O HOMEM QUE NÃO SE IRRITAVA
21/05/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:44
Notas do Episódio
Conta-se uma parábola que numa cidade do interior havia um homem que não se irritava e não discutia. Sempre encontrava saída cordial. Não feria ninguém, nem se aborrecia com as pessoas. Morava numa modesta pensão onde era admirado e querido. Para testá-lo, um dia seus companheiros combinaram de levá-lo à irritação e à discussão numa determinada noite em que o convidariam a um jantar. Trataram todos os detalhes com a garçonete que seria responsável por atender a mesa. Assim que iniciou o jantar, com uma entrada foi servida uma saborosa sopa da qual o homem gostava muito. A garçonete chegou próximo a ele pela esquerda e ele, prontamente, levou seu prato para aquele lado a fim de facilitar a tarefa de servir. Mas ela serviu todos os demais e quando chegou a vez dele foi para outra mesa. Ele esperou calmamente e em silêncio que ela voltasse. Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, ele levou outra vez seu prato na direção da jovem. Mas novamente ela se distanciou, ignorando-o. Após servir todos os demais, passou o rente a ele com a sopeira exalando o saboroso aroma como quem havia concluído a tarefa e retornou à cozinha. Daquele momento não se ouvia qualquer ruído. Todos o observavam discretamente para ver sua reação. Educadamente, ele chamou a garçonete que se voltou. Fingindo em paciência, ele disse, o que o senhor deseja? Ao que ele respondeu naturalmente, a senhora não me serviu a sopa. Ela retrucou para provocá-lo desmentindo-o. Servi-se em senhor. Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos. Todos pensaram que ele iria brigar. Suspense e silêncio total. Mas o homem surpreendeu a todos, ponderando tranquilamente. A senhora serviu sim, mas eu aceito um pouco mais. Os amigos, frustrados por não conseguir faze-o discutir e se irritar com a moça, terminaram o jantar, convencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura. O protagonista dessa história nos deixa uma lição. A maneira como reagimos às situações é que determinará os seus efeitos nas nossas vidas. Um único deslize daquele homem poderia manchar algo que ele já tinha construído há muito tempo. Ele era um homem reconhecido e admirado por sua postura. Tinha uma reputação invejável. Talvez você pense, é, mas é injusto o que fizeram com ele. Sim, até seria seu direito cobrar um melhor atendimento. Ou ele poderia simplesmente ter levantado do seu lugar, decidido sair sem experimentar a sopa. Uma outra pessoa talvez pensasse numa maneira de punir aquela garçonete. Mas aquele homem, embora injustiçado, decidiu abrir mão da razão. Na vida, muitas vezes, esta é a melhor escolha. Numa discussão com o cônjuge, os insultos desenfreados não trarão nenhum tipo de benefício. Pelo contrário, poderão provocar feridas, desgastes nas emoções e distanciamento. No trânsito, qualquer comportamento errado pode resultar numa grande confusão. Discutir não é uma regra. Sempre foi opcional. E como diz o ditado antigo, quando um não quer, dois não brigam. A verdade é que reagir com irritação em qualquer momento da vida, poderá atrair consequências graves. No trabalho ou entre amigos, faça também o possível para evitar discussão. Se ainda assim o clima pesar por qualquer motivo, experimente um exercício. Respire fundo. Beba um pouco d'água. Peça a Deus sabedoria. Releve. Perdoe. Peça perdão. Recomece. Não deixe a ira invadir o seu coração. Não perca a razão. Mas seja o primeiro a abrir mão dela. Seja um pacificador. O que as pessoas costumam observar em você? Você é lembrado por aquilo que você faz de bom ou pelas consequências dos seus atos impensados? Pense nisso. Mas, pense agora.