Pense Nisso | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

PENSE NISSO

Minutos de reflexão que ajudam o ouvinte a se sentir melhor consigo e com as pessoas à sua volta.

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FISSURAS

Imagine uma parede que era robusta e aparentemente inabalável, que suportava ventos fortes e chuvas intensas há anos. Ela fazia parte de uma grande fortaleza que ninguém arriscava atacar, porque parecia ser inconquistável. No entanto, na sua face sul, onde o sol raramente tocava, havia uma irregularidade quase imobiliária. Imperceptível. Era o resultado da pressa em sua execução ou, quem sabe, do descuido de um dos executores da obra. Agora, porém, isso pouco importava. Afinal, aquela muralha foi erguida há muito tempo, e os responsáveis por ela nem mais andavam sobre a terra. No entanto, aquela imperfeição foi servindo de depósito natural da água da chuva e dos detritos trazidos pelo vento. A água foi se infiltrando no muro e trilhando um caminho próprio, em busca de uma saída entre as rochas reunidas por espessar da massa. Com o passar do tempo, uma fissura surgiu onde antes havia uma depressão quase invisível. Alimentada pelas águas das chuvas e pelo limo que invadira a parede, úmida e fria, foi se expandindo até tornar-se uma sustadora rachadora. Agora era vista mesmo à distância e parecia ameaçar a solidez de toda a estrutura. O tempo corria veloz, sem que providência alguma fosse tomada. A rachadura corrompeu a parte inferior do muro que, atingido pela umidade, deteriorava-se a olhos vistos. Em uma noite fria, quando o temporal ruidoso e inclemente avançava sobre a praia próxima, a ventania atingiu a muralha com violência. E ela, que suportara ventos ainda mais fortes, dessa vez não resistiu. Corrompida pela água, que a agredir a sua base e parte de seus materiais, a grande parede tombou, pesadamente, como se estivesse cansada de resistir. Como um robusto carvalho se permite, um dia, tombar depois de anos de majestade, também ela, traída pela pequena fissura, entregou-se à ação do tempo. Uma simples fissura, decorrente de uma imperfeição aparentemente insignificante, causou a queda do grande muro. Os que passam ao lado das ruínas daquilo que um dia foi uma imponente fortaleza ignoram que a destruição daquele monumento grandioso se iniciou com uma mera e banal rachadura. Assim também somos nós com os nossos vícios. Nos perdemos em meio a alguns hábitos infelizes, considerados muitas vezes como atitudes comuns na sociedade, que podem corromper as nossas mentes. Hoje são fofoquinhas a servir de passar tempo aos desocupados; amanhã serão mentiras ardilosas a destruir lares e prejudicar vidas. Hoje são apenas alguns goles de bebida alcoólica para descontrair; amanhã serão drogas pesadas a arruinar centros nervosos e a lesionar profundamente os destinos. Os vícios surgem como pequeninas fissuras na conduta humana. Em um primeiro momento, não despertam grandes receios e chegam até a ser ignorados pelos menos avisados. No entanto, com o passar do tempo, vão se agigantando e invadindo o espaço que deveria ser da virtude. Abalam estruturas que pareciam sólidas e destroem futuros venturosos. Portanto, estejamos sempre atentos e pensemos nisso. Mas pensemos agora, e com seriedade.

25/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:08

IMPRESSÕES NEGATIVAS

Impressões negativas. Conduzir os jovens e adolescentes a um templo religioso muitas vezes não é uma tarefa fácil. Talvez seja em virtude da situação conflitante que a nossa sociedade tem passado. Isso faz recordar uma experiência vivida por um casal de amigos. Eles tinham um filho de 14 anos que não se interessava em frequentar as reuniões religiosas junto com os pais. Todas as vezes que eles foram a reuniões, falavam sobre a necessidade de buscar ajuda de Deus para enfrentar, com fé e confiança, as aflições da vida, e o filho se mantinha calado, dedilhando sua guitarra, da qual poucas vezes se separava. Um dia, já cansados de tentar convencê-lo, os pais aproximaram-se do rapaz e começaram a lhe falar da importância de ele os acompanhar ao templo religioso. O garoto, que até então estava calado, segurou as cordas da guitarra com uma das mãos, olhou para eles firmemente e disse: meus queridos pais, há quanto tempo vocês professam essa religião? O pai, imediatamente, respondeu que já fazia vinte anos, e a mãe disse que ela professava desde o berço. O jovem abaixou a cabeça e continuou a acariciar a sua guitarra, mas os pais insistiram. Então ele disse: eu não queria magoá-los, mas, já que insistem, vocês acabaram de falar os anos que cada um frequenta o templo religioso, e eu, que na verdade já sabia disso, peço que me digam com toda a sinceridade: para que serve a religião, se vocês vivem brigando dentro de casa? De que adianta buscar um Deus que não consegue fazer com que vocês se entendam e se perdoem, ao invés de viverem aos gritos um com o outro? Eu realmente não vou perder o meu tempo com coisas que não são eficientes nem para vocês mesmos. A história desses amigos vale como um motivo de sérias reflexões para todos nós. Esquecidos de que os filhos são portadores de inteligência e bom senso, os pais querem que eles acreditem no que falam, e não no que eles acabam observando no dia a dia. Devemos entender e aprender que é importante ensinar pelo exemplo e não tentar convencer ninguém com teorias vazias. Geralmente, os responsáveis pelo distanciamento dos jovens e o seu Criador são aqueles que se cercam com a sua falta de fé ou hipocrisia. Por isso, para apontar um caminho correto aos seus filhos e filhas, ou para quem quer que seja, é importante que você esteja nele também. É necessário que, além de crer e falar, você possa viver para impressionar. Pense nisso e viva de acordo com os conceitos que acredita.

24/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:03

APRESSADA AVALIAÇÃO

Apressada avaliação. Conta-se que um açougueiro trabalhava em um dia normal, quando entrou no estabelecimento um cachorro. Ele se preparou para enxotá-lo, quando percebeu que o animal trazia um saco à boca. Verificou que, dentro do saco, havia um bilhete. Atendeu ao que estava ali escrito, devolvendo ao cão o saco com carne bem acondicionada e o troco dos valores que encontrava. O animal, com o saco à boca, saiu tranquilamente do açougue e foi andando pela calçada. O açougueiro ficou intrigado com quem seria aquele cão tão bem treinado e resolveu segui-lo. O cão chegou à esquina, levantou-se nas patas traseiras e apertou o botão do semáforo para a travessia de pedestres, parando o trânsito. Então, atravessou a rua na faixa de pedestres. Mais adiante, outro semáforo estava vermelho, e o cão parou. Quando o sinal ficou verde, o cão atravessou a rua. Chegando a um ponto de ônibus, esperou. Quando o primeiro ônibus parou, o cão olhou para o letreiro e não entrou. Quando outro ônibus parou, um pouco depois, o animal voltou a olhar o letreiro. Dessa vez, entrou e ficou perto da porta, acompanhando o trajeto com atenção. O açougueiro estava perplexo. Nunca viu nada igual. Depois de várias quadras, o cão desceu do ônibus e andou um pequeno trecho. Em frente a uma casa, abriu o pequeno portão e entrou. Parou à porta e começou a bater com a cabeça na madeira. Depois, foi à janela e tornou a bater a cabeça contra o vidro várias vezes. Finalmente, a porta se abriu. Um homem grande e zangado veio para fora e começou a agredir o cão, chamando-o de bobão, inútil, traste. O açougueiro não aguentou, deteve a agressão e falou ao dono do cão: — Que é isto? Você tem um animal extraordinário, treinado, inteligente, e o agride desta maneira? — Inteligente? — gritou o dono. — Ele é um tonto! Já falei um milhão de vezes, e este inútil ainda não aprendeu a abrir a porta! Naturalmente, o conto é fictício, mas vale a reflexão. Quantas vezes agimos como o dono desse cão? As pessoas nos servem, nos agradam, e nós só reclamamos. Reclamamos da mãe que não nos preparou a sobremesa que pedimos e esquecemos de agradecer a roupa limpa, impecável, no armário, os pratos preparados com amor, as frutas, o suco, o cereal no café da manhã. Reclamamos dos pais que não entendem nossos sonhos, nosso papo, nossa turma legal, e não lembramos dos braços que nos carregaram depois das brincadeiras na praia, das horas exaustivas de trabalho deles para nos garantir a escola, o lazer, as viagens. Reclamamos do funcionário que não atendeu a uma ordem em todos os detalhes. Lembramos das mil coisas que ele faz todos os dias, sem errar, diligente, atento, vendendo sempre muito bem o bom nome da nossa empresa. Reclamamos sempre, numa atitude tola de quem não tem capacidade de avaliar o real valor dos que nos cercam. Pensemos nisso e tomemos ciência, primeiro, de que, por vezes, nos tornamos pessoas um tanto desagradáveis com esse tipo de atitudes. Segundo, perguntemo-nos se nós mesmos faríamos melhor. É possível que a nossa incapacidade, preguiça ou acomodação nos digam que estamos reclamando, na verdade, por nos darmos conta de como somos dependentes dessas pessoas. Pensemos nisso e foquemos no que realmente importa.

23/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:13

TUDO É TRANSITÓRIO

Tudo é transitório. Um relator de importante revista nacional escreveu, em um de seus artigos, algo que nos levou a reflexões a respeito da vida que levamos. Escreveu ele que pode até não ser verdade. Talvez a história não comprove o fato. Contudo, é uma excelente ideia. Na Roma Antiga, quando um general voltava de uma campanha vitoriosa no estrangeiro, fazia-se uma grande procissão pela cidade. O povo saía às ruas da cidade para assistir ao desfile triunfal do comandante vencedor e homenagear a grandeza que ele trazia para a pátria. Era a honra máxima que um cidadão romano podia almejar. Mas, para chegar a isso, ele devia ter trabalhado muito por Roma. Ele devia ter matado, em combate, pelo menos cinco mil soldados inimigos. Tinha de mostrar os chefes derrotados, que desfilavam atrás do seu carro. Devia ter enfrentado um exército, no mínimo, equivalente ao seu. E, acima de tudo, devia trazer a sua tropa de volta para casa, porque um líder é responsável pelos seus liderados. Entretanto, os romanos, que passaram à história como os símbolos do orgulho, paradoxalmente, tinham em alta conta a modéstia pessoal. Como, então, receber toda essa homenagem? Desfilar vitorioso pela multidão como um rei? Ser ovacionado como grande triunfador? E não se encher de soberba? É aí que aparece a grande ideia. Logo atrás do general vitorioso, no mesmo carro puxado por quatro cavalos que ele conduzia, ficava um escravo. De tanto em tanto tempo, ele dizia baixinho no ouvido do triunfador: memento mori. Ou seja, lembre-se de que você vai morrer um dia. Com certeza, nada melhor para baixar a soberba de qualquer alta autoridade que começa a se achar o bom, o melhor. Lembre-se de que você vai morrer um dia. Essa reflexão que, de tempos em tempos, seria oportuno nos permitirmos. Não somos imortais na carne, embora alguns, antecipando novas e surpreendentes conquistas da ciência médica, apregoem que chegará o dia em que não mais teremos de morrer. Seria trágico. E enfadonho. Isso se chama dinamismo e renovação. Mas lembrar que teremos fim um dia, que nossos eventuais inimigos também haverão de morrer, que tudo passa, é medida salutar. Nada é perene sobre a Terra. Passam as questões corriqueiras, o poder, a autoridade humana, a vida física. O que hoje é, amanhã poderá deixar de ser. Assim, reflexionando, não ficaremos agarrados a pretensos cargos, a fortunas, a interesses mesquinhos. Tudo é transitório na Terra. Hoje detemos o cargo. Amanhã estará em outras mãos. Hoje comandamos centenas de pessoas. Amanhã, essas mesmas pessoas poderão estar acompanhando o nosso funeral. Assim sendo, semeemos o bem. Façamos nosso melhor como se hoje fosse nosso último dia neste mundo. Amemos, abracemos, façamos o nosso melhor, porque o amanhã poderá nos surpreender nos campos de uma realidade que apenas supomos, mas da qual temos certeza absoluta. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

21/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:22

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