Pense Nisso | Morena FM - Easy | Cadena

Episódios

O SONHO DE MARTIN

O sonho de Martin. Martin era uma criança observadora que amava a liberdade. Ele podia suportar broncas, mas as reações de desprezo causavam-lhe grande impacto emocional. Infelizmente, elas foram muito constantes nos principais capítulos de sua vida. A sua pele era negra, e ele não entendia como isso poderia justificar a discriminação que sofria pelas pessoas que tinham a pele branca. Para ele, brancos e negros tinham os mesmos sentimentos, a mesma capacidade de pensar, a mesma necessidade de ter amigos e de amar. Quando repousava sua cabeça no travesseiro, o jovem Martin viajava no mundo de suas ideias e se questionava: por que os negros não podem frequentar as mesmas escolas? Os mesmos clubes, os mesmos bancos das igrejas, o mesmo transporte público que os brancos? Por que não posso ter amigos brancos? Não somos todos seres humanos? Ele conheceu de perto a dor indecifrável da humilhação. Sofria pela discriminação de que era vítima todo o seu povo. Resolveu fazer teologia, a fim de navegar pelo mundo espiritual e encontrar respostas para um injusto mundo social onde estava inserido. Penetrou no sonho de que não houvesse discriminação de pessoas. Nunca distinguiu nobres de miseráveis, reis de súditos, lúcidos de loucos. Foi contagiado pelo sonho dos direitos humanos e do respeito pela vida. Mais tarde, resolveu fazer uma incursão pela filosofia e aprendeu a não calar a sua voz. Uma carreira promissora. Poderia ter seguido seu próprio caminho e seus próprios interesses. No entanto, preferiu dar seu tempo e sua inteligência para alterar a história dos outros. Queria contribuir para o bem da humanidade. Tinha pouco mais de 25 anos, mas era arrojado, culto e determinado. Sonhava em mostrar aos desprezados que eles não deveriam se envergonhar de si mesmos, que nada é mais digno do que um ser humano. Posteriormente, participou ativamente do movimento em prol dos direitos civis. O clima era tenso e ele sabia que poderia perder a vida a qualquer momento, mas não conseguia silenciar seus sonhos. Tornou-se um grande líder. Sua casa sofreu atentados à bomba, mas isso não o silenciou. Sofreu um atentado na noite de autógrafos de seu livro A Caminho da Liberdade. Sobreviveu, recuperou-se e continuou o seu trabalho. Foi preso diversas vezes, mas nada parecia abalar aquele sonhador. Sua voz contagiava corações e, por isso, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. E, em 4 de setembro de 1968, em Memphis, foi morto por um atirador. Martin Luther King morreu pelos seus sonhos, os quais não morreram com ele. Vivem ainda e viverão para sempre no coração daqueles que se deixam tocar pela sua história e mensagem de vida. Pense nisso, mas pense agora.

20/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:57

A VIDA EM TRANSFORMAÇÃO

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19/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:48

PRETEXTO

Pretexto. Às vezes falta-nos coragem para lutar por aquilo que desejamos ou para nos tornarmos aquilo que queremos ser. Não é que tentemos e fracacemos, é pior do que isso: uma bendita timidez, uma inexplicável covardia nos impede até mesmo de fazer a tentativa. Mas como explicar esse estranho comportamento? O curioso deste mundo é que aquilo que alguns têm em excesso faz uma falta terrível para outros. A autocrítica, que é a avaliação que alguém faz de si mesmo, seus defeitos e qualidades, em alguns é otimista demais, induzindo a pessoa a julgar-se a oitava maravilha do mundo e a tornar-se até mesmo ridícula por seu convencimento. Em outros, no entanto, a autocrítica é terrível, tão pessimista e tão severa que acaba fazendo a pessoa sentir-se incapaz. Um dos modos mais eficientes de nos sentirmos infelizes é vivermos nos comparando sistematicamente com os outros. Há a menina que daria tudo para ser bonita como a amiga; há o menino que inveja a inteligência do colega de classe; há o moço pobre que lamenta não ser rico como o moço de outro bairro. São, todos, vítimas do complexo de pequenez. Baixam a cabeça quando o menino inteligente, a menina bonita ou o moço rico passam, porque o sentimento de inferioridade os faz sentir-se ainda mais insignificantes. Quem se compara com os outros esquece de algo importante: ninguém é igual a ninguém. Todos nós temos aptidões diferentes. Uns somos melhores em cálculos, outros temos talentos para idiomas, assim por diante. É estupidez nos deixarmos escravizar aos modelos que o mundo tenta nos impor à força. Não temos obrigação nenhuma de ser inteligentes, ou magros, ou bonitos, ou instruídos para merecermos um lugar ao som. Quem disse que precisamos ser perfeitos ou melhores do que os outros para termos o direito a lutar pela realização dos nossos sonhos? E quem disse que inteligência, beleza, riqueza ou instrução garanta em felicidade alguém? Quantos meninos que eram considerados pequenos gênios nos tempos de escola tornaram-se verdadeiros fracassos na vida adulta? Quantas mocinhas que na juventude arrancavam suspiros apaixonados tornaram-se mulheres frustradas no amor? E, por outro lado, quantos garotinhos atrasados transformaram-se em adultos bem-sucedidos? E quantas adolescentes desajeitadas tornaram-se felizes muito? De família. A verdade é que, muitas vezes, nos apegamos a qualquer bobagem para justificar nossa falta de iniciativa. E, enquanto nos apeguinamos por nos sentirmos gordinhos ou feinhos, ou por não termos dinheiro ou instrução, homens cegos se tornam astros da música, paraplégicos se tornam gênios da física e Artistas sem braços pintam obras-primas com os pés. Pense nisso e prossiga na luta com resignação.

18/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:37

ONDE VIVE NOSSO EU VERDADEIRO

Onde vive nosso eu verdadeiro? Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome. Se essa casa for escura ou vazia, não poderás iluminá-la com as lâmpadas de teu vizinho, nem enchê-la com os seus bens. E, se estiver no deserto, não a poderás transferir para um jardim plantado por outros. E, se estiver no pico de uma montanha, não poderás baixá-la para um vale onde os caminhos foram abertos por outros pés. Nossas vidas interiores, meu irmão, são rodeadas pelo isolamento e a solidão. Sem eles, tu não serias tu e eu não seria eu. Sem eles, confundirias tua voz com a minha voz e, quando olhasses no espelho, não saberias se estavas vendo-te a ti mesmo ou a mim. As palavras de Calil Gibran calam fundo na alma. Não somos a imagem que vemos no espelho. Não somos as aparências. Nessa casa, afastada de todas as outras, vive nosso eu real, eu Espírito. E cada um deve iluminar a sua casa com suas próprias conquistas. As lâmpadas dos vizinhos nos seduzem, até nos inspiram, mas nossa iluminação precisa vir de dentro. Não adianta casar com alguém bom para viver a bondade. Não adianta receber um amor infinito para termos amor para sempre. Não adianta estarmos próximos a pessoas felizes para vivermos a felicidade. Os bens do outro são do outro. Podemos até usufruir deles pela bondade divina, mas apenas como forma de motivação, para que tenhamos forças e exemplo para lograr os nossos próprios ao nosso tempo. Se essa nossa casa estiver ainda no deserto, caberá a nós, apenas a nós, transformar a aridez em jardim florido. E todos os caminhos precisam ser abertos por nossos próprios pés. Somos individualidades. Não há um ser igual ao outro neste universo. E, dentro de cada individualidade, há uma espécie de solidão, um lugar onde todos estamos sós. Solidão que machuca enquanto ainda somos mais sombra do que luz, mas que depois se harmoniza e se transforma em solitude, uma unidade saudável da criatura com o Criador, seja lá como você define ou imagina esse Criador. É reservado um plano especial no universo para cada um de nós. Não há insignificância alguma no Cosmo, por menor que possamos nos imaginar. Acreditar-se pequeno ou insignificante é, ainda, típico de quem não se encontrou em profundidade, de quem não conhece sua própria casa no universo. Somos grandes, somos capazes, somos parte de um todo perfeito, por isso somos fadados à perfeição individual. Quando a sombra de um desânimo qualquer desejar bater à porta de nossa casa, lembremos da grandiosidade do universo e de que fazemos parte disso tudo. Lembremos de que somos importantes. Não permitamos que as distrações ou as vicissitudes da vida enfraqueçam nossas forças. Elas são parte do ensino apenas, do ensino desta grande escola chamada Terra. Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome. Pense nisso, mas pense agora.

17/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:25

CORRER RISCOS

Correr riscos. Sêneca foi um filósofo e poeta romano que viveu sob o Império de Calígula, depois Cláudio e, finalmente, Nero. Seu talento como advogado lhe valeu a inimidade do imperador Calígula. Sob o Império de Cláudio, foi exilado durante oito anos. Chamado de volta a Roma, foi tutor de Nero e, durante algum tempo, conseguiu exercer uma influência benéfica sobre o jovem imperador. Mais tarde, adotou uma posição de complacência com as tantas loucuras cometidas pelo imperador, o que não impediu que viesse a receber ordem para se suicidar. Vivendo em climas tão adversos, manteve sua preocupação com as conquistas morais individuais e teve a oportunidade de escrever. Chorar é correr o risco de parecer sentimental demais. Rir é correr o risco de parecer tolo. Extender a mão é correr o risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu. Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de ser mal interpretado e perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre. A decisão de correr riscos ou não é nossa. Agora, podemos continuar a deter o choro porque nos foi dito na infância que o homem não chora ou, no caso da mulher, para não demonstrar eventual fraqueza. Ou nos permitirmos as lágrimas, demonstrando que somos seres humanos, com sentimentos. Podemos ser daqueles que defendem as suas ideias nobres, lutando pela vida, expondo-nos, ou nos calarmos diante da injustiça. Podemos nos engajar no movimento pela vida, expondo a nossa opinião contra o preconceito, contra a exploração religiosa, que usa a boa fé das pessoas humildes para se ganhar dinheiro, ou simplesmente continuarmos calados e permitir que tudo vá acontecendo sem nos preocuparmos. Podemos nos envolver em movimentos pela paz, pelos direitos dos desfavorecidos, ou permanecermos apáticos, deixando que tudo corra a bel prazer. Podemos, enfim, lutar por melhorar a nossa condição de humanidade, burilando as nossas paixões e vencendo a nossa acomodação, ou optarmos por continuar onde estamos, como estamos, não excetando nenhum enforso para agrangiar outras virtudes ou valores de nobreza humana. A decisão é sempre individual e intransferível. A caminhada é longa e tortuosa. A escolha do caminho ou a velocidade com que se deseja andar é de cada um. Optar pelo crescimento ou aguardar ser arrastado pela lei inexorável do progresso é de cada criatura. Mas quem deseja alcançar antes a felicidade idealize mudanças desde hoje, enquanto as oportunidades sorrirem e as chances se fazem abundantes. Pense nisso, mas pense agora.

15/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:20

NÃO FUJA DE VOCÊ

Muitas vezes nos abatemos com as dificuldades da vida, as desilusões amorosas, o epílogo de um sonho. E, nesses momentos, começamos a nos afundar no entristecer, nas angústias, e gradativamente vai desmoronando a nossa motivação, a ponto de ficarmos dormentes, e os anseios da vida pouco nos interessa. E então fugimos de nós mesmos. Deixamos de ser aquele eu cheio de sonhos, cheios de alegria e brilho, e nos escondemos atrás da montanha de infortúnio, andando pelas ruas ou fazendo nosso trabalho apenas por fazer. Nada nos interessa, nada nos empolga, mas descobrimos a nossa força quando estamos fracos. Todos passamos por momentos difíceis. Quantas vezes nossos sonhos, nossos projetos, aquilo que esperávamos com ansiedade, não deram certo? E, quando isso acontecer, tenha paciência. Continue a lutar. Estamos na escola da vida para aprender a resignação, a perseverança, a dirigência, a disciplina e tantas outras virtudes que só o tempo e a paciência podem nos oferecer. Viver bons momentos é fácil. Tudo se torna agradável. Nos sentimos confiantes. Porém, somente nos momentos de dificuldades é que serão colocados à prova os nossos sentimentos. Apenas nas adversidades saberemos se realmente confiamos na vida, se temos esperança, se temos fé e se realmente acreditamos em Deus e aceitamos a Sua vontade. Lembremos-nos sempre de que, na Terra, não vivemos apenas de momentos bons, nem só de momentos ruins. Vivemos uma mescla de situações, cujo único objetivo é o aprendizado do Espírito. Os altos e baixos da vida sempre irão existir. Apenas não fuja de você, não se deixe abater pelos infortúnios da vida. Reaja, lute, utilize todo o potencial que há dentro de você. E lembre-se sempre de que Deus é o dono de todo o poder, e o controle de tudo está nas suas mãos. Estamos apenas aprendendo, tudo passa. E assim vamos evoluindo um pouco a cada dia. E, no final da jornada, veremos a recompensa das nossas batalhas e o quanto vitoriosos fomos durante todo o transcorrer da nossa existência. Pense nisso, mas pense agora.

14/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:11

AMIGOS

Amigos Você já parou para pensar no que é necessário para que uma amizade se solidifique e se torne profunda? Falando de várias experiências, alguns afirmam que foram momentos de grande dor que fizeram com que as pessoas descobrissem e firmassem uma sólida amizade. A chave, portanto, seria passar por um grave problema juntos. Outros, contudo, falam de coisas pequenas, que se somam no tempo, acrescentando, a cada ano, mais uma pedra preciosa ao relacionamento. Neste último caso, identifico a história de Harry e Lawrence, primos em primeiro grau. Nasceram com a diferença de seis meses e foram separados apenas por poucas quadras. Desde a mais tenra idade, conviveram. Descobriram que eram muito parecidos: falavam, gostavam e pensavam de forma muito semelhante. Quando ambos tinham em torno de cinco anos, Lawrence foi para a festa de aniversário do primo. Era mais uma grande reunião de família, onde se misturavam primos, tias e sobrinhos. Harry ganhou, de um dos convidados, uma maravilhosa coleção de soldadinhos de chumbo, pintados com cores vivas e que, aos olhos da criançada, pareciam reais. O aniversariante os pegou e mostrou a todos com orgulho. Na hora da saída, Lawrence enfiou todos os soldadinhos no bolso da calça. Eram tão lindos que ele os desejou para si. Fingindo naturalidade, foi saindo de fininho para a porta. Mas o que ele não sabia é que o bolso da calça estava furado, e os soldadinhos caíram com estardalhaço no chão. Naquele instante, os adultos se viraram todos para o pequeno, com um olhar de acusadores. Até a mãe falou, só com um olhar: “O que você fez?” O garoto se sentiu acuado. Tinha vontade de sair correndo e fugir. Foi o pior momento de sua vida, lembra Lawrence, hoje com mais de 70 anos. Então, o primo Harry foi socorrê-lo, colocando-se ao lado dele e, com segurança, falou em voz alta e clara: “Eu dei os soldadinhos para ele.” E são amigos até hoje. Mesmo que, crescidos, tenham seguido caminhos diferentes, prosseguiram a cultivar esse sentimento maravilhoso que nos faz florescer, e que se chama amizade. A amizade sincera é um oásis de repouso para o caminheiro da vida, na sua jornada de aperfeiçoamento. A amizade leal é a mais formosa modalidade do amor fraterno, que santifica os impulsos do coração. Quem sabe ser amigo verdadeiro é, sempre, o emissário da aventura e da paz. Pense nisso. Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa nas horas mais amargas da vida.

13/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:47

SEJA VOCE MESMO

Seja você mesmo. Desde muito cedo, somos ensinados a disfarçar e a mascarar os nossos sentimentos e a nossa personalidade. E, na maioria das vezes, não temos a oportunidade de promover ou seguir as nossas intuições e manias. Passamos horas tentando convencer a nós mesmos que está tudo bem e que isso é para o nosso próprio bem. Para piorar ainda mais, fazemos comparações das nossas realizações e progressos com as de todos ao nosso redor. Então, aprendemos que é mais importante parecer bem-sucedidos em relação aos outros do que nos sentirmos animados ou realizados com os nossos sucessos e sonhos. É doloroso e estressante sentir que estamos vivendo uma mentira. Viver dizendo o que as outras pessoas querem ouvir. Fazemos coisas que realmente não queremos, apenas para agradar alguém. Mas por que fazemos isso? Por que não vivemos intensamente? Por que não dizemos “não” às coisas que não nos agradam? Por que não podemos ser ousados, livres e selvagens? Afinal, Deus nos deu a vida para ser vivida. Temos que aprender a ser fiéis a nós mesmos. Aprender a dizer “não” às situações que nos incomodam e sermos honestos conosco. Pode ser difícil, afinal, passamos anos disfarçando e mascarando nossos sentimentos e personalidades, e nos acostumamos a ser infiéis. Mas precisamos nos libertar para podermos começar a viver. Então, desprenda-se de tudo que está te prendendo em uma mentira. Descasque todas essas camadas de medo e condicionamento, e seja fiel a você mesmo. E, quando isso acontecer, aprenderemos a viver livres e intensamente. Pense nisso, mas pense agora.

12/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 2:30

A ARTE DE ENVELHECER

A Arte de Envelhecer Graças às conquistas médicas e a condições melhores, a possibilidade de longevidade foi aumentada. Isso nos diz que temos a possibilidade de viver para além dos 70 anos. Por isso, um alerta se faz de importância: precisamos aprender a envelhecer. Aprender a olhar para o espelho e perceber que a face não apresenta o mesmo visto. Contudo, é imperioso que descubramos que nosso olhar continua brilhante, inquieto, desejando ver todas as cores de todos os dias. Cora Coralina, a poetisa e contista brasileira que morreu aos 95 anos de idade, tinha sua fórmula especial para bem entrar: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo para você: não pense. Nunca diga: ‘estou envelhecendo’, ‘estou ficando velha’. Eu não digo que estou velha e não digo que estou ouvindo pouco. É claro que, quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos, isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que se lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também, não diga para você mesmo que está ficando esquecido, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: ‘estou ótima’. Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa! Quanto mais você diz estar ficando cansado e esquecido, mais esquecido fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então, silêncio. Sei que eu tenho muitos anos. Sei que venho do século passado e que trago comigo todas as idades. Mas não sei se sou velha. Posso dizer que eu sou a Terra, e nada mais quero ser. Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos. Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo. Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar, todos os dias, minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto. Pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar. Porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

11/11/2025 08:30 | DURAÇÃO 4:37

AGIR OU REAGIR

A provocação, de qualquer natureza, é um mal que gera contágio e, quando aceita, transforma-se em desequilíbrio. O provocador está de mal com ele mesmo, saindo da cela escura em que se domicilia para perturbar, irradiando azedume e propondo anarquia. Ignora-o e segue adiante. Por ele assediado, considera as desvantagens da empresa, aplicando teu tempo de forma produtiva. Tens um compromisso com a própria consciência, que te ensina respeito ao próximo, a quem deves amizade, não, porém, obediência ou sujeição. A tua tarefa deves realizá-la conforme a abraçaste. A opinião dos outros merece a consideração que lhe dás. Assim, não te detenhas em justificativas ou discussões inúteis, que somente aumentariam as desarticulações do trabalho, estabelecendo balbúrdia e perturbação. Os provocadores de polêmicas agem com insensatez; estão sempre contra todos aqueles que os não homenageiam. A sua cegueira é farta de presunção. Acreditam ter a verdade, a sabedoria, só eles — que se autonomearam seus zeladores, esquecidos de que passam pela Terra e não permanecerão no posto de vigilância que dizem resguardar. A polêmica, nascida no despeito, na mágoa e na paixão, somente produz desarmonia e trevas, nunca esclarecendo. Adotemos o comportamento de construtor da esperança, iluminador de consciências, mensageiro do amor. Quando for preciso responder às críticas, façamos com elevação de linguagem, com argumentação sólida e clara, com respeito pelo opositor. Lembre-se: todos nós temos o direito de combater ideias e argumentos, porém a obrigação de manter o nível da discussão na órbita das ideias, e nunca da agressão às pessoas. Constantemente somos provocados, mas devemos usar de sobriedade e equilíbrio, permanecendo em alto padrão de comentário e aplicando a terapêutica da compaixão em favor dos provocadores. É fácil? Claro que não. É preciso exercitar a paciência e o autocontrole. O tempo é sempre o melhor medicamento para todos os males. Ninguém escapa à sua marcha inevitável. Você costuma levar desaforo para casa? Algumas pessoas proclamam que não, que resolvem tudo ali, na hora, que não deixam para depois. Mas será que, no calor do momento, com as emoções à flor da pele, estamos aptos a tomar as melhores decisões? Quase sempre, não. Por isso, levar desaforo para casa pode ser uma excelente ideia. Em casa, podemos pensar, refletir, sozinhos e também com os outros, colocar para fora, pedir opiniões, conselhos, pedir ajuda. Na maioria das vezes, o que não nos deixa engolir sapos não é o desejo de resolver o problema o quanto antes, mas sim o orgulho ferido. Por isso, a postura equilibrada é tão importante. E, muitas vezes, ela significa calar num primeiro momento. Em outros, significa se colocar, porém de maneira humilde e fraterna, sem posição de contra-ataque. Defender-se atacando é sinal de ego machucado, sinal de que nossos argumentos estão contaminados e de que nossa resposta não será a melhor possível no momento. Quando recebermos críticas, saibamos ouvi-las, retirando delas a verdade e deixando de lado as afirmações vazias. Sempre podemos aprender algo, mesmo com aqueles que desejam nosso mal. Pense nisso. Mas pense agora.

10/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:58

PROVOCAÇÕES

A provocação, de qualquer natureza, é um mal que gera contágio e, quando aceita, transforma-se em desequilíbrio. O provocador está de mal com ele mesmo, saindo da cela escura em que se domicilia para perturbar, irradiando azedume e propondo anarquia. Ignora-o e segue adiante. Por ele assediado, considera as desvantagens da empresa, aplicando teu tempo de forma produtiva. Tens um compromisso com a própria consciência, que te ensina respeito ao próximo, a quem deves amizade, não, porém, obediência ou sujeição. A tua tarefa deves realizá-la conforme a abraçaste. A opinião dos outros merece a consideração que lhe dás. Assim, não te detenhas em justificativas ou discussões inúteis, que somente aumentariam as desarticulações do trabalho, estabelecendo balbúrdia e perturbação. Os provocadores de polêmicas agem com insensatez; estão sempre contra todos aqueles que os não homenageiam. A sua cegueira é farta de presunção. Acreditam ter a verdade, a sabedoria, só eles, que se autonomearam seus zeladores, esquecidos de que passam pela Terra e não permanecerão no posto de vigilância que dizem resguardar. A polêmica, nascida no despeito, na mágoa e na paixão, somente produz desarmonia e trevas — nunca esclarecendo. Adotemos o comportamento de construtor da esperança, iluminador de consciências, mensageiro do amor. Quando for preciso responder às críticas, façamos com elevação de linguagem, com argumentação sólida e clara, com respeito pelo opositor. Lembre-se: todos nós temos o direito de combater ideias e argumentos, porém a obrigação de manter o nível da discussão na órbita das ideias, e nunca da agressão às pessoas. Constantemente somos provocados, mas devemos usar de sobriedade e equilíbrio, permanecendo em alto padrão de comentário e aplicando a terapêutica da compaixão em favor dos provocadores. É fácil? Claro que não. É preciso exercitar a paciência e o autocontrole. O tempo é sempre o melhor medicamento para todos os males. Ninguém escapa à sua marcha inevitável. Você costuma levar desaforo para casa? Algumas pessoas proclamam que não, que resolvem tudo ali, na hora, que não deixam para depois. Mas será que, no calor do momento, com as emoções à flor da pele, estamos aptos a tomar as melhores decisões? Quase sempre, não. Por isso, levar desaforo para casa pode ser uma excelente ideia. Em casa, podemos pensar, refletir, sozinhos e também com os outros, colocar para fora, pedir opiniões, conselhos, pedir ajuda. Na maioria das vezes, o que não nos deixa engolir sapos não é o desejo de resolver o problema o quanto antes, mas sim o orgulho ferido. Por isso, a postura equilibrada é tão importante. E, muitas vezes, ela significa calar num primeiro momento. Em outros, significa se colocar, porém de maneira humilde e fraterna, sem posição de contra-ataque. Defender-se atacando é sinal de ego machucado, sinal de que nossos argumentos estão contaminados e de que nossa resposta não será a melhor possível no momento. Quando recebermos críticas, saibamos ouvi-las, retirando delas a verdade e deixando de lado as afirmações vazias. Sempre podemos aprender algo, mesmo com aqueles que desejam nosso mal. Pense nisso. Mas pense agora.

08/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:22

SERVIR SEMPRE

Servir sempre. Saber ser útil é essencial para um viver equilibrado. Por isso, convém desenvolver o hábito de serviço, não apenas em dias de arrependimento ou reparação. Em todas as circunstâncias, o serviço é o antídoto do mal. Talvez você tenha caído na trama de terríveis enganos e sonhe em se reabilitar. Sendo assim, não desperdice a riqueza das horas em inúteis lamentações. Levante-se e sirva nos próprios lugares onde espalhou a sombra do erro. Com essa atitude humilde, granjeará apoio infalível ao reajuste. Quem sabe você enfrente duros problemas em sua vida particular? Nessa hipótese, livre-se do fardo e do desespero inútil da aflição sem proveito. Reanime-se e sirva. No quadro de provações e dificuldades em que se situa, a diligência e o labor funcionarão como preciosas tutoras, abrindo a senda ao concurso fraterno. Quiçá você padeça obscura posição no edifício social. Nessa situação, convém se prevenir do micróbio da inveja. Movimente-se e sirva no anonimato. A conduta digna e o devotamento funcionarão como luminosa escada rumo ao alto. É provável que você sofra o assalto de ferozes calúnias. Esqueça a vingança, que seria aviltamento e baixeza. Silencie e sirva, ouvidando ofensas. Ao eleger o perdão e a atividade no bem como estandartes, você forjará um invencível escudo contra os dardos da injúria. Quem o vir trabalhador e nobre não conseguirá acreditar na maledicência. Pode ser que você suporte o assédio de espíritos inferiores. Antigos desafetos de outras vidas podem estar a persegui-lo, no desejo de vê-lo recair em velhos vícios. Abstenha-se da queixa sem utilidade. Resista e sirva, dedicando-se ao socorro dos que choram em dificuldades maiores. A dedicação à beneficência terminará por conquistar a simpatia de seus próprios adversários. Ao vê-lo incansável no serviço ao próximo, eles se envergonharão de desejar seu mal. A preguiça é ópio das trevas. Os que não trabalham transformam-se facilmente em focos de tédio e ociosidade, revolta e desespero. Tornam-se desequilibrados, pessimistas, ressentidos. Como prestam muita atenção nos próprios problemas, acham-se os mais desafortunados do mundo. Também estão sempre dispostos a fiscalizar o comportamento alheio e a apontar falhas. Ao contrário, quem se dispõe a amparar raramente encontra tempo para criticar. Assim, servir é um imperativo de saúde física e espiritual. Para ser feliz e equilibrado, impõe-se adquirir esse saudável hábito. Quem busca sinceramente servir nunca encontra motivos para se arrepender. Pense nisso, mas pense agora.

07/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:56

HAVERA SEMPRE UM AMANHÃ

Haverá sempre um amanhã. Por mais que os abismos sejam fundos, sobre eles sempre haverá um firmamento. Não te desorientes se muitos são os gritos. Um dia far-se-á de novo o silêncio, e conseguirás refletir melhor. Também não te afoites se o silêncio perdura. Quando chegar a sua vez, as palavras surgirão de novo, e entenderás a mensagem que te trarão. Não temas a escuridão que se faz quando passam nuvens de corpos. Eles terão de sair do céu, ou terão de descer à terra, e o sol voltará radioso a brilhar. Não penses que a mentira dominará de todo. Ela mentirá até mesmo sobre si própria, e seu descrédito tornará indispensável que a verdade volte a ser reconhecida. Nenhuma escuridão, por mais densa que seja, conseguirá apagar a luz do vagalume. Não te entristeças se sentes frio. Sempre encontrarás a mão amiga na qual aquecerás as tuas, que assim não congelarão. Não receies o tropel dos animais. Um dia, e não está longe este dia, ouvirás de novo a maciez de pés descalços pisando sobre a relva. A chuva voltará a cair, e o verde voltará a ser verde. Por isso, tua sede será aplacada um dia. Podes esperá-lo confiante. Não temas sequer a morte. Ainda não se descobriu um cemitério de almas, já que estas vivem para sempre. Não penses que o infinito não te fale. Talvez ele esteja atento a outro, a ouvir-te,e não queira perder uma só de tuas palavras. Não penses que estás irremediavelmente condenado. O perdão existe exatamente para quem erra, mas deseja voltar ao caminho. Se teus pés fraquejam, busca quem te auxilie. Reconfortado, um dia chegará a tua vez de auxiliar. Não chores de amargura se o dia de hoje é tenso, incerto, amargo. Haverá sempre, sempre, um amanhã. Convém fazermos delas uma almofada para os nossos corações. Nelas, você e eu descansamos. Pense nisso. Mas pense agora.

06/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 2:52

UM DIA DE CADA VEZ

Um dia de cada vez. Um turista visitou uma catedral onde um artista trabalhava em um enorme mosaico. Uma vasta parede vazia estava à frente do artista, e o turista perguntou: — Você não fica preocupado com todo esse espaço que precisa cobrir? Não se preocupa sobre quando conseguirá terminar? O artista simplesmente respondeu: — Eu sei o que posso fazer a cada dia. Toda manhã marco a área que farei e não me permito preocupar-me com o espaço que falta. Eu assumo um dia de cada vez, e um dia o mosaico estará terminado. A vida é simplesmente uma coleção de pequenas vidas, cada uma vivida um dia de cada vez. Muitos dos grandes obstáculos que atrasam o nosso momento são como esta grande parede. Nós podemos nos preocupar com o enorme quadro que temos que criar, ou podemos simplesmente começar a enchê-lo com as imagens maravilhosas e únicas, fazendo o melhor que podemos a cada dia que nos é dado. Procure viver um dia de cada vez. Não se prenda a remorsos ou frustrações por algo que já aconteceu. O que passou, deixe no passado. Se foram coisas boas, guarde as boas recordações. Se foram coisas ruins, procure tirar um aprendizado, para que não as repita no futuro. Não se queixe da vida, pois ela está em constante desenvolvimento. Acredite: seu valor está em você mesmo. Não se deixe vencer e não seja igual, seja diferente, seja especial. Você não pode mudar o que já passou, nem prever o que vai acontecer. Portanto, viva o hoje. Viva o agora. Um dia de cada vez. O dia de ontem não voltará jamais. Trace objetivos para cada dia e vá em frente, com muita força, coragem e confiança. Seja seu próprio motor de arranque e não desperdice as oportunidades de cada novo amanhecer. Brinque mais, sorria mais, ame mais, dance. Ouça a sua música preferida. Diga “eu te amo” para as pessoas que você gosta e que você sabe que gostam de você. Não conte os dias. Viva como se cada dia fosse o último. Aprenda a amar, a perdoar, a respeitar. E, no final, teremos montado o melhor quadro: o mosaico das nossas vidas. E lembre-se: infelizmente, a vida tem prazo de validade. Então, viva do jeito que te faz bem. Pense nisso e seja feliz, pintando o grande quadro da vida.

05/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:19

NUNCA FUJA DA VIDA

NUNCA FUJA DA VIDA Quando Hitler invadiu a Polônia e iniciou a perseguição aos judeus, uma jovem e sua família viveram por alguns meses escondidos em um porão. Descobertos, foram separados, e ela nunca mais viu seus pais ou teve notícias de seus irmãos. No campo de concentração onde foi colocada, ela suportou os maiores horrores. A comida era pouca, o tratamento rude. As companheiras enlouqueciam, eram mortas ou se matavam. Durante uma entrevista, um repórter perguntou se ela nunca pensara em se matar. “Sim”, respondeu, “mais de uma vez. Quando o frio era muito grande, quando a fome parecia me devorar e eu não via a perspectiva de salvação. Mas, nesses momentos, eu lembrava de meu pai. Logo que fomos para o porão, nos ocultar dos nazistas, ele me disse: ‘Filha, aconteça o que acontecer, nunca fuja da vida. Resista até o fim.’” Quando os aliados foram vitoriosos, aquela jovem e mais algumas mulheres foram encontradas em um campo de concentração, desnutridas, algumas sequer podiam se erguer, tal era o estado de fraqueza. Ela mesma confessa que tinha dificuldades para andar, pesava trinta e poucos quilos somente e não tomava banho havia três anos. Então, um oficial americano se aproximou dela e a tomou nos braços, carregando-a até um caminhão. Durante o trajeto, ele foi lhe dizendo que ficasse calma, que tudo daria certo, que ela receberia o socorro necessário. Cinquenta e oito anos depois, frente às câmeras, ela e o marido mostravam a alegria de sua união. Bom, o marido não era outro senão o jovem oficial americano que a encontrou magra, suja, desnutrida — e a carregou nos braços. Naquele dia, ela não somente teve a sua vida salva, sendo resgatada de uma situação de penúria, como encontrou o seu grande amor. Deus tem mesmo inimagináveis caminhos para dar a vitória àqueles que acreditam e cultivam o dom mais lindo de todos: a vida. Se os dias lhe parecem demasiado pesados, carregados de problemas, dores e sofrimento, não desista de lutar. Se você está a ponto de abandonar tudo, espere um pouco. Aguarde o amanhecer, espere o dia passar e deixe o sol retornar outra vez. Quando você menos espera, o socorro chega, a situação se modifica, o problema alcança solução. Nem todo amanhecer é como imaginamos, e, às vezes, a dor da batalha e as aflições transmitem a sensação de que não terá mais jeito e que não há luz no fim do túnel. Mas, para aqueles que insistem e acreditam, sempre haverá um plano de Deus para a solução, para a paz e para a felicidade. Acredite que boas coisas acontecem, mesmo quando nos deparamos com coisas ruins. Procure sorrir sempre, mesmo diante das dificuldades, e também não se envergonhe das lágrimas diante da necessidade. Chore, sofra, mas lute para vencer, sem deixar o cansaço te derrotar, nem o desânimo ou o preconceito te dominar. Ser frágil não significa ser fraco, significa, acima de tudo, ver e entender a realidade a partir da sua perspectiva e lutar com todas as forças que tem. Não se esqueça: o amor de Deus nunca falha. Aguarde. Pense nisso, mas pense agora.

04/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:38

A VIDA

A vida Durante muito tempo, tentei entender o que as pessoas pensavam ao meu respeito. O que esperavam de mim. Parecia difícil separar meus diferentes papéis numa mesma sociedade. Ora, filho, um menino sonhador, cheio de expectativas. Ora, irmão, o mais velho, já assumindo responsabilidades e um pouco mais realista nesse mundo de tantas desigualdades. Mais tarde, o amigo, capaz de guardar confidências e ser um abrigo num dia mau. E, de repente, pai e homem de negócios. Tantos compromissos... e muito medo de errar. Sempre tive muitas perguntas, mas eram poucas as respostas. Dias atrás, aprendi, com a sabedoria de Mário Quintana, que a vida pode ser mais leve. Carregar o mundo nas costas, pensar além do amanhã e em tudo de ruim que pode ou não acontecer, não parece uma escolha produtiva. Eu precisava de leveza nos meus dias. Ah... e como isso é bom! Quando parei de me cobrar tanto, aprendi a me amar mais. E, quando me amei de verdade, pude compreender que, em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Percebi que o sofrimento emocional nada me agrega, é um sinal de que estou construindo uma história contra a minha verdade. Foi então que parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver mais: que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei menos. Desisti também de reviver o passado. Hoje, já não me preocupo nem com o futuro. Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece. Descobri que, na vida, quando alimentamos um sonho, a gente tem mais é que se jogar, porque os tropeços e tombos são inevitáveis. O que vai acontecer depois disso, a gente só vai saber se realmente tentar. Hoje eu sei que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Sem amor, sem carinho e sem verdadeiros amigos, a vida é vazia, solitária... e se torna amarga. Mas a minha felicidade não pode depender dos meus dias bons ou maus. Por isso, eu decidi ser feliz. Ser feliz é construir, todos os dias, a nossa história. Reconhecer que vale a pena viver, apesar dos desafios, das incompreensões e dos períodos de crise. A grande sacada é ser grato por esse presente. Nós somos privilegiados por esse milagre, o milagre da vida. Pense nisso. Mas pense agora.

03/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:46

NO PRÕXIMO AMANHECER

No próximo amanhecer Hoje me dei um tempo para pensar na vida. Na minha vida. Decidi, então, que, a partir do próximo amanhecer, vou mudar alguns detalhes para ser, a cada novo dia, um pouco mais feliz. Para começar, vou procurar não olhar mais para trás. O que passou é passado. Se errei, agora não vou conseguir corrigir. Então, para que remoer o que passou? Refletir sobre aqueles erros, sim, e fazer deles o aprendizado para o meu hoje. Nem todas as pessoas que amo retribuem meus carinhos como eu gostaria. E daí? A partir do próximo amanhecer, vou continuar a amá-las, mas sem tentar querer mudar ninguém. Pode ser que elas ficassem do jeito que eu gostaria que fossem, mas já não seriam as pessoas que eu amo. Isso eu não quero. Mudo eu. Mudo a minha maneira de vê-las, respeitando o modo delas serem. A partir do próximo amanhecer, vou lutar com mais garra para que eles aconteçam. Mas vai ser diferente. Não vou responsabilizar ninguém por minha felicidade. Eu simplesmente vou ser feliz por minha conta própria. Não vou mais parar a minha vida porque o que desejo não acontece, porque uma mensagem não chega, porque não ouço o que gostaria de ouvir. Vou fazer o meu momento. Vou ser feliz agora. Terei outros dias pela frente. A partir do próximo amanhecer, vou ser mais grato pela oportunidade que tenho de viver, apesar dos meus problemas. A partir do próximo amanhecer, não vou mais querer ser um modelo de perfeição, porque, se eu aceitar as minhas limitações, serei mais tolerante com as dificuldades dos meus irmãos. A partir do próximo amanhecer, vou viver a minha vida sem medo de ser feliz, mas sem esquecer de ninguém, e compartilhar essa felicidade com todos ao meu redor. A partir do próximo amanhecer, vou dizer, sem medo, a mais pessoas o quanto elas são especiais para mim, o quanto eu as amo. Mas, pensando bem, não vou esperar o próximo amanhecer para fazer tudo isso, porque pode ser que não haja o próximo amanhecer. É... Eu vou dar aquele abraço apertado, sorrir e dizer que tenho muito amor para dar, hoje. Agora. Pense nisso, mas pense agora.

01/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 2:47

AMAR A VIDA

O pintor Van Gogh disse: “O melhor meio de amar a vida é amar muitas coisas.” Se você quiser saber se sabe amar, preste atenção e veja quantas vezes por dia você diz: “Detesto isso. Detesto esse tipo de gente. Detesto esse tipo de coisas.” Tudo isso em vez de dizer: “Gosto.” Você diz que ama as coisas? Quantas vezes você diz: “Gosto disso. Gosto de crianças. Gosto de flores. Gosto de música.” Para amar a vida, devemos estar dispostos a amar. Você pode imaginar alguma coisa mais importante? Por que se trabalha? Por que se luta? Por que se sofre? Por que se espera? É o amor. É a vida. Trabalha-se porque se ama o trabalho. Escolhemos a profissão porque gostamos de fazer aquilo. Certo dia, observamos um cirurgião que estudava para uma delicada intervenção que teria que realizar no dia seguinte. Ele lia, fazia apontamentos, preparava gráficos. Era uma cirurgia para a reconstituição da face de um adolescente que sofreu um sério traumatismo. De vez em quando, entre uma e outra anotação, ele exclamava: “Fascinante! Maravilha! Que coisa surpreendente!” Era o profissional apaixonado pela sua arte, pela sua profissão, pelo que ele iria realizar no dia seguinte. Conta um professor universitário que, certa feita, foi para a Nova Inglaterra, no outono, visitar um de seus alunos. Passeando, ele pediu que parasse o carro. Ele estava maravilhado com a visão daquelas árvores, com folhas vermelhas, douradas, azuis, roxas, castanhas, magenta e pretas. Sim, pretas! Tudo na mesma árvore. Ele nunca havia visto algo assim. Em Los Angeles, onde residia, estava habituado, na chegada do outono, a que as folhas secassem e caíssem, e pronto. Mas ali, ele estava impressionado e perguntou: “Como é que essa folha resolve ser preta e esta resolve ser amarela, na mesma árvore?” Ora — disse o aluno — “sei lá, é assim mesmo.” “Não”, falou o professor, “não é assim mesmo. Deve haver um bom motivo para isso, e eu quero saber qual é. Leve-me para a biblioteca.” Foram à biblioteca e pesquisaram o assunto. Depois de esclarecido acerca das razões científicas para a mudança das cores, o professor afirmou: “Conhecer tudo isso não torna a questão nem mais nem menos espiritual. Continua a ser pura magia, a ser maravilhoso.” E se manteve encantado e apaixonado pelas cores das folhas. Isso é amar as coisas. Isso é dizer sim à vida. É ser um amante da vida. E, se a vida por acaso lhe oferecer muitos dias de céu cinzento, siga à risca a recomendação do escritor Nikos Kazantzakis: “Você tem o seu pincel, tem as suas tintas. Pinte o paraíso e depois entre nele.” Contemplemos a terra submissa e boa, sulcada pelo arado para a dádiva do pão. Aprendamos com ela a lição da humildade e deixemos que o agricultor compassivo transforme nossa vida numa semeadura de amor para o bem de todos. Amemos a manhã que desperta ensolarada. Amemos a chuva que chega sem avisar. Agradeçamos ao vento que enche de folhas a nossa calçada. Quando ele sossegar, aproveitemos e fotografemos o tapete natural. Acreditemos: ninguém, além do vento, consegue colocar as folhas dessa forma tão livre, tão espontânea. Aproveitemos a hora que passa depressa e aquela que parece nunca terminar. Amemos nosso dia, nosso tempo. Amemos a vida. Pense nisso, mas pense agora. Amemos nosso dia, nosso tempo.

31/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:31

ACOLHIMENTO QUE ARREBATA

Acolhimento que arrebata Francisco de Assis, em seu tempo, revolucionou ideias e inaugurou parâmetros de comportamento. Tinha uma forma toda especial de tratar com os desertados da sorte, os pobres, os equivocados. Conta-se que, certa feita, três ladrões que viviam atormentando a cidade de Monte Casale foram pedir comida a Freangelo. Ciente de quem eram e dos danos que poderiam provocar, ele os afugentou. Tão logo se fez a oportunidade, tudo narrou a Francisco, confiante de que receberia agradecimentos pelo que fizera. No entanto, Francisco, de imediato, não concordou com essa atitude, pois não condizia com a proposta de amor dos evangelhos e com os exemplos do Mestre Jesus. Chamando os frades, a todos determinou outro padrão de tratamento para com os irmãos ladrões. Disse-lhes que, caso tornassem a encontrá-los, deveriam ter para com eles um procedimento diferente do comum das pessoas. Propôs, então, que os frades adentrassem a floresta, onde costumavam se esconder os malfeitores, levando alimento e uma toalha, oferecendo a refeição mais ou menos nos seguintes termos: —Irmãos ladrões, venham comer. Não precisam assaltar as pessoas. E, quando assaltarem, por favor, não batam nelas. O ritual deveria ser repetido dia após dia e, finalmente, quando conseguissem as presenças dos ladrões para a refeição, deveriam aproveitar para lhes falar de outra forma: —Irmãos ladrões, não seria melhor que vocês trabalhassem em vez de roubar? Podemos ajudá-los? Arrumar alguma ocupação? Que tal? A proposta de acolhimento e regeneração, nessa aproximação gradativa e singela, feita de forma sincera e interessada, acabou por convencer alguns dos ladrões a modificarem a sua vida, aderindo à proposta de amor e fraternidade pregada e vivenciada por Francisco. É possível que, nos dias atuais, com tanta violência vigorando e a criminalidade alcançando patamares inimagináveis, nenhum cidadão se sinta seguro a qualquer hora do dia ou da noite nas ruas, nem em sua casa, ou em seu local de trabalho. Por isso mesmo, dificilmente buscaria um diálogo com malfeitores de qualquer ordem, até mesmo por temor à sua própria vida, pela sua integridade física. Mas o exemplo vivenciado pelos frades, sob a batuta de amor de Francisco, pode nos servir para meditarmos a respeito de novas fórmulas de tratarmos com os que qualificamos de malfeitores ou criminosos, uma proposta de regeneração, de reeducação, iniciando pela conquista através da pedagogia do acolhimento. Também é uma maneira de nos conduzir a reflexões sobre nossa própria forma de tratar os malfeitores da nossa paz, os que nos causam problemas, levantam calúnias, estabelecem obstáculos na harmonia das nossas vidas. Como poderíamos interagir de forma positiva com eles? Talvez iniciando por não estabelecer sintonia com sua maldade. Depois, vibrando de forma diversa, endereçando-lhes, como resposta às suas agressões, o desejo de que se reabilitassem, que se dessem conta do desastre que estão causando para si mesmos. “Quem semeia ventos colhe tempestades”, já sentencia o provérbio popular. Com certeza, essa nossa mudança de comportamento nos conduziria a melhores dias, a horas mais harmônicas e produtivas. Pensemos nisso. Tentemos a proposta franciscana.

30/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:23

EU PENSAVA QUE O CHORO ERA RUIM

Eu achava que o choro era ruim. A experiência de uma mãe e seu bebê nos traz reflexões muito profundas e importantes. Ela nos diz: “É que eu achava que o choro era ruim. Eu achava que o choro tinha que parar. E acho que é isso que aprendi: não precisa.” Existem, sim, motivos para o choro, desconforto de temperatura, fome, fralda, refluxo, doença, sono. Mas existe o choro que não cessa, mesmo após checar tudo o que possa estar errado. E esse choro, que pode durar horas até, não é errado. E se hoje eu pudesse rever esses dias de maternagem, talvez me preocupasse menos em silenciar o choro de minha filha e mais em acolher suas lágrimas. Talvez eu me focasse menos em ficar dizendo “shhh”, balançando Clarinha de um lado pro outro do quarto, tentando todas as táticas possíveis, me sentindo incapaz de consolá-la, e decidisse aceitar o seu choro, sua voz, como eu procuro aceitar a de qualquer amigo que me procura em prantos. Entender que não se pode resolver a dor do outro, mas sempre se pode acolhê-la. Entender que o choro, às vezes, não é dor, mas adaptação a esse mundo de sons, cheiros, luzes e pessoas a que o bebê não está acostumado. Entender que, quando não se fala, não se balbucia e não se gesticula, só existe o choro como comunicação. E quantas vezes as minhas tentativas de cessar o choro me impediram a verdadeira conexão com a minha filha! O quanto o simples ato de abraçá-la e permitir que ela chorasse o que precisava, sabendo que eu estava ali com ela, presente, integralmente presente, sem procurar distraí-la, teria sido tão ou mais eficiente do que tentar táticas e truques para ela parar de chorar. O quanto aquele choro não era um pedido por mais presença, com intenção e coração. Uma necessidade de dar um basta nas incômodas visitas pós-parto. Um desejo de proximidade. E o luto pela separação de mim, segura e protegida. Choro é emoção. Não quero ensinar a ela que o choro é errado, que as emoções são erradas, que sentir é inadequado. O choro é normal. Se percebermos bem, adquirimos este hábito de fazer tudo para que o choro cesse o quanto antes, tanto o nosso chorar quanto o de alguém que nos é caro. O choro é incômodo, é constrangedor em nossa cultura, e precisa ser represado com uma urgência e um desespero injustificados, se pensarmos bem. Não paramos para pensar que o choro tem seu momento. É algo que precisa sair, e precisa de tempo para isso. “Melhor para fora do que para dentro”, disse alguém um dia, consolando uma pessoa que se desculpava por não ter conseguido segurar as lágrimas. Sim, nós pedimos desculpas por nos emocionarmos. Muito estranho, né? Como se fosse sinal de fraqueza. Chorar é bom. Chorar é importante. Chorar é terapêutico. Aqueles que guardam anos e anos de lágrimas constroem doenças para si. É isso mesmo: ficamos doentes porque represamos emoções. E, no que diz respeito à dor do outro, que muitas vezes não conseguimos resolver, que às vezes teríamos vontade de tirar com as mãos, se pudéssemos, quando é de um filho, de um pai, de uma mãe... essas dores podemos acolher. Podemos compartilhar lágrimas e dizer: “Eu estou com você.” Acolher o choro de alguém sempre será um gesto profundo de amor. Pense nisso, mas pense agora.

29/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:15

VÁ AO OESTE

Vá ao oeste. Durante o século XV, os desbravadores dos mares passaram por muitas empreitadas difíceis. Eles estavam em busca de novas terras. Colombo descobriu a América do Norte em 1492, e Cabral, o Brasil, em 1500. Descobriram essas terras ao oeste de onde residiam, a milhas e milhas de distância. Tempos depois, houve outras empreitadas. Os americanos buscaram novas terras, também ao oeste de onde estavam. Afinal, Colombo ficou apenas no descobrimento da parte leste do continente americano, e assim também foi com Cabral. No Brasil, a incumbência de ir em busca do oeste do território coube aos bandeirantes. Em nenhum momento essas empreitadas foram fáceis. Muitas pessoas sucumbiram diante desse desafio. A conquista das novas terras, ao oeste, foi um marco de superação da história humana. Procuremos nos imaginar como os esportistas. Todos eles buscam a sua superação. No início, sofrem muitas derrotas, são quedas inúmeras e muitas frustrações. Mas, em seguida, conseguem alcançar o seu oeste. É o alpinista chegando ao cume de uma montanha, o surfista pegando uma onda perfeita, o paraquedista executando com maestria suas manobras. Esses são apenas alguns exemplos de superação desses atletas. Para chegar a isso, com certeza, muito trabalho, dedicação, persistência e outros adjetivos foram necessários para que a meta traçada por eles fosse alcançada. Eles conseguiram conquistar o seu oeste, um oeste que não é fácil de ser alcançado, mas também não é impossível. E para nós? Onde está o nosso oeste? Temos um a buscar? Seria a busca de um melhor salário? De uma família perfeita? De amigos e familiares compreensivos e cooperativos ao máximo? Nosso oeste está tão distante como estava para Colombo e Cabral? É algo mais fácil ou mais difícil de ser alcançado? Muitas são as perguntas, e várias são as respostas. Cada um de nós tem a sua. Cada um tem o seu oeste a buscar. Resta saber agora se essa busca é uma busca nobre, uma busca que nos fará permanecer no caminho do bem. Refletamos bem qual oeste estamos buscando. Se estamos no rumo onde, no futuro, veremos um caminho de luz, ótimo, sigamos em frente. No entanto, se no atual caminho percebemos que, logo mais à frente, enxergaremos um céu cinza e carregado, paremos e busquemos uma nova rota. Os desbravadores dos mares, por certo, enfrentaram várias tempestades e souberam contorná-las. Tiveram que mudar a sua rota, mas não o seu destino. Vários “oestes” existem e podem ser alcançados, mas apenas você é o dono do seu destino. Pense nisso… mas pense agora.

27/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:45

QUANDO ME AMO

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25/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:20

A CARIDADE DO RESPEITO

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24/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:56

UM MUNDO MELHOR

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23/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:08

DANDO O MELHOR

Dando o melhor Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de sua audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte súbita do filho. Assim que soube, o músico correu para casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que não podia. No canto da sala, havia um piano. Durante 30 minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloquente que podia. Tocou o piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e uma melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo por sentir não ter jeito para dizer alguma coisa para a viúva ou aos filhos órfãos. Não vamos ao hospital visitar um enfermo do nosso círculo de relações porque nos sentimos inseguros. Como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: eu estou aqui. Conte comigo. Servamos um copo d’água, um suco àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um recado, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas quando os ponteiros avançam à madrugada. Seja amigo conveniente, sabendo conduzir-te com discrição e nobreza junto àqueles que te elegem à amizade. A discrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas que inspiram confiança, favorecendo a tranquilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem. Pense nisso, mas pense agora.

22/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:56