Pense Nisso | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

FUGINDO DA VERDADE

Fugindo da verdade. A pintura A Verdade saindo do Poço, de Jean-Lion Geron, escultor e pintor francês, está ligada a uma parábola do século 19. Segundo essa parábola, a verdade e a mentira se encontram um dia. A mentira diz à verdade: hoje é um dia maravilhoso. A verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A mentira diz à verdade: a água está muito boa, vamos tomar um banho juntas. A verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente a água está muito gostosa. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a mentira sai da água, veste as roupas da verdade e foge. A verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a mentira e pegar suas roupas de volta. O mundo, vendo a verdade nua, desvia o olhar com desprezo e raiva. A pobre verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha. Desde então, a mentira viaja ao redor do mundo, como a verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque, em todo caso, o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a verdade nua. Bertrand Russell, um dos mais proeminentes pensadores do século XX, escreveu em seu decálogo: “Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.” Em nossos dias, o que menos se quer é a, entre aspas, inconveniência da verdade. Vivemos através dos eufemismos para que, quem sabe, possamos suavizar ou até mesmo evitar a verdade. Mentimos para nós mesmos. Procuramos nas futilidades algo que nos distraia e que nos mantém em nossa confortável e consoladora realidade. A fuga da realidade é um mecanismo de defesa a que muitas pessoas recorrem como forma de evitar determinados sofrimentos. Entretanto, na verdade, esse comportamento é uma espécie de paliativo, pois, por mais que num primeiro momento pareça que a dor irá diminuir, fugir da verdade não é o melhor caminho, já que os problemas serão apenas abafados por um tempo e continuarão ali, sem uma solução definitiva. O ideal é buscar forças para enfrentar esse desconforto, conseguir se libertar e encontrar sua felicidade. E você, como está a sua relação com a verdade? Acredita que já recorreu ao mecanismo de fuga como forma de se proteger? Reflita. Por fim, busque seu autoconhecimento de modo mais fácil. Como os acontecimentos e experiências passadas influenciam os seus sentimentos e comportamentos atuais. Isto é indispensável para você viver sua realidade sem atalhos e para conquistar uma vida mais plena, madura e verdadeira. Lembremos: conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Libertará da dor maior, do sofrimento insano, da incerteza, da desesperação, acendendo luzes de esperança em sua vida. Pense nisso, mas pense agora.

24/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:47

AJUDANDO A CHORAR

Ajudando a chorar. Como anda seu envolvimento com as outras pessoas? Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda? Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las ou, pelo menos, não deixando que alguém sofra na solidão? Há uma certa passagem que pode ilustrar isso. Foi vivida pelo autor Lê Guaporé, Léo Buscalha, quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola. O tema da competição era a criança que mais se preocupa com os outros. O vencedor foi um menino cujo vizinho, um senhor de mais de 80 anos, acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo. Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem. Nada, disse o menino. Ele tinha perdido a sua mulher e isso deve ter doído muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar. A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos. Geralmente, costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes ou porque sabemos tão pouco para consolar. Para muitos, essa é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos e que os outros são menos importantes. Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxiliar. Não nos preocupemos se não conhecemos palavras bonitas para dizer ou se não podemos conceber uma saída miraculosa para uma dificuldade que alguém atravesse. Nossa companhia, nosso ombro amigo, nosso dizer “eu estou aqui com você” são atitudes muito importantes. Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de alguém para chorar ao seu lado, para estar ali, afastando o fantasma da solidão para longe e não permitindo que os pensamentos depressivos tomem conta de seu senso. Outras vezes, mais importante do que os conselhos, do que as lições de moral, é o nosso abraço apertado, nosso tempo para ouvir o desabafo de alguém. Não precisamos ter todas as respostas e soluções dos problemas do mundo em nossas mãos para conseguir ajudar. Os verdadeiros heróis são aqueles que ofertam o que têm, o que sabem e, mais do que tudo, ofertam seus sentimentos, suas lágrimas aos outros. Não nos preocupemos em ter algo para dizer. Um abraço fala mais do que mil palavras. Uma prece silenciosa é como uma brisa suave, consolando os corações que passam por esse momento. Pense nisso, mas pense agora.

23/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:50

A CULPA É MINHA E COLOCO EM QUEM EU QUISER

A culpa é minha e coloco em quem eu quiser. O título do Pense Nisso pode parecer irônico, mas tem sido o principal lema do nosso comportamento. Mesmo que inconscientemente, nós usamos desse jargão: a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. Pare e pense: estamos dando muitas desculpas sobre os nossos erros e dos resultados que não conseguimos atingir? Se a resposta for afirmativa, possivelmente estamos sofrendo de desculpabilidade. Isso é, sempre colocamos a responsabilidade dos nossos atos negativos em fatores externos, como no trânsito, a crise, a falta de sorte, o governo e, é claro, nas pessoas. Se os fatores fossem os donos do nosso destino e não temos responsabilidade, sempre damos desculpas pelos nossos descaminhos. Ouvindo histórias por aí, temos a impressão de que, em muitas das nossas fantasias, não precisaríamos pedir desculpas. Muitos de nós cultivam secretamente delírios nos quais somos infalíveis, honrados, dignos, fortes. Aí, quando não encontramos uma desculpa pelos nossos erros, nós usamos de um expediente muito em moda nos dias atuais: a vitimização. Pensando nisso, seguem seis regras para que possamos conviver melhor com os nossos limites, buscar ampliar os nossos horizontes e fugir do vitimismo. Primeiro: abaixe a guarda. Em situações de trabalho, na família ou em relacionamentos, pode ser importante se aproximar com as guardas baixas, reconhecer o ponto de vista do outro, respirar e falar de coração. Ouça. A hora de falar virá, mas, antes de qualquer coisa, é essencial ouvir. É desse processo que surgem as bases para o diálogo, para a conexão que pode permitir o surgimento de uma relação ainda mais madura do que a anterior ao erro. Assuma a responsabilidade. Não se vitimize. Todos nós já cometemos erros, sem exceção. Isso não é motivo para sair agindo de maneira irresponsável e não ligar para as consequências dos próprios atos. Mas também não significa que devemos nos culpar e nos posicionar como vítimas. Seja claro e honesto. E lembre-se: o foco não é você, é o erro. Não tente escapar do erro se explicando. Não se explicar não é deixar a pessoa no escuro, sem informação alguma a respeito do que ocorreu. Errou? Conte o que aconteceu. Explique a situação, mas não use isso como justificativa. Cuidado em usar o mas. Quando usamos o mas, é sinal que estamos nos justificando. Peça desculpas. Você pode até achar que passar por todo o processo de assumir o erro, não se justificar e reparar os danos é suficiente, mas não é. Portanto, peça desculpas. Peça ajuda. Melhor do que fazer promessas é pedir ajuda. Estamos todos no mesmo barco. Desta forma, podemos caminhar lado a lado, fortalecer os laços e crescer juntos. Reconhecer o erro, pedir perdão e ressarcir: eis um dos caminhos da felicidade. Pense nisso, mas pense agora.

21/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:48

COM AFETO E FIRMEZA

Com afeto e com firmeza. Uma notícia publicada na mídia nos fez pensar muito sobre a educação que damos aos filhos. Relata que um adolescente de 15 anos, em Almería, na Espanha, processou sua própria mãe depois que ela lhe tomou o celular para que ele parasse de jogar e se concentrasse nos estudos. A mãe queria que o filho deixasse o aparelho. Como ele não o fez, ela decidiu. O garoto, inconformado, abriu uma acusação formal contra ela, junto ao Ministério Fiscal, por maus-tratos domésticos. Pediu, ainda, que passasse nove meses encarcerada e arcasse com os custos processuais. O caso foi parar nas mãos do magistrado penal, que não só absolveu a mãe, como ainda lembrou que a lei exige que ela tome atitudes como aquela. Disse que é dever dos responsáveis garantir que as crianças e adolescentes do país tenham boa educação. A questão da educação no lar gera muitas dúvidas em alguns pais e mães, que parecem não se haverem dado conta da tremenda responsabilidade que lhes cabe. Aprendemos que grande é a influência que os pais exercem sobre o espírito do filho após o nascimento. Todos na Terra concorremos para o progresso uns dos outros. No entanto, os pais têm por missão desenvolver os caracteres de seus filhos pela educação. Isso constitui, para eles, uma tarefa, uma verdadeira missão. Quando nasce uma criança, embora toda a sua fragilidade, a personalidade que habita esse corpo pequeno e frágil, ela já possui uma personalidade. A personalidade da criança forma-se logo à nascença. Tudo o que interioriza está relacionado com o mundo ao seu redor. Aprende a chorar, a pedir as coisas, através de uma linguagem que ela própria definiu e que os adultos descodificam. Traz consigo, na forma de pendores e tendências enraizadas, as experiências vivenciadas em passadas existências. Em razão disso, devemos, desde cedo, observar as ações e o comportamento dos filhos, a fim de conduzi-los pelo melhor caminho. Fundamental dar-lhes responsabilidades gradativas, para que aprendam a responder por seus atos. Necessário estabelecer limites, a fim de conduzi-los à retidão moral e ética, preparando-os para a vida. Por vezes, como pais, desejamos poupar nossos filhos das dificuldades que tivermos que enfrentar. Então, buscamos lhes satisfazer todos os desejos. Salutar considerarmos que foram justamente as dificuldades pelas quais passamos que nos impulsionaram ao crescimento e à maturidade. Portanto, nossos filhos devem aprender a lutar pelos objetivos que desejam alcançar, para melhor entenderem os mecanismos da vida. Seja gentil com seu filho quando for necessário. Oriente-o, impondo limites de uma forma afetuosa, porém estabeleça limites de forma firme e com autoridade. Pense nisso e aja na educação do seu filho enquanto é tempo.

20/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:28

AFABILIDADE

Afabilidade Todos desejamos ser amados. Mas será que já compreendemos a necessidade de sermos amáveis? A história nos conta que todos os que foram hóspedes de Theodore Roosevelt, o presidente americano, ficaram espantados com a extensão e a diversidade dos seus conhecimentos. Fosse um vaqueiro ou um domador de cavalos, um político ou diplomata, Roosevelt sabia o que lhe dizer. E como fazia isso? A resposta é simples: todas as vezes que ele esperava um visitante, passava acordado até tarde, na véspera, lendo sobre o assunto que sabia interessar particularmente àquele hóspede. Porque Roosevelt sabia, como todos os grandes líderes, que a estrada real para o coração de um homem é lhe falar sobre as coisas que ele mais estima. O ensaísta e, outrora, professor de literatura de Universidade Yale, William Lyon Phelps, aprendeu cedo esta lição. Narra a seguinte experiência: “Quando tinha oito anos de idade, estava passando o final de semana com minha tia. Certa noite, chegou um homem de meia-idade que, depois de uma polida troca de gentilezas, concentrou sua atenção em mim. Naquele tempo, andava eu muito entusiasmado com barcos, e o visitante discutiu o assunto de tal modo que me deu a impressão de estar particularmente interessado no mesmo. Depois que ele saiu, falei, vibrante: ‘Que homem!’ Minha tia me informou que ele era um advogado de Nova York, que não entendia coisa alguma sobre barcos, nem tinha o menor interesse no assunto. — Mas então, por que ele falou todo o tempo sobre barcos? — Porque ele é um cavaleiro. Viu que você estava interessado em barcos e falou sobre coisas que lhe interessavam e lhe causavam prazer. Fez-se agradável.” Inspirados nessas duas ricas experiências, indagamos: será que nos esforçamos para nos tornarmos agradáveis aos outros? Será que encontramos neste mundo cavaleiros com tais características de altruísmo e polidez? São raros, infelizmente. Por isso, a lição nos mostra mais um caminho para a verdadeira caridade, ou mais uma sutil nuança dessa virtude. Se desejamos ser amados, obviamente precisamos nos esforçar para sermos amáveis. A amabilidade é esta qualidade ou característica de quem é amável, por definição: é ser polido, cortês, afável; é agir com complacência. Desta forma, concluímos que a benevolência para conselhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Não será porque sorrias a todo instante que conseguirás o milagre da fraternidade. A incompreensão sorri no sarcasmo, e a maldade sorri na vingança. Não será porque espares teus corpos, óculos com os outros, que edificarás o teu santuário de carinho. Judas Iscariotes, enganado pelas próprias paixões, entregou o Mestre com um beijo. Por outro lado, não é porque apregoas a verdade com rigor que te farás abençoado na vida. Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acende a luz do amor no coração e age com bondade. Cultiva a brandura sem afetação e a sinceridade sem espinhos. Somente o amor sabe ser doce e afável.

19/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:47

VOZES AMIGAS

Vozes Amigas Pedro e Ana se conheceram no colégio. De início, não simpatizaram muito um com o outro, mas reconheceram a inteligência e a integridade mútuas e se tornaram amigos. A amizade foi se consolidando e, em pouco tempo, evoluiu para algo mais forte, mais intenso. Eram companheiros de ideias e ideais. Um até sabia o que o outro estava pensando. Casaram-se, tiveram filhos, alguns cachorros, gatos, peixes. Fizeram amigos, viajaram, trabalharam em parceria. A vida nem sempre foi fácil, mas encararam unidos as dificuldades. O amor crescia, amadurecia e se fortalecia. Entraram na meia-idade, planejando a aposentadoria e as viagens que fariam. Os filhos, criados, não precisavam mais de dedicação integral. Estavam batendo asas, independentes e autônomos. Em meio a planos resgatados do fundo do baú e ao nascimento de novos sonhos, Ana começou a sentir que algo não estava bem. Evitou alarmar o marido e foi ao médico. Para sua surpresa, foi diagnosticada com um tipo de câncer raro e agressivo. Com o choque inicial, ela não se rendeu, buscou informações, médicos e tratamentos alternativos. As perspectivas, no entanto, eram bastante sombrias. A família se uniu, e Ana decidiu seguir a vida até o momento em que não seria possível fazer mais nada. Foram anos de batalha com quimioterapia, cirurgias para a retirada de tumores, testes com novos medicamentos. Uma noite, internada na unidade de terapia intensiva e desenganada pelos médicos, pediu ao marido para conversar com familiares e amigos distantes. Como seria possível, contudo, se a entrada na UTI era restrita e nem todos conseguiriam chegar a tempo? Além disso, conversar com todos lhe seria exaustivo e desgastante. Pedro teve uma ideia. Conversou com o médico de plantão e obteve a autorização para permanecer ao lado dela e usar o celular. Fez contato com quase toda a sua lista de amigos e familiares, solicitando que gravassem, num dos aplicativos do celular, mensagens de afeto para Ana. Muitos não conseguiram gravar por conta da emoção, mas vieram mensagens de todos os cantos, com palavras entoadas, cantadas, sussurradas. Todas carregavam carinho, respeito e a esperança de um reencontro. Ana passou a noite ouvindo as mensagens que Pedro tocava, de tempos em tempos, em seu celular. Lágrimas escorriam dos olhos de ambos. Lágrimas escorriam também dos olhos de enfermeiros e médicos. Aquela UTI estava cheia de pessoas, não fisicamente, mas em boas energias, em luz. Ana atravessou aquela noite, acordou na manhã seguinte e permaneceu por mais de uma semana, tranquila e serena, até a sua morte. Nesse período, pedia para ouvir as vozes amigas que tanto bem lhe haviam feito, que tanto carinho lhe haviam transmitido. Partiu em paz, sabendo que não estava só. As vozes amigas a ladeavam, amparavam e a preparavam para retornar, segundo a sua crença, à pátria espiritual, onde iria se encontrar com outras vozes amigas, igualmente cheias de amor e saudade, ansiosas por aquele tão esperado reencontro.

18/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:52

VELOCIDADE MAXIMA

Velocidade máxima. O escritor português José Saramago escreveu: Não ter pressa não é incompatível com não perder tempo. Mas hoje o que mais se exige é rapidez. Rapidez em tudo. O computador deve ser de alta velocidade. É preciso pensar rápido, agir rápido para não perder negócios, para não perder audiência, para não perder mercado de trabalho. No mundo dos executivos, ao contrário da realidade do trânsito, não há limite de velocidade. A multa é alta para quem anda lento. A ordem é ser The Flash. Para esses, cada minuto conta. E se estressam somente contando o tempo que perdem aguardando o elevador, o semáforo abrir, o autoatendimento bancário lhes fornecer as informações de quem necessitam. São pessoas que se sentem culpadas quando param para um cafezinho, porque poderiam estar produzindo. A sua meta é executar projetos, ler apenas livros técnicos, acelerar a rotina. Tudo o mais é desperdício. E, no entanto, a vida é feita de pequenas coisas. Felizes são aqueles que decidem subir pela escada para exercitar as pernas e a imaginação. Aqueles que têm tempo para um sorriso ao desconhecido que está na fila, logo atrás, esperando sua vez para ser atendido. Os que, em vez de engolirem um sanduíche rápido no escritório, preferem almoçar com um amigo, com calma, bater um papo descontraído. Ou melhor, ir até em casa e observar os filhos crescerem, enquanto a família se reúne em volta da mesa. Essas pessoas não costumam usar atalhos para encurtar caminhos. Elas preferem procurar estradas com paisagens com que se possam denunciar. Quando viajam, vão com calma, não têm hora para chegar. Como as crianças, a quem o fazer é mais importante do que a tarefa pronta, eles param na beira da estrada para provar uma fruta e conversar com um vendedor que sempre tem histórias para contar. Histórias de vida, experiências importantes. Quando descobrem uma paisagem bonita, param para apreciá-la. Alguns fotografam para levar a foto consigo, aquele momento mágico. Chegam ao destino com maior disposição e alegria. Esses são os que adotam a filosofia de que menos é mais. Menos velocidade é mais oportunidade de olhar para os lados e apreciar a natureza. Menos horas de trabalho equivalem a mais tempo com a família. Tirando levemente o pé do acelerador das suas vidas, têm mais tempo para ouvir música, ler algo mais além do que a profissão lhes exige, assistir a um filme, meditar. Em síntese, têm mais tempo para viver. Em verdade, a velocidade máxima permitida para ser feliz é aquela que não nos deixa esquecer de que, além dos negócios, do trabalho, do dinheiro, o mais importante é a vida em si mesma. Viver é uma arte. Por isso, todos os dias, todos os dias, todos os dias, todos os dias, o momento se faz importante. Também todas as experiências do cotidiano nos enriquecem. Desfrutar de cada uma delas, retirando o máximo de proveito, deve ser a meta do homem sábio. Isto significa aproveitar bem a vida, não desperdiçar nenhuma de suas oportunidades. Então, pare e pense nisso, mas pare e pense agora.

17/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:42

BENEFICIOS DO AUTO CONHECIMENTO

Benefícios do Autoconhecimento O autoconhecimento é importante em nossas vidas para nos entendermos melhor. Muitas vezes, ignoramos o real significado de algumas sensações que vivenciamos no nosso cotidiano por não nos conhecermos profundamente. Pensamos estar doentes, buscamos o parecer médico e o resultado nos frustra, porque nada é constatado em nível físico. Quantas vezes nos sentimos debilitados, como que enfraquecidos, com sensações desagradáveis a nos invadir? Ou irritados, sem saber a causa? Quantos são os dias em que acordamos sem vontade de nada, até mesmo de sair da cama? E, quando nos perguntam o que está acontecendo conosco, nossa resposta é “nada”, mas continuamos sem vontade de coisa alguma. Importante seria que tivéssemos em mente que, além da realidade física e social, temos, atuante em nós, a realidade espiritual. Aqui vale uma explanação. Quando falamos de realidade espiritual, não é no tocante à religiosidade, e sim aos sentimentos e pensamentos. Muitos não aprendemos ainda, mas, à noite, quando dormimos, nos libertamos parcialmente do corpo e, dessa forma, participamos de uma realidade que, para nós, ainda é um mistério. Vamos chamar aqui de realidade espiritual. Esses momentos são importantes para nossa realidade espiritual, pois permitem que mantenhamos contato com amigos, amores e mesmo inimigos e desamores do passado de nossas vidas. Ao acordarmos, no corpo físico, trazemos gravadas no subconsciente as lembranças acompanhadas de seus efeitos, que se refletem em nosso corpo. Pode acontecer que algumas dessas sensações interfiram em nosso estado de ânimo, parecendo-nos estar doentes, desanimados. Conscientemente, não sabemos explicar o porquê desse mal-estar. Assim também, os momentos de alegria e disposição especiais, ao acordarmos, dão-nos a certeza de que vivemos bons momentos durante o sono do corpo. Grandes sábios da humanidade tiveram o seu momento de glória em suas invenções depois de terem um sono, ou mesmo um cochilo, em que visitaram certos locais de seus subconscientes ou receberam determinadas informações das profundezas de suas mentes. Ou, ainda, sintonizaram com outras mentes criativas que os inspiraram a encontrar a solução para o que planejavam criar, inventar. Isso tão importante é o uso de uma boa leitura e a oração sincera antes de nos entregarmos ao sono, todas as noites. Essa atitude nos garantirá a tranquilidade mental que nos beneficiará. Nosso corpo funciona retratando o estado de ânimo do espírito que o habita. As sensações que nos parecem estranhas ou sem causa podem estar ocorrendo em nível mental, refletindo-se no corpo físico. Na busca do autoconhecimento, é bom que identifiquemos quem somos espiritualmente falando e como vivenciamos essa realidade. Ou seja, qual a qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos? Quais as emoções que predominam em nós? Quais desejos alimentamos? Pois essas são manifestações da alma que nos identificam com almas afins e nos permitem sensações agradáveis ou não. Com tal estudo, decifraremos muitas questões que nos parecem inexplicáveis e poderemos corrigir imperfeições que nos criam sintonias indesejáveis. Pensemos nisso e apliquemo-nos nisso.

16/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:48

A FELICIDADE E A RIQUEZA

A felicidade e a riqueza. Dinheiro não traz felicidade, diz o provérbio popular. E os ambiciosos imediatamente completam: não traz felicidade, mas ajuda um bocado. Será mesmo? Vamos ouvir uma pequena história sobre isso. Marcelo vivia sonhando com a fortuna. Todas as semanas separava o dinheiro e passava na lotérica para fazer um jogo. À noite, no barraco pobre, fazia planos para quando se tornasse milionário. Ah, perdão. Ele, serem um dos mais felizes da terra. Imaginava mansões, carros, roupas elegantes, amigos risonhos, enfim, uma vida de conforto e alegria. Pela manhã, dirigia-se para o trabalho com o bilhete no bolso da calça surrada. O coração palpitava e as mãos tremiam levemente antes de checar o resultado. Negativo. Conferia mais duas ou três vezes e, enfim, descartava o papel, desconsolado. E, nessa hora, sempre lembrava de Anete. Amava Anete há muito tempo. A moça gostava dele, mas não queria se casar com um pobre tão. Os dias passaram. Numa tarde calorenta, um carro caríssimo estacionou diante da casa de Anete. Um homem elegante desceu, dirigiu-se à moça e entregou-lhe um pequeno pacote. Ela abriu. A joia a deixou sem fala. Olhou para o homem. Era Marcelo. Havia acertado os números da loteria, estava rico. Casaram-se e foram felizes nos primeiros tempos. Décadas depois, Marcelo trazia a alma em frangalhos. A nete tornara-se gastadora, fútil. Nada detinha sua ânsia por perfumes, festas, roupas, bolsas, viagens, sapatos. Os filhos criaram-se educados por babás e professores. Agora, adolescentes, passavam noites em boates, consumindo bebidas e drogas, rodeados de amigos irresponsáveis. Mimados, não respeitavam ninguém, zombavam de tudo, riam-se das coisas sagradas. A casa tinha cercas elétricas, alarmes, câmeras, cães ferozes e vigias. Os carros eram blindados. Quanta solidão! Os dias se passavam frios, sem objetivos nobres. Não, definitivamente Marcelo não era feliz. Observava a esposa e os filhos desfrutados, resultando a riqueza, mas levando uma vida vazia. A história de Marcelo é mais comum do que se imagina. Quantas vezes colocamos a razão de nossa felicidade em valores como dinheiro e bens materiais. O dinheiro é bom quando bem utilizado, quando direcionado para coisas úteis, para o bem ou para solidariedade. Do contrário, ele apenas serve para uma vida repleta de prazeres, mas sem qualquer significado mais profundo. Observe o que nos revela a vida dos milionários. Será apenas o que aparece nas revistas de celebridades? Será uma existência feita apenas de alegrias? Certamente que não. Um olhar mais atento ao noticiário desvelador que visita os ricos. A morte também chega para eles e para seus parentes. Divórcios, escândalos, abandonos, miséria moral, depressão e infelicidade estão presentes em toda parte. Isso sem falar nos que vivem aprisionados em suas casas, reféns do dinheiro, com medo de assaltos. Será isso uma vida boa? Vale a pena trocar a tranquilidade de uma vida simples pelo conforto que custa paz íntima? E o que dizer dos que perderam a própria vida por causa do dinheiro? Os que foram mortos pelos próprios filhos ou parceiros por causa de heranças? Ou os que foram enganados pelos amigos em quem confiavam? Será esse o nosso ideal de vida? Valerá a pena? Certamente que não. Não há riqueza que possa pagar por sentimentos reais, pelas pequenas alegrias da família. Não. A felicidade definitivamente não está no dinheiro. Ela está gloriosa na consciência tranquila, nos pequenos prazeres que são frutos do amor, numa vida feita de trabalho e de sonhos. Claro que podemos ter os bolsos cheios e o coração leve. Mas isso depende da riqueza que você leva na sua alma, que é se dar bem fazendo o bem. Sim, isso é possível. Pense nisso, mas pense agora.

14/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:22

COMO VIVEM AS FLORES

Como vivem as flores. Era uma tarde quente de verão, e o vendaval agitava a folhagem com violência, anunciando a tempestade que se aproximava rapidamente. Pelas janelas abertas, um suave perfume enchia a casa. Açoitados pelo vento, os pés de manjericão, alfavaca e lavanda dobravam-se e liberavam um delicioso perfume. Era impressionante notar a maneira como as flores e folhagens respondiam aos golpes violentos do vento. Os primeiros pingos de chuva enfeitavam as rosas abertas como se fossem diamantes líquidos. Mas o temporal anunciado logo chegou, e as gotas da chuva, agora misturadas com o vento, pareciam um bombardeio cruel, esmagando as suaves pétalas, que respondiam à agressão liberando um perfume inconfundível. Era incrível aquela lição viva de generosidade e aceitação. Ante a violência do temporal, instintivamente, as plantas se dobravam para não quebrar. Sabemos que as plantas não pensam. Elas não são seres racionais, mas cumprem, silenciosas e submissas, a tarefa que o criador lhes confia, apesar das tempestades da vida. Assim também agem algumas pessoas que, na verdade, são como as flores e, mesmo sendo esmagadas pela enfermidade cruel ou pela dureza da vida, respondem com o perfume do otimismo e da alegria. Seres racionais que são, sabem o que são. Sabem que todas as lições que lhes chegam são oportunidades de crescimento e auto-superação. Como aconteceu com uma jovem senhora, agredida por um câncer cruel que tentava lhe roubar o corpo, minando-o aos poucos e insistentemente. Quando soube que teria que fazer quimioterapia novamente, ela não se desesperou. Já a família, preocupada com seu estado de saúde, insistia para que a jovem senhora ficasse em casa, repousando, mas ela preferia trabalhar. Trabalhando como vendedora, ela sempre superava as metas estabelecidas, apesar de passar muito mal quando fazia o tratamento quimioterápico. A dor não a impedia de estar o dia todo com um sorriso nos lábios, distribuindo otimismo junto aos seus colegas. Sempre gentil, ela tripla a doença, trabalha, curta. Confia, sofre e espera. Uma pessoa assim é como uma flor que, mesmo açoitada pelos ventos fortes e pela violência da chuva, exala perfume e não deixa de florescer a cada primavera. Parece que Deus permite que pessoas assim nasçam na terra para exemplificar a confiança, o otimismo. São pessoas que não se deixam desanimar, mesmo diante dos quadros mais graves e desesperadores. Enquanto muitas pessoas saudáveis reclamam por coisas mínimas, faltam ao trabalho sem motivos justos, essa mulher flor abre suas pétalas de esperança e dignifica a oportunidade de crescer que o Criador lhe concede a cada dia. Em vez de se deixar derrotar pela enfermidade, ela luta com vigor e coragem. E, acima de tudo, com confiança plena em Deus. Então, quando em algum momento sua coragem ameaçar vacilar, pense nas pessoas que sofrem mais que você. Firma o passo e siga em frente outra vez. A exemplo dessa senhora valente, não permita que uma doença, um problema, lhe roube a paz de espírito e a imensa vontade de viver. Imite as flores. Elas, mesmo tendo suas pétalas rasgadas pelo granizo, não deixam de exalar perfume. Pense nisso e busque viver com otimismo, por mais que a situação esteja difícil. Lembre-se sempre de como vivem as flores.

13/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:23

A RIQUEZA MAIOR

A Riqueza Maior Havia um senhor muito rico que era dono de terras de valor incalculável. Vivia num palácio, rodeado de servos e amigos. Era um homem bom e utilizava sua riqueza para atender a fome alheia. Providenciava abrigo a quem precisasse, agasalho a quem pedisse. Costumava orar todos os dias e, em suas preces, agradecia sempre pelos bens que possuía, em especial aqueles que nem o tempo, nem a ferrugem e nem a traça destrói. Do lado oposto da aldeia vivia um camponês. Habitava uma gruta e, para sobreviver, plantava legumes e hortaliças que regularmente levava ao senhor do palácio a fim de vendê-las. Toda vez que se dirigia para as terras do homem rico, ia resmungando consigo mesmo sobre o que considerava uma grande injustiça, pois aquele homem tinha tanto, enquanto ele era tão pobre. Certo dia, chegou a notícia aos portões do palácio avisando que malfeitores estavam a caminho, provocando mortes e violência. Temendo que algo pudesse acontecer aos seus familiares, amigos e servidores, o senhor do palácio logo providenciou para que todos buscassem lugares seguros. Quando o último grupo se retirou, os desordeiros estavam muito perto das portas do palácio, e o seu dono verificou que não havia sobrado nenhum cavalo para que pudesse fugir. Recordou-se do vendedor de hortaliças, das tantas vezes que o auxiliara e, apressado, buscou a gruta. Lá chegando, contou-lhe tudo e pediu abrigo. O agricultor viu ali a sua oportunidade dourada e ofereceu-se para repartir a sua gruta com o rico senhor, desde que aquele lhe doasse todos os seus bens. Sem pensar duas vezes, o rico lhe disse que tudo lhe pertencia desde então: terras, palácio, tesouros. O nobre senhor foi repousar, enquanto o camponês, impaciente por tomar posse do que era seu por direito, correu ao palácio, enquanto orava a Deus, dizendo: nunca mais vou reclamar, obrigado meu Deus, agora tenho tudo que sempre quis. Os malfeitores chegaram, destruíram algumas peças, levaram outras e surraram, maltrataram e abandonaram o novo proprietário. Passados alguns dias, o nobre, que não parava de agradecer a Deus por ter salvado sua vida, dos seus amigos, parentes e familiares, com os quais logo iria se juntar, foi levar um cesto de verduras ao palácio. Que bom, pensou ao chegar. Os malfeitores quase não estragaram nada. O homem que me salvou a vida, recolhendo-me em seu teto, deve estar feliz com os tesouros que restaram. Percorrendo as galerias do palácio, começou a se mostrar preocupado. Poças de sangue marcavam um caminho. Acompanhando as marcas, ele chegou até o enorme salão de piso de mármore e colunas douradas. Lá estava o camponês, caído, semi-morto, sozinho. Estava cego e inválido. Apesar de toda a riqueza, não tivera ninguém que o levasse ao leito, que o tratasse e lhe aliviasse as dores do corpo e da alma. O homem nobre abraçou o corpo machucado, transformado em farrapo humano, e intimamente orou: obrigado, Senhor, ainda sou mais rico por tudo que me destes. De todos os bens que a divindade nos proporciona no caminho terreno, sem dúvida, a maior fortuna é a da vida, que possibilita o nosso aperfeiçoamento. Pense nisso, mas pense agora.

12/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:00

RENOVAÇÃO INTELIGENTE

A RENOVAÇÃO INTELIGENTE Vivemos em um mundo cercado por tecnologia. Ao olharmos a nossa volta, a vemos cada vez mais presente. Inclusive, percebemos o uso da inteligência artificial fazendo parte de nossas vidas. Basta buscarmos algo para adquirir pela internet. Escolhido o produto que desejamos, em seguida várias opções do mesmo produto surgem em nossas telas do computador ou celular. Também quando usamos aplicativos para a localização de um endereço, se uma rua estiver interrompida, o programa nos informa imediatamente outra opção de rota. São alguns exemplos do uso da inteligência artificial na nossa vida. Verificamos que, quando enviamos informações para as inteligências artificiales, elas se servem rapidamente desses dados para melhorarem seus processos. São programas para se adaptarem prontamente e se aprimoram. Essa velocidade do uso dos dados pelas inteligências artificiais em seus processos de adequação nos deve conduzir a algumas reflexões. Portadores de inteligência que somos, é importante nos indagarmos o quanto aproveitamos dos conhecimentos e experiências de nossas vidas. Temos nos servido de nossa inteligência para melhorarmos nossa forma de ser, de agir? Estamos realizando esse processo de melhoria? De um modo geral, passamos muitos anos em bancos escolares, aprendendo sobre os mais diversos temas. Quase todos nos dedicamos por mais ou menos tempo ao estudo de idiomas. Frequentamos espaços voltados à religião, na busca por lições sobre a espiritualidade. Em grande parte de nossos dias, estamos em locais de trabalho, aprendendo sempre. Realizamos tarefas voluntárias e aprendemos com o nosso próximo lições valiosas. Na convivência com nossos familiares, desfrutamos de amplo aprendizado acerca de relacionamentos e sentimentos. E não podemos esquecer das tantas existências mais ou menos exitosas, dos desacertos praticados e suas consequências. Já experimentamos a dor, a necessidade de saúde, a desilusão amorosa, a perda de mente querida. E o que fazemos com todas essas experiências e conhecimentos adquiridos? Estamos nos servindo deles para a transformação moral? Para uma mudança de rota? Estamos alterando comportamentos inadequados? Estamos educando pensamentos? Buscando uma versão melhor de nós mesmos? Devemos nos servir da nossa inteligência para nossa própria renovação. Aproveitar as experiências, o conhecimento, para concretizarmos a mudança inteligente. Muitos são os caminhos para essa transformação. Precisamos refletir onde queremos chegar e traçar a rota mais apropriada. Aquela que nos desvie de acidentes imprevistos. A mais adequada para alcançarmos o objetivo. Isso nos exige dedicação e esforço, mas também vigilância, disciplina, persistência. São valores que podem nos auxiliar nesse processo. Nós temos a oportunidade de empreender essa renovação inteligente. Ainda hoje. E os frutos disso podem ser muito positivos. Pense nisso. Mas pense agora.

11/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:37

AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ

As voltas que a vida dá. Alguém disse certa vez que a vida sempre nos oferece duas janelas. Você já parou para pensar nisso? Uma é a janela da felicidade, que nos apresenta um jardim de flores, de cores, de alegria. Ela está à nossa frente e nos mostra os dias de bênçãos, de convívio amigo, de amenidades. Mas devemos lembrar que a outra janela está às nossas costas. É a janela da tristeza, do sofrimento, das dificuldades. Todos nós debruçamos hora numa, hora noutra. O que significa que se alternam na vida os momentos de felicidade e os de tristeza. Importante é que de cada uma delas saibamos extrair o mesmo: o melhor que nos possa oferecer. Ante a janela das dificuldades, tenhamos criatividade e esforço para reverter as situações que sejam possíveis. Acontecimentos da vida do ator Drew Goddall podem bem exemplificar essas duas fases. Ele estudou teatro, conheceu atores famosos e chegou a interpretar alguns papéis. Mas, após uma severa crítica ao seu trabalho, sua carreira simplesmente desabou. No ano de 1990, sem dinheiro para pagar o aluguel, precisou sair de seu apartamento e foi morar na rua. Foram seis longos meses em que dormia em uma caixa de papelão e dependia de quem lhe oferecesse algo para se alimentar. Foi quando surgiu a ideia de engrachar sapatos, o que lhe poderia render algum dinheiro. A partir daí, um dos seus clientes o convidou a trabalhar. Trabalhar como engraxate em seu escritório. O panorama começou a mudar. Drew começou a ganhar dinheiro ao ponto de, decorrido certo tempo, abrir sua própria empresa. O negócio deu muito certo. Ele fez parceria com importantes empresas de Londres, cujos executivos desejam ter seus sapatos bem polidos. Sendo muito grato a quem o ajudou no tempo em que viveu nas ruas, ele oferece oportunidades a quem está na mesma situação em que ele se encontrou anos atrás. Por esse motivo, a maioria dos seus 40 funcionários foram pessoas desabrigadas ou são portadoras de necessidades especiais. Com certeza, um exemplo de superação. Igualmente de solidariedade, de amor ao próximo. Por vezes, somos pegos de surpresa por situações que nos obrigam a perder. Por um ponto final em nossa atual história e a começar novo parágrafo. Somos obrigados a simplificar a maneira de ser e de viver. O detalhe importante nessas horas é que não nos deixemos envolver pela depressão, pelo desânimo. É hora de sair da janela da dificuldade e se voltar para outra, a janela em frente, e vislumbrar uma maneira de reverter a situação. É hora de buscar novas formas de trabalho, de usar nossa criatividade, de não nos deixarmos vencer pelos primeiros fracassos. E guardar a certeza de que podemos dar a volta por cima, adaptando-nos à nova realidade. Um lugar mais simples para morar, menos comodidades, quem sabe, mas seguir em frente. E, depois de tudo, não esquecer de olhar para os que permanecem desamparados, sem teto, sem piscina. Espão, estender a mão a quem padece nos dirá, com todas as letras, que aprendemos a lição que a janela de trás nos oportunizou um dia. Pense nisso, mas pense agora.

10/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:44

ERRAR OU QUASE ACERTAR

Errar ou quase acertar? Numa manhã ensolarada, pai e filha aproveitavam o tempo juntos numa quadra de esportes. Ela, aos seus 9 anos, fazia o pai de goleiro e chutava seguidas vezes a bola, mirando no desejado gol. Faltava prática, faltava experiência, naturalmente, e a maioria das tentativas era frustrada. Cada vez que a bola seguia para fora, ela ouvia: pra fora! Ou errou! O pai percebeu que ela ia se desestimulando, perdendo a paciência, emitindo sons de raiva toda vez que a bola não seguia na direção esperada. Ele então mudou a estratégia. Não quis facilitar simplesmente as coisas pra ela, pois sabia que não é assim que se prepara um filho para o mundo. Mas, ao invés de dizer errou ou pra fora, com o tom frustrado, ele começou a gritar quase. E esse quase veio com o tom de empolgação, de alegria, de quase lá, de faltou pouco. Incrivelmente, o humor da criança se transformou. Ela continuou chutando muitas vezes pra fora, na trave, mas numa alegria imensa, alegria de quem continuava tentando sem se desestimular. Naquele quase empolgante do pai, estava o elogio à tentativa, estava a congratulação pela persistência, pelo esforço, mostrando que quanto mais tentativas houvesse, mais bolas dentro ela conseguiria. E foi isso mesmo que ocorreu. Ela começou a acertar muito mais que antes. E cada antigo erro virou um divertido quase. Cheio de risadas. Pensemos em nossas vidas, em nossas atitudes. Na maioria das vezes, queremos acertar. Nossas intenções são boas e estão dentro da compreensão que temos sobre essa ou aquela situação. Chamar de erro, de falha, de defeito, parece crueldade conosco mesmo. Quem sabe se trocarmos o não consegui, o errei, o não deu certo, pelo quase. Consegamos perceber que tentamos, que fomos atrás e que precisamos nos dar novas chances. As leis divinas nos dão novas chances sempre. Por que nós mesmos não nos daríamos? Não se trata de iludir-se com palavras anenas, como alguns podem pensar. Trata-se de ser auto-exigente. Mas exigirmos da maneira correta, sem julgamentos frios, sem autodesestímulo ou autodepreciação. O quase da brincadeira de pai e filha será correspondente a dizer ou sentir: dessa vez eu não consegui, cheguei perto e agora eu sei como fazer melhor. Ou ainda, não cheguei lá. Quando alguém fracassa em qualquer atividade, isso não representa debilidade de esforço ou falta de vontade bem direcionada. Antes, transforma-se em um elemento de experiência para futuras tentativas. Por isso, mesmo que os seus resultados não sejam, neste momento, aqueles que você busca, continue acreditando. Utilize palavras otimistas no seu dia a dia. Persista. Acredite na sua capacidade e nas suas experiências. Pense nisso, mas. Pense agora.

09/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:29

BOA LEITURA

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06/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:19

TER SEMPRE RAZÃO

Ter sempre razão. Quanto custa ter sempre razão? Em algum momento paramos para analisar essa questão? Já pensamos quais são as consequências de sempre querer provar que estamos certos? É claro que defender um ponto de vista é corriqueiro. Colocar nosso posicionamento ou nossas ideias perante um fato, de maneira sensata, é mesmo saudável. Trocar ideias a respeito de um tema. Argumentar a favor de um conceito. No qual acreditamos, são posturas naturais e comuns nas nossas relações cotidianas. Porém, quando essa atitude supera todas as barreiras, está sempre como ponto de honra de nossa palavra, quando se torna fundamental ter a razão, qual o preço a ser pago? Quantas vezes nos aborrecemos com alguém pelo simples fato de queremos convencê-lo de que ele está errado em sua forma de pensar? Quem de nós não se pegou transformando uma discussão tranquila em um afrontamento pessoal? Ou ainda, quantas vezes não elevamos o tom da conversa, nos tornamos ríspidos no enfrentamento de ideias? Defendemos nosso ponto de vista como acreditamos ser o mais adequado e, naturalmente, temos nossa maneira de ver a realidade conforme nossos valores, conceitos e capacidades. Quatro pessoas cegas de nascença, ao serem colocadas junto a um elefante, vão conseguir relatar o que puderem tocar do animal. Se não lhes derem a oportunidade de perceber as diferenças entre orelha, cauda, tromba, corpo, terão apenas uma ideia parcial. Não estarão erradas. Apenas cada uma terá somente parte da razão. Muitas vezes isso acontece nos nossos relacionamentos. Temos a nossa percepção, a nossa capacidade de análise. Não quer dizer que estejamos errados ou que não tenhamos razão em nossos argumentos. Porém, não podemos esquecer de que o outro tem sua própria forma de ver, seus valores, suas ideias. Enfrentar-se nessas situações será o duelo de ideias, a briga de argumentos, em que quase sempre o que existe de verdade é o desejo de impor nosso raciocínio, nossa argumentação. De desejarmos provar que a razão nos pertence, usamos nossa palavra como quem está numa batalha, não desejando nunca perder. Ter sempre razão, às vezes, custa o preço de uma amizade. Buscar impor aos outros nossos argumentos repetidamente pode ocasionar o desgaste da relação. Querer estar sempre certo no campo das ideias e reflexões pode causar fissuras nas relações familiares. Assim, antes de buscarmos ter razão, melhor buscarmos a preservação da harmonia. Antes de querermos ser vencedores em nossa argumentação, melhor que tenhamos paz de espírito. A verdade, mais dia menos dia, se fará presente, duradoura, perene. Assim, mesmo quando toda a razão nos pertença, vale refletirmos se devemos continuar nossos duelos de ideias. Talvez, o melhor, em determinadas situações, seja utilizarmos nossa capacidade pensante, nosso senso de validação, para buscar compreender o próximo. Ao assim procedermos, poderemos entender o porquê dos argumentos alheios, de sua forma de agir, facilitando e aprofundando nossas relações. Dessa maneira, evitaremos o granjear de atritos e de sabores, pesos desnecessários ao nosso coração. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

05/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:39

TELHA DE VIDROS

TELHA DE VÍDRO Nem sempre a vida segue o curso que se deseja, que se espera. Assim foi com Raquel. Depois da morte de seus pais, ela, ainda bem moça, deixou a cidade em que nascera para morar na fazenda, com os tios que mal conhecia. Morava na casa que havia sido construída por seu bisavô há muito tempo. Era uma casa muito antiga, e a maior parte dos móveis eram peças pesadas e escuras que ali estavam há mais tempo do que as pessoas saberiam dizer. Seus tios eram pessoas simples, acostumados com a vida que sempre viveram, desconfiados com tudo que pudesse alterar a rotina que lhes dava a segurança. A chegada de Raquel representou para eles um certo transtorno. Onde ficaria instalada a sobrinha? Como não havia um cômodo mais apropriado, deram-lhe um quarto pequeno, que ficava no sótão. Nem o tamanho reduzido, nem o cheiro de mofo incomodaram Raquel. O que há em tristecia naquele quartinho abafado era apenas o fato de não ter janelas. Não se podia ver o sol, nem o céu, nem as árvores do quintal ou as flores do jardim. A luz limitava-se a entrar timidamente pela porta. A falta de claridade parecia encher ainda mais de tristeza o coração dolorido daquela moça. Até que um dia, depois de muito ter chorado em silêncio, decidida a voltar a sorrir, ela pediu que lhe trouxessem da cidade uma telha de vidro. Um pouco desconfiados, seus tios acabaram cedendo. Daí, um milagre aconteceu. Mesmo sem janelas, o quarto de Raquel, antes tão sombrio, passou a ser a peça mais alegre da fazenda, que, ao meio dia, aparecia uma renda de arabesco de sol nos ladrilhos vermelhos que, só a partir de então, conheceram a luz do dia. A lua branda e fria também se mostrava, às vezes, pelo clarão da telha milagrosa. E algumas estrelas audaciosas arriscaram surgir no espelho onde a moça se penteava. O quartinho que era feio e sem vida, fazendo os dias de Raquel cinzentos, frios, sem luar e sem clarão, agora estava diferente. Passou a ser cheio de claridade, luzes e brilho. Raquel voltou a sorrir. Toda essa mudança só porque um dia ela, insatisfeita com a própria tristeza, decidiu colocar uma telha de vidro no telhado daquela casa antiga, trazendo para dentro da sua vida a luz e a alegria que faltavam. Muitas vezes, presos a hábitos de vida e em situações consolidadas, deixamos de lado verdades que nos fazem felizes. Deixamos que a ausência de janelas em nossa vida escureça nossas perspectivas, enchendo de sombras o nosso sorriso e o nosso cotidiano. Vamos nos acomodando, aceitando estruturas que sempre foram assim e que ninguém pensou em alterar, ou que não se atreveu a tanto. Mudanças e reformas são necessárias e sadias. Nem todas dão certo ou surtem o efeito que desejaríamos. Porém, cabe nos avaliar a realidade em que nos encontramos e traçar metas para buscar as melhorias pretendidas. Não podemos esquecer, porém, que em busca de nossos sonhos de felicidade não devemos simplesmente passar por cima dos direitos dos outros. Nesse particular, cabe nos seguir a orientação de que ninguém precisa, precisa passar por cima dos outros para ter o que quer, ou para ser feliz. Não devemos desistir dos nossos sonhos, a menos que esse sonho custe a felicidade de outrem. Tornarmos pessoas más e agir de forma fria e calculista só trará consequências nefastas, pois sabemos que o que plantamos sempre colhemos, o que vai sempre volta. É lei, é certo. Se for para ser feliz, que seja de uma forma honesta e justa. Pense nisso, mas pense agora.

04/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:07

A DUREZA DA VIDA

A dureza da vida Sim, a vida é dura. Em tempos de supervalorização da literatura de autoajuda, em que se acredita que pensamento positivo resolve tudo e temos que agradecer simplesmente por estarmos vivos, é complicado admitir para si mesmo e para os outros que a vida é dura. Essa mensagem se destina a quem tem senso de realidade e não teme olhar para as próprias feridas. Essa mensagem se destina a quem não teme reconhecer que a vida poderia ser trocentas vezes melhor e que, mesmo quando estamos bem e felizes, a vida é dura, incerta, cheia de perigos e possibilidades assustadoras. Como diz Kazusa em uma de suas músicas, a vida é bem mais perigosa que a morte. Sim. Existem as possibilidades agradáveis também. Viver é estar super feliz de manhã porque tivemos uma noite incrível e logo à tarde nos deparar com uma notícia péssima. Viver é estar se debulhando em lágrimas para logo em seguida ser invadido por um pensamento redentor que nos salva da tristeza e desespero. Viver é estar feliz com o seu trabalho e saber que você está desempenhando de forma eficaz e com paixão as suas tarefas e, logo em seguida, o seu chefe lhe entregar uma carta de advertência por um pequeno deslize seu. Viver é alternar estados de espírito. É passar pelo pior e pelo melhor. Às vezes numa única semana, num único dia. É ganhar e ficar com medo de perder. É perder e se sentir apaticamente tranquilo por saber que não há mais nada a perder. Viver é saber que depois dos 50 anos você tem mais passar do que futuro e, mesmo assim, fazer projetos para o futuro e manter o seu bom ânimo e otimismo. Viver é lutar diariamente pela sobrevivência material, pelo amor próprio, pelo amor da pessoa amada. E quando estamos bem de dinheiro, estamos mal no amor. E quando estamos bem no amor, estamos mal de dinheiro. E quando temos dinheiro suficiente para viver e temos a alegria do amor, nos falta a saúde ou nos falta qualquer coisa que nem sabíamos que era importante para a gente quando a tínhamos. Sim, sempre uma das teclas do piano está quebrada. Sempre estamos em conflito em relação a algum tema ou a alguma pessoa ou a nós mesmos. Ou é o presente que não está bom, ou é o futuro que nos amedronta, ou é o passado que vem tomar com a gente. Um café adoçado com fél. Sofremos pelo que aconteceu e por aquilo que também poderia ter acontecido e não aconteceu. E nós queríamos que acontecesse. Sofremos até mesmo por aquilo que não aconteceu e não queríamos realmente que acontecesse. Os ufanistas acharão essa mensagem profundamente pessimista. Mas o objetivo não é fazer ninguém se deitar em posição fetal. Pelo contrário, é mostrar que a vida é isso mesmo. E que, se você está se sentindo confuso, triste ou sem saber o que pensar ou como agir diante de uma situação complicada, não há nada de errado com você. É isso mesmo, esta é a vida caótica, linda e implacável. Não se sinta culpado se você não consegue ser essa pessoa que os bambans de palestras de autoajuda pedem para você ser. São os 12 passos para ser um. Vencedor, os vencendo desafios e conquistando a felicidade, os high performance, que você acaba se achando um zero esquerda. Depois de anos nos maltratando, exigindo façanhas impossíveis, melhorar a autoestima parece ser mais uma daquelas metas absurdas e, no final das contas, acabam nos causando mais sofrimento. O caso é que a autoestima virou um novo produto da moda. Estão aparecendo cursos voltados para esse assunto, reportagens na TV, matérias em revistas, Facebook, cujo intuito é vender mais um produto. A vida não tem uma fórmula concreta. A vida não é um manual de instrução. A vida é, apesar de tudo, um hino de louvor a você mesmo. Viva a vida! Pense nisso, mas pense agora.

03/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:24

O BOM EXEMPLO NASCE NO LAR

O bom exemplo nasce no lar. Você já se deu conta de que as guerras, tanto quanto a violência, nas suas múltiplas faces, nascem dentro dos lares? Em tese, é no lar que aprendemos a ser violentos ou pacíficos, viciosos ou virtuosos. Sim, porque quando o filho chega da rua contando que um colega lhe bateu, qual é a reação? Existem pais que logo perguntam: e o que você fez? Na expectativa de ouvir que o filho se saiu melhor. Muitos ainda dizem: filho meu não traz desaforo para casa não, se apanhar na rua, apanha em casa outra vez. Quando o amiguinho pega o brinquedo do filho, os pais intercedem dizendo: tire dele, você é mais forte, não seja bobo. Ao invés de ensinar a importância de compartilhar, de ser generoso. Essas atitudes são muito comuns, e os filhos que crescem ouvindo essas máximas aprendem facilmente cada uma dessas orientações, boas ou não. Isso acontece porque os pais de fato são referências para eles. O que dizem tem um valor, mas o que geralmente acontece é que aprendem a lição e se tornam cidadãos agressivos, orgulhosos, vingativos e violentos. Ingredientes perfeitos para fomentar guerras e outros tipos de violências. Se ao contrário os pais orientassem o filho com conselhos sábios, como: perdoe, tolere, compartilhe, ajude, colabore, esqueça a ofensa, os filhos certamente cresceriam alimentando outra disposição íntima. Seriam cidadãos capazes de lidar com as próprias emoções e dariam outro colorido à sociedade, da qual fazem parte. Formariam uma sociedade pacífica, pois quando uma pessoa age diante de uma agressão, ao invés de reagir, a violência não se espalha. A paz só será uma realidade quando os homens forem pacíficos, e isso só acontecerá investindo-se na educação da infância. Os pais talvez não tenham se dado conta disso, mas a maioria dos vícios também é adquirida dentro dos lares, quando os filhos são incentivados a beber, a fumar, a se prostituir das mais variadas formas. Isso tudo fará diferença mais tarde, quando esses meninos e meninas estiverem ocupando suas posições de cidadãos na sociedade. Então, veremos pessoas caminhando sem propósito, se agredindo, medindo forças e perdendo a compostura. Adultos desvalorizados. Lamentavelmente, muitos pais ainda não acordaram para essa realidade e continuam plantando sementes de violência e vícios no reduto do lar, que deveria ser um santuário de bênçãos. Já é hora de pensar com mais seriedade a esse respeito, tomar atitudes. É hora de compreender que, se quisermos construir um mundo melhor, os alicerces dessa construção devem ter suas bases firmes no lar. Uma boa instrução e um tempo de qualidade com sua família, dia a dia, podem fazer toda a diferença. A família, a fé, o amor, a compaixão, o real desejo de querer bem são fundamentais nesse processo, na busca por uma geração mais feliz. São pequenos passos capazes de transportar realidades. Da ignorância, a sabedoria. Do instinto, a razão. Da força, ao direito. Do egoísmo, a fraternidade. Da tirania, a compaixão. Da violência ao entendimento, do ódio ao amor, da extorsão à justiça, do desequilíbrio à harmonia, do caos à glória. Pense nisso, mas pense agora.

02/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:45

A RAIVA

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31/01/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:09

JULGUE MENOS, ENTENDA MAIS

Julgue menos, entenda mais. Em uma aldeia no Líbano vivia um médico muito sábio. Ele era um homem rico e, por essa razão, atendia a todos sem cobrar nada. Muitas pessoas caminhavam por dias para serem atendidas por ele. Esse médico tinha uma gata que, todas as noites, se sentava com ele na varanda, e eles faziam e acompanhia um ao outro até a hora de ir dormir. A gatinha era muito educada e, sempre que estava com fome, ia até a cozinha e ficava miando na porta até que o cozinheiro lhe dava um pote de comida. Certo dia, a gata não miou. Entrou na cozinha, subiu na pia, roubou um pedaço de carne que o cozinheiro ia preparar e, quando estava fugindo, o cozinheiro a viu. Irritado com o atrevimento da gata, ele a enxotou da cozinha com uma vassoura. Naquela noite, a gata não apareceu na varanda, e o médico ficou preocupado. No dia seguinte, ele começou a procurá-la e pediu ajuda de seus empregados. Quando viu o que estava acontecendo, o cozinheiro contou ao médico o que tinha havido no dia anterior. Logo, um de seus empregados apareceu contando que tinha encontrado a gata. O médico o acompanhou, e eles descobriram que ela tinha tido filhotes e eles estavam na fase de começar a comer. Ele entendeu a atitude da gata e foi falar com o cozinheiro. A gata não roubou a carne por vontade própria, e sim pelo amor e pela necessidade de seus filhotes. Ela não deveria ter sido maltratada por isso. Qualquer mãe, para atender as necessidades dos filhos, pode tomar atitudes extremas. Vemos nessa história que o cozinheiro teve um julgamento precipitado sobre uma atitude, o da gata, em pegar comida na cozinha, atitude que não era comum de sua parte. E só depois, conversando com o patrão, ele entendeu o porquê daquela ação da felina. Ela estava pegando comida para dar aos filhotes. Aprendemos que os meios justificam as ações? Não, pois não é sobre o outro, e sim sobre a nossa capacidade de julgar equivocadamente o outro. Você consegue se lembrar da última vez que fez um julgamento errônio sobre algo ou alguém e, depois que soube dos fatos, se arrependeu de ter julgado? Essa história nos ensina isso, sobre não julgarmos o outro sem sabermos o que o levou a tal atitude. Sim, eu entendo que nem todas as atitudes serão justificadas ou desculpadas por causa do motivo que a ocasionaram, mas que possamos frear nossos julgamentos a respeito do outro. Lembrar que o Messias, enquanto esteve por aqui, disse que, da mesma forma que julgarmos alguém, assim também seremos julgados. Pense nisso, mas pense agora.

30/01/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:30

A ULTIMA VIAGEM

A última viagem. Era tarde da noite quando o taxista recebeu o chamado. Ao chegar, ele pensou em buzinar e aguardar. Mas imaginou que alguém que chamasse o taxi tão tarde poderia estar com alguma dificuldade. Saiu do carro, foi até a porta e tocou a campainha. Uma senhora idosa, pequena, franzina, com o vestido estampado, abriu a porta. Equilibrava-se em uma bengala e, na outra mão, trazia a senhora. E uma pequena valise. Ele olhou para dentro e percebeu que todos os móveis estavam cobertos com lençóis. Ele apanhou a mala e ajudou a passageira a entrar no táxi. Ela forneceu endereço e perguntou: podemos ir pelo centro da cidade? Mas o caminho que a senhora sugere é mais longo, observou o taxista. Não tem importância, afirmou ela, resoluta. Não tenho. Eu estou indo para um asilo porque não tenho mais família, e o médico me disse que morrerei em breve. O taxista, que começara a dar a partida, desligou o taxímetro, sutilmente. Olhou para trás, fixou-a nos olhos e perguntou: aonde mesmo a senhora gostaria de ir? Ele a levou até um prédio na área central da cidade. Ela mostrou o edifício onde fora a sensorista, quando jovem. Depois, foram a um bairro onde ela morou, recém-casada, com seu marido. Apontou mais adiante o clube onde dançou com seu amor muitas vezes. De vez em quando, ela pedia que ele fosse mais devagar ou parasse em frente a algum edifício. Parecia olhar na escuridão, no vazio. Suspirava e olhava. Assim, as horas passaram e ela manifestou cansaço. Por favor, agora estou pronta. Vamos para o asilo. Era uma casa cercada de alvoreto e, apesar do horário, ela foi recepcionada de forma cordial por dois atendentes. Ela se despediu do taxista. Quanto lhe devo? Nada, disse ele, é uma cortesia. Mas você tem que ganhar a vida, meu rapaz. Há outros passageiros, ele respondeu. Sensibilizado, a envolveu em um abraço. Afetuoso. Ela retribuiu com um beijo e palavras de gratidão. Sabe, você deu a esta velhinha um grande presente. Deus o abençoe. Naquela madrugada, o taxista resolveu não trabalhar mais. Ficou a sismar. E se ele apenas tivesse tocado a buzina duas ou três vezes e ido embora? E se tivesse recusado a corrida pelo adiantado da hora? E se tivesse querido encerrar o turno de forma apressada para ir para casa? Deus se conta da riqueza que é ser gentil. Por vezes, pensamos que grandes momentos são motivados por grandes feitos. Contudo, existem coisas mínimas que representam muito para uma vida. O importante é estar atento, a fim de não perder essas ricas oportunidades de dar felicidade a alguém. Mesmo que seja um simples passeio pela cidade. Uma ida ao cinema, uma volta pelo jardim, um bate-papo num final de tarde, atender um telefonema na calada da noite. Estejamos atentos para as coisas mínimas, os gestos quase insignificantes. Eles podem representar para alguém toda a felicidade. Pense nisso, mas pense agora.

29/01/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:31

OPORTUNIDADES

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28/01/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:59

PRECIOSIDADES

Preciosidades. Como sempre, hoje o nosso Pense Nisso trará um tema muito profundo. O que é precioso para nós? Quais as preciosidades da vida que devemos guardar com todas as nossas forças? O que nos dá sentido, propósito, valor? O que nos faz acordar todos os dias com vontade de viver, de aprender, de crescer, de querer ser melhor? Melhor que fomos ontem. Certo dia, caminhando pelo centro da cidade, vi um casal de idosos. Seus corpos, já arquejados pela idade, seus passos pequenos e seus cabelos brancos exalavam anos e mais anos vividos. Com as mãos dadas fortemente, como se tivessem medo de se perder em um do outro, paravam em frente às lojas e comentavam sobre como o lugar havia mudado e como tinha gente demais em um local que outra hora era tranquilo e isolado. Observei com curiosidade as lembranças deles, e a nostalgia de uma época nunca vivida me trouxe um misto de admiração e melancolia pela história que eles construíram juntos, enfrentando as mudanças do tempo e do espaço. Melancolia pela consciência de que tudo é passageiro e que nada permanece igual, e também a admiração pela paciência. De compartilhar suas vidas. Eu me perguntei: o que é precioso para guardar? Talvez seja o amor, que é a força mais poderosa do universo, a energia mais pura da vida, a essência mais profunda da alma. É o que nos faz sentir bem, que nos faz querer cuidar, compartilhar, valorizar e respeitar. Ou talvez seja a sabedoria, que é fruto do conhecimento e do avanço da idade. A conquista mais elevada da mente, a virtude mais admirável do caráter. A sabedoria é o que nos faz entender a realidade, interpretar os fatos, solucionar os problemas, que nos faz aprender com as experiências, refletir sobre as ideias, questionar as verdades. A sabedoria é o que nos faz ser sábios para vivermos melhor. Eu sei que essa não é a. Cada um de nós tem uma história diferente, uma personalidade diferente, uma essência diferente. E por isso temos uma resposta diferente, uma visão diferente, uma experiência diferente. Cada um de nós tem uma forma de ver o mundo, de se relacionar com os outros, de se expressar. Mas eu acredito que existem algumas coisas que são preciosas para todos nós. Coisas que são universais, que são comuns, que são humanas. Coisas que nos conectam, que nos unem, que nos tornam iguais. Coisas que nos fazem sentir parte de algo maior, algo melhor, algo mais bonito e precioso. E essa preciosidade são as lembranças vividas ao lado das pessoas que amamos e que nos fazem bem. São momentos que ficarão para sempre guardados nas nossas memórias. E que, quando relembrarmos delas, mesmo que tenham sido forjadas no meio das dificuldades e de muitas lutas, nos fazem bem. Fazem-nos sentir felizes e sentir que valeu a pena passar por tudo aquilo. Aquele casal me fez questionar se eu estou vivendo da melhor forma possível. Se estou aproveitando cada momento. Me fez lembrar da minha infância, dos meus pais, dos velhos amigos que há tanto tempo a vida separou. Da minha família e dos meus filhos. E me perguntei: será que estou adquirindo preciosidades da vida? E você, já se questionou quais preciosidades quer guardar na sua vida? Pense nisso. Mas, pense agora.

27/01/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:05

ESPINHOS

Espinhos. Conta-se que, durante a Era Glacial, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e, em defesos, morreram. Foi então que uma grande manada de porcos e espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir e juntar-se mais e mais. Assim, cada um de nós não podia sentir o calor do corpo do outro e, todos juntos, bem unidos, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inferno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de ferida ou morte, e feridos e magoados afastaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus companheiros. Aqueles espinhos que aqueciam também feriam e doíam muito, mas descobriram depois que essa não era a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, compreensão, de tal forma que, unidos, cada qual conservava certa distância do outro. Outra mínima, mas o suficiente para conviver, resistindo a longa era gracial. Essa história dos porcos espinhos tem muito a nos ensinar como seres humanos e vivendo em coletividade. Algumas relações parecem não ter espinho nenhum, já outras espinhos se fazem presentes e com muita intensidade. E, por vezes, tentamos fazer igual aos porcos espinhos, já cansados de serem espetados e importunados pela dor. Mas só quando eles ficaram longe uns dos outros, passíveis de morrer do tenebroso frio, eles perceberam que, mesmo incomodando, ainda assim se fazia necessário estar perto. Muitas relações ao longo da nossa vida serão assim, vão nos gerar incômodo, porém também serão necessários para sobreviver. Avançarmos, e aprendermos, e evoluirmos. Existe um lado positivo. Às vezes o espinho incomoda e a dor fala mais alto. E esquecemos de olhar também para o calor que aquela pessoa nos proporciona. É mais fácil olhar para o lado ruim das coisas, para os espinhos, ou esquecemos de olhar o aquecer que o outro também nos proporciona. Que possamos ser mais humildes e menos orgulhosos para enxergarmos no próximo, nas situações e na vida, mais calor e menos espinhos. Pense nisso, mas pense agora.

26/01/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:48