O MAIOR ÊXITO
30/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:36
Notas do Episódio
O Maior Êxito Trinta anos haviam se passado. A turma do Ensino Médio programou um reencontro. Foi numa tarde quente, na enorme mansão de um deles. Não faltavam elogios ao anfitrião que recebia os amigos: a arquitetura, a disposição dos móveis, tudo parecia compor um cenário de sonho. Após o almoço, reunidos na ampla sala, a conversa passou para os relatos das conquistas pessoais e do sucesso na carreira. Alguns eram médicos, engenheiros, advogados, professores de ensino superior. Falavam de seus casamentos, de seus filhos. Era um longo desfile de alegrias. Comentavam sobre os filhos contratados por empresas multinacionais, sobre os altos cargos que ocupavam em hospitais, indústrias e grandes organizações. Dava gosto constatar a felicidade que sentiam pelo êxito próprio, que incluía também o sucesso dos filhos. Depois de muito falarem, deram-se conta de que uma entre eles permanecia calada, apenas vibrando com a felicidade de cada colega. Voltaram-se para ela e perguntaram: — E você? Quais foram os grandes lances da sua vida? Ela sorriu e respondeu: — Amigos, nada tão eletrizante quanto os seus relatos. Vi meus irmãos se formarem, constituírem suas famílias e partirem em busca de seus próprios destinos. A mim, ao final do Ensino Médio, sucederam outros acontecimentos: a morte repentina de meu pai, um irmão menor sob meus cuidados, a necessidade de trabalhar para o sustento do lar. Falou ainda da dedicação à avó e à mãe, que adoeceram em anos sucessivos, exigindo-lhe total presença. Não conseguiu ingressar numa universidade, diante do acúmulo de deveres para manter a família e enfrentar os problemas que surgiam, como uma avalanche a cada ano. — Tive ofertas para crescer profissionalmente — continuou —, transferindo-me para a capital federal, depois para o Rio de Janeiro e São Paulo. Mas a fragilidade de minha avó e de minha mãe não me permitiu aceitar nenhum convite. Elas tinham somente a mim. Os anos se passaram. Não se casou. Não teve filhos, senão os filhos da alma, que assumiu por razões próprias. Nunca realizou grandes viagens, pois suas economias sempre foram — e ainda são — direcionadas àqueles que dependem dela. — Então, acho melhor vocês continuarem falando de seus progressos e de suas glórias. Tudo isso me encanta, porque considero fenomenais os seus relatos. Fez-se silêncio na sala. Havia lágrimas em algumas faces. Todos olhavam para aquela colega que, nos bancos do Ensino Médio, tinha grandes sonhos: viajar para o exterior, aprender outro idioma, cursar uma faculdade, casar-se, ter filhos. Tudo lhe fora frustrado. E, no entanto, ali estava ela, alegrando-se com o sucesso dos amigos e regozijando-se com suas conquistas. Os olhares se cruzaram. Finalmente, um deles disse: — Já sabemos quem alcançou o prêmio de maior vencedor entre todos nós. E completou: — Há os que vencem no mundo e há os que vencem a si próprios, no silêncio da renúncia, servindo ao semelhante. Suas conquistas são tão importantes quanto quaisquer outras. Não se desespere porque a vida tomou caminhos diferentes dos que você imaginava. O grande Criador do Universo conhece o nosso íntimo e sabe quais caminhos devemos percorrer para alcançar a perfeição da alma. Pense nisso. Mas pense agora.