uva, que consegue escapar das grandes geadas no período de brotação e não tem maturação nem precoce nem tardia. A Sauvignon Blanc é resistente aos ventos fortes, que tem uma casca espessa e resistente. E a uva, diferente das demais, se beneficia da loucura climática que acontece na região, fazendo as quatro estações em um único dia. A amplitude térmica, e eu traduzo: é a variação de temperatura entre o dia e a noite, faz com que a uva absorva e mantenha o calor durante o dia e se refresque à noite, liberando os ácidos que compõem o vinho de maneira bem lenta. Assim, a uva é colhida na sua plena maturação de açúcares e aromática perfeita. Na taça, em linhas gerais, os vinhos da uva Sauvignon Blanc de Santa Catarina são bastante minerais, elegantes, complexos aromaticamente e sutis. São vinhos intensos, com boa acidez e aromas que lembram maracujá, abacaxi, além de aspargos, folhas, vegetais e um cítrico bem intenso. Os produtores têm preferido colher a uva um pouco antes da completa maturação para preservar o aromático, aromas minerais, e não deixar sobressair tanto os aromas de frutas tropicais mais doces. Esse é o estilo do Sauvignon Blanc de Santa Catarina. Nos últimos anos, os melhores vinhos brancos brasileiros vieram de lá, e tudo indica que esse caminho de sucesso é só o começo. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

28/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:22

VINHO COURELA

Corela, no português de Portugal, significa uma parcela de terra e é o nome de um vinho regional alentejano. O corela tinto é uma delícia para o dia a dia, uma assemblagem entre toriga nacional e aragonês e ainda a francesa cirá, que esse produtor corte de cima insiste, desde o início, em colocar no meio do alentejo e desobedecer totalmente as leis. O que encanta a maioria dos vinhos portugueses é que são saborosos. Não é só álcool e ternino, sabe? E tem cor intensa e frutas maduras. Nada de madeira, está pronto para beber, como a maioria dos vinhos de hoje, como a maioria dos vinhos alentejanos que brasileiros amam. Tem cor intensa, bom corpo, são saborosos e aveludados. A tradição vitivinícula vem desde o Império Romano, por isso é possível encontrar ruínas de lagares, onde acontecia o pis a pé. E é aí, no alentejo, também que se encontram as ânforas utilizadas antigamente para a fermentação das uvas. Nesse método, as ânforas são fechadas com seira de abelha e enterradas durante sete meses. Dizem que o barro não interfere no sabor do vinho. Com essa referência, surgiram novos vinhos em ânforas pelo mundo e um já no Brasil. Mas eu te conto outro dia. O alentejo, no centro de Portugal, produz cerca de 85 milhões de litros de vinho por ano e é o maior produtor do país. Tem muitas opções de vinhos bebê do alentejo, os bons e baratos, como o corela tinto, para você experimentar. E eu quero saber o que mais você está degustando. Compartilhe conosco usando a hashtag Música e Vinho através das redes sociais.

27/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:51

VINHOS E COGUMELOS

O músico vinho está no ar, e eu lhe desejo uma excelente manhã. A Itália é considerada a pátria dos cogumelos. São centenas de espécies, e o consumo é tão popular que virou atração turística no período da colheita, chamado de Andaria funghi, e todos vão em busca do tesouro nas florestas. O funghi portini é o mais famoso e cresce ao norte da Itália. O cogumelo chamado cantarela tem a coloração laranja. Os cardoncelli são os mais populares ao sul da Itália e são servidos assados, fritos ou cozidos em azeite. As trufas crescem embaixo da terra e têm sabor único: ou você ama, ou odeia. Todos fazem parte dos ingredientes de diversas receitas na Itália e pelo mundo, que pedem vinho para harmonizar. Pela variedade de sabores e intensidade dos cogumelos, não se pode generalizar e dizer que cogumelos combinam com pinot noir, como já ouvi dizer: suave e fresco, enquanto as trufas negras ou brancas são uma explosão de sabores. Seguindo a intensidade de aromas e sabores, harmoniza-se o vinho: do pinot noir ao barolo de nebiolo para as trufas. Além desses cogumelos italianos, que são mais raros por aqui, temos o shiitake e o shimeji, que parecem carne vermelha; o paris, que é bastante fresco; o portobello, que vai bem com carnes; o champignon, que eu amo fresco, e todos pedem vinho. A receita vai da sua criatividade: desde os cremes de cogumelos, fatiados na salada, assados, molhos de cogumelos e muito mais. Cogumelos são ricos em vitamina D e super combinam com vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação para criar a sua próxima harmonização.

26/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:48

VINHO CHIANTI RUFFINO

Tem um vinho que todo mundo conhece: o Chianti Rufino. Ele é um clássico, e do consagrado produtor da Toscana. Um vinho que tem sua produção controlada para garantir a qualidade e foi a primeira garrafa a exibir o selo de Doc G na Itália. A vinícola Rufino foi fundada em 1877, em Chianti, e, em apenas quatro anos, conquistou a primeira medalha de ouro em Chianti. Eles ganharam também o ouro na Feira de Bordeaux, logo nos primeiros anos. Todo mundo conhece um Chianti, o tinto de Sangiovese com canaiolo, mas a vinícola tem deliciosos vinhos brancos também da uva Pinogridio, que é uma uva que eu amo. Vinhos frescos, aromas de frutas tropicais e mineral. Tem espumantes rosés, moscatos dastes, além de pras secos e tintos com base em Sangiovese e outras uvas, como merlot, cirá, cabernet sauvignon, petit verdot e até alicante branco. Boucher. São vinhos como o Asiano, o Ducale e o Modus, além de Brunelos, como o Grepeno Masi, um Sangiovese grosso — é a uva —, um estágio mais longo, mais maduro e com aromas e final de boca que lembram chocolate e um tabaco bem suave. E o rico e encorpado Alouda, feito de Cabernet Franc, Merlot e Colorino, um vintage que só sai em safras excepcionais, como a afina no tanque de aço e depois na garrafa. Extremamente elegante, encorpado, aromas balsâmicos, baunilha, para harmonizar com a Bisteca Fiorentina, que eu tive o prazer de experimentar em Florença, com batatas assadas, muito alho e azeite. Lembre-se sempre de manter a moderação, para você ver que Ante Rufino tem muito mais do que só Quianti. A gente acha que é o nome do produtor, e não: o produtor se chama Rufino, e você vai encontrar todas essas outras variações de vinhos, como Modos Alouda, do Cali, asiano, moscatos pra secos e rosês, todos de produção do mesmo produtor na região mais famosa da Itália. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

25/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:12

TILIA MALBEC SYRAH

E se você também procura vinhos bons e baratos, está na hora de anotar o nome do vinho de hoje. No mundo do vinho, a palavra terroir é sempre falada, e o vinho argentino Tilha traz no rótulo e na concepção a valorização do terroir argentino. Tilha é uma árvore cultivada na Argentina que simboliza o sagrado e que protege os guerreiros. O chá da flor da Tilha é calmante, e os trabalhadores dos vinhedos costumam descansar bebendo chá de Tilha à sombra das próprias árvores. A ideia do vinho é justamente valorizar a árvore regional Tilha. Os vinhos do produtor Tilha são da família Catena Zapata e recebem os melhores elogios da crítica internacional especializada. O Tilha Malbec-Cirá, por exemplo, passa seis meses em carvalho francês e americano. É um vinho super moderno e saboroso. Combina com carnes assadas, massas e risotos. Ainda recebeu 90 pontos de James Sutley, em 2017, e 90 pontos do renomado Robert Parker, em 2015, que o considerou impressionante e melhor custo-benefício. Combinei com carnes assadas, frango, maminha e linguiças assadas, para comer sem frescura, num churrasco bem descontraído, com vinho fácil de beber entre amigos. Tem vinho que é assim: bom, gostoso, barato e fácil de beber.

24/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:26

VINHOS FORTIFICADOS

Quando falamos em vinhos fortificados, rapidamente vêm os vinhos do Porto à mente. Mas não podemos esquecer também dos vinhos Madeira e do Jerez. O Madeira é português também, da ilha de mesmo nome. São vinhos feitos com uma das uvas negras que citei, a tinta negra mole. Os Madeiras são altamente alcoólicos, como os Portos: únicos, longevos e de alta qualidade. Os vinhos Madeira eram o estilo preferido dos czares russos e foi também o estilo de vinho do famoso brinde erguido em comemoração à Declaração da Independência dos Estados Unidos, no 4 de julho. Os vinhos Madeira passam por processo de oxidação em cascas de madeiras antigas e, por isso, têm aromas que chamamos de etéreos, aromas de envelhecimento, como o mofo, mais fechados, além das frutas cristalizadas e um certo néctar. O Jerez, o mais antigo vinho da Europa, também é fortificado e produzido há mais de dois mil anos. É tão complexo na produção quanto no paladar e nos aromas. São vários estilos de Jerez, vão desde os secos até os açucarados. Eu degustei um Jerez doce numa prova de três vinhos fortificados: um Porto, um Madeira e um Jerez. É legal comparar as cores, os aromas e os sabores dos três vinhos juntos, todos com coloração bem envelhecida, meio opaca, diferente dos outros vinhos mais vivos que a gente costuma degustar. Com borras sobrando, aromas totalmente fechados, mistura o doce com mofo, caramelo, madeira velha, nozes, frutas secas, chocolate e mais mofo. Como alguém pode amar tanto aromas de coisas envelhecidas? É exatamente isso que eu curto. E, só para resumir esses três vinhos fortificados do Musique Vinho de hoje, todos os três têm alta graduação alcoólica. Têm adição de aguardente vínica no processo, todos com sabores fortes e texturas robustas. O Porto só tem doce, e o Madeira e o Jerez podem ser secos ou doces. Vamos lá: fortifique um pouquinho seu paladar à risca e na degustação com vinhos diferentes. Lembrando sempre, claro, de manter a moderação e, se beber, não dirija.

23/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:20

UVA NERO D´AVOLA

Outro dia, no tema “meu paladar não é igual ao seu”, encerrei falando sobre a uva Nero d’Avola, que de tanto insistir acabei gostando, mas é bom lembrar, nessa hora, que não quer dizer que todos os vinhos dessa uva sejam excelentes, tudo depende do produtor. Degustei o Luigi Leonardo, da Sicília, da uva Nero d’Avola com Merlot, da cantina Esguarze Luigi. O vinho fez sucesso, foi degustado com carnes grelhadas. Já comentei a impressão ruim que eu tinha dessa uva: eu achava muito dura. De verdade, confesso que não sei se os produtores passaram a trabalhar melhor a uva até encontrar seu equilíbrio de presença de taninos verdes demais, que, para mim, pareciam duros, ou se eu mesma mudei meu paladar, evolui para esse lado de aromas mais fechados. Ainda assim, eu sempre gostei, mas estou numa fase tão de aromas fechados e tostados que nem sei se volto ao frutadinho um dia. Aliás, eu sei sim: é a estação do ano. Entre outono e inverno, é isso mesmo, com roupas, comidas e vinhos. E depois, quando a primavera chegar, as taças serão invadidas novamente pelos rosés, pinoses, espumantes, brancos e todos os vinhos mais frutadinhos e leves. Por enquanto, sugiro o Luigi Leonardo, tanto o Nero d’Avola com Merlot, da Sicília, quanto o Luigi Leonardo de Nero d’Avola com Syrah, de outra região ali bem pertinho de Dock, chamado Terra Siciliane. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

21/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:37

REGRA DE HARMONIZAÇÃO

Regra de harmonização normalmente não contempla vinho para coxinha de galinha, mas até hoje eu digo que a melhor entrada que comi no restaurante mais estrelado do Brasil foi uma coxinha de galinha, e eu preciso descrever para vocês. Uma coxinha muito bem temperada. Na base da coxinha, um purê de mandioca muito bem cremoso com catupiry. Então, o catupiry veio por fora. O serviço foi feito em pratos fundos, para regar com o melhor caldo de galinha da vida. Realmente, uma coxinha inesquecível. Você acha que não combina? Ainda tem preconceitos e acha que vinho é só para alta gastronomia? Ou não gosta de coxinha? Eu te provo tecnicamente a harmonização. As comidas gordurosas têm que contrapor com vinhos mais frescos. A gordura seca o paladar, e a acidez faz salivar. A crocância da fritura combina com o creque-creque das bolhas do gás do espumante, traduzindo os perlages. Frango é uma carne branca e combina com vinhos brancos, como os espumantes brancos. A coxinha é cheia de temperos e ervas, e os espumantes têm aromas herbáceos maravilhosos. Para encher a boca e salivar de vez, o purê de mandioca com catupiry é super cremoso, assim como a textura da espumatização que se forma na boca a cada gole de vinhos espumantes. Prato quente com vinho gelado oscela uma armonização de contraponto, que é a cara da nova era do mundo do vinho. Bem-vindos à descontração, à liberdade que os antigos deuses já pregavam desde a antiguidade, à alegria dos jovens consumidores de vinhos e à paixão pela bebida que é secular e que se renova a cada dia, a cada música e vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

20/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:50

VINHEDOS DE PENFOLDSA

A história do produtor australiano Penfolds se confunde com a história vitivinícola do próprio país. Fundada em 1844, a Penfolds é hoje a marca mais prestigiada e admirada do mundo, título recebido em 2019 pela Drinks International. A avaliação considera que a vinícola conseguiu manter um alto nível de qualidade em toda sua linha, que, aliás, é bem extensa. Os vinhedos de Penfolds estão localizados ao sul da Austrália, a região mais privilegiada do país. Mas o produtor utiliza uvas não só de vinhedos próprios, mas também de vinhedos arrendados e de produtores independentes, um total de 220 vinhedos em toda a Austrália. Produz excelentes vinhos de custo-benefício, como Rawson's Retreat ou Koonunga Hill, até superícones como Grange, já eleito o melhor vinho do mundo em 1995 pela revista Wine Spectator. O Grange foi designado como Heritage Icon, patrimônio nacional na Austrália, sendo o único vinho a merecer essa marca.

19/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:12

VINHO E MEMÓRIA

O nosso tema de hoje é o vinho memórias. Para os filósofos, a memória é a garantia da nossa própria identidade. São as lembranças conservadas, ideias ou imagens que lembramos sem esforço algum. Podem ser as memórias visuais, memórias olfativas e até as memórias sentimentais. Boas lembranças é tudo aquilo que te traz calorzinho ao coração. E o vinho memórias da vinícola El Principal, do Chile, foi criado em 1999, em homenagem aos quatro séculos de história, quatro séculos de memórias. O símbolo do roto é o espiral da vida e representa o círculo da vida, que é o permanente movimento gerado pelas nossas experiências e pelas nossas memórias. O espiral da vida é presente nas antigas civilizações e representa a evolução e o constante desenvolvimento. Podemos dizer que hoje já gosto melhor, porque tenho memórias olfativas e memórias visuais. No mundo do vinho, essa evolução e desenvolvimento acontece a cada nova safra, a cada geração e, a cada degustação, vamos formando nossas memórias olfativas. Cada um tem sua memória vinífera: aquele vinho em tal lugar, com tal pessoa. A composição do vinho Memórias foi cuidadosamente elaborado para manter o frescor da fruta e preservar a intensidade do vinho. A base é a uva Cabernet Sauvignon, com um assemblage de peti verdot para aumentar a acidez e o frescor do vinho. Cirrar, para dar suas notas de especiarias, a uva Carmeneri foi utilizada para intensificar a cor vermelha e os taninos redondos. E a uva Cabernet Franc, pelos seus intensos sabores e aromas. Este é o famoso assemblage do vinho Memórias. Resulta um vinho que coleciona reconhecimentos, como o melhor vinho do concurso Catador Santiago, em 2018, e 90 pontos por Robert Parker com a safra de 2015. O vinho chileno Memórias traz contigo toda a carga de informações, de memórias e de lembranças dos estudos da vinícula e também a carga de informações, histórias e memórias da própria videira. Lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar novos vinhos.

18/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:21

BODEGA ROUTINE

A bodega Routine se instalou no Vale do Uco, na Argentina. Foi a primeira a se instalar nessa região. De lá para cá, a região se despontou como uma das principais produtoras da Argentina. A vinícola está presente com três vinhedos: Guatala Rari, a 1200 metros; Altamira, a 1100 metros; e o vinhedo chamado La consulta, a 950 metros, onde se planta apenas Malbec. Escolhi o Routine 50% Malbec e 50% Cabernet Sauvignon, um vinhão. A cor chega a vibrar na taça, super intenso, um roxo profundo. A união das duas super uvas deu um resultado super harmônico. A Cabernet Sauvignon entrega ao vinho corpo e estrutura, e a vinícola que suaviza os taninos, em uma combinação única de aromas e sabores, com camadas e camadas de fruta, ameixa, baunilha e leite. Muita força no vinho. Realmente, o enólogo Mariano de Paola tem razão quando diz que a vinícola foi desenhada para produzir vinhos ultraprêmios. A revista britânica The Canter já o destacou como um dos 30 melhores enólogos do mundo. Para nós, só nos resta aproveitar vinhos como o rutine Cabernet Sauvignon Malbec Argentino.

17/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:22

ARTE DA TANOARIA

E uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. Hoje vamos falar da arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada em todo o mundo é o carvalho, porque apresenta a melhor porosidade, o que possibilita a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem também impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, além de resistência — podendo durar até 100 anos — e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril de carvalho. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é 225 litros e, quanto menor o barril, maior ele influencia no estilo do seu vinho. O uso do barril de carvalho influencia a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita baseada no envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas só para lembrar: os vinhos mais jovens podem ter nenhum estágio na madeira ou inferior a 12 meses. Os Crianza, 12 meses na madeira e mais 3 em garrafa. Os Reserva, 12 meses em madeira mais 4 em garrafa. E os Gran Reserva, 24 meses em madeira e 6 anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos, na estrutura e na textura dos vinhos. Pode variar nessa evolução de aromas e também no sabor do seu vinho. Por trás de cada barrica há uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

16/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:59

CORTE BORDALÊS

O tema de hoje será o corte bordalês. Quando se fala em vinhos de corte, a maior referência é o corte bordalês, que tem a base das uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, e pode ter uma porcentagem pequena de Petit Verdot e Malbec. O corte bordalês é, sem dúvida, um dos mais admirados e copiados do mundo; por isso, é possível encontrar vinhos deste estilo por todo o mundo. Os produtores bordaleses dizem que a mistura das uvas é que dá aos vinhos a melhor qualidade, equilíbrio, delicadeza e nobreza: uma uva completa a outra. A harmonização entre potência, cor, taninos, longevidade, aromas e acidez resulta nos vinhos chamados de “receita”: um elemento de cada uva, e o enólogo consegue chegar à proporção e resultado que busca. Até porque as uvas se comportam de maneira distinta conforme a safra, então essa proporção não é rígida. Cada produtor pode escolher entre as uvas da região,Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, um pouquinho de Petit Verdot e Malbec, e fazer a sua própria mistura, sem fugir muito do estilo Bordeaux, tão reverenciado em todo o mundo. Falamos sempre em cortes de uvas tintas, mas a região Bordeaux também tem o corte branco, e as uvas principais são, geralmente, Sauvignon Blanc e Muscadet. Bordeaux, para quem está entrando agora no mundo do vinho, é o nome de uma região vinícola que fica no sudoeste da França e produz alguns dos vinhos mais caros do mundo. Mas você também pode encontrar opções de vinhos que imitam o estilo Bordeaux a preços bem mais acessíveis. É só encontrar algum vinho que tenha esse assemblage entre Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. São os mais comuns de se encontrar, principalmente na Argentina, mas também no Chile, na Nova Zelândia, além dos franceses, é claro. E lembre-se de manter a moderação: se beber, não dirija.

14/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:08

VINHOS CHILENOS

Há algum tempo fiz uma degustação de vários vinhos chilenos. Entre eles, conheci a Pérez Cruz e citei os vinhos da uva Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon da linha Limited Edition. Desta vez, degustei o Cihá, que vem ganhando inúmeros reconhecimentos em eventos, em guias e concursos, como o Descorchados, o Wines of Chile Awards e o Concurso Mundial de Bruxelas. Degustei a safra 2014, já que esta uva do Mediterrâneo se desenvolve, amadurece e evolui muito bem. Buscando na ficha técnica, o Pérez Cruz Cihá é feito com 90% da uva Cihá, 5% de ganacha e 5% da uva Movedre. Passa 14 meses no Carvalho Francês e tem um álcool elevado, 14%. São três aspectos importantes para saber se o vinho tem capacidade de evoluir bem e ainda estar em bom estágio de vida após 4 anos de concursos: colheita, a variedade da uva é a primeira, ao uso da madeira e o álcool elevado. E ok, o vinho estava delicioso. Achei mais um detalhe. O vinho passou 30 dias de maceração, 30 dias de contato entre o líquido e a casca, extraindo cores, aromas, sabores e mais potencial de evolução. Na verdade, o vinho estava espetacular. A fruta madura, pimenta, com uma acidez super gastronômica. E eu traduzo: acidez super gastronômica quer dizer que saliva a boca, dá vontade de comer alguma coisa. Um vinho de bom corpo, bem estruturado, redondo e sem arestas. E mais uma vez eu traduzo novamente: sem sobrar ou faltar os famosos 4 A's do vinho. Açúcar, amargura, acidez e álcool. O vinho tem que ter os 4 A's, só que nem de mais e nem de menos, muito menos desequilibrado. Tem vinho que tem muito açúcar e pouca acidez. O famoso vinho chato, xoxo, sem vida, sem graça. A vida é curta para se beber vinhos ruins. Então anota aí para você experimentar logo: Pérez Cruz Limited Edition Cijá. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

13/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:14

BRAMARE MALBEC DE LUHANDECUYO

A Argentina Vinha Cobos é do renomado enólogo produtor Paul Hobbs, foi fundada em 1988 em Mendonça. Eu degustei o Brahmari Malbec de Luhandecuyo. A diferença de rótulos por terroir é um diferencial dessa vinícola. Eles prezam muito os diferentes aspectos dos vinhos que trazem as notas do terroir. Este é um supervinho de cor forte, intensa, aquele vermelho rubi quase negro, de terroir pedregoso, e traz um certo mineral, produz vinhos fortes. O envelhecimento e evolução do vinho acontece em barricas mescladas entre carvalho americano e francês, de novos e segundo uso, durante 18 meses. Além da coloração intensa, apresenta também fruta vermelha e negra. É um vinho amplo, de taninos macios, intensos e longa persistência. Mais um vinhão, como diria o Paul Hobbs. Bom dia, doutor Joaquim Spadone, um grande abraço, Joaquim Spadone. Me deu vontade de harmonizar e corri para fazer um risoto de filé com funghi. Malbec pede carne, não tem jeito. Funghi tem gosto de carne, e o risoto fica ainda mais escuro, untuoso, mais pesado, rico, complexo de sabores e harmônico. O vinho Cobus Brahmari Malbec combina com risoto de filé e funghi, e lembrando sempre de manter a moderação. Reúna os amigos, deguste o seu vinho, mas mantenha a moderação para aproveitar vinhos novos e diferentes.

12/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:30

TELLUS CERRADO LISO

Vinho e seus deuses. Degustei o Telo e Cirrado Lázio. A propriedade fica a uns 50 km de Roma e o nome vem da deusa romana da terra, do solo fértil, Telo. O rótulo me chamou a atenção e descobri que foi escolhido em um concurso de arte que aconteceu no belíssimo Castelo de Sant'Angelo, em Roma. O Castelo de Sant'Angelo é um cenário belíssimo e foi lá que aconteceu a grande ópera Tosca, de Giacomo Puccini. Totalmente cheio de arte. Um monumento rico, que tem a estátua de um anjo coroando o edifício. Telo e Cirrado é um vinho cheio de arte. A garrafa tem o formato das antigas garrafas romanas e o vinho é do produtor Falesco. Um super Cirrado de coloração vermelho bem intenso, frutas frescas e as famosas especiarias da Cirá, com um toque de baunilha pelos seus 5 meses de carvalho. O Telo e Cirá é um vinho cedo, com taninos macios, rico e persistente. Acompanha super bem pizzas de calabresa, queijos maturados e massas com molhos fortes, como o nhoque de quatro queijos da minha amiga Gabriela Grandu. Que perfeição! Cremoso, aromas lácteos, sabores extremamente harmoniosos, incrível! Nhoque aos quatro queijos com vinho tinto é uma boa sugestão de harmonização, lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija!

11/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:27

PÃO E VINHO

Em outros contextos já falamos sobre a dupla que eu amo: pão e vinho. No Música e Vinho de hoje, vamos harmonizar alguns tipos de pães, já que a cada dia surgem variedades de receitas e as antigas estão sendo resgatadas. Pão não é só pão e acabou. Muda a textura, o tipo de ingredientes, a fermentação, o recheio ou a cobertura, o formato, com ou sem casca, com ou sem leite e por aí vai. Começamos pelo espumante: combina com brioches. Espumante, inclusive, tem aroma de pão, lembrando os brioches. Você já deve ter visto, nas descrições de alguns champanhas, notas aromáticas de brioche. Experimente para ver como fica bom, porque o brioche é bem macio e tem um sabor meio adocicado, macio como a textura cremosa da espumatização dos vinhos espumantes. Pode ser uma entradinha: brioche com queijos e espumantes. Os pães doces, com frutas secas, chocolates e castanhas, se harmonizam com os vinhos do Porto. Pode ser a sua sobremesa: pão doce com sorvete e vinho do Porto. Os pães de azeitona combinam com os vinhos da uva Nerodávola, a uva italiana defumada da Sicília. O sabor defumado combina com o amargor das azeitonas. Se você combinar com uma berinjela ou uma caponata de berinjela, pode colocar no pão e já vira um prato bem gostoso. E as famosas focaccias? Combinam com vinhos rosés mais secos. É um super pão que eu adoro: bem leve e fresco, com sabor acentuado do sal e do alecrim. O frescor do pão com o frescor do rosé. Agora vamos para os pães recheados: recheados com linguiça, com queijos e outros sabores mais fortes. Combinam com vinhos tintos, como o malbec e o sirrá. Neste caso, você pode ficar só no pão ou servi-lo com massas com bastante molho de carnes ou queijo. Pão e vinho: nem só de pão e vinho vive o homem. Se tiver música, também fica muito bom.

10/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:03

HARMONIZAÇÃO DE VINHO E PEIXE

Nada é mais delicado que as lascas de um filé de robalo. Um peixe encontrado principalmente na costa do Nordeste brasileiro, onde atinge tamanho e peso ideais. É um peixe bom de briga com os pescadores, mas não perde a delicadeza, a textura e a umidade no prato. A versatilidade de receitas é grande. Eu provei um da estação, em caldo de sementes e especiarias, bem escuro e forte. Uma das maravilhas do Tangará, do Jean-Georges. O robalo merecia a delicadeza do Muscadet de Sèvre-et-Maine, do Bernard Chérot, de fermentação em sur lie, quando o vinho fermenta sobre as borras e ganha estrutura, complexidade aromática e profundidade. A fermentação em sur lie também auxilia retardando o processo de oxidação do vinho. O Muscadet é elaborado com a uva Melon de Bourgogne, também conhecida como Muscadet, uma uva de belíssima acidez, frescura e coloração com reflexos esverdeados. É uma das uvas principais do Vale do Loire, na França. A principal sugestão de harmonização para os Muscadets são frutos do mar e peixes. A sequência da degustação seguiu com outro francês: o Figaro Rosé, da Mas de Daumas Gassac, do sul da França, no Languedoc-Roussillon. Um rosé de Carignan que pedia um vinho com mais corpo que o branco. Poderia ser até um vinho tinto leve, mas eu escolhi rosé para fazer parte do Rosé Revolution, que tomou o mundo, e para não fugir do que acredito e defendo há muito tempo: a versatilidade e o lugar de destaque que os rosés merecem. A Mas de Daumas Gassac é uma vinícola orgânica que cultiva as uvas originais das sementes, sem clonagem, e assim preserva as qualidades aromáticas e os sabores das uvas. Robalo, vinhos rosé, ambos franceses, e a adstringência de um café para fechar a noite. Valeu a experiência do estrelado Michelin. Lembre-se de manter a moderação sempre. Se beber, não dirija.

09/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:12

VINHOS DE JERUSALÉM

Uma excelente manhã para você. Curiosidades do mundo do vinho você tem aqui, no Musique Vinho. O vinho está tão presente na Bíblia que só não é citado em um dos livros, o Livro de Jonas. Ao fim do dilúvio, a primeira coisa que Noé fez foi plantar a videira, e o vinho foi a bebida escolhida para a última ceia de Jesus. Naquele tempo, a cirrá era a uva mais plantada na região de Jerusalém. Conta a história que São Patrício teria plantado a cirrá no Rhone ao retornar de uma peregrinação à Terra Santa, e hoje o Rhone é o berço da uva cirrá. Mas tudo começou há muitos anos, junto com a história da humanidade. Hoje, em Jerusalém, pesquisadores estão estudando sementes queimadas e secas, descobertas em escavações arqueológicas, para comparar a uvas vivas e talvez recriar as uvas daquele tempo, como se dizia nas celebrações. Daquele tempo ao nosso tempo, hoje temos o Domânio do Castel, de videiras plantadas nas colinas da Judeia, perto de Jerusalém. Israel tem hoje 6 mil hectares de vinhedos de Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Sauvignon Blanc e bem pouco da uva Sihá. As colinas da Galileia formam a região mais importante em qualidade, com excelente altitude, até 1.200 metros, e clima frio propício ao cultivo das videiras. Se quiser experimentar os vinhos da Judeia no estilo Bordeaux, como se chama em Bordeaux, segundo os vinhos equilibrados e cheios de sabor, o Domane do Castel é feito de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar vinhos diferentes, como os vinhos de Jerusalém

07/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:42