Música e Vinho | Morena FM - Easy | Cadena

Episódios

CHAMPAGNE KRUG GRAND CUVÉE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Você está sentindo a acidez gostosa desse vinho? Então vem comigo, eu sou Kezia Giugni. Vou começar mais um Música e Vinho para te contar todas as melhores experiências de degustações. Algumas casas de champanhe são ícones no mundo do vinho, e eu quero muito te contar a experiência de degustar uma Krug Grand Cuvée. Degustei a versão de número 169, uma composição de 146 vinhos de 11 diferentes safras, 46% da uva tinta Pinot Noir, 35% da uva branca Chardonnay e 22% da uva tinta Pinot Monnier, e sete anos de estágio nas adegas da casa Krug. É chocante a vivacidade do primeiro ataque em boca, uma força e uma pungência intensa. A coloração dourada não brilha, reluz. O perlagem vem de mansinho e envolve toda a boca com cremosidade ampla. A mousse vai se abrindo e trazendo as notas de flores brancas, de frutas cítricas, a doçura das amêndoas, o toque de especiarias como um pão de gengibre. E começa o balanço da cruz, o movimento da acidez que vai e volta, ora oscilando delicada, ora com mais força. O carrossel de aromas que percorre do limão ao limonchelo, das amêndoas torradas, defumadas e amargas ao marzipan, vale muito ter uma experiência dessa. Para completar com música e vinho, faço a abertura dedilhando a garrafa e vou soltando aos poucos o suspiro de uma bela cruz de gran cuvé. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

20/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:56

VINHOS PORTUGUESES

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Obrigada pela sua companhia de sempre em mais uma edição do Música e Vinho. E hoje eu vou falar sobre dois vinhos portugueses que têm tudo a ver com música. O primeiro se chama Polifonia e vem da região do Alentejo, e o segundo se chama Chorinho, da região do Douro. Polifonia é a multiplicidade de sons, o conjunto harmonioso de sons, e esse é o nome dado ao vinho do Monte dos Perdigões. A quinta Monte dos Perdigões foi a casa do ilustre maestro português Luiz de Freitas Branco, que compôs ali suas mais marcantes obras. O vinho Polifonia é uma composição em que o enólogo escolhe os lotes de vinhos que têm maior aptidão organoléptica e de envelhecimento. Aptidão organoléptica é onde vai mais aparecer todos os aromas e sabores do vinho. A formação é feita das uvas Cihali, Cante Boucher e Petit Verdot. De uma coloração profunda, granada forte e com aromas de frutas maduras em compota, é um vinho bastante cheio, carnudo, de taninos suaves e cremoso. O Polifonia é feito de vinhas velhas, e a harmonização fica para as caças e assados. Passa 18 meses no carvalho francês de tosta média e mais um ano de garrafa. Tem um final bem longo e encorpado. Este é o Polifonia da região do Alentejo. E o outro vinho, em homenagem ao ritmo musical brasileiro, se chama Chorinho e é da região do Douro. A vinícola é a Lavradores de Feitoria. O vinho Chorinho nasceu da ideia da cantora Roberta Sá, que é uma apaixonada por vinhos portugueses. Ela pediu um vinho com a lágrima de um choro boêmio e melodicamente brasileiro. Por isso, o Chorinho é um vinho com a delicadeza e a sutileza do estilo choro. No rótulo você vai encontrar os azulejos portugueses, destacando a silhueta de um violão, pais instrumentos do nosso Chorinho. O nome é mesmo uma homenagem ao ritmo brasileiro e, no rótulo, você vai encontrar os mapas do Brasil e de Portugal para reforçar os laços luso-brasileiros, unindo a cultura e a música. O Chorinho é um vinho tinto com aromas de cereja e amora, de uma acidez refrescante para lembrar o nosso Brasil. E as uvas são toriga franca, tinta roris, tinta barroca e toriga nacional. Duas sugestões de vinhos com nomes bastante convidativos, portugueses: Polifonia e Chorinho, para você ouvir e beber com moderação.

19/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:33

VINÌCOLAS CHAMPAGNE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música em Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Uma das mais famosas regiões vinícolas do mundo, Champagne, é também um desafio climático constante para se produzir uvas maduras e sãs. Champagne está situada no limite para a cultura de vinhedos, a quase 50 graus de latitude norte e com temperaturas médias que chegam a 11 graus. A região tem pouca amplitude térmica, que é a famosa variação de climas entre o dia e a noite, que é sempre muito bem-vinda para as videiras. A insolação é de 1.650 horas por ano, bem abaixo de outras regiões como o Bordeaux, que chega a 2.069 horas de sol por ano. A região de Champagne sofre com as geadas no período da primavera, especialmente na brotação, mas o solo da região é de calcário, e isso favorece a drenagem e influencia na mineralidade dos vinhos, e faz a característica ímpar dos vinhos no estilo efervescente: boa acidez e boa mineralidade. Ainda sem estudos comprovados mineralidade dos vinhos, a última década em Champagne teve vários vinhos no estilo vintage, quando a safra é excepcional e o vinho é safrado. Isso porque os produtores estão conseguindo melhor maturação das uvas devido ao aquecimento global e também ao uso de tecnologias de condução da videira. Além disso, os produtores entenderam também que toda safra pode ter um vintage e o vinho vai expressar as características daquele ano. A última década, por exemplo, a vinícola Moët-Chandon teve 7 vintages em apenas 10 anos. Outra coisa que mudou em Champagne é que, com o crescimento do consumo do vinho no mundo, alguns métodos como remoagem manual, o famoso giro das garrafas, que era feito uma a uma, passou a mecanizado. É o chamado Giro Palates: são grandes palates com garrafas presas que giram ao mesmo tempo milhares de garrafas de champanhe. Outra novidade é que algumas marcas passaram a fermentar parte do vinho em carvalho já de uso da região da Borgonha para desenvolver aromas mais finos e também potencial de envelhecimento. Outras marcas estão utilizando leveduras naturais na segunda fermentação. Isso permite ao vinho mostrar a marca do solo, expressar o seu terroir, ao invés do uso de leveduras selecionadas que costumam padronizar aromas e sabores. Champanhe está literalmente se mexendo para inovar a cada dia, a cada nova safra.

18/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:42

UVA AGLIANICO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. O sul da Itália não para de nos surpreender, desta vez com a uva aglianico, do grego eleanico, que significa o que vem da Grécia. Uma uva tinta que se destaca na região sul da Itália desde o século 7 antes de Cristo, em solos vulcânicos do Monte Vultur, no triângulo entre a Puglia, Campania e a Basilicata. As características da uva aglianico são intensidade e concentração de cor, alto nível de acidez e de taninos, o que permite envelhecimento e amadurecimento. Degustei o Colepetrito Aglianico com 10 dias de maceração e remontagem diária para extrair ainda mais potencial do vinho, mais extratos. Tem notas de chocolate, especiarias e café, e boa fome. Persistência. Os aromas vêm do terroir vulcânico e do envelhecimento em barris de tosta média. É um vinho ideal para queijos temperados, para carnes vermelhas, massas e pratos suculentos, como o cordeiro. Bem estruturado, envolvente e persistente. Alguns vinhos da uva aglianico são tão encorpados, austeros e persistentes que são comparados aos vinhos Barolos produzidos ao norte da Itália. Por isso, os aglianicos ganham também o apelido de barolos do sul. Mais uma sugestão de vinhos para você descobrir, lembrando sempre de manter a moderação. Uma ótima manhã para você, e agora vamos ouvir “Ordinary Day”, com Dolores O'Riordan.

17/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:44

UVA MALBEC

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. E que delícia ter a sua companhia nesta manhã para falar de música e vinho. A uva embaixadora da Argentina é a Malbec e ela vem crescendo em exportações e ganhando adeptos em todo o mundo. São 41 mil hectares de área plantada de Malbec na Argentina, e a área cresceu 56% na última década. Segundo dados do Instituto Nacional da Vite Vinicultura, a comercialização total da variedade Malbec, nos mercados tanto interno quanto externo, duplicou nos últimos 12 anos. No ano passado, 62% da produção foi exportada. Isso mostra outro número surpreendente: a exportação cresceu 242% nos últimos 12 anos. E sabe quais são os números? Os principais países apaixonados por Malbec: em primeiro lugar, é claro, os Estados Unidos, com 41 mil litros por ano; em segundo lugar, o Reino Unido, com 26 mil litros por ano; em terceiro lugar, o Canadá, com 9 mil litros de Malbec por ano sendo consumidos; seguido pelo Brasil, com 6 mil e 800 mil litros de Malbec por ano. Que diferença grande, né? 45 mil litros contra quase 7 mil litros entre Estados Unidos e Brasil. E olha que americano não vive só de Malbec. Em primeiro lugar, para eles, estão os vinhos americanos, que eles valorizam muito. Aqui no Brasil, vamos, aos poucos, disseminando o consumo consciente da bebida, mostrando as milhares de variedades de uvas, de estilos e países, e muitas novidades a cada dia. Afinal, o mundo do vinho não para de evoluir há 8 mil anos. Lembre-se sempre de manter a moderação. Você poderá descobrir novos estilos e novos vinhos.

15/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:03

UVA GRENACHE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. Eu adoro falar sobre essa sigla que aparece em muitos vinhos e acaba nos confundindo, achando, talvez, que seja o nome da uva ou da região. GSM são as iniciais das uvas Grenache, geralmente encontrada no sul da França, na região do Rhone, e também na Austrália. São três uvas tintas que formam esse estilo de vinho que eu considero muito fácil de beber, embora não sejam vinhos leves, e sim até mais encorpados, com uma boa textura em boca, macios e com as notas aromáticas que lembram frutas vermelhas e negras e especiarias, como a pimenta típica da uva Sihá. São vinhos bem gastronômicos, perfeitos para carnes ensopadas, carnes grelhadas, um bom hambúrguer de carneiro ou uma massa com filé. Há vários produtores com esse corte GSM, vale muito experimentar. E o melhor: são vinhos que você pode beber ainda jovem, lembrando sempre de manter a moderação.

14/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:11

ETAPAS DO VINHO

aber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Nossa, que vinho bom! Muito bom, excelente, delicioso! Quando a gente começa a beber vinhos e ainda não consegue descrever o que sentimos, é assim mesmo, mas já é o primeiro passo. Vinho é assim: vivo, evolui, melhora, muda, amadurece, trava a língua, saliva, esquenta, refresca, oxida, envelhece e até explode, como os espumantes. Tudo é possível. O exercício da degustação é gostoso, divertido e vai te levar a esse caminho de entender cada sensação que o vinho te traz. As etapas são: visual, aromática e gustativa. Primeiro, sirva um terço da taça e observe a coloração. Vinhos brancos ganham cor com a idade, e vinhos tintos perdem coloração. Você ainda pode analisar o brilho ou a opacidade da cor. Os exercícios da degustação são gostosos, divertidos e vão te levar a esse caminho. Reflexos e mudanças de tonalidade da cor, e a famosa lágrima do vinho: fazendo o giro, quanto mais rápido escorrer o líquido, menos alcoólico é o vinho. Só é possível entender essas variações de coloração se colocar estilos diferentes nas taças, uma ao lado da outra. Assim, você vai ampliar seu conhecimento fazendo comparações. Um vinho da uva Chardonnay, com barricas, ao lado de um Sauvignon Blanc jovem, tem grande diferença. Já os vinhos brancos, dentro das garrafas, nas prateleiras ou ainda na adega, às vezes você pode confundir com o vinho tinto, porque parece tudo igual. Exercícios como este são bem divertidos. E, se você também já fez essa degustação, lembre-se de compartilhar conosco usando a hashtag #musicaemvinho.

13/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:47

O VINHO E SEUS DEUSES

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música, no ar: Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. O vinho e seus deuses. Degustei o Telo e Cirrà do Lázio. A propriedade fica a uns 50 quilômetros de Roma, e o nome vem da deusa romana da terra, do solo fértil: Telo. O rótulo me chamou a atenção, descobri que foi escolhido em um concurso de arte que aconteceu no belíssimo Castelo de Sant’Angelo, em Roma. O Castelo de Sant’Angelo é um cenário magnífico. Foi lá que aconteceu a grande ópera Tosca, de Giacomo Puccini. Totalmente cheio de arte, um monumento rico, coroado por uma estátua de anjo no topo do edifício. Telo e Cirrà é um vinho cheio de arte. A garrafa tem o formato das antigas garrafas romanas, e o vinho é do produtor Falesco, um super Cirrà, de coloração vermelho bem intenso, frutas frescas e as famosas especiarias da Cirrà, com um toque de baunilha pelos seus cinco meses de carvalho. O Telo e Cirrà é um vinho sedoso, com taninos macios, rico e persistente. Acompanha super bem pizzas de calabresa, queijos maturados e massas com molhos fortes, como o nhoque de quatro queijos da minha amiga Gabriela Grandu. Que perfeição! Cremoso, aromas lácteos, sabores extremamente harmoniosos... incrível! Nhoque aos quatro queijos com vinho tinto é uma ótima sugestão de harmonização. Lembrando sempre: mantenha a moderação e, se beber, não dirija.

12/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:32

VINOTERAPIA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Vocês sabem que uma das minhas grandes referências é a revista Adega, que traz as melhores publicações do mundo do vinho. E eles trouxeram uma matéria sobre vinoterapia, o tratamento estético à base de vinhos e seus elementos. O termo vinoterapia é patenteado e só pode ser usado em seis spas de vinhos pelo mundo. O tema é superantigo, os gregos já registravam os tratamentos estéticos à base de uvas desde a Antiguidade. O tratamento é baseado na utilização de nutrientes da uva: casca, mosto, óleo de semente e bagaço, para realizar esfoliações, massagens e banhos. O vinho mesmo é usado só para beber, enquanto se relaxa na banheira com cremes e sais, porque o álcool não é indicado para ter contato com a pele, pode causar irritação e produção de oleosidade. Os benefícios vão desde o relaxamento, à redução de rugas e ao efeito antienvelhecimento. Como todo tratamento, a vinoterapia precisa ter a orientação do seu médico, mas alguns dos benefícios são: hidratar a pele, eliminar toxinas, acelerar a cicatrização de feridas, auxiliar na produção de colágeno e, por isso, manter a pele mais firme,além de ativar a circulação sanguínea. A história é bem clara: Cleópatra, a rainha do Egito e a mais bela da sua época, já tomava banhos de vinho.

11/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:35

SOUVIGNON BLANC DA ÁFRICA DO SUL

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música, no ar: Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E se você gosta de vinhos, Música e Vinho é pra você. A África do Sul é o nosso tema de hoje. E, normalmente, nós lembramos da uva tinta Pinotage, mas o país é especialista em duas uvas brancas também: a Chenamblã e a Sauvignon Blanc. As encostas montanhosas da região da Cidade do Cabo têm clima do Mediterrâneo europeu, ideal para o cultivo das videiras. O país é hoje o nono maior produtor de vinhos, com 340 vinícolas e 450 milhões de litros de vinhos exportados. Quarenta por cento da produção total é da uva branca Chenamblã, mas a Sauvignon Blanc se destaca com uma acidez e frescor comuns da uva, porém com aromas não tão tropicais como o Sauvignon Blanc da América do Sul, um pouco mais cítrico, vegetal, mineral, fechado, porém elegante. Poucas uvas do mundo conseguem ser tão versáteis e mudar de expressão em cada diferente terroir onde é plantada como a Sauvignon Blanc. Na África do Sul, a Sauvignon Blanc recebe também os nomes de Savanã, Mosquê e Fumé Blanc. E a minha “uva bossa nova” combina com pratos como peixe com limão, frutos do mar, risoto de camarão, tapas, empanadas ou tortas de legumes. Degustei, e com bastante ervas! Herbáceo com herbáceo deu super certo. Lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar o seu próximo vinho e descobrir maravilhas como o Sauvignon Blanc da África do Sul.

10/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:40

VALPOLICELLA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Hoje nós vamos direto para a Itália, na região do Vêneto. Para você que quer saber mais, só que hoje, num contexto totalmente diferente, novas informações sobre essa famosa região do Vêneto, na Itália. E mais uma vez, eu te desafio a saber: qual é o vinho do Vale das Muitas Adegas? Mas, se eu disser Valpolicella, você conhece, é claro! Esse é o estilo de vinho mais famoso do Vêneto, sim, mas não o único. O Vêneto é a maior região em produção na Itália: são mais de 850 milhões de garrafas ao ano, e aqui há o maior número de denominações de origem controladas. Os grandes vinhos clássicos se utilizam de uvas autóctones, que são as uvas regionais, como o Soave, um vinho branco muito popular, feito com as uvas autóctones Garganega e Trebiano. O vinho seco clássico da região é elaborado com as uvas Corvina, Molinara e Rondinella. Tem ainda o Amarone de Valpolicella, as mesmas uvas, porém parcialmente secas. Dá um vinho mais complexo, encorpado e alcoólico, podendo chegar a 16 graus alcoólicos. O Recioto de Valpolicella é o vinho doce, com as mesmas uvas do Valpolicella. As uvas são secas e têm a fermentação interrompida, exatamente como se faz nos vinhos do Porto. O Valpolicella Ripasso é elaborado com os resíduos das uvas do Amarone. E, no Vêneto, encontramos ainda outros estilos de vinhos, como o Bardolino, com as mesmas uvas do Valpolicella, porém vinhos mais leves, para consumo rápido e para harmonizar com um picadinho. E ainda o famoso Prosecco, de uvas do mesmo nome, perfeitos para festa de casamento. O Brasil tem uma forte ligação com o Vêneto, porque é de lá que vieram os imigrantes italianos. Então, vamos prestigiá-los e descobrir essas grandes variedades e estilos de vinhos do Vêneto. Mas não são só esses sete estilos que eu citei hoje: são 2 DOCGs, 21 DOCs e 10 IGTs. Tantos estilos de vinho e tanta produção para atender os quase 5 milhões de habitantes da região, receber 60 milhões de turistas ao ano e ainda exportar para todo o mundo. A capital do Vêneto é Veneza, e outras cidades famosas são Verona, a capital dos namorados apaixonados, como Romeu e Julieta. E como eu sou também uma apaixonada, encontrei um vinho na Argentina que faz uma homenagem aos famosos Amarones. Feito no mesmo estilo, o nome é um trocadilho: de Amarone para Enamore, para os apaixonados e enamorados. Lembre-se de manter a moderação, claro e, se beber, não dirija.

08/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:47

QUEIJOS E VINHOS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Queijos, pães e vinhos. Um produto com mais de quatro mil anos: o queijo. Outro, com doze mil anos: o pão. E o vinho, com oito mil anos. São três elementos que se integram na sua mesa, mais conhecida como “queijos e vinhos”, mas eu nunca vi uma mesa de queijos e vinhos sem os pães. Já pensou um pão recheado com queijo e um vinho para acompanhar? Que delícia! E o que mais esses três elementos têm em comum? O processo de fermentação. Sabe que alguns vinhos, como o espumante, têm aromas de pães, principalmente os pães franceses? E os três elementos se encontram em várias situações. O pão também é usado para limpar o paladar entre as degustações de diferentes vinhos. E o vinho branco é usado para fazer pão! Pão com azeitona, bacon e queijo... Já experimentou um croissant? Croque-croque na massa e cremoso por dentro, com um espumante cheio de croque-croque na perlage e cremoso em boca. No verão, uma salada com queijo de cabra, azeite e focaccia, outro tipo de pão, para harmonizar com um vinho branco da uva Pinot Grigio. E no inverno, ou nos dias mais frescos, uma sopa com pedaços de pão, ou aquela servida no próprio pão italiano, e um belo Sangiovese italiano para harmonizar e finalizar. Desde a Grécia Antiga, os homens se reuniam para recitar poemas, comer pão e queijos, e beber vinhos. Se você tiver pão, queijos e vinhos, a harmonização está quase perfeita. Para encerrar, só falta música mesmo. Lembre-se: se beber, não dirija. Beba com moderação.

07/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:44

TORRONTÉS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Uma excelente manhã para você! Seja bem-vindo a mais um Música e Vinho. Já ouviu falar da uva Torrontés? É uma uva de corpo leve, acidez alta e aromas intensos. A origem é na Galícia, na Espanha, porém o sucesso é todo na Argentina. Ah, e ela é diferente da uva Moscatel. A região de Cafayate, na Argentina, é a principal produtora de Torrontés. Dá vinhos brancos aromáticos, bem perfumados, com aromas florais que lembram flor de laranjeira, ervas e especiarias como orégano, além de mel. É um vinho jovem, fresco e, na maioria das vezes, sem nada de madeira. Os aromas antecipam um vinho doce, como um Gewürztraminer, mas na boca a acidez refresca. Harmoniza super bem com pratos indianos, chineses, tailandeses e japoneses. Já experimentou o argentino Crios de Susana Balbo? Ela é uma especialista em Torrontés. Susana Balbo é uma das mulheres mais influentes do mundo do vinho. Trabalhou, ao longo de seus 30 anos de carreira, em bodegas como Catena Zapata e já foi presidente da Wines of Argentina. Hoje, seus filhos José e Ana ajudam a continuar a sua própria vinícola, Susana Balbo Wines. Experimente o Torrontés de Susana Balbo, mas lembre-se: mantenha a moderação.

06/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:28

CHATEAU STE. MICHELLE RIESLING

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Antes mesmo de gravar, eu já postei e comentei muito sobre uma vinícola que eu gosto demais, nos Estados Unidos, na região noroeste, no estado de Washington: a Chateau Ste. Michelle. Ela tem vinhos de excelente custo e qualidade indiscutível. E o mais legal é que eles unem música e vinho! Durante o verão americano, até o dia 15 de setembro, eles seguem com vários concertos na vinícola, e já sabemos que música combina com vinho. As apresentações vão de Ben Harper a Pink Floyd. Conheci a vinícola em 2016 com o Cabernet Sauvignon e, depois, degustei várias outras uvas. Mas só agora tive a oportunidade de provar o Riesling, o mais vendido do mundo. O Chateau Ste. Michelle Riesling, do Vale de Columbia, é super refrescante e crocante, com aromas de maçã verde e um mineral bem gostoso. Agrada a todos, porque não é muito seco nem muito mineral, o que o torna fácil de beber, mas mantém todas as características de qualidade da uva Riesling. Harmonizei com vieiras ao yuzu, vieiras frescas e cruas, com muito frescor, toque salgadinho e o azedo intenso do molho de yuzu, que é uma compota, uma conserva de limão. Você também pode harmonizar com frutos do mar, frango, queijos frescos, comida japonesa, enfim, todos os pratos leves e refrescantes. A vinícola tem mais três rótulos de vinhos brancos feitos com a mesma uva Riesling: o Heroica, o Cold Creek e o Colheita Tardia. A Chateau Ste. Michelle foi eleita em 2012 como Produtor do Ano dos Estados Unidos, em 2011 como a marca mais admirada, em 2013 como a Vinícola do Ano do Pacífico, e está sempre entre os Top 100 da Wine Spectator. Comemorando mais de 50 anos, a vinícola segue unindo as tradições do Velho Mundo às tecnologias do Novo Mundo. Até pouco tempo se dizia que grandes vinhos americanos eram apenas os californianos. Quer arriscar um vinho de Washington? Que tal começar com o Chateau Ste. Michelle? E lembre-se sempre: mantenha a moderação para aproveitar o seu próximo vinho e descobrir rótulos maravilhosos como o Chateau Ste. Michelle Riesling.

05/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:20

UVA AGLIANICO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música & Vinho, com a sommelier Kezia giugni. O sul da Itália não para de nos surpreender, desta vez, com a uva Aglianico, do grego Eleanico, que significa “o que vem da Grécia”. Uma uva tinta que se destaca na região sul da Itália desde o século VII antes de Cristo, em solos vulcânicos do Monte Vultur, no triângulo entre a Puglia, Campania e Basilicata. As características da uva Aglianico são intensidade e concentração de cor, alto nível de acidez e de taninos, o que permite envelhecimento e amadurecimento. Degustei o Colepetrito Aglianico, com dez dias de maceração e remontagem diária, para extrair ainda mais potencial do vinho, mais extratos. Tem notas de chocolate, especiarias e café, e uma boa persistência. Os aromas vêm do terroir vulcânico e do envelhecimento em barris de tosta média. É um vinho ideal para queijos temperados, carnes vermelhas, massas e pratos suculentos, como cordeiro, bem estruturado, envolvente e persistente. Alguns vinhos da uva Aglianico são tão encorpados, austeros e persistentes, que são comparados aos vinhos Barolos, produzidos ao norte da Itália. Por isso, os Aglianicos ganham também o apelido de “Barolos do Sul”. Mais uma sugestão de vinhos para você descobrir, lembrando sempre de manter a moderação.

04/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:39

COLINAS DE PROSECCO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E uma ótima manhã pra você, que quer saber mais sobre o mundo do vinho! Mais uma região vinícola recebeu o título de Patrimônio da UNESCO. Desta vez, foram as colinas de Prosecco. Os Proseccos são os vinhos italianos mais consumidos no mundo. O título foi dado em 7 de julho de 2019. A indicação italiana foi aprovada por unanimidade, garantindo os 21 votos dos Estados-membros. As colinas de Conegliano e Valdobbiadene são de uma beleza única. Mas afinal... Prosecco é uva, é estilo ou é denominação de origem? Os primeiros limites demarcados são de 1930, ao nordeste da Itália, abrangendo cidades como Treviso, Veneza, Vicenza, Padova, Belluno, Gorizia, Trieste, Pordenone e Udine, para a denominação de origem Prosecco. Então, Prosecco é uma denominação de origem. Mas Prosecco também era o nome da uva. Só que, em 2009, a uva branca Prosecco passou a se chamar Glera. O vinho deve ter 85% da uva Glera, e os demais 15% podem ser compostos por Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Noir e outras uvas regionais. Prosecco também é um estilo de vinho. São espumantes elaborados pelo método Charmat, quando a segunda fermentação acontece em tanques, e não individualmente na garrafa, como acontece na região de Champagne. Prosecco é, então, denominação de origem, já foi o nome da uva, e continua sendo um estilo de vinho.

03/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:51

VINHOS SUIÇOS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E uma ótima manhã pra você, que é apaixonado por vinhos! Vinhos suíços... Eu nunca degustei. E você? Mas só pelas paisagens das vinhas da região de Lac Léman, já me deu vontade de encontrar um vinho suíço pra conhecer. O Lac Léman é o maior lago da Europa Ocidental e tem um clima muito particular. Está protegido do frio de inverno, pois o lago e os muros de pedra armazenam calor, e, no verão, o próprio lago ajuda a refrescar. A exposição solar é de nascente, o que é propício à viticultura. São duas as regiões mais importantes dos vinhos na Suíça: La Côte e Lavaux. La Côte quer dizer “encosta”, pela sua localização em uma suave colina. Produz vinhos brancos como os da Europa, de uma uva de coloração dourada, lembrando a Chardonnay, e aromas de frutas como pêssego, maçã, além de nozes e mel. Perfeito para um fondue de queijos ou massas com molhos brancos. Além da Chasselas, a região produz ainda vinhos com as uvas Chardonnay, Müller-Thurgau, Sylvaner, Pinot Gris e tintos mais leves, como Pinot Noir e Gamay. A outra região vinícola da Suíça é Lavaux, considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 2007. O motivo de tal título são as paisagens incríveis dos vinhedos. Dizem sobre a região de Lavaux que ela tem a sorte de amadurecer sob um sol triplo: um sol que vem de cima, generoso e acolhedor; um sol que vem de baixo, reflexo do lago espelhado; e um sol retido nos velhos muros de pedra, que é liberado à noite.

01/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:57

UVA SYRAH

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música & Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Cada região da França é cheia de pequenas aldeias, e todas têm a sua particularidade, como Vansobre, que fica a 40 km ao norte da famosa região vinícola de Châteauneuf-du-Pape. Vansobre é especial para a produção de vinhos elaborados a partir da uva Syrah. Degustei o Vansobre do vinhedo Le Cornu, da Família Perrin, proprietária do ícone Château de Beaucastel. O Vansobre da Família Perrin tem 50% de Syrah e 50% da uva tinta Grenache, plantadas em socalcos de mais ou menos 300 metros, em um terroir bem pedregoso. Cada uva é vinificada separadamente: a Grenache em inox, e a Syrah em tanques de madeira. Depois, só a Syrah envelhece em carvalho por um ano. Ganhamos, assim, um vinho fino, intenso, com notas de violeta, carne defumada, amoras e café, com muita fruta madura e toques de especiarias. Super gastronômico! Harmonizei o meu Vansobre da Família Perrin com um filé au poivre, que ficou perfeito. Ótimo Vansobre pra você!

31/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:22

VINHO SEM SAFRA

E que bom ter a sua companhia em mais uma manhã para falar de música e vinho! Hoje, vamos falar sobre os vinhos sem safra. Na hora de escolher um vinho, você já decidiu o estilo, o país, a uva, o preço... e ainda tem a safra! Mas olha só como tudo na vida envolve escolhas: se você for comprar um simples presunto, tem que escolher se é de peru ou de porco, a espessura, a quantidade, o defumado... entendeu? Então, não é só o vinho, o vinho também exige escolhas. Os vinhos têm no rótulo o ano em que a uva foi colhida. O ciclo da videira é de um ano, e o desenvolvimento da uva pode mudar de acordo com as condições climáticas. Por isso vem o ano: a safra é bem importante. Os vinhos não safrados são apenas os vinhos do Porto, Champanhe e Jerez, que podem, podem fazer mesclas de safras, e só destacam uma única safra quando acontece um ano excepcional. Aí, ele recebe o nome de vintage. Nos demais casos, precisa ter a safra, sim. Vinhos brancos e rosés, por exemplo, precisam ser bem jovens, entre dois e três anos, no máximo. Para os vinhos em geral, tem exceções, mas são poucas. E os vinhos tintos, na maioria, entre quatro e cinco anos no máximo também. Mas precisa ser o vinho certo, se for de cinco ou seis anos, ainda há exceções, mas são poucas. Se achar um vinho barato, sem madeira e sem safra... desconfie. E foi o que aconteceu: chegou às minhas mãos um Pinot Noir. Na descrição dizia que o vinho era bem jovem, mas não tinha safra. O vinho já estava oxidado. Desconfie dos vinhos sem safra.

30/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:49

VINHO E CHOCOLATE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Quem ouve pensa que sou chocólatra, já que cito vinho e chocolate fora da Páscoa várias vezes ao longo do ano. E, se harmonizar vinho e chocolate é considerado um desafio... eu adoro desafios! E já que vai rolar uma degustação de vinhos e chocolates, comecei a testar várias harmonizações. O primeiro é o chocolate branco. Testei um brigadeiro de chocolate branco com castanhas brasileiras, tipo macadâmia. Ficou perfeito com espumante e Moscatel branco, unindo a superdoçura dos dois elementos. Em seguida, harmonizei o chocolate ao leite. Coloquei com frutas: chocolate com morango ou com physalis. A acidez da fruta, com a doçura do chocolate, forma um delicioso contraponto, e se complementam com um belo vinho do Porto. Por último, um assemblage de três chocolates: um creme com três tipos, massa de biscoitos intercalando camadas de chocolate ao leite, chocolate amargo e chocolate branco. Tudo junto e misturado vira um verdadeiro assemblage de chocolates, com uma boa complexidade de sabores e aromas. Chocolates são intensos em boca e precisam de vinhos mais encorpados e complexos para harmonizar. Você pode testar em casa um vinho do Porto, um Colheita Tardia, um Sauternes ou ainda um belíssimo Amarone. Precisa de convite? Vinho e chocolate... é só testar e harmonizar! Lembrando sempre: mantenha a moderação para aproveitar cada nova degustação.

29/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:41

COLLE PETRITO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. O dia estava muito quente e eu estava sem companhia para tomar um vinho. Todos procuravam uma bebida para gelar, para refrescar, e eu concordei. Mas, depois de alguns minutos, minhas papilas gustativas pediram um vinho, e lá fui eu a mais um desafio: agradar a quem não era tão fã de vinho e, para completar, ao meio-dia, em um calor imenso. Os pratos eram linguiça suína com ervas, bife de angus e carneiro assados. Escolhi o país dos vinhos mais gastronômicos: a Itália. Decidi por álcool mais baixo, apenas 12%, que permite gelar um pouco mais o vinho sem amargar. Escolhi um vinho tinto para acompanhar as carnes e, depois, o preço que, aliás, era o vinho mais barato da carta. Um vinho jovem chamado Colle petrito Rosso. Rosso, tinto e italiano. O vinho agradou em cheio, porque é um estilo muito simples e fácil de beber, com notas aromáticas de chá preto, frutas vermelhas e orégano. E era exatamente o aroma de orégano, que é uma especiaria que dá muita vontade de comer,que tornou perfeita a harmonização, já que a linguiça tinha ervas, entre elas o orégano. O Colle petrito Rosso é feito com a uva Montepulciano. Essa é a segunda variedade mais plantada na Itália, atrás somente da uva Sangiovese. A Sangiovese, ao lado da Syrah, são as duas uvas que formam belos assemblages com a Montepulciano. Desafio concluído. Só ouvia as descrições: “acidez boa”, “o sabor combina com a comida”, “vinho equilibrado, de médio corpo, macio, melhor ainda com a comida”, e por aí vai. Desafio concluído. Consegui agradar a turma. Lembre-se sempre: se beber, não dirija.

28/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:57

MENDOZA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Do famoso produtor Família Zuccardi, você encontra a linha Santa Júlia, com vários vinhos varietais, aqueles vinhos de uma uva só: 100% Cabernet Sauvignon, 100% Malbec ou 100% Tempranillo. São vinhos argentinos de Mendoza, simples, gostosos e baratos. Degustei o Santa Júlia Tempranillo. A uva Tempranillo, aliás, foi trazida pra Argentina pelos colonizadores espanhóis. Os vinhos dessa uva, quando jovens e frescos como o Santa Júlia Tempranillo, mostram muitas frutas vermelhas, como framboesas e amoras. Na Espanha, é muito usada nos vinhos da Rioja, onde produz vinhos mais sérios, amadurecidos e evoluídos em carvalho. Já na Argentina, o estilo é mais simples, por isso, não espere grandes aromas ou complexidade nos Tempranillos argentinos. Apenas abra em qualquer dia, para curtir com os amigos e uns embutidos, queijinhos, filés, uma massa simples, e deixe fluir. E não se esqueça da água para acompanhar a sua degustação. A água hidrata, limpa o paladar entre um vinho e outro e deixa a sua experiência fluir. Lembrando sempre: mantenha a moderação para aproveitar novos e diferentes vinhos.

27/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:24

UVA GEWÜZTRAMINER

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni E uma excelente manhã para você! Obrigada pela sua companhia de sempre. A gente acha que já falou sobre tudo, né? Mas depende do contexto e da percepção de cada um. Por exemplo: a uva Gewürztraminer, de origem francesa — e que eu já falei por aqui — dá origem a vinhos brancos feitos de uma uva que é, curiosamente, totalmente rosada. Quando penso em Gewürztraminer, a primeira ideia que me vem à cabeça são os aromas florais. Mas, para minha amiga Elie, eles são vinhos temperados. E “Gewürz”, em alemão, significa literalmente tempero — nem eu lembrava disso! A uva Gewürztraminer produz mesmo vinhos com toques picantes, aromas de lichia, rosas, manga e especiarias como cravo. Você acertou, minha amiga — o vinho é literalmente temperado com várias famílias aromáticas. Essa uva não é muito conhecida, mas é plantada em países como Alemanha e França, especialmente na Alsácia, e já faz sucesso também nos Estados Unidos, Austrália, Chile, Nova Zelândia e aqui no Brasil. Eu tenho um carinho especial por essa uva, porque já passei um dia todo colhendo e comendo Gewürztraminer aqui mesmo no Brasil. Os vinhos dessa uva têm coloração dourada, boa acidez e são super aromáticos. Formam uma bela parceria na harmonização com comidas bem condimentadas, como as indianas, chinesas e tailandesas. A Gewürztraminer produz, além de vinhos brancos secos, alguns brancos de sobremesa com colheita tardia — e esses vinhos são ótimos acompanhamentos para sobremesas à base de frutas ou iogurte com chocolate. E lembre-se: mantenha a moderação. Se beber, não dirija.

25/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:52

LUIS CAÑAS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni Da mais tradicional região vitivinícola da Espanha, a Rioja, vem o Vinho Luis Cañas. A terra das Tempranillos, mas que usa também no corte as uvas Garnacha e Graciano, e que ainda não admite a entrada de Cabernet Sauvignon, Merlot e outras uvas francesas. É uma forma de preservar o estilo da Rioja. Aliás, uma coisa mudou: antes, o DOC Rioja, que é bem grande, só mencionava no rótulo “Rioja”. Agora, já destaca as sub-regiões Rioja Alta, Rioja Baixa e Rioja Alavesa, que têm diferenças de terroir e altitude. Já começam também a ser aceitos destaques no rótulo mencionando as comunidades, os vilarejos — ou villages, onde os vinhos são produzidos, para valorizar cada região. Degustei o Luis Cañas Crianza: tem 95% de Tempranillo e 5% de Garnacha, de vinhedos com idade média de 30 anos. Já mostra uma força de raiz, que busca nutrientes a fundo e expressa, no vinho, intensidade e vigor, desde a coloração até o paladar. Passa 18 meses em carvalho, exatamente como determina a classificação de envelhecimento na Espanha para ser um Rioja Crianza. Na boca, tem notas de morango, um pouquinho de baunilha, muita madeira, é claro, e um leve toque aceto balsâmico. De taninos redondos e bom retrogosto, é um vinho super gastronômico. O Luis Cañas Crianza pode ser harmonizado com um churrasco com batatas assadas, pode ser com mandioca frita também, ou um cozido de carnes com legumes. Lembrando sempre, é claro: saber beber é saber viver, com moderação.

24/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:55

CONTRIBUIÇÕES FÍSICAS E ESPIRITUAIS DO VINHO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música, no ar: Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. É sempre bom ter a sua companhia, especialmente você, que é fã do Música e Vinho. A sabedoria popular sempre reconheceu as qualidades e contribuições físicas e espirituais do vinho. A ciência conseguiu provar… após dois mil anos. E não há dúvidas: vinho faz bem à saúde, e para a alma. Tornou-se uma bebida fundamental. Já dizia o poeta romano Bábrios: “O grau de civilização de um povo é sempre proporcional à qualidade e à quantidade de vinhos que consome.” O vinho é, sim, um instrumento cultural repleto de simbolismos. Através do vinho, experimentamos novas culturas e adquirimos conhecimentos sobre cada povo, gastronomia e região à qual o vinho pertence. De Pasteur, no século XIX, a Serge Renaud, em 1991, o vinho faz bem à saúde. Saúde! Pasteur introduziu a pasteurização, que elimina as bactérias do vinho por aquecimento da bebida. Renaud confirmou a boa relação entre o consumo de vinho e a menor incidência de doenças coronarianas. Mais recentemente, os cientistas se concentram na ação rejuvenescedora dos antioxidantes do vinho. Os estudos continuam a examinar várias partes do corpo humano onde o vinho pode agir beneficamente. Mas dos efeitos sobre a mente, ninguém tem dúvidas. Há muitas contribuições quanto aos avanços da política, da ciência e da literatura, desde a Antiguidade até a atualidade, desenvolvidas a partir do vinho. Do comércio marítimo do Mediterrâneo aos simpósios políticos e filosóficos, em que se partilhava uma taça de vinho, o vinho sempre teve seu prestígio. E hoje, é capaz de unir as pessoas com fortes laços histórico-culturais, das taças de cristal aos copos de acrílico. Um bom vinho pra você! E lembre-se de compartilhar o que está degustando usando a hashtag #MúsicaEVinho através das redes sociais.

23/10/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:05