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O ZELADOR DA FONTE

17/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:30

Notas do Episódio

O ZELADOR DA FONTE Conta uma lenda austríaca que, em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo conselho municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade. O cavaleiro, com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entúrios. Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. Rodas d'água de várias empresas da região começaram a agir, dia e noite. As plantações eram naturalmente irrigadas. A paisagem trista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária. Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente. Um dos membros do conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte. Dei imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos pela cidade. E para que? O que é que ele fazia afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal sem utilidade alguma. Seu discurso a todos convenceu. O conselho municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato. Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas, no outono, as árvores começaram a perder as folhas. Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. Mais uma semana, e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro começou a exalar. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam. Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. O conselho municipal tornou a se reunir em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido. Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear, as rodas d'água voltaram a funcionar, voltaram os cisnes, e a vida foi retomando o seu curso. Assim como o conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores, aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, para que o mercado tenha as prateleiras abarrotadas, os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa. Servidores anônimos, quase sempre passamos por eles sem vê-los, mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável. O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável. Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá. Dependemos uns dos outros, para viver, para trabalhar, para ser felizes. Pense nisso, mas pense agora. O mundo é uma gigantesca empresa.