Pense Nisso | Morena FM - Easy | Cadena

Episódios

NÃO VENHA ROUBAR A MINHA SOLIDÃO

Não venha roubar minha solidão se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca. O título do Pensemisso de hoje foi transcrito da frase proferida pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, conhecido como o filósofo da afirmação da vida. Nos tempos atuais, tempos de vidas líquidas, onde tudo é descartável, as pessoas se acham cada vez mais na solidão e têm na solidão um estilo de vida positivo. Dia desses, numa enquete feita por um programa radiofônico, foi feita a seguinte pergunta: você acha que é possível ser feliz vivendo sozinho? Pelas respostas, percebemos que a solidão nos dias de hoje seja mais atraente do que imaginamos. Pessoas diziam que, com tanta gente fútil que nos cerca, a solidão está mais para um remédio. Havia aqueles que opinavam dizendo que a solidão é luxo nos dias atuais. Muitos afirmavam que preferem a solidão como um modo de se protegerem da infâmia do politicamente correto, onde você corre o risco de ser processado por dizer: “Oi!”. E arrematam: é melhor viver num casulo do que ter uma dor de cabeça explicando o inexplicável. O que fica claro diante dessas afirmações é que a solidão se tornou uma amiga protetora para nossa sociedade, onde tudo é tão líquido que vê no relacionamento interpessoal um problema que somente a solidão resolve. Em suma, estamos nos tornando misantropos, isto é, vivemos com desconfianças da sociedade da qual fazemos parte. Existe em nós o dilema do porco-espinho, criado pelo filósofo Arthur Schopenhauer. Quando sentimos frio, nos aproximamos, por necessidade, das pessoas. Mas, ao fazermos isso, espetamos e somos espetados pelos espinhos. E assim vivemos essa tensão: eu quero calor, eu quero proximidade com outras pessoas, mas essas pessoas têm ideias diferentes, gostos diferentes, opiniões dissonantes das minhas. Essas pessoas têm espinhos e, desta forma, nos afastamos para logo mais sentirmos a necessidade de nos aquecer de novo. Aqui fica a lição de que devemos viver em comunhão, mas sem ocupar o espaço sagrado de cada um. Sim, isso é a arte que poucos dominam. É por isso que, em nossos dias, as redes sociais fazem tanto sucesso. Elas te aproximam das pessoas, mas sem que fiquem tão próximas a ponto de te espetarem com seus espinhos. Então, com o smartphone nas mãos, eu controlo as distâncias. Com o celular resolvemos o dilema do porco-espinho: ele aproxima, mas sem o risco de ser espetado. E, por outro lado, eu consigo um certo calor humano — tépido, tênue — mas com algum calor. E, ao mesmo tempo, mantenho a minha solidão controlada. Não venha roubar minha solidão se não tiver algo mais valioso para oferecer em troca. Ofertamos, então, aquelas coisas, entre aspas, antiquadas, como, por exemplo, as visitas entre amigos com os intermináveis bate-papos, que hoje se extinguiram graças a dispositivos tecnológicos que permitem contatos na nossa aldeia global sem sair da frente de um visor. Cultivar amizades, distribuir afagos, buscar companheiros para o entretenimento sadio, aplaudir um teatro, sair com colegas de trabalho para uma tarde de lazer junto à natureza são atos a que todos podemos nos propor. Aprendamos a desfrutar da companhia do outro, mesmo que, de vez em quando, haja alguns espinhos. Isso faz parte de uma relação menos líquida. No contato humano é que burilamos experiências e sentimentos. Aprendemos a disciplina do próprio proceder. Portanto, vamos viver uma vida menos líquida e parar de solicitar que a solidão seja sólida. Pense nisso, mas pense agora.

10/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:01

PATO OU AGUIA

Pato ou Águia Estávamos no aeroporto quando um taxista se aproximou. A primeira coisa que notamos foi um táxi limpo e brilhante. O motorista, vestido de forma simples, mas como diziam os antigos, estava bem no linho: camisa branca, bem passada e com gravata. O taxista saiu, nos abriu a porta e disse: “Eu sou Willy, seu chauffer. Enquanto guardo sua bagagem, gostaria que o senhor lesse nesse cartão qual é a minha missão.” No cartão estava escrito: Missão de Willy: levar meus clientes a seu destino de forma rápida, segura e econômica, oferecendo um ambiente amigável. Ficamos impressionados. O interior do táxi estava igualmente limpo. Willy nos perguntou: “O senhor aceita um café?” Brincando com ele, dissemos: “Não, preferimos um suco.” Imediatamente, ele respondeu: “Sem problema. Eu tenho uma térmica com suco normal e também diet, bem como água.” E continuou: “Se desejar ler, tenho o jornal de hoje e também algumas revistas.” Ao começar a corrida, Willie nos disse: “Essas são as estações de rádio que tenho e esse é o repertório que elas tocam.” Como se já não fosse muito, Willie ainda me perguntou se a temperatura do ar-condicionado estava boa. Daí nos avisou qual era a melhor rota para nosso destino e se queríamos conversar com ele ou se preferíamos ficar em silêncio. Perguntamos: “Você sempre atendeu seus clientes assim?” “Não”, ele respondeu. “Não sempre, somente nos últimos dois anos. Nos meus primeiros anos como taxista, passei a maior parte do tempo me queixando, igual aos demais taxistas. Um dia, ouvi um doutor especialista em desenvolvimento pessoal. Ele escreveu um livro que dizia: ‘Se você levanta pela manhã esperando ter um péssimo dia, certamente o terá. Não seja um pato, seja uma águia.’” “Os patos só fazem barulho e se queixam. As águias se elevam acima do grupo. Eu estava todo o tempo fazendo barulho e me queixando. Então decidi mudar minhas atitudes e ser uma águia.” “Olhei os outros táxis e motoristas: os táxis sujos, os motoristas pouco amigáveis e os clientes insatisfeitos. Decidi fazer umas mudanças. Quando meus clientes responderam bem, fiz mais algumas mudanças.” “No meu primeiro ano como águia, dupliquei meu faturamento. Este ano já quadrupliquei. O senhor teve sorte de tomar meu táxi hoje. Já não estou mais na parada de táxis. Meus clientes fazem reserva pelo meu celular ou mandam mensagens. Se não posso atender, consigo um amigo taxista águia confiável para o serviço.” Willie era fenomenal. Oferecia um serviço de limusine em um táxi normal. Willie, o taxista, decidiu deixar de fazer ruído e queixar-se, como fazem os patos, e passou a voar por sobre o grupo, como fazem as águias. Não importa se você trabalha em um escritório, com manutenção, professor, servidor público, político, executivo, empregado ou profissional liberal. Como você se comporta? Se dedica a fazer barulho e se queixar ou está se elevando acima dos demais? A concorrência sempre vai existir, e ela é positiva. Faz com que as coisas e as pessoas progridam. A decisão é sua, e cada vez você tem menos tempo para mudar. Afinal, você é o pato ou a águia? Pense nisso, mas pense agora.

09/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:13

A SABEDORIA DO SAMURAI

A Sabedoria do Samurai Conta-se que, perto de Tóquio, capital do Japão, vivia um grande samurai. Já muito idoso, ele agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, apareceu por ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Assim que soube da reputação do velho samurai, propôs-se a não sair dali sem antes derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os discípulos do samurai se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. E, diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, ofendendo inclusive seus ancestrais. Mas o velho permaneceu sereno e impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: — Mestre, como o senhor pode suportar tanta indignidade? O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e, fixando o olhar em um deles, lhe respondeu: — Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece, mas você não o aceita, com quem fica o presente? — Com quem tentou entregá-lo — respondeu o discípulo. — Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva e os insultos — disse o mestre. — Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. Assim, aceitar provocações ou deixar que fiquem com quem nos oferece é uma decisão que cabe exclusivamente a cada um de nós. Pensemos nisso.

07/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 2:31

STEPHEN HAWKING - UM HOMEM NOTAVEL

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06/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:41

GENTILEZA VIRILIZADA

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05/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:25

IMPASSE

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04/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 6:58

CONTEMPLAÇÃO DO EXCELENTEE

Contemplação do Excelente Atravessamos, na Terra, fase de dificuldade sem conta nas áreas de cultura geral. Desconhece-se a estrutura da própria linguagem que se fala. Usam-se gírias ou expressões chulas que denunciam a pobreza dos falantes relativamente à formação cultural. Ignoram-se os fatos históricos que envolvem a sociedade em que se vive. Espalham-se infames zombarias. Inventam-se lendas sem beleza e sem sentido, refletindo a pouca madureza social. Não se cogita de penetrar as razões desse ou daquele monumento, sentindo-se tantos impulsionados pelo instinto destruidor e vândalo que, incapazes de compreender por descaso, preferem pichar, destroçar ou poluir, de modo drástico, o que encontram pela frente. Pelas salas de arte, por museus, por teatros e pela literatura excelente de todos os tempos, tudo tem ficado na retaguarda das preferências. Os desportos nobres e educativos ainda contam com poucos adeptos. Temos, ao revés, um quadro enorme dos que procuram os exercícios desportivos excitantes e violentos, que pouco ou nada acrescentam no âmbito das conquistas do espírito. Encontram-se, com maior frequência, muitos que se ajustam a espetáculos pornográficos, do palco ou da tela, em franco deboche à sensibilizante arte. Diante de tudo isso, precisamos, com urgência, de educação e de boas referências. O bom gosto se forma pela contemplação do excelente e não do sofrível, diz Gate, compreendendo com perfeição a construção do aprendizado na alma humana. Cabe aos pais e aos educadores mostrarem o excelente, preencher os educandos de boas referências desde cedo, se desejarem desenvolver neles uma cultura rica e útil. As crianças, os jovens, precisam estar mergulhados num caldo cultural que favoreça o desenvolvimento de uma massa crítica, que proporcione a contemplação do belo, que os ensine a pensar e a sentir. As grandes mídias estão repletas de um verdadeiro lixo cultural, se podemos chamar assim, porque nós, a grande maioria, consumimos isso. Aliás, a palavra consumo é uma das preferidas dos tempos atuais, inclusive invadindo áreas em que não há como se conjugar o verbo consumir, na essência, pois o que não é material, o que não é tangível, não se consome. Na verdadeira arte, nada se consome; a arte se contempla, se admira; ela alimenta a todos quando é instrumento do belo e do bem e nunca se acaba, pois o que se consome se finda. Podemos consumir um CD, um arquivo de MP3, mas nunca uma bela música. É tempo de retirar as cascas e máscaras que criamos através de nossos vícios morais e nos permitir enxergar tudo como realmente é. O que verdadeiramente importa para mim? Não sou um consumidor, sou um ser e estou aqui para crescer moral e intelectualmente. Quero aprender com quem já esteve aqui, com a história do meu povo, com os grandes, com os missionários, com aqueles que deram a vida para que hoje tivesse o conforto de que desfruto. Estou aqui para me tornar mais sábio, não o sábio de biblioteca apenas, mas o que tem condições de aplicar em sua vida tudo aquilo que aprende, faz de seu conhecimento uma mola propulsora e possa amar mais e melhor. Cultura e amor. Amor. Eis o que precisamos, com urgência. Pense nisso, mas pense agora.

03/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:11

A SOBERBA

A soberba. Carl Sagan escreveu que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina a humildade. Certamente, não há melhor demonstração da tolice das vaidades humanas do que observar um mapa astronômico em que o nosso planeta aparece como um minúsculo ponto. E basta estudar um pouco a história da humanidade para se ter ainda mais a dimensão da tolice das nossas ambições. Lemos a respeito dos grandes conquistadores e nos perguntamos de que lhes valeu tantos crimes em nome de conquistas de territórios e submissão de povos. Lembramos de Gengis Khan, que comandou a Mangólia, sucedendo ao pai. Bastou uma vitória militar e o povo declarou: Gengis Khan, que quer dizer imperador universal. Para fazer jus à homenagem, ele saiu em uma campanha militar que durou 25 anos. Conquistou os tártaros e a China. Depois, as hordas mongóis varreram a Rússia, detonaram o Império Persa, engoliram a Polônia, a Hungria e ameaçaram a Europa como um todo. Temujin morreu aos 65 anos. Foi sucedido por seu filho Ogedei Khan e, por algum tempo, as conquistas continuaram. Mas, depois, o Império começou a se esfacelar, e as hordas mongóis tomaram o rumo de casa. Recordamos de Alexandre, o Grande, o mais célebre conquistador do mundo antigo. Tornou-se rei aos 20 anos, após o assassinato de seu pai. Sua carreira é muito conhecida. Conquistou o Império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo o Egito e o atual Afeganistão. Foi o maior e mais rico império que já existiu. Morreu antes de completar 33 anos. Não se sabe se por envenenamento, malária, febre tifoide ou alcoolismo. Não se discutem os benefícios das campanhas, pois Gengis Khan uniu as tribos mongóis e tornou conhecidos do Ocidente os povos do Oriente, enquanto Alexandre, admirador das ciências e das artes, transformou Alexandria em centro cultural, científico e econômico por 300 anos. No entanto, de que lhes valeu tanto sangue derramado, tantas terras conquistadas? A morte lhes encerrou as carreiras, e seus impérios bem cedo se esfacelaram. Isso nos remete a reflexionarmos a respeito de nós mesmos. O que estamos fazendo para alcançar nossa vida? Realização pessoal? Estamos agindo de forma ética, correta? Ou buscamos destruir quem esteja à frente, exatamente como faziam os grandes conquistadores? Certo, não nos servimos do assassinato físico, mas quantos sonhos alheios teremos destruído em nosso propósito de ascensão? Os verdadeiros valores são morais. Esses não são destruídos pelo tempo, nem são amaldiçoados pela memória dos que foram derrotados no decorrer da nossa jornada de conquistas. Pensemos nisso. Os verdadeiros objetivos da vida são transcendentais. Afinal, a vida nesse planeta é transitória. Rapidamente se esvai. O importante é o que levaremos em nossa bagagem individual, dentro da alma. Pensemos nisso e, aproveitando os dias que se nos oferecem à frente, façamos um planejamento estribado no amor. Assim, por curta ou longa que seja a nossa existência, sempre seremos lembrados como quem semeou a boa semente em algum canteiro do mundo. Sermos benevolentes e justos. Eis a neta acerbativa. Pense nisso, mas pense agora.

02/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:29

NAO É UMA TRAGEDIA

Não é uma tragédia. Essas coisas acontecem. Um jovem adoece no verão. Um senhor é atropelado por um táxi. A biópsia aponta que o tumor é maligno. Essas coisas acontecem todos os dias. E todos os dias saímos de casa achando que jamais acontecerá conosco. Uma doença leva embora um pai. O médico comunica um exame preocupante. Um neuropediatra fecha o diagnóstico, informando que seu filho é autista. Uma moto atravessa um sinal fechado. Todos os dias isso acontece. E todos os dias nossos planos são os mesmos: trabalho, almoço, trabalho, jantar. Não acho que seja uma tragédia quando essas coisas acontecem com a gente. Dizemos que tragédia é morrer tão cedo. Não acho que seja uma tragédia. Acho que a vida é um amontoado de causas e coincidências. Acho que hoje estamos aqui e amanhã não estamos mais. Não acho isso uma tragédia. Sabe o que é uma tragédia? Uma tragédia é não agradecer por esse tempinho que estamos aqui. Uma tragédia é não valorizar a vida em família. Uma tragédia é trocar o sorriso do nosso filho por um celular. Um passeio em família pelas preocupações do trabalho. E, cá entre nós, ouvinte, nós fazemos isso inúmeras vezes, não é mesmo? Uma tragédia é não abraçar as pessoas hoje. Uma tragédia é passar a vida em branco. Uma tragédia é achar que um dia vamos ser felizes, hoje não. Uma tragédia é achar que não vai acontecer com a gente. E a vida vai ficando para depois. Um dia eu mudo de emprego. Um dia eu digo que amo aquela pessoa. Um dia eu faço essa viagem. Um dia eu vou ser voluntário nesse projeto. Acho uma tragédia quando aprendemos a valorizar o que temos só depois de perder. Acho uma tragédia viver só de aparências. Acho uma tragédia ter comprado coisas, achando que isso seria a felicidade. Acho uma tragédia trabalhar em algo que você odeia. A morte não é uma tragédia. Tragédia é quando a gente não viveu. Vou te perguntar. Responda só para você: qual foi a sua tragédia de hoje? Pense nisso. Mas pense agora.

28/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:14

CIDADANIA E RESPEITO AO PRÓXIMO

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27/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:50

DEIXE O OUTRO FALAR

Deixe o outro falar. Vivemos um momento em que nossas demandas diárias consomem demais o nosso tempo. Nossos compromissos profissionais, sociais, o horário na academia, a consulta médica, o trânsito… Tudo, de alguma forma, exige um pouco de nós. E equilibrar tudo isso numa agenda não é uma tarefa fácil. Por muitas vezes, falamos com tanta gente. Resolvemos os problemas. Delegamos. Mas erramos quando deixamos de ouvir. Quando permitimos entrar no automático. Bárbara sentiu isso na pele. Ela relacionava-se muito mal com sua filha, Samantha. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco. Samantha, que foi uma criança serena e complacente, tornou-se uma filha pouco cooperativa, às vezes provocadora. A mãe passava-lhe sermões, ameaçava, punia, sem sucesso. Certo dia, contou Bárbara, simplesmente desistiu. Samantha tinha desobedecido à mãe. Foi para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos. Quando voltou, Bárbara estava prestes a estourar com a filha pela milésima vez, mas não teve forças para isso. Limitou-se a dizer: por que, Samantha? Por quê? Samantha percebeu o estado em que a mãe se encontrava e, com uma voz calma, perguntou: você quer mesmo saber, mãe? Bárbara disse que sim e Samantha contou, primeiro hesitante, depois com uma fluência impressionante. A mãe fez uma reflexão e concluiu que nunca deu a devida atenção a Samantha. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo. Quando sentia a necessidade de conversar com a mãe sobre as coisas dela — sentimentos, ideias — era interrompida com mais ordens. Então, Bárbara começou a compreender que a filha precisava mais da mãe. Não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para as suas confusões de adolescente. E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira. A partir daquele momento, a mãe passou a ser uma perfeita ouvinte. Hoje, a filha conta o que lhe passa pela cabeça, e o relacionamento entre as duas melhorou de maneira imensurável. Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos? Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais. Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc., e eles, os filhos, precisam apenas ouvir. Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem? E tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos? Será que esses pais não sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos? Um tempo de qualidade pode fazer toda a diferença. E, para muitos, esta é uma importante linguagem de amor. O processo de aprendizado e, mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo. E, quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que esta é uma via de mão dupla. Falamos, mas também ouvimos. Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez ainda seja tão difícil para a humanidade. Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia. Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações. Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor. Pais, deixemos os filhos falarem. Filhos, deixemos nossos pais falarem. Famílias, conversem mais. O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre. Pense nisso, mas pense agora.

26/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:10

COLABORAÇÃO

Colaboração. Uma virtude pouco lembrada é a colaboração. A vida, generosa de sabedoria em toda parte, demonstra o princípio da cooperação em todos os seus planos. O solo ampara a semente e a semente valoriza o solo. As águas formam as nuvens e as nuvens alimentam as águas. A abelha ajuda na fecundação das flores e as flores contribuem com as abelhas na fabricação. Podemos perceber, nesses exemplos de colaboração, um convite para que também sejamos colaboradores. Sem nos darmos conta, muitos colaboram conosco no decorrer dos dias. É alguém gentil que nos cede a passagem no trânsito. Um motorista anônimo que avisa do perigo na estrada. Um pedestre que ajuda um idoso ou cego a atravessar a rua. São os médicos que nos atendem com presteza e afeto, doando-se além da sua obrigação. São os professores que se empenham um tanto mais para que os alunos aprendam as lições. São enfermeiros atenciosos que se esforçam por atender bem a um paciente, porque seu coração assim o determina. É mais que uma demanda, é um propósito de vida. Se é certo que pagamos por alguns serviços, também é certo que a dedicação e o carinho de cada profissional, ninguém e nenhum dinheiro. Se não nos damos conta disso, é porque talvez estejamos indiferentes para as coisas boas ou porque estamos acostumados a perceber somente as coisas ruins. É importante que tenhamos disposição para ver os fatos positivos que nos cercam. Dessa forma, poderemos dar a nossa colaboração, por mais singela que seja, onde quer que estejamos, para que a nossa vida e a vida dos que caminham conosco, nessa estrada evolutiva, possa ser mais suave. Agindo assim, em tudo que fizermos, estaremos colaborando de forma efetiva para o nosso próprio progresso espiritual. Quando vamos além das nossas obrigações, exercemos a função que nos cabe no progresso moral da humanidade. A vida na Terra é uma abençoada oportunidade de aprendizado para cada um de nós. Na colaboração de uns para com os outros, encontramos a chave que abrirá novos caminhos, quebrando as barreiras do individualismo e nos permitindo viver a verdadeira fraternidade. Que possamos colaborar em algo hoje, agora. Aproveitemos o momento que passa. Pense nisso, mas pense agora. Na colaboração de uns para com os outros.

25/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:11

FUGINDO DA VERDADE

A pintura A Verdade saindo do Poço, de Jean-Léon Jérôme, escultor e pintor francês, está ligada a uma parábola do século 19. Segundo essa parábola, a verdade e a mentira se encontram um dia. A mentira diz à verdade: hoje é um dia maravilhoso. A verdade olha para os céus e suspira, pois o dia era realmente lindo. Elas passaram muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A mentira diz à verdade: a água está muito boa, vamos tomar um banho juntas. A verdade, mais uma vez desconfiada, testa a água e descobre que realmente a água está muito gostosa. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a mentira sai da água, veste as roupas da verdade e foge. A verdade, furiosa, sai do poço e corre para encontrar a mentira e pegar suas roupas de volta. O mundo, vendo a verdade nua, desvia o olhar com desprezo e raiva. A pobre verdade volta ao poço e desaparece para sempre, escondendo nele sua vergonha. Desde então, a mentira viaja ao redor do mundo, vestida como a verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade porque, em todo caso, o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a verdade nua. Bertrand Husserl, um dos mais proeminentes pensadores do século XX, escreveu em seu decálogo: “Seja escrupulosa, mãe! Verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.” Em nossos dias, o que menos sequer é a “inconveniência” da verdade. Vivemos através dos eufemismos para que, quem sabe, possamos suavizar ou até mesmo evitar a verdade. Mentimos para nós mesmos, procuramos nas futilidades algo que nos distraia e que nos mantém em nossa confortável e consoladora matrix. A fuga da realidade é um mecanismo de defesa a que muitas pessoas recorrem como forma de evitar determinados sofrimentos. Entretanto, na verdade, esse comportamento é uma espécie de paliativo, pois, por mais que no primeiro momento pareça que a dor irá diminuir, fugir da verdade não é o melhor caminho, já que os problemas serão apenas abafados por um tempo e continuarão ali, sem uma solução definitiva. O ideal é buscar forças para enfrentar esse desconforto, conseguir se libertar e encontrar sua felicidade. E você? Como está a sua relação com a verdade? Acredita que já recorreu ao mecanismo de fuga como forma de se proteger? Reflita. Por fim, busque seu autoconhecimento, de modo a entender como os acontecimentos e experiências passadas influenciam seus sentimentos e comportamentos atuais. Isto é indispensável para você viver sua realidade sem atalhos e para conquistar uma vida mais plena, madura e verdadeira. Diz a verdade, e a verdade vos libertará. Libertará da dor maior, do sofrimento insano, da incerteza, da desesperação, acendendo luzes de esperança em sua vida. Pense nisso, mas pense agora.

24/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:24

AJUDANDO A CHORAR

Ajudando a chorar Como anda seu envolvimento com as outras pessoas? Você é daqueles que se fecha em seus problemas, em suas dificuldades, nem sequer querendo saber se existe alguém à sua volta que precisa de ajuda? Ou você é daquelas almas que já consegue se envolver com as dores alheias, procurando diminuí-las ou, pelo menos, não deixando que alguém sofra na solidão? Há uma certa passagem que pode ilustrar isso. Foi vivida pelo autor Léo Buscalha quando, certa vez, foi convidado a ser jurado de um concurso numa escola. O tema da competição era a criança que mais se preocupa com os outros. O vencedor foi o menino cujo vizinho, um senhor de mais de 80 anos, acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo. Quando voltou para sua casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem. Nada, disse o menino. Ele tinha perdido a sua mulher e isso deve ter doído muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar. A pureza do coração das crianças é sempre fonte de ensinamentos profundos. Geralmente, costumamos dizer que não estamos aptos a ajudar alguém, por não sermos capazes ou porque sabemos tão pouco para consolar. Para muitos, essa é uma posição de fuga, uma desculpa que encontramos para mascarar o egoísmo que ainda grita dentro de nossa alma, dizendo que precisamos primeiro cuidar de nós mesmos e que os outros são menos importantes. Para outros, isso reflete a falta de esclarecimento, pois precisamos compreender que todos temos capacidade de auxílio. Não nos preocupemos se não conhecemos palavras bonitas para dizer, ou se não podemos conceber uma saída miraculosa para uma dificuldade que alguém atravesse. Nossa companhia, nosso ombro amigo, nosso dizer “eu estou aqui com você” são atitudes muito importantes. Muitas vezes, o que as pessoas precisam é de alguém para chorar ao seu lado, para estar ali, afastando o fantasma da solidão para longe e não permitindo que os pensamentos depressivos tomem conta de seu senso. Outras vezes, mais importante que os conselhos, que as lições de moral, é o nosso abraço apertado, nosso tempo para ouvir o desabafo de alguém. Não precisamos ter todas as respostas e soluções dos problemas do mundo em nossas mãos para conseguir ajudar. Os verdadeiros heróis são aqueles que ofertam o que têm, o que sabem e, mais do que tudo, ofertam seus sentimentos, suas lágrimas aos outros. Não nos preocupemos em ter algo para dizer. Um abraço fala mais do que mil palavras. Uma prece silenciosa é como uma brisa suave, consolando os corações que passam por esse momento. Pense nisso, mas pense agora.

23/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 3:28

A CULPA É MINHA E COLOCO EM QUEM EU QUISER

A culpa é minha e coloco em quem eu quiser. O título do Pense Nisso pode parecer irônico, mas tem sido o principal lema do nosso comportamento. Mesmo que inconscientemente, nós usamos desse jargão: a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser. Pare e pense: estamos dando muitas desculpas sobre os nossos erros e dos resultados que não conseguimos atingir? Se a resposta for afirmativa, possivelmente estamos sofrendo de desculpabilidade. Isso é, sempre colocamos a responsabilidade dos nossos atos negativos em fatores externos, como no trânsito, a crise, a falta de sorte, o governo e, é claro, nas pessoas. Se os fatores fossem os donos do nosso destino e não temos responsabilidade, sempre damos desculpas pelos nossos descaminhos. Ouvindo histórias por aí, temos a impressão de que, em muitas das nossas fantasias, não precisaríamos pedir desculpas. Muitos de nós cultivam secretamente delírios nos quais somos infalíveis, honrados, dignos, fortes. Aí, quando não encontramos uma desculpa pelos nossos erros, nós usamos de um expediente muito em moda nos dias atuais: a vitimização. Pensando nisso, seguem seis regras para que possamos conviver melhor com os nossos limites, buscar ampliar os nossos horizontes e fugir do vitimismo. Primeiro: abaixe a guarda. Em situações de trabalho, na família ou em relacionamentos, pode ser importante se aproximar com as guardas baixas, reconhecer o ponto de vista do outro, respirar e falar de coração. Ouça. A hora de falar virá, mas, antes de qualquer coisa, é essencial ouvir. É desse processo que surgem as bases para o diálogo, para a conexão que pode permitir o surgimento de uma relação ainda mais madura do que a anterior ao erro. Assuma a responsabilidade. Não se vitimize. Todos nós já cometemos erros, sem exceção. Isso não é motivo para sair agindo de maneira irresponsável e não ligar para as consequências dos próprios atos. Mas também não significa que devemos nos culpar e nos posicionar como vítimas. Seja claro e honesto. E lembre-se: o foco não é você, é o erro. Não tente escapar do erro se explicando. Não se explicar não é deixar a pessoa no escuro, sem informação alguma a respeito do que ocorreu. Errou? Conte o que aconteceu. Explique a situação, mas não use isso como justificativa. Cuidado em usar o mas. Quando usamos o mas, é sinal que estamos nos justificando. Peça desculpas. Você pode até achar que passar por todo o processo de assumir o erro, não se justificar e reparar os danos é suficiente, mas não é. Portanto, peça desculpas. Peça ajuda. Melhor do que fazer promessas é pedir ajuda. Estamos todos no mesmo barco. Desta forma, podemos caminhar lado a lado, fortalecer os laços e crescer juntos. Reconhecer o erro, pedir perdão e ressarcir: eis um dos caminhos da felicidade. Pense nisso, mas pense agora.

21/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:25

COM AFETO E FIRMEZA

Com afeto e com firmeza. Uma notícia publicada na mídia nos fez pensar muito sobre a educação que damos aos filhos. Relata que um adolescente de 15 anos, em Almeria, na Espanha, processou sua própria mãe depois que ela lhe tomou o celular para que ele parasse de jogar e se concentrasse nos estudos. A mãe queria que o filho deixasse o aparelho. Como ele não o fez, ela decidiu pelo confisco, com uso leve de força, segundo afirmou. O garoto, inconformado, abriu uma acusação formal contra ela junto ao Ministério Fiscal por maus-tratos domésticos. Pediu, ainda, que passasse nove meses encarcerada e arcasse com os custos processuais. O caso foi parar nas mãos do magistrado penal, que não só absolveu a mãe, como ainda lembrou que a lei exige que ela tome atitudes como aquela. Disse que é dever dos responsáveis garantir que as crianças e adolescentes do país tenham boa educação. A questão da educação no lar gera muitas dúvidas em alguns pais e mães, que parecem não se haverem dado conta da tremenda responsabilidade que lhes cabe. Aprendemos que grande é a influência que os pais exercem sobre o espírito do filho após o nascimento. Todos na Terra concorremos para o progresso uns dos outros; no entanto, os pais têm por missão desenvolver os caracteres de seus filhos pela educação. Isso constitui, para eles, uma tarefa, uma verdadeira missão. Quando nasce uma criança, embora toda a sua fragilidade, a personalidade e a idade que habita esse corpo pequeno e frágil já existem. Ela já possui uma personalidade. A personalidade da criança forma-se logo à nascença. Tudo o que interioriza está relacionado com o mundo ao seu redor. Aprende a chorar, a pedir as coisas, através de uma linguagem que ela própria definiu e que os adultos descodificam. Traz consigo, na forma de pendores e tendências enraizadas, as experiências vivenciadas em passadas existências. Em razão disso, devemos, desde cedo, observar as ações e o comportamento dos filhos, a fim de conduzi-los pelo melhor caminho. Fundamental dar-lhes responsabilidades gradativas, para que aprendam a responder por seus atos. Necessário estabelecer limites, a fim de conduzi-los à retidão moral e ética, preparando-os para a vida. Por vezes, como pais, desejamos poupar nossos filhos das dificuldades que tivemos que enfrentar. Então, buscamos lhes satisfazer todos os desejos. Salutar considerarmos que foram justamente as dificuldades pelas quais passamos que nos impulsionaram ao crescimento e à maturidade. Portanto, nossos filhos devem aprender a lutar pelos objetivos que desejam alcançar, para melhor entenderem os mecanismos da vida. Seja gentil com seu filho quando for necessário discipliná-lo. Oriente-o, impondo limites de uma forma afetuosa. Porém, estabeleça limites de forma firme e com autoridade. Pense nisso e aja na educação do seu filho enquanto é tempo.

20/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:05

AFABILIDADE

A Afabilidade Todos desejamos ser amados. Mas será que já compreendemos a necessidade de sermos amáveis? A história nos conta que todos os que foram hóspedes de Theodore Roosevelt, o presidente americano, ficaram espantados com a extensão e a diversidade dos seus conhecimentos. Fosse um vaqueiro ou um domador de cavalos, um político ou diplomata, Roosevelt sabia o que lhe dizer. E como fazia isso? A resposta é simples: todas as vezes que ele esperava um visitante, passava acordado até tarde, na véspera. Porque Roosevelt sabia, como todos os grandes líderes do mundo, que a estrada real para o coração de um homem é lhe falar sobre as coisas que ele mais estima. O ensaísta e, outrora, professor de literatura de Universidade Yale, William Lyon Phelps, aprendeu cedo esta lição. Narra a seguinte experiência: “Quando tinha oito anos de idade, estava passando o final de semana com minha tia. Certa noite, chegou um homem de meia-idade que, depois de uma polida troca de gentilezas, concentrou sua atenção em mim. Naquele tempo, andava eu muito entusiasmado com barcos, e o visitante discutiu o assunto de tal modo que me deu a impressão de estar particularmente interessado no mesmo. Depois que ele saiu, falei, vibrante: ‘Que homem!’ Minha tia me informou que ele era um advogado de Nova York, que não entendia coisa alguma sobre barcos, nem tinha o menor interesse no assunto. — Mas então, por que ele falou todo o tempo sobre barcos? — Porque ele é um cavalheiro. Viu que você estava interessado em barcos e falou sobre coisas que lhe interessavam e lhe causavam prazer. Fez-se agradável.” Inspirados nessas duas ricas experiências, indagamos: será que nos esforçamos para nos tornarmos agradáveis aos outros? Será que encontramos neste mundo cavalheiros com tais características de altruísmo e polidez? São raros, infelizmente. Por isso, a lição nos mostra mais um caminho para a verdadeira caridade, ou mais uma sutil nuança dessa virtude. Se desejamos ser amados, obviamente precisamos nos esforçar para sermos amáveis. A amabilidade é esta qualidade ou característica de quem é amável. Por definição, é ser polido, cortês, afável; é agir com complacência. Dessa forma, concluímos que a benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Não será porque sorrias a todo instante que conseguirás o milagre da fraternidade. A incompreensão sorri no sarcasmo, e a maldade sorri na vingança. Não será porque espalhes teus ósculos com os outros que edificarás o teu santuário de carinho. Judas Iscariotes, enganado pelas próprias paixões, entregou o Mestre com um beijo. Por outro lado, não é porque apregoas a verdade com rigor que te farás abençoado na vida. Na alegria ou na dor, no verbo ou no silêncio, no estímulo ou no aviso, acende a luz do amor no coração e age com bondade. Cultiva a brandura sem afetação e a sinceridade sem espinhos. Somente o amor sabe ser doce e afável.

19/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:25

VOZES AMIGAS

Vozes Amigas Pedro e Ana se conheceram no colégio. De início, não simpatizaram muito um com o outro, mas reconheceram a inteligência e a integridade mútuas e se tornaram amigos. A amizade foi se consolidando e, em pouco tempo, evoluiu para algo mais forte, mais intenso. Eram companheiros de ideias e ideais. Um até sabia o que o outro estava pensando. Casaram-se, tiveram filhos, alguns cachorros, gatos, peixes. Fizeram amigos, viajaram, trabalharam em parceria. A vida nem sempre foi fácil, mas encararam unidos as dificuldades. O amor crescia, amadurecia e se fortalecia. Entraram na meia-idade planejando a aposentadoria e as viagens que fariam. Os filhos, criados, não precisavam mais de dedicação integral. Estavam batendo asas, independentes e autônomos. Em meio a planos resgatados do fundo do baú e ao nascimento de novos sonhos, Ana começou a sentir que algo não estava bem. Evitou alarmar o marido e foi ao médico. Para sua surpresa, foi diagnosticada com um tipo de câncer raro e agressivo. Passado o choque inicial, ela não se rendeu. Buscou informações, médicos e tratamentos alternativos. As perspectivas, no entanto, eram bastante sombrias. A família se uniu, e Ana decidiu seguir a vida até o momento em que não seria possível fazer mais nada. Foram anos de batalha com o químio, autonomia, terapia, cirurgias para a retirada de tumores, testes com novos medicamentos. Uma noite, internada na unidade de terapia intensiva e desenganada pelos médicos, pediu ao marido para conversar com familiares e amigos distantes. Como seria possível, contudo, se a entrada na UTI era restrita e nem todos conseguiriam? Além disso, conversar com todos lhe seria exaustivo e desgastante. Pedro teve uma ideia. Conversou com o médico de plantão e obteve autorização para permanecer ao lado dela e usar o celular. Fez contato com quase toda a sua lista de amigos e familiares, solicitando que gravassem, num dos aplicativos do celular, mensagens de afeto para Ana. Muitos não conseguiram gravar, por conta da emoção. Mas vieram mensagens de todos os cantos, com palavras entoadas, cantadas, sussurradas. Todas carregavam carinho, respeito e a esperança de um reencontro. Ana passou a noite ouvindo as mensagens que Pedro tocava, de tempos em tempos, em seu celular. Lágrimas escorriam dos olhos de ambos. Lágrimas escorriam também dos olhos de enfermeiros e médicos. Aquela UTI estava cheia de pessoas, não fisicamente, mas em boas energias, em luz. Ana atravessou aquela noite, acordou na manhã seguinte e permaneceu por mais uma semana, tranquila e serena, até a sua morte. Nesse período, pedia para ouvir as vozes amigas que tanto bem lhe haviam feito, que tanto carinho lhe haviam transmitido. Partiu em paz, sabendo que não estava só. As vozes amigas ladeavam, amparavam e a preparavam para retornar, segundo a sua crença, à pátria espiritual, onde iria se encontrar com outras vozes amigas, igualmente cheias de amor e saudade, ansiosas por aquele tão esperado reencontro.

18/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:30

VELOCIDADE MAXIMA

Velocidade máxima O escritor português José Saramago escreveu: Não ter pressa não é incompatível com não perder tempo. Mas hoje o que mais se exige é rapidez. Rapidez em tudo. O computador deve ser de alta velocidade. É preciso pensar rápido, agir rápido para não perder negócios, para não perder audiência, para não perder mercado de trabalho. No mundo dos executivos, ao contrário da realidade do trânsito, não há limite de velocidade. A multa é alta para quem anda lento. A ordem é ser The Flash. Para esses, cada minuto conta. E se estressam somente contando o tempo que perdem aguardando o elevador, o semáforo abrir, o horário de atendimento bancário lhes fornecer as informações de quem necessitam. São pessoas que se sentem culpadas quando param para um cafezinho, porque poderiam estar produzindo. A sua meta é executar projetos, ler apenas livros técnicos, acelerar a rotina. Tudo o mais é desperdício. E, no entanto, a vida é feita de pequenas coisas. Felizes são aqueles que decidem subir pela escada para exercitar as pernas e a imaginação. Aqueles que têm tempo para um sorriso ao desconhecido que está na fila logo atrás, esperando sua vez para ser atendido. Os que, em vez de engolirem um sanduíche rápido no escritório, preferem almoçar com um amigo, com calma, bater um papo descontraído. Ou melhor, ir até em casa e observar os filhos crescerem, enquanto a família se reúne em volta da mesa. Essas pessoas não costumam usar atalhos para encurtar caminhos. Elas preferem procurar estradas com paisagens com que se possam deliciar. Quando viajam, vão com calma, não têm hora para chegar. Como as crianças, a quem o fazer é mais importante do que a tarefa pronta, eles param na beira da estrada para provar uma fruta e conversar com um vendedor que sempre tem histórias para contar. Histórias de vida, experiências importantes. Quando descobrem uma paisagem bonita, param para apreciá-la. Alguns fotografam para levar consigo aquele momento mágico. Chegam ao destino com maior disposição e alegria. Esses são os que adotam a filosofia de que menos é mais. Menos velocidade é mais oportunidade de olhar para os lados e apreciar a natureza. Menos horas de trabalho equivalem a mais tempo com a família. Tirando levemente o pé do acelerador das suas vidas, têm mais tempo para ouvir música, ler algo mais além do que a profissão lhes exige, assistir a um filme, meditar. Em síntese, têm mais tempo para viver. Em verdade, a velocidade máxima permitida para ser feliz é aquela que não nos deixa esquecer de que, além dos negócios, do trabalho, do dinheiro, o mais importante é a vida em si mesma. Viver é uma arte, por isso todo momento se faz importante. Também todas as experiências do cotidiano nos enriquecem. Desfrutar de cada uma delas, retirando o máximo de proveito, deve ser a meta do homem sábio. Isso significa aproveitar bem a vida, não desperdiçar nenhuma de suas oportunidades. Então, pare e pense nisso. Mas pare e pense agora.

17/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:19

BENEFICIOS DO AUTO CONHECIMENTO

Benefícios do Autoconhecimento O autoconhecimento é importante em nossas vidas para nos entendermos melhor. Muitas vezes, ignoramos o real significado de algumas sensações que vivenciamos no nosso cotidiano por não nos conhecermos profundamente. Pensamos estar doentes, buscamos o parecer médico e o resultado nos frustra, porque nada é constatado em nível físico. Quantas vezes nos sentimos debilitados, como que enfraquecidos, com sensações desagradáveis a nos invadir? Ou irritados, sem saber a causa? Quantos são os dias em que acordamos sem vontade de nada, até mesmo de sair da cama? E, quando nos perguntam o que está acontecendo conosco, nossa resposta é “nada”, mas continuamos sem vontade de coisa alguma. Importante seria que tivéssemos em mente que, além da realidade física e social, temos, atuante em nós, a realidade espiritual. Aqui vale uma explanação. Quando falamos de realidade espiritual, não é no tocante à religiosidade, e sim aos sentimentos e pensamentos. Muitos não aprendemos ainda, mas, à noite, quando dormimos, nos libertamos parcialmente do corpo e, dessa forma, participamos de uma realidade que, para nós, ainda é um mistério. Vamos chamar aqui de realidade espiritual. Esses momentos são importantes para nossa realidade espiritual, pois permitem que mantenhamos contato com amigos, amores e mesmo inimigos e desamores do passado de nossas vidas. Ao acordarmos, no corpo físico, trazemos gravadas no subconsciente as lembranças acompanhadas de seus efeitos, que se refletem em nosso corpo. Pode acontecer que algumas dessas sensações interfiram em nosso estado de ânimo, parecendo-nos estar doentes, desanimados. Conscientemente, não sabemos explicar o porquê desse mal-estar. Assim também, os momentos de alegria e disposição especiais, ao acordarmos, dão-nos a certeza de que vivemos bons momentos durante o sono do corpo. Grandes sábios da humanidade tiveram o seu momento de glória em suas invenções depois de terem um sono, ou mesmo um cochilo, em que visitaram certos locais de seus subconscientes ou receberam determinadas informações das profundezas de suas mentes. Ou, ainda, sintonizaram com outras mentes criativas que os inspiraram a encontrar a solução para o que planejavam criar, inventar. Isso tão importante é o uso de uma boa leitura e a oração sincera antes de nos entregarmos ao sono, todas as noites. Essa atitude nos garantirá a tranquilidade mental que nos beneficiará. Nosso corpo funciona retratando o estado de ânimo do espírito que o habita. As sensações que nos parecem estranhas ou sem causa podem estar ocorrendo em nível mental, refletindo-se no corpo físico. Na busca do autoconhecimento, é bom que identifiquemos quem somos espiritualmente falando e como vivenciamos essa realidade. Ou seja, qual a qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos? Quais as emoções que predominam em nós? Quais desejos alimentamos? Pois essas são manifestações da alma que nos identificam com almas afins e nos permitem sensações agradáveis ou não. Com tal estudo, decifraremos muitas questões que nos parecem inexplicáveis e poderemos corrigir imperfeições que nos criam sintonias indesejáveis. Pensemos nisso e apliquemo-nos nisso.

16/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:25

A FELICIDADE E A RIQUEZA

A felicidade e a riqueza. Dinheiro não traz felicidade, diz o provérbio popular. E os ambiciosos imediatamente completam: não traz felicidade, mas ajuda um bocado. Será mesmo? Vamos ouvir uma pequena história sobre isso. Marcelo vivia sonhando com a fortuna. Todas as semanas separava o dinheiro e passava na lotérica para fazer um jogo. À noite, no barraco pobre, fazia planos para quando se tornasse milionário. Ah, pensava ele, serei um dos mais felizes da terra. Imaginava mansões, carros, roupas elegantes, amigos risonhos. Enfim, uma vida de conforto e alegria. Pela manhã, dirigia-se para o trabalho com o bilhete no bolso da calça surrada. O coração palpitava, e as mãos tremiam levemente antes de checar o resultado. Negativo. Conferia mais duas ou três vezes e, enfim, descartava o papel, desconsolado. E, nessa hora, sempre lembrava de Anete. Amava Anete há muito tempo. A moça gostava dele, mas não queria se casar com um pobre tão. Os dias passaram. Numa tarde calorenta, um carro caríssimo estacionou diante da casa de Anete. Um homem elegante desceu, dirigiu-se à moça e entregou-lhe um pequeno pacote. Ela abriu. A joia a deixou sem fala. Olhou para o homem. Era Marcelo. Havia acertado os números da loteria. Estava rico. Casaram-se e foram felizes nos primeiros tempos. Décadas depois, Marcelo trazia a alma em frangalhos. Anete tornara-se gastadora, fútil. Nada detinha sua ânsia por perfumes, festas, roupas, bolsas, viagens, sapatos. Os filhos criaram-se, educados por babás e professores. Agora, adolescentes, passavam noites em boates, consumindo bebidas e drogas, rodeados de amigos irresponsáveis. Mimados, não respeitavam ninguém, zombavam de tudo, riam-se das coisas sagradas. A casa tinha cercas elétricas, alarmes, câmeras, cães ferozes e vigias. Os carros eram blindados. Quanta solidão! Os dias se passavam frios, sem objetivos nobres. Não! Definitivamente Marcelo não era feliz. Observava a esposa e os filhos desfrutando a riqueza, mas levando uma vida vazia. A história de Marcelo é mais comum do que se imagina. Quantas vezes colocamos a razão de nossa felicidade em valores como dinheiro e bens materiais? O dinheiro é bom quando bem utilizado, quando direcionado para coisas úteis, para o bem ou para a solidariedade. Do contrário, ele apenas serve para uma vida repleta de prazeres, mas sem qualquer significado mais profundo. Observe o que nos revela a vida dos milionários. Será apenas o que aparece nas revistas de celebridades? Será uma existência feita apenas de alegrias? Certamente que não. Um olhar mais atento ao noticiário desvelador que visita os ricos mostra que a morte também chega para eles e para seus parentes. Divórcios, escândalos, abandonos, miséria moral, depressão e infelicidade estão presentes em toda parte. E isso sem falar nos que vivem aprisionados em suas casas, reféns do dinheiro, com medo de assaltos. Será isso uma vida boa? Vale a pena trocar a tranquilidade de uma vida simples pelo conforto que custa paz íntima? E o que dizer dos que perderam a própria vida por causa do dinheiro? Os que foram mortos pelos próprios filhos ou parceiros por causa de heranças? Ou os que foram enganados pelos amigos em quem confiavam? Será esse o nosso ideal de vida? Valerá a pena? Certamente que não. Não há riqueza que possa pagar por sentimentos reais, pelas pequenas alegrias da família. Não. A felicidade, definitivamente, não está no dinheiro. Ela está, gloriosa, na consciência tranquila, nos pequenos prazeres que são frutos do amor, numa vida feita de trabalho e de sonhos. Claro que podemos ter os bolsos cheios e o coração leve, mas isso depende da riqueza que você leva na sua alma, que é se dar bem, fazendo o bem. Sim, isso é possível. Pense nisso, mas pense agora.

14/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:59

COMO VIVEM AS FLORES

Como vivem as flores. Era uma tarde quente de verão, e o vendaval agitava a folhagem com violência, anunciando a tempestade que se aproximava rapidamente. Pelas janelas abertas, um suave perfume enchia a casa. Açoitados pelo vento, os pés de manjericão, alfavaca e lavanda dobravam-se e liberavam um delicioso perfume. Era impressionante notar a maneira como as flores e folhagens respondiam aos golpes violentos do vento. Os primeiros pingos de chuva enfeitavam as rosas abertas como se fossem diamantes líquidos. Mas o temporal anunciado logo chegou, e as gotas da chuva, agora misturadas com o vento, pareciam um bombardeio cruel, esmagando as suaves pétalas, que respondiam à agressão liberando um perfume inconfundível. Era incrível aquela lição viva de generosidade e aceitação. Ante a violência do temporal, instintivamente, as plantas se dobravam para não quebrar. Sabemos que as plantas não pensam. Elas não são seres racionais, mas cumprem, silenciosas e submissas, a tarefa que o criador lhes confia, apesar das tempestades da vida. Assim também agem algumas pessoas que, na verdade, são como as flores e, mesmo sendo esmagadas pela enfermidade cruel ou pela dureza da vida, respondem com o perfume do otimismo e da alegria. Seres racionais que são, sabem o que são. Sabem que todas as lições que lhes chegam são oportunidades de crescimento e auto-superação. Como aconteceu com uma jovem senhora, agredida por um câncer cruel que tentava lhe roubar o corpo, minando-o aos poucos e insistentemente. Quando soube que teria que fazer quimioterapia novamente, ela não se desesperou. Já a família, preocupada com seu estado de saúde, insistia para que a jovem senhora ficasse em casa, repousando, mas ela preferia trabalhar. Trabalhando como vendedora, ela sempre superava as metas estabelecidas, apesar de passar muito mal quando fazia o tratamento quimioterápico. A dor não a impedia de estar o dia todo com um sorriso nos lábios, distribuindo otimismo junto aos seus colegas. Sempre gentil, ela tripla a doença, trabalha, curta. Confia, sofre e espera. Uma pessoa assim é como uma flor que, mesmo açoitada pelos ventos fortes e pela violência da chuva, exala perfume e não deixa de florescer a cada primavera. Parece que Deus permite que pessoas assim nasçam na terra para exemplificar a confiança, o otimismo. São pessoas que não se deixam desanimar, mesmo diante dos quadros mais graves e desesperadores. Enquanto muitas pessoas saudáveis reclamam por coisas mínimas, faltam ao trabalho sem motivos justos, essa mulher flor abre suas pétalas de esperança e dignifica a oportunidade de crescer que o Criador lhe concede a cada dia. Em vez de se deixar derrotar pela enfermidade, ela luta com vigor e coragem. E, acima de tudo, com confiança plena em Deus. Então, quando em algum momento sua coragem ameaçar vacilar, pense nas pessoas que sofrem mais que você. Firma o passo e siga em frente outra vez. A exemplo dessa senhora valente, não permita que uma doença, um problema, lhe roube a paz de espírito e a imensa vontade de viver. Imite as flores. Elas, mesmo tendo suas pétalas rasgadas pelo granizo, não deixam de exalar perfume. Pense nisso e busque viver com otimismo, por mais que a situação esteja difícil. Lembre-se sempre de como vivem as flores.

13/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 5:00

A RIQUEZA MAIOR

A Riqueza Maior Havia um senhor muito rico que era dono de terras de valor incalculável. Vivia num palácio, rodeado de servos e amigos. Era um homem bom e utilizava sua riqueza para atender a fome alheia. Providenciava abrigo a quem precisasse, agasalho a quem pedisse. Costumava orar todos os dias e, em suas preces, agradecia sempre pelos bens que possuía, em especial aqueles que nem o tempo, nem a ferrugem e nem a traça destrói. Do lado oposto da aldeia vivia um camponês. Habitava uma gruta e, para sobreviver, plantava legumes e hortaliças que regularmente levava ao senhor do palácio a fim de vendê-las. Toda vez que se dirigia para as terras do homem rico, ia resmungando consigo mesmo sobre o que considerava uma grande injustiça, pois aquele homem tinha tanto, enquanto ele era tão pobre. Certo dia, chegou a notícia aos portões do palácio avisando que malfeitores estavam a caminho, provocando mortes e violência. Temendo que algo pudesse acontecer aos seus familiares, amigos e servidores, o senhor do palácio logo providenciou para que todos buscassem lugares seguros. Quando o último grupo se retirou, os desordeiros estavam muito perto das portas do palácio, e o seu dono verificou que não havia sobrado nenhum cavalo para que pudesse fugir. Recordou-se do vendedor de hortaliças, das tantas vezes que o auxiliara e, apressado, buscou a gruta. Lá chegando, contou-lhe tudo e pediu abrigo. O agricultor viu ali a sua oportunidade dourada e ofereceu-se para repartir a sua gruta com o rico senhor, desde que aquele lhe doasse todos os seus bens. Sem pensar duas vezes, o rico lhe disse que tudo lhe pertencia desde então: terras, palácio, tesouros. O nobre senhor foi repousar, enquanto o camponês, impaciente por tomar posse do que era seu por direito, correu ao palácio, enquanto orava a Deus, dizendo: nunca mais vou reclamar, obrigado meu Deus, agora tenho tudo que sempre quis. Os malfeitores chegaram, destruíram algumas peças, levaram outras e surraram, maltrataram e abandonaram o novo proprietário. Passados alguns dias, o nobre, que não parava de agradecer a Deus por ter salvado sua vida, dos seus amigos, parentes e familiares, com os quais logo iria se juntar, foi levar um cesto de verduras ao palácio. Que bom, pensou ao chegar. Os malfeitores quase não estragaram nada. O homem que me salvou a vida, recolhendo-me em seu teto, deve estar feliz com os tesouros que restaram. Percorrendo as galerias do palácio, começou a se mostrar preocupado. Poças de sangue marcavam um caminho. Acompanhando as marcas, ele chegou até o enorme salão de piso de mármore e colunas douradas. Lá estava o camponês, caído, semi-morto, sozinho. Estava cego e inválido. Apesar de toda a riqueza, não tivera ninguém que o levasse ao leito, que o tratasse e lhe aliviasse as dores do corpo e da alma. O homem nobre abraçou o corpo machucado, transformado em farrapo humano, e intimamente orou: obrigado, Senhor, ainda sou mais rico por tudo que me destes. De todos os bens que a divindade nos proporciona no caminho terreno, sem dúvida, a maior fortuna é a da vida, que possibilita o nosso aperfeiçoamento. Pense nisso, mas pense agora.

12/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:37

RENOVAÇÃO INTELIGENTE

A RENOVAÇÃO INTELIGENTE Vivemos em um mundo cercado por tecnologia. Ao olharmos a nossa volta, a vemos cada vez mais presente. Inclusive, percebemos o uso da inteligência artificial fazendo parte de nossas vidas. Basta buscarmos algo para adquirir pela internet. Escolhido o produto que desejamos, em seguida várias opções do mesmo produto surgem em nossas telas do computador ou celular. Também quando usamos aplicativos para a localização de um endereço, se uma rua estiver interrompida, o programa nos informa imediatamente outra opção de rota. São alguns exemplos do uso da inteligência artificial na nossa vida. Verificamos que, quando enviamos informações para as inteligências artificiales, elas se servem rapidamente desses dados para melhorarem seus processos. São programas para se adaptarem prontamente e se aprimoram. Essa velocidade do uso dos dados pelas inteligências artificiais em seus processos de adequação nos deve conduzir a algumas reflexões. Portadores de inteligência que somos, é importante nos indagarmos o quanto aproveitamos dos conhecimentos e experiências de nossas vidas. Temos nos servido de nossa inteligência para melhorarmos nossa forma de ser, de agir? Estamos realizando esse processo de melhoria? De um modo geral, passamos muitos anos em bancos escolares, aprendendo sobre os mais diversos temas. Quase todos nos dedicamos por mais ou menos tempo ao estudo de idiomas. Frequentamos espaços voltados à religião, na busca por lições sobre a espiritualidade. Em grande parte de nossos dias, estamos em locais de trabalho, aprendendo sempre. Realizamos tarefas voluntárias e aprendemos com o nosso próximo lições valiosas. Na convivência com nossos familiares, desfrutamos de amplo aprendizado acerca de relacionamentos e sentimentos. E não podemos esquecer das tantas existências mais ou menos exitosas, dos desacertos praticados e suas consequências. Já experimentamos a dor, a necessidade de saúde, a desilusão amorosa, a perda de mente querida. E o que fazemos com todas essas experiências e conhecimentos adquiridos? Estamos nos servindo deles para a transformação moral? Para uma mudança de rota? Estamos alterando comportamentos inadequados? Estamos educando pensamentos? Buscando uma versão melhor de nós mesmos? Devemos nos servir da nossa inteligência para nossa própria renovação. Aproveitar as experiências, o conhecimento, para concretizarmos a mudança inteligente. Muitos são os caminhos para essa transformação. Precisamos refletir onde queremos chegar e traçar a rota mais apropriada. Aquela que nos desvie de acidentes imprevistos. A mais adequada para alcançarmos o objetivo. Isso nos exige dedicação e esforço, mas também vigilância, disciplina, persistência. São valores que podem nos auxiliar nesse processo. Nós temos a oportunidade de empreender essa renovação inteligente. Ainda hoje. E os frutos disso podem ser muito positivos. Pense nisso. Mas pense agora.

11/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:14

AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ

As voltas que a vida dá. Alguém disse certa vez que a vida sempre nos oferece duas janelas. Você já parou para pensar nisso? Uma é a janela da felicidade, que nos apresenta um jardim de flores, de cores, de alegria. Ela está à nossa frente e nos mostra os dias de bênçãos, de convívio amigo, de amenidades. Mas devemos lembrar que a outra janela está às nossas costas. É a janela da tristeza, do sofrimento, das dificuldades. Todos nós debruçamos hora numa, hora noutra. O que significa que se alternam na vida os momentos de felicidade e os de tristeza. Importante é que de cada uma delas saibamos extrair o mesmo: o melhor que nos possa oferecer. Ante a janela das dificuldades, tenhamos criatividade e esforço para reverter as situações que sejam possíveis. Acontecimentos da vida do ator Drew Goddall podem bem exemplificar essas duas fases. Ele estudou teatro, conheceu atores famosos e chegou a interpretar alguns papéis. Mas, após uma severa crítica ao seu trabalho, sua carreira simplesmente desabou. No ano de 1990, sem dinheiro para pagar o aluguel, precisou sair de seu apartamento e foi morar na rua. Foram seis longos meses em que dormia em uma caixa de papelão e dependia de quem lhe oferecesse algo para se alimentar. Foi quando surgiu a ideia de engrachar sapatos, o que lhe poderia render algum dinheiro. A partir daí, um dos seus clientes o convidou a trabalhar. Trabalhar como engraxate em seu escritório. O panorama começou a mudar. Drew começou a ganhar dinheiro ao ponto de, decorrido certo tempo, abrir sua própria empresa. O negócio deu muito certo. Ele fez parceria com importantes empresas de Londres, cujos executivos desejam ter seus sapatos bem polidos. Sendo muito grato a quem o ajudou no tempo em que viveu nas ruas, ele oferece oportunidades a quem está na mesma situação em que ele se encontrou anos atrás. Por esse motivo, a maioria dos seus 40 funcionários foram pessoas desabrigadas ou são portadoras de necessidades especiais. Com certeza, um exemplo de superação. Igualmente de solidariedade, de amor ao próximo. Por vezes, somos pegos de surpresa por situações que nos obrigam a perder. Por um ponto final em nossa atual história e a começar novo parágrafo. Somos obrigados a simplificar a maneira de ser e de viver. O detalhe importante nessas horas é que não nos deixemos envolver pela depressão, pelo desânimo. É hora de sair da janela da dificuldade e se voltar para outra, a janela em frente, e vislumbrar uma maneira de reverter a situação. É hora de buscar novas formas de trabalho, de usar nossa criatividade, de não nos deixarmos vencer pelos primeiros fracassos. E guardar a certeza de que podemos dar a volta por cima, adaptando-nos à nova realidade. Um lugar mais simples para morar, menos comodidades, quem sabe, mas seguir em frente. E, depois de tudo, não esquecer de olhar para os que permanecem desamparados, sem teto, sem piscina. Espão, estender a mão a quem padece nos dirá, com todas as letras, que aprendemos a lição que a janela de trás nos oportunizou um dia. Pense nisso, mas pense agora.

10/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:21