Pense Nisso | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

ENVELHEÇA BEM

Um jovem universitário, no seu primeiro dia de aula, conheceu uma senhora de 87 anos que, assim como ele, estava em seu primeiro dia. Curioso, perguntou a ela o que estava fazendo ali naquela idade. Rindo, ela respondeu: "Estou aqui para encontrar um marido rico, casar-me, ter uns dois filhos e, logo, me aposentar e viajar"."Eu falo sério", disse seu jovem colega. "Quero saber o que a motiva a enfrentar esse desafio na sua idade".Gentilmente, ela respondeu: "Sempre sonhei em ter uma educação universitária e, agora, vou ter". Os anos passaram e, durante o curso, ela se fez muito popular na universidade. Fazia amizades onde quer que fosse e todos gostavam dela. Durante o discurso de encerramento do curso, algumas das palavras que aquela senhora falou marcaram muito aquele jovem. Ela disse: "Não deixamos de brincar porque estamos velhos, ficamos velhos porque deixamos de brincar. Há alguns segredos para manter-se jovem, ser feliz e triunfar. Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias. Temos que ter um ideal, porque, quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a morrer. Só envelhece quem deixa de viver a vida. Há uma diferença entre envelhecer e amadurecer. O envelhecer é a mera passagem do tempo, é algo natural e inevitável, é o destino de todos nós. Mas o curso da vida não deve ser encarado como algo fácil, e sim com fé, com alegria de viver e otimismo. O importante não é acumular muitos anos de vida, mas adquirir sabedoria em todos os momentos que os anos nos oferecem. É aceitar que os traços dos sorrisos e das preocupações são a graduação na escola da vida. Aceitar que a vida foi boa e deixou que a usufruíssemos, que aprendêssemos a aceitar o destino sem querer pegar atalhos. Aceitar que o fogo do amor não se apaga com a idade, mas que, com o amadurecimento, podemos viver livres, fleumáticos e sem medos. Muitas vezes, o medo de envelhecer nos impede de refletir sobre as oportunidades e as conquistas da maturidade: as experiências vividas, os amores, os ganhos e as perdas. Tudo o que faz de nós pessoas ímpares. E, como o poeta José Saramago deixou no texto: 'Quantos anos tenho? Isso a quem importa? Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e sinto'. Não importa a idade que você tenha: cinquenta, sessenta ou até mais. Não se lamente pelas suas rugas e nem pelos seus cabelos brancos, pois este é um privilégio divino negado a muitos. Alegre-se com seu amadurecimento e viva intensamente. Pense nisso. Mas pense agora.

02/06/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:13

PERDENDO A NOÇÃO DO TEMPO

A frase estampada em uma arte divulgada em uma rede social me chamou a atenção: “Compromisso não é chegar sempre no horário. Por vezes, quer dizer perder a noção do tempo.” Tempo é algo tão precioso que, hoje em dia, muitos têm dificuldade em administrá-lo. Já não temos mais tempo para quase nada. Não temos paciência para uma longa conversa ao telefone. Optamos por mensagens em grupo, respostas rápidas, e assim a vida segue. Utilizamos ferramentas para otimizar o nosso tempo, mas deixamos de lado o essencial: o contato, o afeto, a presença. Quando pensamos em programar algo diferente com as pessoas que amamos, precisamos encontrar uma brecha, fazer alguns ajustes, porque, geralmente, as agendas não coincidem. No dia a dia, temos que concluir um trabalho até determinado horário porque, logo na sequência, temos outros compromissos. As reuniões presenciais e as aulas foram substituídas por encontros virtuais. E, aos poucos, começamos a perceber que nossa agenda está cheia novamente. O ano passa em uma velocidade assustadora. E o que temos feito com o nosso tempo? Muitos aproveitaram o período de quarentena para estudar mais; outros, para ajustar a vida espiritual e até mesmo a vida familiar. Por causa da pandemia, para muitos de nós, a noção de tempo mudou. O valor dele também. Aprendemos que os momentos em família são necessários, mas também aprendemos, da maneira mais difícil, que o tempo não para e que não podemos voltar atrás quando perdemos uma pessoa importante para nós. Precisou que tudo parasse lá fora por um período para enxergarmos onde estávamos falhando e como é bom ficar perto de quem amamos. E passamos a entender que o tempo pode ser o nosso maior aliado ou o nosso pior inimigo. Depende da forma como lidamos com ele. De todos os compromissos, os que têm a ver com afeição são os mais preciosos. Precisamos, sim, aprender a administrar cada minuto para tornar o nosso trabalho mais produtivo, mas não podemos nos esquecer das nossas prioridades. Que possamos nos permitir perder a noção do tempo com quem amamos: andando de bicicleta com os filhos, tomando um sorvete com a família, sem pressa alguma. A vida está passando. Será que é tempo o que nos falta para perceber isso? Hoje temos o privilégio de estarmos juntos. Parafraseando Lenine, será que temos esse tempo para perder? A vida é tão rara. Pense nisso. Mas pense agora.

01/06/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:10

ATITUDE É TUDO

João era o tipo de homem que qualquer pessoa gostaria de conhecer. Estava sempre de bom humor e tinha sempre qualquer coisa de positivo para dizer. Se alguém lhe perguntasse como estava, a resposta era logo: “Cada dia melhor”. Era um gerente especial. Trabalhava num restaurante. Os empregados seguiam-no em todos os restaurantes só por causa da sua atitude. Era um motivador nato. Se um colaborador tinha um mau dia, João dizia-lhe sempre para ver o lado positivo da situação. Eu fiquei tão curioso com seu estilo de vida que, um dia, lhe perguntei: — João, como pode ser uma pessoa tão positiva o tempo todo? Como é que você consegue isso? E João disse: — Cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: “João, hoje você tem duas escolhas. Pode ficar de bom humor ou de mau humor”. E eu escolho ficar de bom humor. Cada vez que algo de mal acontece, posso escolher fazer-me de vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Escolho aprender algo. Sempre que alguém reclama, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida. Confesso que nunca mais me esqueci do que João me disse. E lembrava-me sempre dele quando fazia uma escolha. Anos mais tarde, soube que João cometera um erro, deixando pela manhã a porta de serviço aberta, e foi surpreendido por assaltantes. Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, a mão, tremendo com o nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico, dispararam e o atingiram. Por sorte, foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta, ainda com fragmentos de balas alojadas no corpo. Eu o encontrei mais ou menos por acaso, passado algum tempo, e, quando lhe perguntei como estava, logo me respondeu com seu habitual ar bem-disposto: — Ah, ótimo! Se melhorar, estraga! Contou-me o que tinha acontecido e perguntou se eu queria ver as suas cicatrizes. Eu me recusei a ver os seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que lhe tinha passado pela cabeça na ocasião do assalto. — A primeira coisa que pensei foi que devia ter trancado a porta dos fundos — respondeu. — Então, deitado no chão, ensanguentado, lembrei-me de que tinha duas escolhas. Poderia viver ou morrer. Eu escolhi viver. — Mas você não teve medo? — perguntei. — Olha, os paramédicos foram ótimos. Diziam-me que tudo ia dar certo e que eu ia ficar bom. Mas, quando cheguei à sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Nas expressões deles eu lia claramente: “Esse aí já era”. Decidi que tinha de fazer algo. — E o que você fez? — perguntei. — Bem, havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: “Sim”. Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: “Sou alérgico a balas!” Entre a risada geral, eu lhes disse: — Eu escolho viver. Operem-me como um ser vivo, não como um morto. João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude. Aprendi que todos os dias temos a opção de viver plenamente e tomar decisões, pois serão essas atitudes que trarão benefícios agora e para a eternidade. Atitude é tudo. É ela que determina como enfrentamos os desafios e adversidades. Podemos escolher ser vítimas das circunstâncias ou aprender com elas e crescer. Podemos deixar que o medo nos domine ou podemos enfrentá-lo com coragem e esperança. Todos os dias, ao acordar, lembre-se da história de João. Lembre-se de que você tem o poder de escolher sua atitude. Escolha viver plenamente. Escolha ver o lado positivo. Escolha fazer a diferença. Afinal de contas, a atitude é tudo. Pense nisso, mas pense agora.

29/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:26

DANDO O MELHOR

Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de sua audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte súbita do filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que não podia. No canto da sala, havia um piano. Durante 30 minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloquente que podia. Tocou o piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo por sentir não ter jeito para dizer alguma coisa para a viúva ou aos filhos órfãos. Não vamos ao hospital visitar um enfermo do nosso círculo de relações porque, no estado em que se encontra, pensamos: como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: eu estou aqui. Conte comigo. Servamos um copo d’água, um suco, àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um recado, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas quando os ponteiros avançam à madrugada. Ser amigo conveniente, sabendo conduzir-te com descrição e nobreza junto àqueles que te elegem à amizade. A descrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranquilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem. Pense nisso, mas pense agora.

28/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:19

E NÃO ACONTECEU

Os dias agitados, as conturbações sociais, as dificuldades desses tempos fazem com que sejamos tocados, com frequência, por problemáticas inúmeras. Ora, somos vitimizados pela violência social que nos chega na forma de furtos, roubos ou agressões. Doutras vezes, cruzamos com pessoas desequilibradas que nos envolvem com seus desatinos e insensatez. Outros despejam sobre nós seus discursos e ações doentias, nos prejudicando ou nos conduzindo a distonias comportamentais que se refletem, como consequência, em nosso organismo. E, de tal forma, essas ações impactam nosso cotidiano que, muitas vezes, passamos a relatar tal ou qual fato que nos ocorreu, multiplicando, de vezes, o ato infeliz do qual fomos vítimas. Passamos, em nossos relatos, nas nossas conversas, a reproduzir o mal recebido, revivendo as tormentas e dificuldades da situação ocorrida. E assim vamos valorizando o mal de maneira exagerada, desnecessária e sempre prejudicial. Vamos contaminando outras pessoas e ambientes com nossos relatos, sem atentarmos onde estamos e com quem estamos, infundindo medos, receios, sentimentos de pavor, totalmente desnecessários. Por outro lado, quase nunca nos damos conta de quantas coisas não nos acontecem. Se somos alvo da maldade de uns, imprevidência de outros, desequilíbrio de alguns, sem dúvida temos muito mais a relatar de fatos que poderiam ter ocorrido conosco e não chegaram a acontecer. Enquanto preocupados em reclamar e enfatizar o mal que respinga em nós, deixamos de valorizar os recursos que a providência divina oferece para nos amparar e proteger. Não percebemos que os descuidos que nos permitimos oferecem oportunidade para grandes dificuldades, e a bondade de muitos que nos rodeiam encontra os meios para minimizar, até mesmo neutralizar, consequências nefastas que poderiam decorrer da nossa imprevidência. Quantas vezes, pessoa que achávamos pouco simpática já nos direcionou os passos a outros trajetos em nossos percursos diários, evitando que viéssemos a sofrer acidentes, percalços, dificuldades de qualquer sorte. Poucas vezes nos damos conta dessa ação bem-faze já da divindade, protegendo-nos através de inúmeros mecanismos, simplesmente para que o mal não nos alcance. Portanto, ante pequenos contratempos que furem, ou algo inconveniente que nos atinja, busquemos, antes de tudo, refletir. Antes de reclamar, de gastar nosso tempo a reviver emoções desagradáveis, reflitamos se não devemos agradecer. Reflitamos a respeito do mal que nos sucedeu e o tanto mais que poderia ter ocorrido, e constataremos quanto estamos sendo amparados. Essa breve reflexão nos permitirá perceber como somos cuidados pelo amor de Deus. Por isso, mantenhamos nos lábios e no coração o agradecimento às oportunidades que a vida diariamente nos oferece através de pessoas que nos amparam, nos protegem, nos sustentam à vida. Aprendamos a agradecer pela dificuldade, pelo mal ou pelo problema que simplesmente não nos aconteceu, graças à interferência de alguém, que algumas vezes nem sabemos quem é. E lembremos sempre: as pessoas fazem aquilo que nós permitimos. Por isso, não passemos o recibo e sejamos os portadores do equilíbrio, do bom senso e da benevolência. Pense nisso, mas pense agora.

27/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:49

FEITO REVOADA

Você já observou uma daquelas árvores comuns, altas, quando estão repletas de pássaros em seus galhos? As aves pousadas preenchem os espaços, e mesmo os ramos mais secos parecem ganhar vida com a visita animada dos pequenos seres. A árvore ganha movimentos que não possuía, ganha sons que não era capaz de emitir. A vida se soma à vida. A árvore nunca foi tão exuberante. Mas, sem avisar, sem aparente razão, subitamente todos eles resolvem bater em Revoada ao mesmo tempo. Outro belíssimo espetáculo de se ver. Coordenados, sem medo, obedecendo a um comando interno que lhes faz desafiar os ares a todo instante, eles voam. Eles voam, buscando seus destinos, continuando a desempenhar seu importante papel na criação. Mas, e a árvore? Normalmente nem mais a notamos. A árvore permanece, agora, aparentando estar vazia, incompleta. Faltam os passarinhos, os ruídos, a festa. Falta aquela alegria toda em torno da árvore. Há épocas da vida que parece que as pessoas começam a partir assim, feito Revoada, todas quase ao mesmo tempo. As redes sociais possibilitam que saibamos desse tipo de notícia instantaneamente. Lá se foi aquele amigo distante. Agora aquele outro, pai de fulano, mãe de beutrana. E quando chega a vez dos nossos próximos, nos damos conta de que todos teremos que partir um dia. Sentimo-nos então como a árvore que perdeu todos os pássaros que cantavam e brincavam em seus braços. Sentimo-nos minguados, desfolhados, silenciosos. É de se compreender a tristeza da árvore. Necessário lembrar, vez ou outra, que os pássaros não pertencem às árvores, que não fazem parte dela, como o tronco, a galhada ou as folhas. São visitantes passageiros que fizeram breve morada ali, em seu aconchego verdejante, antes de seguir suas jornadas pelo espaço sem fim. Assim poderíamos perguntar, deve a árvore sofrer com as Revoadas frequentes da existência, ou se alegrar com os belos voos de seus novos amigos passareios? A resposta é admirável. Ela precisa das duas coisas. Não há mal algum em sofrer. As almas mais sensíveis sofrem a ausência e a despedida. Choram as lágrimas da gratidão, das boas lembranças e da falta das energias do outro. Mas, também porque amam, choram de alegria pela libertação, pela beleza de um voo que é certo para todos, pois é voo de final de uma etapa e início de uma nova. É um voo de renovação. Curiosa que somos, ao mesmo tempo, árvore e passarinho. E conhecemos a história a partir dos dois pontos de vista. Bate em nós vez ou outra essa melancolia das Revoadas, quando o olhar se detém apenas nas árvores esvaziadas que ficavam. Que os momentos difíceis que temos enfrentado possam nos ensinar algo importante. A nossa vida e tudo que nela há é um privilégio. Somos agraciados a todo instante. Que possamos valorizar cada momento, cada instante, cada individuo que passa em nossa vida, cada oportunidade. Façamos isso todos os dias. Pense nisso, mas pense agora.

26/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:08

UM HERÓI 669 VIDAS

Quando alguém nos pergunta o que imaginamos ao ouvir a palavra herói, é praticamente unanimidade que nos venha à cabeça a figura masculina com uniforme colado ao corpo, musculoso, uma capa esvoaçante, com o peito estufado e as mãos na cintura. Aposto que foi exatamente isso que você imaginou. Quando, na verdade, esse é apenas um arquétipo que habita o nosso inconsciente coletivo. Poucos imaginaram um bombeiro, médico, policial, enfim, uma pessoa comum. O jovem britânico Nicholas Winton não se encaixaria nesse padrão de herói que a maioria de nós temos no inconsciente, mas ele foi um grande herói, um herói de verdade, de carne e osso. Tudo começou no ano de 1938, quando ele tinha somente 29 anos e viu cancelado seu plano de férias de final de ano. Atendendo ao convite de um amigo, ele foi para a Tchecoslováquia. O que Winton viu o deixou estarrecido. Eram milhares de refugiados desesperados, que tinham que deixar o país rapidamente. De imediato, ele percebeu que deveria fazer algo por eles, e fez. Teve a ideia de retirá-los daquela terra já sob o poder da Alemanha Nazista. Por conta própria, escreveu a vários países pedindo ajuda. Organizou uma primeira lista de nomes e recebeu resposta positiva da Suécia e da Grã-Bretanha. De volta ao seu país, conseguiu o apoio de organizações beneficentes e encontrou pessoas dispostas a adotar os refugiados. Também obteve os recursos necessários para o transporte e, quando o primeiro trem chegou à Grã-Bretanha, lá estava ele, na plataforma, para a recepção. Foram salvas 669 crianças por esse jovem. Crianças que se transformaram em escritores, engenheiros, biólogos, cineastas, construtores, jornalistas e guias turísticos. Todos adultos generosos, que adotaram crianças, trabalham como voluntários e fazem o bem em gratidão pelas suas próprias vidas. Infelizmente, lamentou Nicholas, um novo grupo com quase 200 passageiros não pôde partir para a liberdade porque, no dia 1º de setembro de 1939, eclodiu a guerra. Todos os meios de transporte foram bloqueados e os que não conseguiram sair foram enviados aos campos de concentração. Dizem que quem salva uma vida salva a humanidade. O que se pode dizer de alguém que salvou 669? Mas um herói não para depois de um ato heroico. Por isso, Nicholas tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França, durante a guerra. Trabalhou posteriormente nas Nações Unidas e, ao se aposentar, dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário. Vivendo no interior da Inglaterra, ele cuidava do seu jardim e ainda ocupava o seu tempo ajudando um asilo. Não se considerava um herói porque dizia que fez o que todos consideravam impossível. Simplesmente porque o seu lema era: “Se não é obviamente impossível, deve haver uma maneira de fazer”. Discreto, nem mesmo à esposa, com quem se casou em 1948, ele narrou o que fizera. Foi somente em 1988 que o fato se tornou conhecido, quando sua esposa, Greti, encontrou os documentos no sótão da velha casa do casal. Desde então, passou a receber homenagens do governo tcheco, da rainha da Inglaterra, dos Estados Unidos e daqueles que foram salvos por sua atitude heroica e anônima. Sua vida, seus méritos e a operação de resgate estão contidos na biografia escrita por nada menos do que uma das crianças que ele salvou, Vera Gissing, que o conheceu aos 80 anos de idade. Nicholas Winton teve uma vida longa, tranquila e produtiva. Faleceu de forma serena no estado da Inglaterra, aos 106 anos, no dia 1º de julho de 2015. Nicholas Winton sempre será um símbolo de coragem, profunda humanidade e incrível bondade. Um herói se faz com algumas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem. Pense nisso, mas pense agora.

25/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:02

COMBATENDO O PRECONCEITO

Quando Gandhi trabalhava pela independência da Índia, empenhou-se também em combater uma questão interna: o preconceito de castas. Tradição milenar que divide a sociedade indiana em religiosos, guerreiros, agricultores, comerciantes e servos, as castas até hoje persistem. Na base da pirâmide social, há uma categoria desprezada: os párias. Sem casta, os párias são considerados impuros, e acredita-se que quem os toca fica impuro também. Por isso, são chamados intocáveis. Mas Gandhi, ao estudar profundamente os ensinos de Krishna, aprendeu que Deus não faz diferença entre seus filhos. Ele compreendeu que o sistema de castas havia sido modificado pelos homens, que o usaram para fins de dominação política e social. E foi assim que Gandhi passou a combater o preconceito contra os párias, que ele chamava Harijans, palavra que significa “filhos de Deus”. Estava certo Gandhi. Os preconceitos que carregamos são parte de um contexto social e cultural que devemos combater. À medida que a humanidade progride, os preconceitos vão perdendo espaço. A ciência vai demonstrando que certas teorias não têm validade e, aos poucos, vamos expurgando práticas vergonhosas. Vejamos, por exemplo, o preconceito racial. Ele é decorrente de uma visão que data da época da colonização. Os europeus se achavam superiores aos povos indígenas ou africanos. É uma tese absurda que o tempo se encarregou de derrubar. Sim, pois, quando se ofereceu oportunidade, negros e índios mostraram tanta capacidade intelecto-moral quanto os demais. Nunca é demais lembrar que, mesmo na época do mais rigoroso preconceito racial no Brasil, houve quem triunfasse. É o caso do maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis. Filho de uma ex-escrava que trabalhava como lavadeira, ele trabalhava durante o dia e estudava à noite, sob a luz de um lampião. Demonstrou que o talento e o esforço vencem o preconceito, por mais forte que seja. Hoje, por mais que se combata o preconceito, muitas vezes ele ainda aparece inesperadamente. É porque estava apenas oculto, escondido sob o verniz social. É assim na questão dos homossexuais. Os preconceitos contra eles se manifestam de forma agressiva. Eles são ridicularizados, alvo de piadas e até de violência. Muitos são espancados e assassinados. Será que já conseguimos ver todos os demais seres humanos como irmãos que também amam, sofrem e querem ser felizes? Será que ainda é preciso ter uma data para se conscientizar do quanto o preconceito é sinal de barbarismo e ignorância? Pense nisso, mas pense agora.

23/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:53

PRETEXTO

Às vezes, falta-nos coragem para lutar por aquilo que desejamos ou para nos tornarmos aquilo que queremos ser. Não é que tentemos e fracassemos; é pior do que isso. Uma bendita timidez, uma inexplicável covardia, nos impede até mesmo de fazer a tentativa. Mas como explicar esse estranho comportamento? O curioso deste mundo é que aquilo que alguns têm em excesso faz uma falta terrível para outros. A autocrítica, que é a avaliação que alguém faz de si mesmo, seus defeitos e qualidades, em alguns é otimista demais, induzindo a pessoa a julgar-se a oitava maravilha do mundo e a tornar-se até mesmo ridícula por seu convencimento. Em outros, no entanto, a autocrítica é terrível, tão pessimista e tão severa que acaba fazendo a pessoa sentir-se incapaz. Um dos modos mais eficientes de nos sentirmos infelizes é vivermos nos comparando sistematicamente com os outros. Há a menina que daria tudo para ser bonita como a amiga. Há o menino que inveja a inteligência do colega de classe. Há o moço pobre que lamenta não ser rico como o moço de outro bairro. São todos vítimas do complexo de pequenez. Baixam a cabeça quando o menino inteligente, a menina bonita ou o moço rico passam, porque o sentimento de inferioridade os faz sentir-se ainda mais insignificantes. Quem se compara com os outros esquece de algo importante: ninguém é igual a ninguém. Todos nós temos aptidões diferentes. Uns somos melhores em cálculos. Outros temos talentos para idiomas. Assim por diante. É estupidez nos deixarmos escravizar aos modelos que o mundo tenta nos impor à força. Não temos obrigação nenhuma de ser inteligentes, ou magros, ou bonitos, ou instruídos para merecermos um lugar ao sol. Quem disse que precisamos ser perfeitos ou melhores do que os outros para termos o direito de lutar pela realização dos nossos sonhos? E quem disse que inteligência, beleza, riqueza ou instrução garantam felicidade a alguém? Quantos meninos que eram considerados pequenos gênios nos tempos de escola tornaram-se verdadeiros fracassos na vida adulta? Quantas mocinhas que, na juventude, arrancavam suspiros apaixonados tornaram-se mulheres frustradas no amor? E, por outro lado, quantos garotinhos atrasados transformaram-se em adultos bem-sucedidos? E quantas adolescentes desajeitadas tornaram-se muito felizes de família? A verdade é que, muitas vezes, nos apegamos a qualquer bobagem para justificar nossa falta de iniciativa. E, enquanto nos apequenamos por nos sentirmos gordinhos, ou feinhos, ou por não termos dinheiro ou instrução, homens cegos se tornam astros da música, paraplégicos se tornam gênios da física e artistas sem braços pintam obras-primas com os pés. Pense nisso e prossiga na luta com resignação.

22/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:01

O HOMEM QUE NÃO SE IRRITAVA

Conta-se uma parábola que numa cidade do interior havia um homem que não se irritava e não discutia. Sempre encontrava saída cordial. Não feria ninguém, nem se aborrecia com as pessoas. Morava numa modesta pensão onde era admirado e querido. Para testá-lo, um dia seus companheiros combinaram de levá-lo à irritação e à discussão numa determinada noite em que o convidariam a um jantar. Trataram todos os detalhes com a garçonete que seria responsável por atender a mesa. Assim que iniciou o jantar, com uma entrada foi servida uma saborosa sopa da qual o homem gostava muito. A garçonete chegou próximo a ele pela esquerda e ele, prontamente, levou seu prato para aquele lado a fim de facilitar a tarefa de servir. Mas ela serviu todos os demais e quando chegou a vez dele foi para outra mesa. Ele esperou calmamente e em silêncio que ela voltasse. Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, ele levou outra vez seu prato na direção da jovem. Mas novamente ela se distanciou, ignorando-o. Após servir todos os demais, passou o rente a ele com a sopeira exalando o saboroso aroma como quem havia concluído a tarefa e retornou à cozinha. Daquele momento não se ouvia qualquer ruído. Todos o observavam discretamente para ver sua reação. Educadamente, ele chamou a garçonete que se voltou. Fingindo em paciência, ele disse, o que o senhor deseja? Ao que ele respondeu naturalmente, a senhora não me serviu a sopa. Ela retrucou para provocá-lo desmentindo-o. Servi-se em senhor. Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos. Todos pensaram que ele iria brigar. Suspense e silêncio total. Mas o homem surpreendeu a todos, ponderando tranquilamente. A senhora serviu sim, mas eu aceito um pouco mais. Os amigos, frustrados por não conseguir faze-o discutir e se irritar com a moça, terminaram o jantar, convencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura. O protagonista dessa história nos deixa uma lição. A maneira como reagimos às situações é que determinará os seus efeitos nas nossas vidas. Um único deslize daquele homem poderia manchar algo que ele já tinha construído há muito tempo. Ele era um homem reconhecido e admirado por sua postura. Tinha uma reputação invejável. Talvez você pense, é, mas é injusto o que fizeram com ele. Sim, até seria seu direito cobrar um melhor atendimento. Ou ele poderia simplesmente ter levantado do seu lugar, decidido sair sem experimentar a sopa. Uma outra pessoa talvez pensasse numa maneira de punir aquela garçonete. Mas aquele homem, embora injustiçado, decidiu abrir mão da razão. Na vida, muitas vezes, esta é a melhor escolha. Numa discussão com o cônjuge, os insultos desenfreados não trarão nenhum tipo de benefício. Pelo contrário, poderão provocar feridas, desgastes nas emoções e distanciamento. No trânsito, qualquer comportamento errado pode resultar numa grande confusão. Discutir não é uma regra. Sempre foi opcional. E como diz o ditado antigo, quando um não quer, dois não brigam. A verdade é que reagir com irritação em qualquer momento da vida, poderá atrair consequências graves. No trabalho ou entre amigos, faça também o possível para evitar discussão. Se ainda assim o clima pesar por qualquer motivo, experimente um exercício. Respire fundo. Beba um pouco d'água. Peça a Deus sabedoria. Releve. Perdoe. Peça perdão. Recomece. Não deixe a ira invadir o seu coração. Não perca a razão. Mas seja o primeiro a abrir mão dela. Seja um pacificador. O que as pessoas costumam observar em você? Você é lembrado por aquilo que você faz de bom ou pelas consequências dos seus atos impensados? Pense nisso. Mas, pense agora.

21/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:44

RENOVAÇÃO

Você já observou que, de repente, as folhas das árvores começam a nascer, as flores aparecem e tudo passa a ter tons de roxo, amarelo, rosa, branco, uma infinidade de cores, de vida, que começa a substituir o marrom do inverno e, sem perceber, mais uma estação acabou e um novo ciclo começou? A primavera chegou com suas cores e o perfume inigualável das flores no ar e, observando o seu colorido e aproveitando os dias, esquecemos que, algum tempo atrás, tudo estava sem cor e sem vida. O curioso é que nossas vidas são como as passagens das estações. Em algumas delas, estamos felizes e realizados e, em outras, estamos tristes e com dor no coração. Porque uma estação acabou, e as estações da vida de alguém que amamos acabaram. E esses invernos são tristes, sem cor, sem vida, desolados. Sentimos frio e, aparentemente, nada aquecerá nossos corações. Mas tudo é efêmero. Assim como as estações, a vida tem ciclos. E, no transcorrer dos anos, muitas mudanças ocorrem. As estações nos dão a oportunidade de redescobrirmos o significado da vida, de renovarmos o nosso sentido, a nossa cor, e passamos a viver e não apenas existir. Quando os ciclos mudarem e novas estações chegarem, viva o momento. Abrace o inverno; não há mal algum em sofrer. Sorria na primavera, colhe os frutos do outono e aprecie o calor do verão. A vida é uma dádiva divina que nos permite experimentar todas as nuanças. Cada uma delas tem sua beleza, sua lição, seu propósito. Cada uma delas nos prepara para a próxima estação, nos fortalece, nos amadurece, nos enriquece. A cada amanhecer, é uma chance para que um novo ciclo comece. Mas tenha sempre em mente que a renovação é um processo contínuo e pessoal. Cada um tem o seu ritmo e seu estilo de se renovar. O importante é não deixar que ninguém estrague o dom divino de se reinventar. Não tenha medo das mudanças; elas são inevitáveis e necessárias. Não se apegue ao que se foi, mas agradeça o que foi vivido. Não se entristeça pelo que não pode mais ter, nem por aquele que não se pode mais abraçar. Mas alegre-se pelos momentos e memórias que aquecem a alma. Cultive as estações! Aproxime-se das pessoas que te amam e te apoiam. Demonstre o seu amor e o seu apoio a elas, pois o amor é o alimento da vida. Compartilhe momentos bons e ruins. Seja gentil, compreensivo, generoso, seja inteiro. Viva todas as estações e não apenas exista nelas. Renove-se a cada ciclo, porque as almas mais lindas do mundo são moldadas pelas sabedorias dos anos. Pense nisso, mas pense ago

20/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:03

O POÇO

Narra uma lenda chinesa que, no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço. — Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui — convidou o sapo lá embaixo. — O que tem aí? — perguntou o de cima. — Tudo. Água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu. O sapo da terra suspirou. — Amigo, você não sabe nada. Você não tem ideia do que é o mundo. O sapo do poço não gostou daquela observação. — Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo que existe no mundo. — Aí é que você se engana — falou o outro. — Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme. O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo tudo era verdade. — Haveria um mundo maior lá em cima? O pai confirmou. Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali de baixo. — Por que nunca me disse? — perguntou o sapinho, desapontado. — Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair. — Eu posso! Eu consigo sair! — falou o sapinho. E pulou, e saltou, e se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais, e ele foi se cansando. — Não adianta, filho — tornou o pai a dizer. — Eu tentei a vida toda, seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima, contente-se com o que tem, ou vai viver sempre infeliz. — Mas eu quero sair! Eu quero ver o mundo lá fora! — chorava o filhote. E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho. Um pobre camponês, de apenas oito anos de idade, não se cansava de ouvir essa lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Zedong, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações. — Pai! Estamos em um poço? — perguntava. — Depende do ponto de vista — respondia o pai. Mais de uma vez, o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai. Mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos. Ele pedia e sonhava. E deixava sua imaginação o levar para bem longe. Um dia, a possibilidade mais remota mudou, de modo total, o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela. O último bailarino de Mao Zedong. Li Cunxin saiu do poço. Nunca deixe de sonhar. Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido seu coração e viva as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado. Pense nisso. Mas pense agora.

19/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:10

COMEÇANDO O DIA

Começando o dia, o homem acordou pela manhã e recordou-se de algo que lera em um livreto: “Comece o dia na luz da oração. O amor de Deus nunca falha.” Então, decidiu orar: “Senhor, hoje, até o momento, me comportei bem. Não fofoquei, não me zanguei, não fui ganancioso, mal-humorado, precipitado ou egoísta. Estou realmente satisfeito com isso. Mas, em poucos minutos, Senhor, eu vou me levantar. E, daí em diante, provavelmente vou precisar de muito mais ajuda. Obrigado.” Assim mesmo é a oração. É algo franco com Deus, onde o ser expõe a própria alma. Não há necessidade de longas frases, nem de palavras ensaiadas. É o que a alma sente e deixa transbordar. Um pedido simples, mas profundo. Um pedido de quem reconhece que a necessidade maior reside em si mesmo, nas suas deficiências morais. Um exame de consciência e um pedido de socorro. A resposta é exatamente a fortaleza para vencer, pouco a pouco, as dificuldades íntimas e ir vivendo melhor a cada dia, conquistando a paz. Devotando-se ao trabalho, sem se deter a observar defeitos alheios, e muito menos a comentá-los, semeia-se tranquilidade no ambiente profissional. Não se permitindo envolver pelas teias do nervosismo, da inquietação, os problemas vão sendo solucionados um a um, na mesma hora, à medida em que surjam. Sem desejar possuir em demasia, usufruir de todos os prazeres que os bens terrenos oferecem, o homem se entrega às lutas do cotidiano, sereno e confiante. Não se permitindo o mau humor por coisa nenhuma, por um contratempo no trânsito, um defeito mecânico no carro, um funcionário que não atende aos deveres, a criatura distribui serenidade onde se encontre. Sem precipitação, ouve o seu semelhante até o fim, antes de dar respostas que nem sempre atendem ao que o outro deseja. Deixando de lado o egoísmo, o homem se sente feliz em compartilhar o de que disponha e se torna uma pessoa amiga, prestativa. Compartilhar coisas pequenas, simples, como oferecer uma carona a um vizinho, emprestar um livro, indicar uma boa leitura. Compartilhar o que detenhamos inclui os valores intrínsecos do ser, que têm a ver com a vida e os seus objetivos. Portanto, compartilhemos a nossa certeza da existência de Deus, da imortalidade da alma, com aqueles que se debatem no mundo sem fé, sem rumo, sem objetivos. E guardemos a certeza de que, se assim rogarmos a Deus que nos ajude, Ele estará conosco, auxiliando-nos nessas pequenas grandes autoconquistas diárias, que somente redundarão em felicidade para nós mesmos. Cada dia é um presente especial que Deus concede aos homens. Cada dia é de tal forma único que nunca se repete. Observemos como o sol rompe a treva da noite, trazendo a manhã radiante, sempre com um novo colorido. As flores de ontem não estão exatamente iguais hoje. As gotas da chuva que caem em abundância não são aquelas que rolaram em dias anteriores. Novo a cada dia. Essa é a grande mensagem de Deus para os homens: a renovação da oportunidade de crescer, melhorar-se e ser feliz. Pense nisso. Mas pense agora.

18/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:45

TER CORAGEM

Fala-se, no senso comum, que a coragem é atributo dos bravos, dos fortes, dos conquistadores. A imagem da coragem é sempre associada à figura masculina, vinculada, muitas vezes, à força, quando não à intemperança. Outras vezes, dizem-se corajosos aqueles que se aventuram em situações extremas, esportes radicais ou em atitudes perigosas, colocando a vida em risco desnecessariamente. Assim, habitualmente nasce a ideia de que pessoas corajosas são essas que enfrentam qualquer situação, que ultrapassam os seus limites ou que se expõem a perigos intensos. Contudo, frequentemente, isso que chamamos de coragem não passa de bravata, de destempero do próprio caráter ou, ainda, de atestado de insensatez e leviandade. Tudo travestido com o falso nome de coragem. É verdade que a coragem é um instrumento necessário para enfrentar situações difíceis ou para ultrapassar os próprios limites. Nessa linha de pensamento, há um imenso número de verdadeiros heróis da coragem, anônimos na nossa sociedade, enfrentando situações e ultrapassando limites. É necessária muita coragem para se manter honesto e correto, quando todos ao redor se alimentam da desonestidade e da vilania. É preciso ser corajoso para manter íntegros seus valores, quando seria mais fácil e cômodo agir de forma contrária. É sempre uma questão de coragem viver a vida optando pelo certo, pelo correto, ao invés de buscar as opções que seriam mais fáceis. E aplaudidas. Frequentemente, na vida, somos convidados a fazer nossas opções. Um dia, alguém nos chega oferecendo o consumo fácil de alguma droga, de uso corriqueiro no grupo em que estamos. Seria fácil dizer sim. Porém, corajoso será optar pela posição saudável do não, mesmo arcando com o afastamento de uns pretensos amigos. Em outro momento, alguém, no ambiente de trabalho, nos oferece o caminho perigoso do dinheiro fácil, burlando a legislação, adulterando documentos. Com certeza, seria vantajoso aceitar a oferta. É necessária muita coragem para se manter no ideal da honestidade e da moralidade. Assim, percebamos que todos temos oportunidade de desenvolver a coragem em nosso caráter. Tenhamos os ideais de vida, os valores no bem, o ideal de mundo que desejamos para os nossos filhos. Portanto, armemo-nos de coragem. Coragem para viver, dia após dia, abraçado àquilo que idealizamos. Coragem para enfrentar a dissimulação, o desequilíbrio, a insensatez de tantos que vivem com essas máscaras por covardia. Um dia, eles também, cansados das aparências, terão de enfrentar a si mesmos.

16/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:11

TEMPO PARA TUDO

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. O livro de Eclesiastes, escrito pelo Rei Salomão, o homem mais rico e o mais sábio de sua época, nos apresenta uma profunda reflexão sobre a natureza dos tempos e das estações da vida. O verso 3, nos versículos 1 a 8, nos lembra que tudo no universo tem seu próprio tempo e propósito. Salomão, que conheceu o auge do poder e da riqueza, compreendeu que a vida é uma sucessão de momentos distintos, cada um com seu valor e importância. Ele nos ensina que não podemos controlar todos os aspectos da vida, mas podemos aprender a viver em harmonia com as mudanças inevitáveis. Há um tempo para cada experiência: para nascer e morrer, para plantar e colher, para chorar e rir. Esses versos nos incentivam a aceitar que as fases de nossa vida são naturais e necessárias para o nosso crescimento pessoal. O desafio é encontrar equilíbrio e sabedoria em cada estação, reconhecendo que tanto as vitórias quanto as perdas, as alegrias e as tristezas são parte essencial do caminho que percorremos. Ao aceitar a natureza cíclica dos tempos, aprendemos a viver com mais serenidade e gratidão. Pense nisso, mas pense agora.

15/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:24

CARTA DE DEUS

Você já pensou ou imaginou em receber uma carta de Deus? Se Deus lhe escrever, o que será que ele teria para te dizer? Talvez a carta comece assim: “Olá! Como você acordou essa manhã? Eu observo e espero, pensando que você falaria comigo, mesmo que fossem apenas umas poucas palavras, para saber minha opinião sobre alguma coisa ou me agradecendo por algo de bom que lhe aconteceu ontem. Mas notei que você estava muito ocupado, tentando encontrar uma roupa que ficasse bem em você para ir ao trabalho. Então, eu esperei outra vez. Quando você andou pela casa, de um lado para o outro, já arrumado para sair, eu estava ali. Eu vi quando você foi para o trabalho e esperei pacientemente o dia inteiro. Com todas as suas atividades, achei que você estaria realmente muito ocupado para dizer alguma coisa. Notei que, antes do almoço, enquanto esperava a refeição, você olhou ao redor, mas ainda não foi dessa vez. Talvez se sinta um pouco sem jeito ou com vergonha de falar comigo em público. O dia ainda não havia acabado, e eu tinha esperança de que você falasse comigo hoje. Você foi para casa e parecia que tinha muitas coisas para fazer. Depois que terminou algumas delas, você ligou a televisão e gastou bastante tempo em frente à TV. Enfim, chegou a hora de ir para a cama. Pensei que, naquele momento, você se lembraria de mim, ao menos para agradecer o dia que passou. Mas você devia estar muito cansado. Depois que disse boa-noite para sua família, pulou na cama e dormiu rapidamente. Bom, amanhã você vai se levantar outra vez para um novo dia. E, mais uma vez, eu o esperarei. Tenham um bom dia. Seu amigo, sempre presente, Deus.” Essa história tocante nos lembra da constante presença de Deus em nossas vidas, mesmo quando estamos imersos em nossas rotinas diárias. Quantas vezes passamos o dia inteiro sem pensar em agradecer ou conversar com Ele, que sempre está à nossa espera, cheio de amor e paciência? Talvez esperemos encontrar um tempo para esse diálogo tão essencial, que traga paz e direção às nossas vidas. Pense nisso, mas pense agora.

14/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:21

Á ARVORE CONFUSA

Havia, na Índia, um belo jardim cheio de árvores, flores e arbustos. Todos viviam em harmonia e felizes, exceto por uma árvore que era muito triste. Ela era única de sua espécie nesse jardim. Nunca tinha dado flores ou frutos e, por essa razão, se sentia frustrada. Ela não sabia quem era, nem o seu propósito no jardim. As outras árvores tentavam encorajá-la, dizendo: — Por que você não tenta dar mangas, assim como eu? — falou a mangueira. — Bobagem! Você deveria dar rosas, assim como eu! — falou a roseira. Esses comentários só faziam aumentar a frustração e a tristeza da árvore, que não sabia quem era. Um dia, chegou ao jardim, no início de uma noite quente, uma coruja muito velha. Ela se sentou no galho da árvore confusa e ouviu um choro triste e sufocado. — Por que está chorando? perguntou a coruja. — Ah, eu não sirvo para nada. Não produzo frutos ou flores e não consigo ser como as outras árvores. — Não se preocupe. Esse seu problema é muito mais comum do que você imagina. Pare de olhar para as outras árvores e olhe para si mesma. Dentro de si mesma, encontrará a sua vocação. — Como assim? Eu não entendo. — Você não dará mangas, porque não é uma mangueira, nem rosas, porque não é uma roseira. Olhe a grande quantidade de pássaros que fazem ninhos em seus galhos. Veja o seu tamanho majestoso. Observe as pessoas que se sentam à sua sombra para descansar ou fazer um piquenique. Você nasceu para ser grande e abrigar a todos que desejam descanso e proteção. Você é um carvalho. Uma alegria imensa tomou conta da grande árvore. Ela se sentiu forte e segura de si mesma. Agora, ela sabia o que era e qual era a sua missão. Deste dia em diante, todo o jardim ficou completamente feliz. Esse conto nos ensina que, muitas vezes, nos sentimos perdidos ao tentar nos comparar com os outros. No entanto, cada um de nós tem um propósito único. E é ao olhar para dentro de si que encontramos nosso verdadeiro valor. Assim como o carvalho, precisamos reconhecer nossas próprias qualidades e a importância do papel que desempenhamos, independentemente das expectativas alheias. Pense nisso. Mas pense agora.

13/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:31

AMIGOS

Amigas, você já parou para pensar no que é necessário para que uma amizade se solidifique e se torne profunda? Falando de várias experiências, alguns afirmam que foram momentos de grande dor que fizeram com que as pessoas descobrissem e firmassem uma sólida amizade. A chave, portanto, seria passar por um grave problema juntos. Outros, contudo, falam de coisas pequenas que se somam no tempo, acrescentando, a cada ano, mais uma pedra preciosa ao relacionamento. Neste último caso, identifico a história de Harry e Lawrence, primos em primeiro grau. Nascendo com a diferença de seis meses e separados apenas por poucas quadras, desde a mais tenra idade conviveram. Descobriram que eram muito parecidos. Falavam, gostavam e pensavam de forma muito semelhante. Quando ambos tinham em torno de cinco anos, Lawrence foi para a festa de aniversário do primo. Era mais uma grande reunião de família, onde se misturavam primos, tias e sobrinhos. Harry ganhou de um dos convidados uma maravilhosa coleção de soldadinhos de chumbo, pintados com cores vivas e, aos olhos da criançada, pareciam reais. O aniversariante os pegou e mostrou a todos com orgulho. Na hora da saída, Lawrence enfiou todos os soldadinhos no bolso da calça. Eram tão lindos que ele os desejou para si. Fingindo naturalidade, foi saindo de fininho para a porta. Mas o que ele não sabia é que o bolso da calça estava furado, e os soldadinhos caíram com estardalhaço no chão. Naquele instante, os adultos se viraram todos para o pequeno, com um olhar de acusadores. Até a mãe falou “o que você fez?”, só com um olhar. O garoto se sentiu acuado. Tinha vontade de sair correndo e fugir. “Foi o pior momento de sua vida”, lembra Lawrence, hoje com mais de 70 anos. Então, o primo Harry foi socorrê-lo, se colocando ao lado dele e, com segurança, falou em voz alta e clara: “Eu dei os soldadinhos para ele.” E são amigos até hoje. Mesmo que, crescidos, tenham seguido caminhos diferentes, prosseguiram a cultivar esse sentimento maravilhoso que nos faz florescer e que se chama amizade. A amizade sincera é um oásis de repouso para o caminheiro da vida, na sua jornada de aperfeiçoamento. A amizade leal é a mais formosa modalidade do amor fraterno, que santifica os impulsos do coração. Quem sabe ser amigo verdadeiro é, sempre, o emissário da aventura e da paz. Pense nisso. Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa nas horas mais amargas da vida.

12/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:11

NUNCA FUJA DA VIDA

Quando Hitler invadiu a Polônia e iniciou a perseguição aos judeus, uma jovem e sua família viveram, por alguns meses, escondidos em um porão. Descobertos, foram separados, e ela nunca mais viu seus pais ou teve notícias de seus irmãos. No campo de concentração onde foi colocada, ela suportou os maiores horrores. A comida era pouca, o tratamento, rude. As companheiras enlouqueciam, eram mortas ou se matavam. Durante uma entrevista, um repórter perguntou se ela nunca pensara em se matar. “Sim”, respondeu, “mais de uma vez. Quando o frio era muito grande, quando a fome parecia me devorar e eu não via perspectiva de salvação. Mas, nesses momentos, eu lembrava de meu pai. Logo que fomos para o porão nos ocultar dos nazistas, ele me disse: ‘Filha, aconteça o que acontecer, nunca fuja da vida. Resista até o fim.’” Quando os aliados foram vitoriosos, aquela jovem e mais algumas mulheres foram encontradas em um campo de concentração, desnutridas; algumas sequer podiam se erguer, tal era o estado. Ela mesma confessa que tinha dificuldades para andar, pesava 30 e poucos quilos somente e não tomava banho há três anos. Então, um oficial americano se aproximou dela e a tomou nos braços, carregando-a até um caminhão. Durante o trajeto, ele foi lhe dizendo que ficasse calma, que tudo daria certo, que ela receberia o socorro necessário. Cinquenta e oito anos depois, frente às câmeras, ela e o marido mostravam a alegria de sua união. O marido não era outro senão o jovem oficial americano que a encontrou magra, suja, desnutrida e a carregou nos braços. Naquele dia, ela não somente teve a sua vida salva, sendo resgatada de uma situação de penúria, como encontrou o seu grande amor. Deus tem mesmo inimagináveis caminhos para dar a vitória àqueles que acreditam e cultivam o dom mais lindo de todos: a vida. Se os dias lhe parecem demasiado pesados, carregados de problemas, dores e sofrimento, não desista de lutar. Se você está a ponto de abandonar tudo, espere um pouco. Aguarde o amanhecer, espere o dia passar e deixe o sol retornar outra vez. Quando você menos espera, o socorro chega, a situação se modifica, o problema alcança solução. Nem todo amanhecer é como imaginamos, e, às vezes, a dor da batalha e as aflições transmitem a sensação de que não terá mais jeito e de que não há luz no fim do túnel. Mas, para aqueles que insistem e acreditam, sempre haverá um plano de Deus para a solução, para a paz e para a felicidade. Acredite que boas coisas acontecem mesmo quando nos deparamos com coisas ruins. Procure sorrir sempre, mesmo diante das dificuldades, e também não se envergonhe das lágrimas diante da necessidade. Chore, sofra, mas lute para vencer, sem deixar o cansaço derrotar, nem o desânimo ou o preconceito dominar. Ser frágil não significa ser fraco. Significa, acima de tudo, ver e entender a realidade a partir da sua perspectiva e lutar com todas as forças que tem. Não se esqueça: o amor de Deus nunca falha. Aguarde. Pense nisso, mas pense agora.

11/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:02

O DIA EM QUE PAREI DE DIZER, ANDA LOGO!

Quando você leva uma vida distraída, cada minuto precisa ser contabilizado. Parece que você está sempre riscando alguma coisa da lista, olhando para uma tela ou correndo para o próximo compromisso. E por mais que tente dividir seu tempo e atenção de um jeito ou de outro, por mais deveres que tente equilibrar ao mesmo tempo, o dia nunca dura o suficiente para correr atrás do prejuízo. Não é isso mesmo, caro ouvinte? Ouça a história da professora norte-americana Rachel Massey. Conta ela. Durante dois anos a minha vida foi de extrema correria. Meus pensamentos e minhas ações eram controlados por alertas eletrônicos, toques de celular e agendas abarrotadas. Apesar de cada gota do meu sargento interior me mandar chegar a tempo para cada compromisso e meus dias superlotados, eu não conseguia. Acontece que seis anos atrás eu fui abençoada com uma filha calma e despreocupada, daquelas que sabe relaxar um pouco e aproveitar o mundo. Quando eu precisava já estar fora de casa, ela escolhia uma bolsa ou uma tiara com todo o tempo do mundo. Quando precisava estar em algum lugar cinco minutos atrás, ela insistia em colocar seu bichinho de pelúcia na cadeirinha do carro e apertar o cinto de segurança. Quando eu precisava pegar um almoço rápido em algum fast food, ela queria conversar com a velhinha que parecia sua avó. Quando eu tinha 30 minutos para dar uma corridinha, ela queria que eu parasse o carrinho para acariciar todos os cachorros do caminho. Quando eu tinha um dia cheio que começava às seis da manhã, ela pedia para quebrar os ovos e mexê-los bem devagarinho. Minha filha calma e despreocupada foi uma dádiva para minha natureza, workaholic e frenética, mas eu não enxergava isso, não, nem de perto. Quem leva a vida distraída está sempre usando viseiras, sempre de olho no próximo item da agenda. E tudo que não pode ser riscado da lista é pura perda de tempo. Sempre que minha filha me forçava a desviar do meu cronograma, eu pensava, nós não temos tempo para isso. Por consequência, as duas palavras que mais dizia para minha pequena amante da vida eram, anda logo! Eu começava minhas frases com elas, anda logo, vamos chegar atrasados! Eu terminava minhas frases com elas, vamos perder tudo se você não andar logo! Eu começava meu dia com elas, anda logo e come esse café da manhã de uma vez, anda logo, vá se vestir! Eu terminava meu dia com elas, anda logo, vá escovar os dentes, anda logo filha, vai dormir! E apesar das palavras anda logo, não fazerem nada para acelerar a minha filha, eu as repetia ainda assim. Talvez até mais do que aquelas outras palavrinhas, eu te amo! A verdade dói, mas a verdade cura e me deixa mais próxima da mãe que quero ser. Até que chegou o dia fatídico e tudo mudou. Haviam-nos acabado de buscar minha filha mais velha do jardim de infância e estávamos saindo do carro. Como a menor não estava saindo rápido o suficiente, a mais velha disse para a irmãzinha, ah você é tão lenta! E então ela cruzou os braços e soltou um suspiro de frustração. Foi como me ver no espelho e a sensação foi horrível. Eu estava fazendo bullying com minha própria filha, pressionando e apressando uma criancinha que simplesmente queria aproveitar a vida. Meus olhos se abriram, eu enxerguei os danos que minhas insistências apressadas estavam causando em minhas duas filhas. Minha voz tremeu, mas eu olhei nos olhos da minha pequenininha e disse, desculpa por estar fazendo você se apressar tanto. Eu adoro que você faz as coisas com calma e queria ser mais parecida com você. Eu prometo que vou ser mais paciente a partir de hoje, eu disse, abraçando minha menininha de cabelo cacheado que agora sorria com a promessa da mãe. Foi fácil riscar a expressão anda logo do meu vocabulário, mas difícil foi adquirir a paciência para esperar minha filha mais descansada. Para ajudar a nós duas, eu comecei a dar a ela mais tempo para se preparar quando tínhamos que ir a algum lugar. Às vezes, ainda assim, chegávamos atrasadas. Eram os momentos em que eu repetia para mim mesma que só teria mais alguns poucos anos de atraso enquanto ela fosse jovem. Quando saíamos para caminhar ou íamos ao mercado, eu deixava minha filha determinar o ritmo. E quando ela parava para admirar alguma coisa, eu tentava esquecer minha agenda e simplesmente assistia o que ela estava fazendo. Vi expressões no rosto dela que nunca tinha encontrado antes. Estudei as covinhas em suas mãos e o jeito que seus olhos se enrugavam quando ela sorria. Vi o modo como as outras pessoas reagiam quando minha filha parava para conversar com elas. Vi o modo como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela era uma percebedora e logo descobri que os percebedores são dádivas raras e belas. Foi quando finalmente entendi que ela era um presente dos céus para minha alma frenética. Fazer uma pausa para aproveitar as alegrias simples do cotidiano é o único jeito de viver de verdade. Pense nisso, mas pense com calma.

09/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:35

TUDO VAI FICAR BEM

Let It Be é o 13º e último álbum do grupo inglês The Beatles. Foi gravado entre janeiro de 1969 e março/abril de 1970 e lançado em 8 de maio de 1970. Inicialmente, o nome previsto para o álbum era outro, mas acabou sendo o mesmo nome da balada composta por Paul McCartney. Paul a escreveu em homenagem à sua mãe, Mary McCartney, vítima de câncer de mama, quando ele tinha 14 anos de idade. À época, a morte da mãe o abalara profundamente. Conta Paul que, certa noite, sonhou com a mãe vindo em sua direção e lhe dizendo “Let It Be”, algo como “deixa estar” ou “vai ficar tudo bem”. Quando acordou, já estava com a melodia da música na cabeça, e os versos foram brotando. “Quando eu me encontro em tempos difíceis, Mãe Maria vem para mim, falando palavras de sabedoria: vai ficar tudo bem. E, nas minhas horas de escuridão, ela está em pé bem na minha frente, falando palavras de sabedoria, sussurrando palavras de sabedoria: vai ficar tudo bem. E, quando as pessoas de coração partido, morando no mundo, concordarem, haverá uma resposta: vai ficar tudo bem. Pois, embora possam estar separados, há ainda uma chance de que eles verão. Haverá uma resposta: vai ficar tudo bem. E, quando a noite está nublada, há ainda uma luz que brilha em mim. Brilha até amanhã: vai ficar tudo bem. Eu acordo ao som da música. Mãe Maria vem para mim. Não haverá tristeza. Vai ficar tudo bem.” Os versos traduzem a alegria. Alegria ante a constatação de que a mãe vive a imortalidade do espírito e, de onde quer que esteja, nesse imenso universo de Deus, vem ao encontro do filho quando as dificuldades se fazem maiores, quando as dores se tornam superlativas. É o atestado do amor materno, que jamais abandona os seus filhos, sublimando-se no sentimento de amar incondicionalmente. Muitos filhos, como Paul McCartney, detectam essa presença generosa. Outros podem nem perceber, nem se dar conta. Mas mãe é essa criatura especial que vela sempre, que faz da vida do filho a sua própria, que renuncia aos seus prazeres e necessidades para suprir o que carece ao filho. Também é uma canção de esperança. Esperança de que, um dia, todos possam perceber essa realidade. Tudo é passageiro na Terra. Tudo passa. A morte separa as pessoas fisicamente, mas ninguém pode separar espíritos que se amam, porque o amor é indestrutível. Tudo vence: vence o tempo, vence as fronteiras da morte, brilha na imortalidade. E, para amenizar a saudade da ausência física, nas asas do sono os seres se encontram: uns ainda prisioneiros na carne, outros já libertos no mundo espiritual. E, enquanto as horas do sono se fazem reparadoras para o corpo cansado, o espírito sonha nos campos espirituais. Finalmente, depois dos dias de separação, dos anos de paciente espera, o grande reencontro das almas se faz. Pensemos nisso e não nos permitamos o mergulho no poço da depressão. Nossos amores vivem, e a dor que nos castiga agora vai passar. Tudo vai ficar bem, logo mais. Pense nisso. Mas pense agora.

08/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:22

A VIDA QUE NOS É DADA

Um dia, com a permissão de Deus, chegamos a este mundo. Alguns de nós fomos intensamente aguardados e com grande alegria recebidos pela nossa família. Meses de confecção do enxoval, preparação do berço, até um quarto especial, todo decorado para nos receber. Outros, muitos de nós, não tivemos tudo isso. Mas, independente das diferenças em relação ao nosso passado, o que podemos construir hoje pode fazer toda a diferença. O essencial é lembrar que, apesar das adversidades, chegamos a este mundo. Fomos acalentados, alimentados por alguém, e aqui estamos. Temos a oportunidade de escrever a nossa história, não só como filhos, mas também na posição de pais. Pais conscientes aguardam o passar dos meses da gestação e pensam nos mínimos detalhes para bem receber o filho amado. Passam, por vezes, por conflitos pessoais. Se perguntam: “E agora? Tudo novo? Como será?” Reconhecem a imensa responsabilidade que têm no cuidado e educação da criança. Mas aqueles que confessam uma fé optam por buscar, no ser supremo, a ajuda para que possam desempenhar bem a missão. Pais amorosos e comprometidos são aqueles que conduzem os filhos na seara do bem, através de conselhos e exemplos. Que nós, pais e mães, homens e mulheres, possamos, de fato, auxiliar os nossos filhos, levando-os ao crescimento individual. Que tenhamos sabedoria em oferecer os conselhos para as melhores decisões. Que nunca esqueçamos do nosso dever de educar, amparar, proteger, jamais sufocar os seus anseios e os seus ideais. Que nossas atitudes possam inspirar os nossos filhos a viver o amor: a si mesmo, ao próximo, à natureza. Que possamos despertá-los a cuidar do corpo, mas também do emocional e espiritual. Desde o momento em que entramos neste mundo, todos temos a oportunidade de nos aprimorar. Os nossos pais tiveram um papel essencial, especialmente em nossos primeiros anos. Foram eles que nos conduziram pela jornada do progresso, que nos exemplificaram as boas ações, o bem viver. Hoje, como pai e mãe, temos o privilégio de imprimir nos nossos filhos uma versão melhor que a nossa. É responsabilidade dos pais observar os filhos, corrigi-los e também ajudá-los a detectar e preservar as virtudes. Que sejamos gratos, sobretudo, a Deus e aos nossos pais, que nos permitiram abrir os olhos e nos prepararam para este mundo. Aproveitemos a vida que nos é dada em mais este dia. Pense nisso, mas pense agora.

07/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:08

QUANTO VALE SER UMA PESSOA SÁBIA?

Certa vez, uma moça simples, órfã, ainda jovem, criada por seu primo Mardoqueu, ouviu falar que o rei estava à procura de uma nova rainha. Por sua vez, a primeira havia desobedecido as ordens dele e sido banida do palácio. Ela, mais que depressa, começou a se preparar. Recebeu alguns meses para isso e usou, prontamente, perfumes de mirra, entre outras iguarias da época. Quando chegou o dia de conhecer o rei, a moça, que se chamava Ester, entre tantas outras mulheres, foi a escolhida. Encantou seu futuro marido com sua beleza, doçura e sorriso. Ela se tornou a nova rainha, ganhando muito mais do que havia sonhado. Essa moça, tempo depois, resolveu um grande problema, salvou o seu povo, que estava prometido de morrer, que iniciou com seu primo. Ele recusou de se curvar perante uma autoridade, chamado Hamã, que ficou irado e foi pedir permissão para o rei, informou que queria matar todo o povo judeu. O rei Assuero, esposo de Ester, concedeu o pedido. Ester, sabendo disso, agiu com muita sabedoria, pediu permissão para entrar na presença do rei e, com sua delicadeza e humildade, pediu para que ele não matasse esse povo, no qual era considerado sua família, onde ela cresceu. O rei concedeu e admirou a coragem de sua esposa, pois, na época, as esposas só podiam entrar na presença do marido com a ordem dele. Ester se tornou referência para outras pessoas, inclusive hoje tem um capítulo todo no livro mais lido do mundo. Afinal, como tal pôde ser tão corajosa? Ester sabia o que queria. Ela sabia sua identidade. Amava a si mesma com todo seu coração. Sabia também que seu sucesso era cuidar do seu esposo, de forma gentil, de sua família e do seu povo. Uma mulher sábia, que se tornou inesquecível. Mas quanto vale ser uma pessoa sábia? Vale saber que sua felicidade está nos detalhes, no sentir, no falar, no agir e, principalmente, no amor por si mesma. A lição de hoje é para você: se cuide, tire um tempo para si, leia bons livros, Faça atividade física, medite, cante, dance, viaje, compre as melhores roupas e divirta-se. Essa pessoa sempre vai contagiar a todos que estão ao redor. Não espere. Pense nisso, mas pense agora.

06/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:39

INGREDIENTES PARA O ÊXITO

Todos desejamos ter êxito em nossas vidas. Queremos alcançar os melhores resultados possíveis. E isso está ao nosso alcance. Basta estarmos atentos às oportunidades que nos surgem no caminho diário, na vontade e disposição de realizar ações que nos permitam construir a trajetória exitosa. Podemos deixar no passado os sentimentos e pensamentos negativos que nos perturbam. Se cometemos erros, que nos sirvam como aprendizado para não errarmos de novo. Seja nosso o propósito de não cair nos mesmos equívocos. Cada superação se constitui em degrau acima em nossa ascensão. Salientemos as qualidades nossas e do nosso próximo e esqueçamos os defeitos. As qualidades podem nos possibilitar boas ações. Os defeitos devem ser analisados para que possamos ir transformando-os em virtudes. Mobilizemos nossos pensamentos na construção de uma vida nova. Busquemos aprender sempre. Os novos conhecimentos nos permitirão ampliar nossa compreensão e agir com maior segurança. Fortaleçamos o recurso da simpatia. Ela nos permitirá viver de forma mais harmoniosa e nos aproximará das pessoas. Acostumemo-nos a sorrir. Um sorriso alegre ao dia. Podemos oferecer sorrisos sem qualquer custo no transcorrer das horas. Melhoremos nosso vocabulário. As boas palavras podem ser poderosos recursos de auxílio ao próximo. Uma palavra de incentivo e de esperança pode mudar a vida de alguém. Saibamos usar nossas palavras para o progresso e a transformação positiva ao nosso redor. Criemos a disposição da escutatória. Importante é saber ouvir. Quem se encontra em um momento de aflição muitas vezes quer apenas compartilhar sua dor. Cedamos algum tempo para ouvir quem precisa dizer das suas dores e dos seus desconfortos, criando um vínculo de amorosidade que a aconchega e a acalenta. Valorizemos a ação das pessoas que estão ao nosso redor. Significa a gratidão reconhecer as boas iniciativas praticadas por quem nos beneficia. Saibamos desenvolver o reconhecimento das potencialidades daqueles que caminham pelas nossas mesmas estradas. Abençoemos a vida. Saibamos ser gratos por viver mais um dia, mesmo quando as dificuldades surgem. Saibamos também agradecer as bênçãos do sol, da chuva, do ar que respiramos. Se conseguirmos desenvolver esses recursos, com certeza melhoraremos nossas vidas e conseguiremos contribuir para a melhoria daqueles que estão ao nosso redor. O êxito verdadeiro vem das conquistas íntimas. O desenvolvimento desses recursos se faz ferramenta de transformação moral. O próprio tempo é um grande recurso de que devemos nos servir da melhor forma: viver o presente sem perder a vida, sem perder tempo com aflições do passado, que geram mágoas e ressentimentos. Pensemos no futuro com proposições de sermos melhores, com desejos de construir o bem. Desenvolvamos novos recursos íntimos. Potencializemos nossas conquistas. Comecemos no hoje, no agora. Pensem nisso, mas pense agora.

05/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:01

COMPARAÇÕES

Você tem o costume de se comparar com alguém? Escute a história sobre o Jardim do Rei. Certa vez, o Rei foi visitar o seu jardim e ficou surpreso com o que viu. O jardim estava murcho, as árvores estavam secas e as flores não brotavam. Imediatamente, ele chamou o jardineiro, que também não soube explicar o porquê de o jardim estar da maneira que estava. Ele explicou que estava irrigando, adubando, podando e cuidando da melhor maneira, mas não adiantava. Então, o rei resolveu perguntar às plantas o que estava acontecendo e, para sua surpresa, elas responderam. O carvalho estava triste porque não era tão alto quanto o pinheiro. O pinheiro estava triste porque não produzia uvas como a parreira. A parreira queria produzir flores como a roseira. E a roseira queria ser uma árvore como o carvalho. Somente um pé de amor-perfeito estava belo e florido. Intrigado com tudo aquilo, o rei foi falar com o amor-perfeito, que respondeu: “Como posso querer ser alguém além de mim mesmo? Somente tento ser o melhor que posso ser a cada dia.” Essa história de hoje nos ensina a importância de se aceitar e reconhecer as suas próprias qualidades. Nessa história, o jardim pode ser interpretado como uma metáfora da vida humana, onde cada planta representa um indivíduo com características próprias. O rei percebeu a tristeza e a insatisfação de suas plantas e perguntou a elas o que estava acontecendo. Ele entendeu as inquietações delas, mas somente quando falou com o amor-perfeito, aprendeu uma lição valiosa. O amor-perfeito representa a autenticidade e a integridade do eu. Ele não aspira a ser outra planta, mas se esforça para ser o melhor em sua própria natureza. É preciso cultivar a autoaceitação e a gratidão pelas próprias características e conquistas. Assim como o amor-perfeito, devemos buscar a autenticidade e nos valorizar, ao invés de nos confundir, comparando-nos constantemente com os outros. A verdadeira beleza e contentamento vêm de aceitar e prosperar em nossa própria essência. Uma pensadora disse, certa vez, que a comparação é a mãe da insatisfação, e a insatisfação é o parente mais próximo do fracasso. Outro do ser humano: é hora de olhar para si apenas. O quanto já evoluiu do eu do passado? E quanto pretende evoluir para ser o eu do futuro? Não se compare. Cada um tem uma jornada, um ponto de partida e uma linha de chegada. Não é uma corrida. Viva a sua vida enxergando a maravilha da singularidade. Você não precisa ser o carvalho almejando ser o pinheiro. Seja como o amor-perfeito: único e feliz por ser quem é e ter o que tem. Pense nisso, mas pense agora.

04/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:16