VINÌCOLAS CHAMPAGNE
18/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:42
Notas do Episódio
Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música em Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Uma das mais famosas regiões vinícolas do mundo, Champagne, é também um desafio climático constante para se produzir uvas maduras e sãs. Champagne está situada no limite para a cultura de vinhedos, a quase 50 graus de latitude norte e com temperaturas médias que chegam a 11 graus. A região tem pouca amplitude térmica, que é a famosa variação de climas entre o dia e a noite, que é sempre muito bem-vinda para as videiras. A insolação é de 1.650 horas por ano, bem abaixo de outras regiões como o Bordeaux, que chega a 2.069 horas de sol por ano. A região de Champagne sofre com as geadas no período da primavera, especialmente na brotação, mas o solo da região é de calcário, e isso favorece a drenagem e influencia na mineralidade dos vinhos, e faz a característica ímpar dos vinhos no estilo efervescente: boa acidez e boa mineralidade. Ainda sem estudos comprovados mineralidade dos vinhos, a última década em Champagne teve vários vinhos no estilo vintage, quando a safra é excepcional e o vinho é safrado. Isso porque os produtores estão conseguindo melhor maturação das uvas devido ao aquecimento global e também ao uso de tecnologias de condução da videira. Além disso, os produtores entenderam também que toda safra pode ter um vintage e o vinho vai expressar as características daquele ano. A última década, por exemplo, a vinícola Moët-Chandon teve 7 vintages em apenas 10 anos. Outra coisa que mudou em Champagne é que, com o crescimento do consumo do vinho no mundo, alguns métodos como remoagem manual, o famoso giro das garrafas, que era feito uma a uma, passou a mecanizado. É o chamado Giro Palates: são grandes palates com garrafas presas que giram ao mesmo tempo milhares de garrafas de champanhe. Outra novidade é que algumas marcas passaram a fermentar parte do vinho em carvalho já de uso da região da Borgonha para desenvolver aromas mais finos e também potencial de envelhecimento. Outras marcas estão utilizando leveduras naturais na segunda fermentação. Isso permite ao vinho mostrar a marca do solo, expressar o seu terroir, ao invés do uso de leveduras selecionadas que costumam padronizar aromas e sabores. Champanhe está literalmente se mexendo para inovar a cada dia, a cada nova safra.