Pense Nisso | Morena FM - Easy | Cadena

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A VIDA E O TEMPO

A vida e o tempo. Tudo começou de repente, não lembro quando foi. Cheguei sem saber de onde vim; tudo era novo, dependia sem saber de quem. Aos poucos meu mundo foi nascendo, aos poucos a luz do sol; a cada dia algo novo. Tudo era tão simples, nem vi o tempo passar. Não percebi quando virei eu, quando as cores mudaram. E os sonhos já não eram os mesmos. Novos desafios. Poxa, já tenho quase 30 anos. No tempo que voava, sem me dar explicações, sem que eu soubesse a razão, sem ouvir a batida de suas asas, sem notar quando as coisas mudaram tão rapidamente, deixando de me reconhecer, como se agora fosse outra pessoa. Mudei sem perceber, me transformando todos os dias. Chegará o tempo que exclamarei: estou chegando aos sessenta anos, como o tempo passa. E eu não me dei conta desse tempo que passou. Sem ver o tempo passar, pois que só posso enxergar um dia depois do outro, virei outra pessoa, perdida no tempo que me enganou. Esse tempo me transformou, me conduziu, me deu, me tirou e me deixou sem chão. Sem saber por que, agora, no final da minha existência, tenho essa sensação, a sensação de estar fora de casa, como se tudo tivesse sido um sonho, que estranhamente nunca vai acabar. Talvez eu só perceba em parte que estou indo a algum lugar. E que tudo é uma coisa só, que todos os dias são um. Que tudo faz sentido, mesmo quando não faz sentido algum. E que todas as coisas só existiram dentro de mim. E elas me conduziam, todos os dias, de volta para casa. Onde fica essa casa? Sinceramente, eu não sei. Quem deve ter essa resposta é o tempo e a vida, que ainda está por ser vivida em outro tempo. O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que o conheça, o tempo é, contudo, nosso bem de maior grandeza. Não tem começo, não tem fim. O tempo sabe ser bom. O tempo é largo, o tempo é grande; é generoso, é farto, é sempre abundante em suas entregas. Diminui nossas aflições, dilui a tensão dos preocupados, suspende a dor dos torturados. Traz a luz aos que vivem nas trevas, o ânimo aos indiferentes, o conforto aos que se lamentam, a alegria aos homens tristes, o consolo aos desamparados. Também a serenidade aos inquietos, o repouso aos sem-sossego, a paz aos intranquilos, a umidade às almas secas. O tempo é manancial de sabedoria que flui por entre nossas existências. Nas incertezas do caminho, nos momentos de angústia, nas aflições da jornada, confiamos nele, que tem a medida de todas as coisas e o consolo para todas as lágrimas. Jamais nos permitamos acreditar que não há tempo. Fechemos os olhos. Ouçamos sua voz. Lá ele está. O tempo de um abraço. De um sorriso. De um ato de caridade. De uma mudança de vida. O tempo para a família. Para os amigos. E para nós mesmos. Sempre há tempo. Sempre há vida. Pense nisso.

11/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:40

APRISIONADOS PELO MEDO

Aprisionados pelo medo. Na sala de aula, a professora perguntou aos seus alunos: do que vocês têm mais medo? Depois de um breve e tenso silêncio, um garoto respondeu um tanto tímido: ah, professora, eu tenho medo do escuro. Outro falou: tenho muito medo do bicho-papão. Medo da morte? Medo de altura? Medo de ser esquecido pelos pais na escola? Vários medos foram confessados e anotados pela sábia professora, que conseguia libertar os pequenos do sofrimento gerado pelo medo, através do uso da razão. Por fim, uma garotinha disse, com ar de assustada: tenho muito medo do mal amém, que é um monstro muito perigoso. E você já viu esse monstro? — perguntou interessada a professora. Nunca vi, mas é um monstro tão perigoso que minha mãe pede todos os dias a Deus que nos livre dele — esclareceu a menina. E concluiu: minha mãe sempre pede a Deus no fim da sua oração “e livrai-nos do mal, amém”. Não é preciso refletir muito para entender a situação daquela criança com relação ao medo do monstro criado pela sua imaginação. O medo era tão tirano que ela nunca ousou confessá-lo à mãe. Um medo terrível de algo que nunca existiu. Mas será que somente as crianças têm medo do que desconhecem? Certamente não. A ignorância tem sido, desde todos os tempos, a grande responsável pelo terror imposto pelo medo. O desconhecido gera medos inconfessáveis em pessoas de todas as idades. Mas como podemos ter tanto medo do desconhecido? Isso ocorre justamente porque os monstros criados pela imaginação, geralmente, são mais terríveis do que os reais. O medo da morte é um exemplo disso. O medo do inferno também tem feito reféns. O juízo final é outro tirano que atemoriza muita gente. Todos esses temores são frutos da ignorância, não há dúvida. Existem pessoas que têm medo do futuro, medo da solidão, medo de sentir medo. E por aí vai. Enquanto a razão não lançar suas luzes sobre essas questões, o medo continuará a infelicitar os indivíduos, fazendo-os reféns da própria ignorância. Muitos pensadores já afirmaram que só o conhecimento liberta das garras do medo sem sentido. O conhecimento é diferente de crença. A crença é sempre cega, vazia de certezas. Para crer em algo não é preciso conhecer, basta acreditar. Mas a convicção só se adquire através do conhecimento. Assim sendo, vale a pena envidar esforços para libertar-nos dos medos, buscando lançar luz sobre o que a ignorância oculta. Importante libertar nossas crianças, muitas delas reféns de monstros imaginários terríveis, dialogando com elas sobre seus medos. É preciso considerar que o medo é o pior de todos os monstros e precisa ser aniquilado com urgência. É preciso clarear os caminhos escuros da ignorância com a luz do conhecimento para que o medo bata em retirada. Como asseverou o grande filósofo grego Sócrates: há apenas um bem, o conhecimento; e um mal, a ignorância. Sócrates foi o precursor da dialética, da lógica, mas foi vítima da ignorância de seus contemporâneos. Pensemos nisso e busquemos, com vontade firme, conhecer as leis que regem a vida. Só assim seremos verdadeiramente livres de todos os medos que tanto nos infelicitam. Pensem nisso, mas pensem agora.

10/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:26

NO EXERCICIO PROFISSIONAL

No exercício profissional. Marcella, revoltada por precisar trabalhar desde muito cedo, não conseguia entender o porquê de muitas situações em sua vida. Adolescente, se tornou babá de um pequenino em meio período, depois da escola. Mais tarde, trocou essa função pela de empregada doméstica, tarefa em que se manteve até o matrimônio, quando passou a cuidar da própria casa. Como precisava colaborar com a renda familiar, tendo um filho pequeno, ela se sentiu obrigada a fazer salgadinhos para vender. Depois, conseguiu trabalho como teleoperadora. Um sentimento, no entanto, era sempre o mesmo: nada daquilo era o que desejava fazer. Optou por continuar os estudos e adentrou à universidade, cursando psicologia, curso no qual, finalmente, sentiu que eram valorizados os seus talentos. Todavia, guardava certa mágoa pelos trabalhos que tivera anteriormente. Em um de seus momentos difíceis, foi conversar com uma professora em quem confiava e expôs seus conflitos. Analisada a situação, a professora propôs que ela passasse em revista detalhada seu passado e pensasse no que aprendera em cada profissão que exercera. Marcela relatou que, como babá, aprendera a cuidar de criança e observar o seu desenvolvimento. Como empregada doméstica, aprendera a cozinhar, limpar, lavar, passar a ferro. Fazendo salgadinhos, aprendera a administrar o dinheiro e a lidar com pessoas diferentes. Como teleoperadora, conhecer a muita gente, melhorar a sua conversação e, principalmente, aprender a escutar. A professora, que a ouvira com interesse, lhe perguntou então: “Você não percebeu que todas essas profissões estavam lhe preparando para o sucesso na área da psicologia? Ser babá lhe adiantou, na prática, um ponto básico, considerando que o curso que frequenta estuda esse período da vida humana. Enquanto empregada doméstica, você se preparou para cuidar de sua própria casa e também a respeitar os desejos e vontades dos outros. Como vendedora de salgadinhos, aprendeu a lidar com pessoas diferentes e com o dinheiro, uma tarefa que nos acompanha a vida toda. Como teleoperadora, aprendeu a escutar, que é o ponto primordial no exercício da psicologia.” Marcela não teve opção senão concordar e concluir: é verdade. O exercício de tarefas nos é sempre importante. Trabalho útil é sempre trabalho abençoado, que nos prepara para a vida. Todo trabalho que produz o bem e o belo tem o seu valor. Tanto o trabalho braçal como o trabalho mental são talentos que Deus nos concede para colaborarmos com o próximo e em prol do nosso melhoramento. Não existe profissão mais ou menos digna. Somos nós que valorizamos aquela em que nos encontramos, com nossa forma de executá-la. Pensemos: o que seria da salubridade do mundo sem os lixeiros? O que seria do centro cirúrgico sem quem se encarregasse da sua assepsia e dos instrumentos? Não importa a profissão, mas sim a dedicação com a qual a exercemos.

09/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:57

A PROCURA DA FELICIDADE

A Procura da Felicidade. Quem de nós não deseja ser feliz? Salvo os casos patológicos, as pessoas estão sempre em busca da felicidade, ainda que não se dê em conta disso. Mas, afinal, o que é a felicidade? A felicidade varia de pessoa para pessoa, e, em cada momento da nossa vida, ela pode assumir aspectos diferentes. Quando estamos enfermos, a recuperação da saúde seria nossa felicidade, e envidamos todos os esforços para conquistá-la. Se estamos desempregados, um emprego se constituiria em felicidade por algum tempo. Se somos solteiros e desejamos unir-nos a alguém, nossa felicidade seria encontrar a pessoa certa. No entanto, os que padecem fome e frio encontrariam a felicidade num agasalho e na alimentação que refaz. Já para o torcedor, a explosão de felicidade se dá quando a bola atinge o fundo da rede do time adversário. Enfim, a felicidade tem tantas faces quanto os anseios de cada criatura, variando de acordo com as circunstâncias. Certa vez, lemos uma história que nos levou a refletir em que consiste a verdadeira felicidade. Foi narrada por uma moça que se sentia momentaneamente infeliz e, andando pela rua, viu um homem puxando uma carroça. Ao observar a cena, pensou: pobre homem, fazendo o trabalho de um animal irracional. Isso é que deve ser infelicidade. Pensando em ouvir de seus lábios lamentações e queixas, aproximou-se e lhe perguntou: “O senhor é muito infeliz, não é? Afinal, fazendo um trabalho desses?” Confessa ela que o homem fizera mudar a paisagem íntima ao responder, entusiasmado: “Não, senhora, sou uma pessoa muito feliz. Tenho saúde que nem mesmo preciso de um animal para puxar minha carroça. Tenho força, consigo meu sustento passeando pela cidade e ainda ganho saudações de pessoas bonitas como a senhora.” Como podemos perceber, a felicidade consiste em cada um contentar-se com o que tem e fazer da sua felicidade a alegria dos outros. A verdadeira felicidade é aquela sem mescla, a felicidade plena. Todavia, podemos viver com alegria, valorizando as coisas que temos e as conquistas morais que já logramos, sem enfericitar-nos com o que não possuímos e não está ao nosso alcance. Muitos de nós buscamos a felicidade distante de onde ela se encontra. A cada momento, o universo nos oferece mil motivos para nos alegrar: a oportunidade de viver, de ter uma família, amigos, trabalho, a natureza, o sol, a chuva, a noite para o repouso, as chances de aprendizado em cada minuto que passa por nós. Até mesmo os obstáculos do caminho são motivos de alegria, por nos ensinarem a superá-los, preparando-nos para a conquista da felicidade perene que a todos nos aguarda. Pense nisso, mas pense agora.

08/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:49

PORQUE OS CAES VIVEM MENOS

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06/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:37

OTIMISMO OU DESANIMO

Otimismo ou desânimo? Sabe aquele dia em que parece que tudo dá errado? Que você já acordou com o pé esquerdo? Como se o pé direito fosse a garantia de um dia bom. Aquele dia em que o despertador não funciona e você já começa o dia todo atrasado, com muita pressa. Não dá nem tempo de tomar café. Você perde o ônibus ou o carro quebra e precisa ir para o mecânico, gerando custo não previsto, e se atrasa para os compromissos marcados. Aquela reunião importante. Se acorda no horário e tudo dá certo no percurso, quando chega no local lembra que esqueceu aquele documento que precisava levar. No trabalho, parece que é o dia de feedbacks negativos. Ou é aquele dia que amanhece com uma gripe, que acaba comprometendo todo seu desempenho devido ao mal-estar? São situações, às vezes comuns como essas, que parecem estragar o nosso dia. São nesses dias, em que tudo parece dar errado, que devemos nos lembrar que os dias difíceis são apenas um pedaço do nosso dia, e não ele completo. Acreditar que, mesmo nas situações cotidianas, elas vão passar. Precisamos manter o otimismo, mas não para fingir que a diversidade não ocorreu no nosso caminho, mas para que ela não atrapalhe o resto da nossa jornada. Não podemos deixar que momentos ruins estraguem todo o nosso dia, que dias ruins estraguem nossa semana e que períodos difíceis estraguem nossa jornada. Quando essas situações chegarem e baterem cuidadosamente na porta, ou até chegarem arrombando-a com os dois pés, precisamos respirar fundo, tentar manter a calma para que o nosso racional não vai cair. Embora, para podermos seguir em frente e ainda para permitirmos a nós mesmos desfrutarmos de um dia bom, mesmo com esse infortúnio que aconteceu. Porque tudo pode mudar, da mesma forma que, de repente, veio o problema, de repente vem a solução e tudo muda. Assim como o tempo fecha e do nada parece vir a chuva; logo depois, as nuvens escuras se vão e volta ao som, às vezes ainda acompanhado de um arco-íris. O cronista Armando Nogueira disse uma vez que é melhor ser otimista do que ser pessimista: até que tudo dê errado, o otimista sofreu menos. Que seja o momento de pensarmos nisso, de sermos mais otimistas e enxergarmos beleza em… Talvez precisemos mudar a forma de enxergarmos as coisas com mais otimismo, para podermos ser mais felizes. Pensemos nisso, mas pensemos agora.

05/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:11

SUPERE-SE

transformou em pantera. Então ele começou a temer os caçadores; a essa altura o mágico desistiu, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se tornou um gato, e o caçador se torn. Costumamos permitir que o medo, as preocupações e as inseguranças dominem e definam as nossas vidas. Permitimos que nos roubem os sonhos, a esperança e as nossas ilusões mais apreciadas. Há momentos em nossas vidas que nos sentimos inseguros demais, incapazes de reagir aos problemas e muito fracos para superarmos os obstáculos. Todavia, é preciso ter coragem para enfrentarmos os nossos temores. E na vida, muitas vezes, é necessário corremos alguns riscos para que consigamos evoluir. Precisamos correr o risco de sair machucados, de enfrentar a rejeição ou mesmo de falhar. Quando decidimos evoluir, muitas dificuldades e o medo da mudança vêm. Dizer adeus e sair do seguro é assustador, mas avançar contra todos os medos é imenso. A evoluir e a amadurecer. Nesse tempo tão imediatista que vivemos, o temor tem sido um dos grandes potencializadores das crises emocionais. A todo momento somos cercados por críticas, cobranças, competitividade, que nos colocam numa posição exaustiva de comparações e aguça as nossas inseguranças, tornando-nos propensos a absorver sensações e dúvidas que não nos pertencem. Somente nós podemos enfrentar e eliminar das nossas vidas esses temores que nos atrasam. Eles não vão simplesmente desaparecer de uma hora para outra. É você que vai ficar mais forte, com mais autoconfiança, mais segurança e com os demais recursos necessários para progredir em suas tarefas e projetos. Sabe, a evolução requer tempo e maturidade. Então não fique ansioso, ansiosa, achando que é um processo rápido e fácil. O importante é não deixar que sua vida se esconda atrás das suas inseguranças. Não se permita entregar ao medo. Supere-se todos os dias. Só assim fará as suas conquistas ter valor. Pense nisso, mas pense agora.

04/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:37

A SUTIL ARTE

A Sutil Arte. Você já recebeu um convite para reexaminar as suas prioridades e abraçar as imperfeições e problemas da vida? Parece estranho, não é mesmo? Afinal, as coisas têm que dar certo pra gente. Tudo deve ocorrer bem e sair como planejado. A resposta é não. Nem tudo na nossa vida vai sair como planejado. E sabe o que devemos fazer, muitas vezes? Aceitá-las. O autor do best-seller norte-americano Mark Manson fala sobre isso em seu livro The Subtle Art of Nothing Giving, a sutil arte de não dar a mínima. Ele aborda que não devemos buscar desenfreadamente por sucesso e perfeição, mas, sim, focar em tudo naquilo que verdadeiramente nos traz sentido e significado. A vida é repleta de desafios e adversidades. Muitas vezes tentamos negá-los para podermos seguir. Só que, para podermos seguir de fato, é necessário aceitar as adversidades, aceitar que não deu certo e talvez nem dê. É preciso enfrentá-los com coragem e responsabilidade para, depois disso, sim, poder seguir em frente. Hoje ouvimos muito se falar de sucesso, alta performance, ganhar, ganhar, ganhar. Não que isso seja um problema. Na verdade, seria uma maravilha se a vida fosse somente isso. E ela, de fato, não é assim. Só nos aceitando e aceitando a vida como de fato ela é, descobriremos que a verdadeira felicidade está em aprender a lidar com os altos e baixos da vida. Uma montanha-russa. Às vezes ela está no alto, embaixo e até de cabeça para baixo. E sabe o que você faz enquanto está na montanha-russa? Aceita o trajeto. Na vida é assim. Devemos entender que dessa vez não deu certo, que estamos embaixo. Mas, assim como a montanha-russa, ela uma hora volta a subir e, em outra situação, as coisas podem fluir. Ainda no livro de Mark é explicado que se faz necessário não nos levarmos tão a sério, que precisamos rir de nossas próprias imperfeições e encontrar significado na simplicidade da vida. Aceitar que nem tudo está sob nosso controle nos permite liberar a ansiedade e nos concentrar no que podemos mudar. Como já mencionado, a sociedade moderna muitas vezes nos pressiona a buscar sucesso, felicidade e perfeição. Na verdade, encontrar sentido na vida é mais sobre aceitar nossas limitações, enfrentar nossos problemas e aprender a lidar com as adversidades. Muitas vezes alimentamos o narcisismo puro, que as coisas precisam dar certo para a gente, que o caminho da felicidade é cheio de acertos e conquistas, ao invés de obstáculos e abatimento. Ou até adotamos a positividade excessiva em acreditar que tudo tem que dar certo. Às vezes não vai dar certo. E o mais saudável é aceitar isso. Só entendendo isso conseguiremos, de fato, prosseguir em meio ao caos que pode aparecer na nossa jornada. Estamos todos na montanha-russa da vida, cheios de altos e baixos. Não se compare, se cobre ou ache que tudo deve ser perfeito. A vida não é assim. Como você tem encarado a vida e lidado com os problemas? Você os tem negado? Persistindo neles? Ou tem aprendido e deixando ir?

03/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:21

JULGAMENTOS

Julgamentos. Certa vez, um mestre budista e seu discípulo estavam em peregrinação até a Montanha da Fé. Porém, para chegar à montanha, era preciso atravessar a pé um rio chamado Rio da Discórdia. Quando chegaram às margens do rio, encontraram uma moça muito bonita e bem vestida, que também queria chegar ao outro lado. Ela pediu ajuda ao discípulo, mas, como monge, ele não poderia tocar nenhuma mulher. Por isso ele continuou seu caminho e ignorou a moça. Quando começou a atravessar o rio, o monge olhou para trás e viu seu mestre carregando a moça em seus ombros. Eles atravessaram o rio, o mestre a colocou no chão, ela agradeceu e eles seguiram o caminho. O mestre percebeu a cara carrancuda do discípulo, mas não disse nada. Depois de algumas horas de caminhada em silêncio, o discípulo por fim falou: “Você sabe que nós, monges, não podemos tocar em nenhuma mulher. Por que carregou aquela moça no rio?” “Naquele momento, julguei ser mais importante ajudar outro ser humano em dificuldade do que seguir essa regra. Porém, eu já deixei a moça algumas horas. Por que você continua carregando essa moça em seu pensamento?” Você já parou para pensar sobre suas próprias preocupações e julgamentos e o peso delas? O mestre budista demonstrou profunda sabedoria ao priorizar ajuda a alguém necessitado, mesmo que fosse mulher, em detrimento das regras estabelecidas pelo mosteiro, dando espaço a atos de compaixão e empatia. O discípulo, por outro lado, sucumbiu às regras sem considerar o contexto ou as necessidades do momento. Sua confusão sobre a atitude de seu mestre mostra como é difícil para ele abandonar seus preconceitos e regras. Quando o mestre é questionado, ele traz um ensinamento esclarecedor. Ele ressalta que o peso real que carregamos muitas vezes não são os eventos externos, mas sim as nossas próprias preocupações, culpas e julgamentos. Talvez você deixe de ajudar os outros ou até mesmo de viver experiências únicas devido ao julgamento. Às vezes, soltar um pouco as rédeas, as regras e as cortas permite que você experimente coisas novas e sem qualquer culpa. Pense nisso. Mas pense agora.

02/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:06

OS INVISIVEIS

Os invisíveis. Você acredita no invisível? Há aqueles que afirmam depositar sua confiança somente naquilo que enxergam os olhos, o que as mãos podem tocar e o que ouvem os ouvidos. Todavia, são irrefutáveis as provas científicas de que há uma gama de seres em nosso entorno, invisíveis aos nossos olhos e sentidos primários, mas que, em relação constante conosco, exercem pleno exercício de influenciação sobre o nosso cotidiano. Tal é o caso, por exemplo, do universo microscópico. Seres uni e multicelulares que, sem que os possamos enxergar, são responsáveis por uma série de reações bioquímicas em nosso organismo. A verdade é que o invisível existe. Todavia, se aperfeiçoarmos nosso olhar, ele pode tornar-se visível. Para tal: a boa vontade, o amor, a caridade, o bem. Somos todos invisíveis. Nossa presença não faz diferença para ninguém, apenas para aqueles que passam por nós e sentem medo ou raiva. Acham que todos somos ociosos, mas estão enganados. Eu sou um homem de bem, de família. Estou aqui de passagem. Foram estas as palavras concedidas a um jornalista de um famoso periódico de circulação nacional por um homem que vive nas ruas há dois anos, em mendicância. Por vergonha, ele preferiu não se identificar. Outros moradores de rua tiveram coragem de contar ao jornal os motivos que os levaram a viver sob as marquises, sem amparo de um amigo, da família e até mesmo dos outros, do poder público. São os invisíveis sociais. São moradores de rua, catadores de papel. São garis, faxineiras, porteiros, jardineiros, pedreiros, ascensoristas e tantos outros. Irmãos nossos, espíritos em evolução, seres humanos com histórias de vida, sentimentos, fragilidades, aspirações, ideais, sonhos e que, na grande maioria das vezes, são simplesmente ignorados, como se não existissem. Durante seu doutorado, como parte do estágio de uma das disciplinas que cursava, o psicólogo Fernando Braga da Costa resolveu acompanhar a rotina dos garis da Universidade de São Paulo. Em sua experiência, ele relata que, ao vestir o uniforme desse profissional, não conseguiu ser reconhecido nem mesmo por seus professores e colegas de curso. “Isso não significa que fui menosprezado ou rejeitado”, afirmou o psicólogo. “Era pior. Simplesmente eu não estava lá. As pessoas não me viam. Não olhavam para mim. Era como não ser.” Você acredita no invisível? Acredita que existem milhões de pessoas em todo o mundo que são invisíveis? Um bom dia. Um sorriso. Um aperto de mão. Um ‘olá, tudo bem?’, são formas de materializá-las e torná-las tangíveis, dignificando-as e exaltando a criatura humana em detrimento de nossos preconceitos e egoísmo. Pense nisso, mas pense agora.

01/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:56

FORMULA ESPECIAL

Fórmula Especial Maurice Drouon, que foi ministro da Cultura da França e pertenceu à Academia Francesa, em sua obra O Menino do Dedo Verde, apresenta o jardineiro Bigode como uma personalidade muito especial. Ele descobre que o filho do patrão, Tisto, possui o polegar verde. “É uma qualidade maravilhosa, um verdadeiro dom do céu”, explica ele para a criança. “Você sabe, há semente por toda parte, não só no chão, mas nos telhados das casas, no parapeito das janelas, nas calçadas das ruas, nas cercas e nos muros. Milhares e milhares de sementes estão ali esperando que um vento as carregue para um jardim ou para um campo. Muitas vezes elas morrem entre duas pedras, sem ter podido transformar-se em flores. Mas, se um polegar verde encosta numa delas, esteja onde estiver, ela brota no mesmo instante.” Então, um dia, Tistou, com seus oito anos, foi conhecer a cadeia da cidade. Viu uma enorme parede cinzenta, sem uma única janela. Depois, outras paredes com janelas cheias de grades pretas. Alguém lhe explicou que os pedreiros haviam colocado horríveis pontas de ferro por toda a parte para que os prisioneiros não fugissem. Explicaram também que os prisioneiros eram homens maus e que os colocavam naquele lugar para curar a sua maldade. Quer dizer, tentavam ensinar-lhes a viver sem matar e roubar. Tistou viu, atrás das grades, prisioneiros caminhando em roda, de cabeça baixa e sem dizer uma palavra. Pareciam infelizes, com a cabeça raspada, as roupas vristradas e os sapatos grosseiros. “O que estão fazendo?”, perguntou. Responderam que eles estavam em recreio. Imagine, pensou o menino: se o recreio deles é assim, o que não serão as horas de aula? Esta prisão é muito triste. Por isso é que eles querem fugir. Naquela noite, às escondidas, Tistou foi até a cadeia e colocou seu polegar verde por toda a parede da prisão. Colocou no chão, no ponto em que a parede se encontrava com a calçada, nos buracos entre as pedras, ao pé de cada haste das grades. No dia seguinte, quando os habitantes da cidade se levantaram, descobriram que a cadeia da cidade se transformara em um castelo de flores. O muro estava coberto de rosas. As trepadeiras subiam pelas grades e caíam de novo. As pontas de ferro foram substituídas por cactos. Os prisioneiros, como já no caso, foram surpreendidos. Não viam grades em suas celas, nem pontas de ferro nos muros, e se esqueceram de fugir. Os resmungões pararam de reclamar, entusiasmados com a beleza do lugar. Os maus perderam o costume de brigar e todos tomaram gosto pela jardinagem. Logo, logo, a cadeia da cidade era apontada como modelo no mundo todo. Nenhuma fuga, trabalho e disciplina, ordem e educação era o que nela se via. Os habitantes da cidade descobriram, enfim, que as flores não deixam o mal ir adiante. Os malfeitores, aqueles que nos roubam a paz, são credores do perdão e da misericórdia de Deus, tanto quanto nós mesmos. São também nossos irmãos, como o melhor dos homens. Suas almas, transviadas e revoltadas, foram criadas como nós para se aperfeiçoar. A caridade prescreve que os devemos auxiliar a sair do lameiro. E, se não podemos transformar as grades em trepadeiras e as pontas de ferro em roseirais, podemos lhes dirigir as nossas orações, a fim de que o arrependimento lhes chegue e eles desejem se melhorar. Filhos de Deus como nós, são credores da nossa compaixão e merecem tratamento humanitário e condições para que possam se reabilitar. Afinal, poderiam ser nosso pai, nossos irmãos, nossos amigos, se esses tivessem, em algum momento, transgredido as leis. Pense nisso. Mas, pense agora.

29/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:55

SOMOS RESPONSAVEIS PELO MUNDO

Somos responsáveis pelo mundo. Em tudo que fazemos, afetamos as pessoas de três modos: alteramos o seu tempo, a sua memória e as suas reações. Os mínimos comportamentos podem interferir na história da humanidade. Quando alguém, em uma região isolada da Amazônia, abate um pássaro, ele afeta a história. O pássaro não porá ovos, que não serão chocados e não gerarão descendentes. Isso afetará o consumo das sementes, dos predadores e toda a cadeia alimentar. Afetará o ecossistema, a biosfera terrestre. A ausência do pássaro abatido afetará o processo de observação dos biólogos, interferindo em suas pesquisas, seus livros, sua universidade e sua sociedade. Quando um aluno tem problemas na leitura, perante uma classe, e é obrigado a repetir muitas vezes o mesmo trecho sob deboche dos colegas, registra a experiência. Isso pode se transformar em um bloqueio da sua inteligência. Pode gerar gagueira, insegurança, afetando de forma drástica seu futuro como pai e como profissional. Eventualmente, poderá nunca mais conseguir falar em público. Uma pessoa que se suicida altera o tempo dos amigos e dos parentes. Ele despedaçará a emoção e a memória deles. Terão lembranças tristes, pensamentos perturbadores, que afetarão as suas histórias. Consequentemente, cada um deles interferirá na história de outras pessoas e alterará o futuro da sociedade. Quando Hitler se mudou para a Viena, em 1908, tinha o objetivo de se tornar um pintor. Rejeitado pelo professor da Academia de Belas Artes, ele teve afetada a sua afetividade, a sua emotividade. Tudo isso influenciou sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão e seu livro. O processo interferiu na Segunda Guerra Mundial, afetando a Europa, o Japão, a Rússia, os Estados Unidos. Os rumos da humanidade foram alterados. É possível que, se Hitler tivesse sido aceito na Escola de Belas Artes, tivéssemos um artista plástico medíocre, mas não um dos maiores sociopatas da história. Não que a sociopatia de Hitler seria resolvida pelo seu ingresso nazar, mas poderia ter sido abrandada ou até mesmo deixado de se manifestar. E, como consequência, se teria poupado quase 70 milhões de vidas que foram perdidas nos seis anos da Segunda Guerra Mundial. Não somos uma ilha. Somos uma grande família, uma única espécie. Dessa forma, cada um de nós é responsável, em maior ou menor proporção, pela violência do mundo, pelo terrorismo, pela fome. O que fazemos influencia as pessoas, que influenciam outras, que alimentam os sistemas e desencadeiam reações. Somos mutuamente afetados pelas reações uns dos outros. Assistir a um filme, conversar com um amigo, elogiar alguém, promover um ato cívico, auxiliar a outra em acolher uma criança pode mudar pouco ou muito o curso de nossas vidas. O que fazemos afeta a nossa vida e a de outras pessoas. Pensemos assim em tudo que dizemos e façamos. Em meio a um incêndio, podemos usar nosso verbo para acalmar as pessoas ou para aumentar o desespero. Da nossa forma de agir poderão resultar muitas mortes ou muitas vidas salvas. Pensemos nisso antes de agir no próximo minuto. Somos responsáveis pelo mundo.

28/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:45

RELACIONAMENTO DE UM SÓ

RELACIONAMENTO DE UM SÓ. Por mais que amemos, por mais que nos dediquemos e alimentemos esperanças em relação aos nossos relacionamentos, por mais que queiramos, nem sempre o outro está disposto a oferecer retorno. Ou tentamos, então, manter uma relação unilateral que pede somente sobre nossas cabeças, ou tomamos fôlego e percebemos que chega de sermos tontos. Não é fácil termos a noção exata de quando estamos embarcando em um barco furado, quando já fizemos tudo que estava ao nosso alcance, sem resultados consistentes. Da mesma forma, podemos nos enganar quanto às reais intenções do parceiro, caso sejamos o tipo de pessoa que espera demais, além da conta, sem prestar atenção no que o outro quer. Tem para dar. Muitas vezes, idealizamos um romance açucarado. Esperamos que o outro corresponda àquilo que queremos, da forma como desejamos. No entanto, cada um tem a sua maneira própria de se expressar e de se importar, ou seja, muitas vezes o parceiro não corresponderá de forma fidedigna às expectativas que criamos, e nem sempre isso quer dizer que ele não nos ama. No entanto, quando prestamos atenção devida e refletimos com sobriedade acerca da forma como nosso relacionamento vem sendo construído, teremos, sim, a resposta aos nossos questionamentos, por mais dolorosa que seja. No fundo, sabemos se estamos recebendo amor verdadeiro, se estamos vivendo a troca, a partilha, a soma que se devem constituir as trocas amorosas. Infelizmente, muitas pessoas mal percebem que o parceiro está se despedindo, a pouco e pouco; que os olhares deixaram de se cruzar; que as mãos pararam de se procurar; que o coração arrefeceu o ritmo e a intensidade de suas batidas; que o adeus há muito já se instalou. Então, quando se dão conta, o outro já nem estava mais ali ao lado e tomou a decisão de partir, em busca de ares menos densos, onde pudesse respirar tranquilo, onde não fosse invisível. É preciso se conscientizar de que a única coisa que o vazio nos devolve é o eco da nossa própria e inútil insistência. É assim que muitas pessoas se perdem umas das outras, após o sofrimento calado e solitário da única parte que se entregou por inteiro, em vão, por dias, meses, anos. E quando tomamos a importância de evitarmos daquele vazio que suga e achata a nossa essência, nada mais importará, nada mais nos fará tentar de novo, porque o cansaço então terá varrido qualquer afetividade de dentro de nós. Já não estaremos mais por ali, nem junto, nem perto de fato, apenas distantes o bastante para sobrevivermos longe do terreno arenoso da entrega inútil. Felizmente, seguiremos prontos para recomeçar, pois estaremos levando conosco a nossa capacidade de amar com verdade, com entrega de corpo e alma. Mas, para que esse amor não seja um relacionamento de um só, devemos nos ater nos detalhes, nas pequenas observações, nas respostas às perguntas mais simples, que conseguimos alimentar a relação com demonstrações de generosidade e de amor. Como um lubrificante a facilitar o movimento das engrenagens, esses sentimentos de amor. Os movimentos permitem que a vida a dois ganhe profundidade e solidez. Frente à resposta ríspida, utilizemos-nos da bondade da palavra suave e compreendê-la. Substituamos o julgamento severo e rígido, muitas vezes já desgastado pelo tempo, pela generosidade de quem percebe e reconhece valores em quem nos acompanha. Pensemos nesses detalhes, mas pensemos agora.

27/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:40

O INCERTO TAMBEM TEM O SEU ENCANTO

O incerto também tem seu encanto. Caro ouvinte, o que eu vou falar não deve ser confundido com descompromisso com a vida, para com as nossas responsabilidades do dia a dia, mas, se você, ao final desta mensagem, me achar um irresponsável, bem, eu não vou me preocupar com isso. Convenhamos, são tantas as regras, tantas convenções que devemos seguir, tantos conhecimentos que devemos ter, que chega um momento que é preciso se desligar. Então, hoje, eu pensei o seguinte: se está ventando muito, eu não vou me agarrar ao primeiro cobertor que for ver na frente. Aproveitarei o impulso e jogar alguns sentimentos antigos para serem levados pela direção do vento, junto com o teto, se for preciso. E um grande acelo, pois já não me serve mais. Aquele teto já estava aí há tanto tempo mesmo. Vou ter a experiência de morar debaixo das estrelas, acampando em meio ao nada e tendo apenas o balançar das folhas como paredes. Eu sou Tarja Preta, sim, confesso que sou. Mas vou aprender a me acalmar e a respirar ao invés de suspirar. Confesso também que sou um caos sentimental, mas estou aprendendo a chover menos em copos d’água. Eu, que vivi sempre estufado, sem espaço pra nada de tanto estar cheio de tudo, aprendi a abrir a válvula de escape e esvaziar um pouco. Que mal tem? Mal tem passar a vida com o coração acelerado pelos motivos errados. Isso é um desperdício de hormônios. Acelera quando sai algo errado. Acelera quando não te falo o que queria ouvir. Acelera quando alguém vai embora. Acelera quando não entendem o que você sente. Ah, para que se esforçar tanto, afinal? Se virou rotina se esforçar ao máximo para acalmar os batimentos, está mais que na hora de tomar uma dose do calmante mais forte já inventado. O santo soberano de qualquer medicamento à venda em farmácia, que não vem com bula, mas é tão fácil de usar que nem é preciso instruções. Mas o nome desse remédio é tempo. Dê um tempo. Tome um tempo. Não culpe o tempo. Sinta o tempo e recupere o seu tempo. O que não pode acontecer é ter tanto medo da vida e se esconder atrás de tantas chaves, pois tudo passa. Eu já me enchi com tantos cadeados, mas poucos segundos depois já não lembrava mais o que estava aguardando. Já corri tanto da solidão que, quando percebi, estava de mãos dadas com ela. Então, parei de correr. Joguei as fechaduras, abri as janelas e sorri com o vento. Se funciona? Dia sim, dia não. Mas passa. O dia bom passa e o ruim também. A chuva é fase. Por que eu não seria? O incerto também tem seu encanto. É verdade. Juro que é. Pare e pense nisso.

26/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:34

NAO TE ENTREGUES

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25/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:07

A VERDADE

A verdade. Você já pensou algum dia no poder da verdade? Ou você pensa que a verdade chega sempre tarde, quando a injustiça já se consumou? Quando foi coroado o rei da Pérsia, Dario mandou dar uma grande festa para todos os seus súditos, espalhados em 127 províncias. Terminada a festa, adormeceu, mas foi despertado pelas vozes alteradas de três rapazes que discutiam acerca do que seria a coisa mais forte do mundo. Em vez de admoestá-los, ficou a escutá-los. Decidiram que cada um escreveria uma frase dizendo que era a coisa mais forte e colocaria os papéis debaixo do travesseiro do rei. Pela manhã, o rei e os príncipes da Pérsia julgariam qual a opção mais sábia. No dia seguinte, na sala dos julgamentos, leu-se a primeira frase: “O vinho é o mais forte.” Aquele que escreveu a frase considerou que o vinho tem muita força, tanta que pode transformar em tolos os homens mais grandiosos. O rei poderoso e a criança ignorante se igualam sob sua força. Coloca nuvens na memória e torna discussões sem valor, porque tudo cai mesmo no esquecimento. A segunda frase dizia: “O rei é o mais forte.” A justificativa do autor foi de que o rei tudo manda e é obedecido. Envia soldados à guerra, condena pessoas à morte ou lhes concede o perdão. Todos os súditos o obedecem, e ele faz o que lhe agrada. É apenas um homem, mas por ele os soldados cruzam montanhas, derrubam muralhas, atacam torres, e depois de conquistar o país, trazem os frutos para ele. A terceira frase afirmava: “Acima de tudo, a verdade prevalecerá.” O jovem que a escreveu falou: a verdade é mais forte que todas as coisas. O rei pode ser perverso, o vinho é perverso, os homens podem ser maus, todos eles perecerão, mas a verdade é eterna. É sempre forte, nunca morre, tampouco é derrotada, faz o que é justo, não pode ser corrompida, não necessita do respeito das pessoas para existir, é grandiosa e soberana sobre todas as coisas. E Dario julgou que o terceiro jovem era o mais sábio, dizendo-lhe que pedisse o que quisesse. O jovem era um judeu e lembrou ao rei que ele deveria concluir: que deveria reconstruir o templo conforme compromisso assumido no dia em que subiu ao trono. E o rei da Pérsia cumpriu a promessa. Essa história se baseia em eventos descritos no primeiro livro de Esdras, na Bíblia. O jovem sábio judeu se chamava Zorobabel. Ele foi um líder do povo judeu na época de seu retorno do exílio na Babilônia, cerca de 520 antes de Cristo. Pense nisso, mas pense agora.

24/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:44

A OFERTA DA CERTEZA

A oferta da certeza. A oferta da segurança completa. A oferta de uma segurança impermeável e sem concessões. É uma oferta de algo que não vale a pena ter. Eu quero viver a minha vida correndo o risco de não saber o suficiente, de não ter entendido o suficiente, de não poder saber o suficiente; estar sempre atuando à margem de uma grande colheita de sabedoria e conhecimentos futuros. Eu não aceitaria que fosse de outra forma. Há pessoas que dizem que você está morto até você acreditar como eles, e que você só pode viver se aceitar uma autoridade absoluta. Que coisa terrível de dizer isso para as crianças! Não pense nisso como uma dádiva. Pense nisso como um cálice de venêmulo. Afaste-se. De você. Por mais tentador que seja, corra ao risco de pensar por si mesmo, e muito mais felicidade, verdade, beleza e sabedoria virão até você. O orgulho e a soberba são sempre ilusórios. Fenecem como a erva no campo ante a carnícola insistente. A humildade, por sua vez, permanece e felicita. Seja aquele cuja importância ninguém nota, mas que, quando se faz ausente, de imediato tem sua ausência percebida. Cumpre assim o teu dever. E não te preocupes com a presunção dos que estão enganados, daqueles que acreditam que são as criaturas mais importantes da Terra, que detêm todos os conhecimentos, que se orgulham de suas certezas, mas que se afogam em um oceano de dúvidas. Esquecem ou ignoram que é a dúvida a grande propulsora da busca do conhecimento e das descobertas. Continua a agir no bem, a servir sempre. Age com inteireza e nunca passarás, mesmo que a morte te arrebate ou te ausentes desta forma que chamamos de vida. Mantenha acesa a luz do entusiasmo em tuas realizações. Deixe que brilhem as tuas aspirações nobres. Se não pode ser o pão que repleta as mesas, seja o grão de trigo, e confie no futuro. Pense nisso, mas pense agora.

22/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 2:36

O QUE VOCE É FALA MAIS ALTO

O que você fala é mais alto. Era uma tarde de domingo ensolarada, na cidade de Oklahoma. Bob Lewis aproveitou para levar os seus dois filhos para jogar mini-golf. Acompanhado pelos meninos, dirigiu-se à bilheteria e perguntou quanto custa a entrada. O bilheteiro respondeu prontamente: são 3 dólares para o senhor e para qualquer criança maior de 6 anos. A entrada é grátis se eles tiverem 6 anos ou menos. “Quantos anos eles têm?” Bob informou que o menor tinha 3 anos e o maior 7. O rapaz da bilheteria falou com ares de esperteza: “O senhor acabou de ganhar na loteria ou algo assim? Se tivesse me dito que o mais velho tinha 6 anos, eu não saberia reconhecer a diferença. O senhor poderia ter economizado 3 dólares.” O pai, sem se perturbar, disse: “Sim, você talvez não notasse a diferença, mas as crianças saberiam que não é essa a verdade.” Sem a consciência que Bob tinha da importância de sermos verdadeiros em todas as situações do cotidiano, muitos de nós apresentamos uma realidade distorcida aos nossos filhos. Tantas vezes, para economizar pequena soma em moedas, desperdiçamos o tesouro do ensinamento nobre e justo. Desconsiderando a grandeza da integridade e da dignidade humanas, permitimos que esses valores morais sejam arremessados fora por muito pouco. Nesses dias de tanta corrupção e desconsideração para com o ser humano, vale a pena refletir sobre os exemplos que temos dado aos nossos filhos. Às vezes, não só mentimos ou falamos meias verdades, como também pedimos a eles que confirmem, diante de terceiros, as nossas inverdades. Agindo assim, estaremos contribuindo para a construção de uma sociedade moralmente enferma desde hoje. Ademais, o fato de mentirmos nos tira a autoridade moral para exigir que os filhos nos digam a verdade, e isso nos incomoda. Pensamos que pequenas mentiras não farão diferença na formação do caráter dos pequenos, mas isso é mera ilusão, pois cada gesto, cada palavra, cada atitude que tomamos estão sendo cuidadosamente observadas e imitadas pelas crianças que nos rodeiam. Daí a importância da autoridade moral, tão esquecida e, ao mesmo tempo, tão necessária na construção de uma sociedade mais justa e digna. E autoridade moral não quer dizer autoritarismo. Enquanto o autoritarismo dita ordens e exige que se cumpra, a autoridade moral arrasta pelo próprio exemplo, sem perturbação. A verdadeira autoridade pertence a quem já conquistou a si mesmo, domando as más inclinações e vivendo segundo as regras de bem proceder. Dessa forma, o exemplo ainda continua sendo o melhor e mais eficaz método de educação. Sejamos, assim, cartas vivas de lições nobres para serem lidas e copiadas pelos que convivem conosco. Diz o poeta americano Ralph Waldo Emerson: “Quem você é fala tão alto que não consigo ouvir o que você está dizendo.” Em tempos de desafios e lutas, quando a ética e a moral são mais importantes que nunca, assegure-se de ter deixado um bom exemplo para aqueles com quem você trabalha ou convive. Pense nisso, mas pense agora.

21/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:49

O SONHO DE MARTIN

O sonho de Martin. Martin era uma criança observadora que amava a liberdade. Ele podia suportar broncas, mas as reações de desprezo causavam-lhe grande impacto emocional. Infelizmente, elas foram muito constantes nos principais capítulos de sua vida. A sua pele era negra, e ele não entendia como isso poderia justificar a discriminação que sofria pelas pessoas que tinham a pele branca. Para ele, brancos e negros tinham os mesmos sentimentos, a mesma capacidade de pensar, a mesma necessidade de ter amigos e de amar. Quando repousava sua cabeça no travesseiro, o jovem Martin viajava no mundo de suas ideias e se questionava: por que os negros não podem frequentar as mesmas escolas? Os mesmos clubes, os mesmos bancos das igrejas, o mesmo transporte público que os brancos? Por que não posso ter amigos brancos? Não somos todos seres humanos? Ele conheceu de perto a dor indecifrável da humilhação. Sofria pela discriminação de que era vítima todo o seu povo. Resolveu fazer teologia, a fim de navegar pelo mundo espiritual e encontrar respostas para um injusto mundo social onde estava inserido. Penetrou no sonho de que não houvesse discriminação de pessoas. Nunca distinguiu nobres de miseráveis, reis de súditos, lúcidos de loucos. Foi contagiado pelo sonho dos direitos humanos e do respeito pela vida. Mais tarde, resolveu fazer uma incursão pela filosofia e aprendeu a não calar a sua voz. Uma carreira promissora. Poderia ter seguido seu próprio caminho e seus próprios interesses. No entanto, preferiu dar seu tempo e sua inteligência para alterar a história dos outros. Queria contribuir para o bem da humanidade. Tinha pouco mais de 25 anos, mas era arrojado, culto e determinado. Sonhava em mostrar aos desprezados que eles não deveriam se envergonhar de si mesmos, que nada é mais digno do que um ser humano. Posteriormente, participou ativamente do movimento em prol dos direitos civis. O clima era tenso e ele sabia que poderia perder a vida a qualquer momento, mas não conseguia silenciar seus sonhos. Tornou-se um grande líder. Sua casa sofreu atentados à bomba, mas isso não o silenciou. Sofreu um atentado na noite de autógrafos de seu livro A Caminho da Liberdade. Sobreviveu, recuperou-se e continuou o seu trabalho. Foi preso diversas vezes, mas nada parecia abalar aquele sonhador. Sua voz contagiava corações e, por isso, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. E, em 4 de setembro de 1968, em Memphis, foi morto por um atirador. Martin Luther King morreu pelos seus sonhos, os quais não morreram com ele. Vivem ainda e viverão para sempre no coração daqueles que se deixam tocar pela sua história e mensagem de vida. Pense nisso, mas pense agora.

20/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:57

A VIDA EM TRANSFORMAÇÃO

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19/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:48

PRETEXTO

Pretexto. Às vezes falta-nos coragem para lutar por aquilo que desejamos ou para nos tornarmos aquilo que queremos ser. Não é que tentemos e fracacemos, é pior do que isso: uma bendita timidez, uma inexplicável covardia nos impede até mesmo de fazer a tentativa. Mas como explicar esse estranho comportamento? O curioso deste mundo é que aquilo que alguns têm em excesso faz uma falta terrível para outros. A autocrítica, que é a avaliação que alguém faz de si mesmo, seus defeitos e qualidades, em alguns é otimista demais, induzindo a pessoa a julgar-se a oitava maravilha do mundo e a tornar-se até mesmo ridícula por seu convencimento. Em outros, no entanto, a autocrítica é terrível, tão pessimista e tão severa que acaba fazendo a pessoa sentir-se incapaz. Um dos modos mais eficientes de nos sentirmos infelizes é vivermos nos comparando sistematicamente com os outros. Há a menina que daria tudo para ser bonita como a amiga; há o menino que inveja a inteligência do colega de classe; há o moço pobre que lamenta não ser rico como o moço de outro bairro. São, todos, vítimas do complexo de pequenez. Baixam a cabeça quando o menino inteligente, a menina bonita ou o moço rico passam, porque o sentimento de inferioridade os faz sentir-se ainda mais insignificantes. Quem se compara com os outros esquece de algo importante: ninguém é igual a ninguém. Todos nós temos aptidões diferentes. Uns somos melhores em cálculos, outros temos talentos para idiomas, assim por diante. É estupidez nos deixarmos escravizar aos modelos que o mundo tenta nos impor à força. Não temos obrigação nenhuma de ser inteligentes, ou magros, ou bonitos, ou instruídos para merecermos um lugar ao som. Quem disse que precisamos ser perfeitos ou melhores do que os outros para termos o direito a lutar pela realização dos nossos sonhos? E quem disse que inteligência, beleza, riqueza ou instrução garanta em felicidade alguém? Quantos meninos que eram considerados pequenos gênios nos tempos de escola tornaram-se verdadeiros fracassos na vida adulta? Quantas mocinhas que na juventude arrancavam suspiros apaixonados tornaram-se mulheres frustradas no amor? E, por outro lado, quantos garotinhos atrasados transformaram-se em adultos bem-sucedidos? E quantas adolescentes desajeitadas tornaram-se felizes muito? De família. A verdade é que, muitas vezes, nos apegamos a qualquer bobagem para justificar nossa falta de iniciativa. E, enquanto nos apeguinamos por nos sentirmos gordinhos ou feinhos, ou por não termos dinheiro ou instrução, homens cegos se tornam astros da música, paraplégicos se tornam gênios da física e Artistas sem braços pintam obras-primas com os pés. Pense nisso e prossiga na luta com resignação.

18/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:37

ONDE VIVE NOSSO EU VERDADEIRO

Onde vive nosso eu verdadeiro? Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome. Se essa casa for escura ou vazia, não poderás iluminá-la com as lâmpadas de teu vizinho, nem enchê-la com os seus bens. E, se estiver no deserto, não a poderás transferir para um jardim plantado por outros. E, se estiver no pico de uma montanha, não poderás baixá-la para um vale onde os caminhos foram abertos por outros pés. Nossas vidas interiores, meu irmão, são rodeadas pelo isolamento e a solidão. Sem eles, tu não serias tu e eu não seria eu. Sem eles, confundirias tua voz com a minha voz e, quando olhasses no espelho, não saberias se estavas vendo-te a ti mesmo ou a mim. As palavras de Calil Gibran calam fundo na alma. Não somos a imagem que vemos no espelho. Não somos as aparências. Nessa casa, afastada de todas as outras, vive nosso eu real, eu Espírito. E cada um deve iluminar a sua casa com suas próprias conquistas. As lâmpadas dos vizinhos nos seduzem, até nos inspiram, mas nossa iluminação precisa vir de dentro. Não adianta casar com alguém bom para viver a bondade. Não adianta receber um amor infinito para termos amor para sempre. Não adianta estarmos próximos a pessoas felizes para vivermos a felicidade. Os bens do outro são do outro. Podemos até usufruir deles pela bondade divina, mas apenas como forma de motivação, para que tenhamos forças e exemplo para lograr os nossos próprios ao nosso tempo. Se essa nossa casa estiver ainda no deserto, caberá a nós, apenas a nós, transformar a aridez em jardim florido. E todos os caminhos precisam ser abertos por nossos próprios pés. Somos individualidades. Não há um ser igual ao outro neste universo. E, dentro de cada individualidade, há uma espécie de solidão, um lugar onde todos estamos sós. Solidão que machuca enquanto ainda somos mais sombra do que luz, mas que depois se harmoniza e se transforma em solitude, uma unidade saudável da criatura com o Criador, seja lá como você define ou imagina esse Criador. É reservado um plano especial no universo para cada um de nós. Não há insignificância alguma no Cosmo, por menor que possamos nos imaginar. Acreditar-se pequeno ou insignificante é, ainda, típico de quem não se encontrou em profundidade, de quem não conhece sua própria casa no universo. Somos grandes, somos capazes, somos parte de um todo perfeito, por isso somos fadados à perfeição individual. Quando a sombra de um desânimo qualquer desejar bater à porta de nossa casa, lembremos da grandiosidade do universo e de que fazemos parte disso tudo. Lembremos de que somos importantes. Não permitamos que as distrações ou as vicissitudes da vida enfraqueçam nossas forças. Elas são parte do ensino apenas, do ensino desta grande escola chamada Terra. Tua vida, meu irmão, é uma casa afastada de todas as outras casas, onde vive teu eu verdadeiro, bem diferente das aparências que os homens chamam com teu nome. Pense nisso, mas pense agora.

17/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:25

CORRER RISCOS

Correr riscos. Sêneca foi um filósofo e poeta romano que viveu sob o Império de Calígula, depois Cláudio e, finalmente, Nero. Seu talento como advogado lhe valeu a inimidade do imperador Calígula. Sob o Império de Cláudio, foi exilado durante oito anos. Chamado de volta a Roma, foi tutor de Nero e, durante algum tempo, conseguiu exercer uma influência benéfica sobre o jovem imperador. Mais tarde, adotou uma posição de complacência com as tantas loucuras cometidas pelo imperador, o que não impediu que viesse a receber ordem para se suicidar. Vivendo em climas tão adversos, manteve sua preocupação com as conquistas morais individuais e teve a oportunidade de escrever. Chorar é correr o risco de parecer sentimental demais. Rir é correr o risco de parecer tolo. Extender a mão é correr o risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu. Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de ser mal interpretado e perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre. A decisão de correr riscos ou não é nossa. Agora, podemos continuar a deter o choro porque nos foi dito na infância que o homem não chora ou, no caso da mulher, para não demonstrar eventual fraqueza. Ou nos permitirmos as lágrimas, demonstrando que somos seres humanos, com sentimentos. Podemos ser daqueles que defendem as suas ideias nobres, lutando pela vida, expondo-nos, ou nos calarmos diante da injustiça. Podemos nos engajar no movimento pela vida, expondo a nossa opinião contra o preconceito, contra a exploração religiosa, que usa a boa fé das pessoas humildes para se ganhar dinheiro, ou simplesmente continuarmos calados e permitir que tudo vá acontecendo sem nos preocuparmos. Podemos nos envolver em movimentos pela paz, pelos direitos dos desfavorecidos, ou permanecermos apáticos, deixando que tudo corra a bel prazer. Podemos, enfim, lutar por melhorar a nossa condição de humanidade, burilando as nossas paixões e vencendo a nossa acomodação, ou optarmos por continuar onde estamos, como estamos, não excetando nenhum enforso para agrangiar outras virtudes ou valores de nobreza humana. A decisão é sempre individual e intransferível. A caminhada é longa e tortuosa. A escolha do caminho ou a velocidade com que se deseja andar é de cada um. Optar pelo crescimento ou aguardar ser arrastado pela lei inexorável do progresso é de cada criatura. Mas quem deseja alcançar antes a felicidade idealize mudanças desde hoje, enquanto as oportunidades sorrirem e as chances se fazem abundantes. Pense nisso, mas pense agora.

15/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:20

NÃO FUJA DE VOCÊ

Muitas vezes nos abatemos com as dificuldades da vida, as desilusões amorosas, o epílogo de um sonho. E, nesses momentos, começamos a nos afundar no entristecer, nas angústias, e gradativamente vai desmoronando a nossa motivação, a ponto de ficarmos dormentes, e os anseios da vida pouco nos interessa. E então fugimos de nós mesmos. Deixamos de ser aquele eu cheio de sonhos, cheios de alegria e brilho, e nos escondemos atrás da montanha de infortúnio, andando pelas ruas ou fazendo nosso trabalho apenas por fazer. Nada nos interessa, nada nos empolga, mas descobrimos a nossa força quando estamos fracos. Todos passamos por momentos difíceis. Quantas vezes nossos sonhos, nossos projetos, aquilo que esperávamos com ansiedade, não deram certo? E, quando isso acontecer, tenha paciência. Continue a lutar. Estamos na escola da vida para aprender a resignação, a perseverança, a dirigência, a disciplina e tantas outras virtudes que só o tempo e a paciência podem nos oferecer. Viver bons momentos é fácil. Tudo se torna agradável. Nos sentimos confiantes. Porém, somente nos momentos de dificuldades é que serão colocados à prova os nossos sentimentos. Apenas nas adversidades saberemos se realmente confiamos na vida, se temos esperança, se temos fé e se realmente acreditamos em Deus e aceitamos a Sua vontade. Lembremos-nos sempre de que, na Terra, não vivemos apenas de momentos bons, nem só de momentos ruins. Vivemos uma mescla de situações, cujo único objetivo é o aprendizado do Espírito. Os altos e baixos da vida sempre irão existir. Apenas não fuja de você, não se deixe abater pelos infortúnios da vida. Reaja, lute, utilize todo o potencial que há dentro de você. E lembre-se sempre de que Deus é o dono de todo o poder, e o controle de tudo está nas suas mãos. Estamos apenas aprendendo, tudo passa. E assim vamos evoluindo um pouco a cada dia. E, no final da jornada, veremos a recompensa das nossas batalhas e o quanto vitoriosos fomos durante todo o transcorrer da nossa existência. Pense nisso, mas pense agora.

14/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:11

AMIGOS

Amigos Você já parou para pensar no que é necessário para que uma amizade se solidifique e se torne profunda? Falando de várias experiências, alguns afirmam que foram momentos de grande dor que fizeram com que as pessoas descobrissem e firmassem uma sólida amizade. A chave, portanto, seria passar por um grave problema juntos. Outros, contudo, falam de coisas pequenas, que se somam no tempo, acrescentando, a cada ano, mais uma pedra preciosa ao relacionamento. Neste último caso, identifico a história de Harry e Lawrence, primos em primeiro grau. Nasceram com a diferença de seis meses e foram separados apenas por poucas quadras. Desde a mais tenra idade, conviveram. Descobriram que eram muito parecidos: falavam, gostavam e pensavam de forma muito semelhante. Quando ambos tinham em torno de cinco anos, Lawrence foi para a festa de aniversário do primo. Era mais uma grande reunião de família, onde se misturavam primos, tias e sobrinhos. Harry ganhou, de um dos convidados, uma maravilhosa coleção de soldadinhos de chumbo, pintados com cores vivas e que, aos olhos da criançada, pareciam reais. O aniversariante os pegou e mostrou a todos com orgulho. Na hora da saída, Lawrence enfiou todos os soldadinhos no bolso da calça. Eram tão lindos que ele os desejou para si. Fingindo naturalidade, foi saindo de fininho para a porta. Mas o que ele não sabia é que o bolso da calça estava furado, e os soldadinhos caíram com estardalhaço no chão. Naquele instante, os adultos se viraram todos para o pequeno, com um olhar de acusadores. Até a mãe falou, só com um olhar: “O que você fez?” O garoto se sentiu acuado. Tinha vontade de sair correndo e fugir. Foi o pior momento de sua vida, lembra Lawrence, hoje com mais de 70 anos. Então, o primo Harry foi socorrê-lo, colocando-se ao lado dele e, com segurança, falou em voz alta e clara: “Eu dei os soldadinhos para ele.” E são amigos até hoje. Mesmo que, crescidos, tenham seguido caminhos diferentes, prosseguiram a cultivar esse sentimento maravilhoso que nos faz florescer, e que se chama amizade. A amizade sincera é um oásis de repouso para o caminheiro da vida, na sua jornada de aperfeiçoamento. A amizade leal é a mais formosa modalidade do amor fraterno, que santifica os impulsos do coração. Quem sabe ser amigo verdadeiro é, sempre, o emissário da aventura e da paz. Pense nisso. Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa nas horas mais amargas da vida.

13/11/2025 06:30 | DURAÇÃO 3:47