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TUDO VAI FICAR BEM

08/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:22

Notas do Episódio

Let It Be é o 13º e último álbum do grupo inglês The Beatles. Foi gravado entre janeiro de 1969 e março/abril de 1970 e lançado em 8 de maio de 1970. Inicialmente, o nome previsto para o álbum era outro, mas acabou sendo o mesmo nome da balada composta por Paul McCartney. Paul a escreveu em homenagem à sua mãe, Mary McCartney, vítima de câncer de mama, quando ele tinha 14 anos de idade. À época, a morte da mãe o abalara profundamente. Conta Paul que, certa noite, sonhou com a mãe vindo em sua direção e lhe dizendo “Let It Be”, algo como “deixa estar” ou “vai ficar tudo bem”. Quando acordou, já estava com a melodia da música na cabeça, e os versos foram brotando. “Quando eu me encontro em tempos difíceis, Mãe Maria vem para mim, falando palavras de sabedoria: vai ficar tudo bem. E, nas minhas horas de escuridão, ela está em pé bem na minha frente, falando palavras de sabedoria, sussurrando palavras de sabedoria: vai ficar tudo bem. E, quando as pessoas de coração partido, morando no mundo, concordarem, haverá uma resposta: vai ficar tudo bem. Pois, embora possam estar separados, há ainda uma chance de que eles verão. Haverá uma resposta: vai ficar tudo bem. E, quando a noite está nublada, há ainda uma luz que brilha em mim. Brilha até amanhã: vai ficar tudo bem. Eu acordo ao som da música. Mãe Maria vem para mim. Não haverá tristeza. Vai ficar tudo bem.” Os versos traduzem a alegria. Alegria ante a constatação de que a mãe vive a imortalidade do espírito e, de onde quer que esteja, nesse imenso universo de Deus, vem ao encontro do filho quando as dificuldades se fazem maiores, quando as dores se tornam superlativas. É o atestado do amor materno, que jamais abandona os seus filhos, sublimando-se no sentimento de amar incondicionalmente. Muitos filhos, como Paul McCartney, detectam essa presença generosa. Outros podem nem perceber, nem se dar conta. Mas mãe é essa criatura especial que vela sempre, que faz da vida do filho a sua própria, que renuncia aos seus prazeres e necessidades para suprir o que carece ao filho. Também é uma canção de esperança. Esperança de que, um dia, todos possam perceber essa realidade. Tudo é passageiro na Terra. Tudo passa. A morte separa as pessoas fisicamente, mas ninguém pode separar espíritos que se amam, porque o amor é indestrutível. Tudo vence: vence o tempo, vence as fronteiras da morte, brilha na imortalidade. E, para amenizar a saudade da ausência física, nas asas do sono os seres se encontram: uns ainda prisioneiros na carne, outros já libertos no mundo espiritual. E, enquanto as horas do sono se fazem reparadoras para o corpo cansado, o espírito sonha nos campos espirituais. Finalmente, depois dos dias de separação, dos anos de paciente espera, o grande reencontro das almas se faz. Pensemos nisso e não nos permitamos o mergulho no poço da depressão. Nossos amores vivem, e a dor que nos castiga agora vai passar. Tudo vai ficar bem, logo mais. Pense nisso. Mas pense agora.