Música e Vinho | Morena FM - Easy | Cadena

MÚSICA E VINHO

Descubra harmonias entre sons e sabores no Música e Vinho, onde cada episódio combina músicas envolventes com vinhos selecionados, trazendo histórias e momentos para degustar com os ouvidos e o paladar.

Episódios Recentes

CELLO SYRAH

Não é todo dia que a gente encontra essa sintonia. Ainda não havia degustado, mas já sabia a história do vinho australiano cello-cirá. O nome do vinho é uma homenagem à intensa relação do embaixador da marca da vinícola Kilikannam Wine's, chamado Nathan Walks. Nathan Walks foi violoncelista da Orquestra Sinfônica de Sydney. Uniu suas duas paixões e elaborou o vinho cello-cirá. Poderia ser qualquer uva, mas cirá é a uva símbolo da Austrália. Não só por isso: a palavra cirá também significa música, melodia. Tem sintonia melhor? Finalmente parei para degustá-lo e, literalmente, soou como música para os meus ouvidos. Tem tudo que eu gosto. Coloração rubi intensa. Ao nariz, as frutas maduras negras, como a mora e a ameixa. Adoro os aromas de frutas negras, aliado às especiarias da sirrá e um tabaco no final. É um vinho pra me deixar quietinha, só curtindo, quase mastigando de tão encorpado. Os taninos estavam ali, presentes, dão aquele aperto na boca, mas bem equilibrados, e com uma excelente persistência. Pena que eu estava em uma feira e não dava pra harmonizar, mas colocaria uma degustação Tchelo sirrá com uma costeleta de porco defumada. E você, com o que você harmonizaria o seu sirrá? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

10/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

ARTE DA TANOARIA

É uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. E hoje vamos falar sobre a arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a que apresenta a melhor porosidade, possibilitando a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho também tem impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, resistência, podendo durar até 100 anos, e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, trazendo aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é de 225 litros e, quanto menor o barril, maior será sua influência no estilo do vinho. O uso do barril de carvalho influencia, inclusive, a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita com base no tempo de envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas vale lembrar: os vinhos mais jovens podem não ter estágio em madeira ou ter menos de 12 meses. Os Crianza passam 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Os Reserva ficam cerca de 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Já os Gran Reserva passam cerca de 24 meses em madeira e vários anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos. Influencia na estrutura, na textura e na evolução dos aromas e sabores do vinho. Por trás de cada barrica existe uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

09/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 3:09

LENDAS E MITOS DO MUNDO DO VINHO

Adoro as lendas e mitologias em torno do mundo do vinho. Imagine a deusa da luz, da lua e do sol espalhando brilho e luminosidade. Essa é Theia, a deusa que dá nome ao espumante brasileiro da vinícola Hélios, produzido em Bento Gonçalves. Um super espumante no método champenoise, elaborado com 93% da uva branca Chardonnay e 7% da tinta Pinot Noir. Apenas 900 garrafas foram produzidas em um único lote. Amadurece sobre as borras, o que traz complexos aromas de pão, lembrando brioche, muito floral, fresco, com perlage fino e abundante. Notas cítricas e acidez bem presente. Poucos espumantes me ganham de cara, porque normalmente trazem muita doçura. O Theia tem a cor esverdeada, que eu acho linda, notas acentuadas de pão, sabor bem seco, mas harmonioso com a acidez e o frescor. O espumante Theia abrilhantou o meu dia, brindou a amizade e a qualidade dos vinhos brasileiros. Degustei como aperitivo, mas cabe muito bem com uma paella, um bacalhau e até um risoto de camarão.

07/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:24

VINHOS CHILENOS

Vinhos chilenos: do Vale do Elqui, ao norte de Santiago, vem um produtor que está totalmente conectado à cultura astrofísica da região. A vinha Alcahuás está no Vale do Elqui, que é um super polo de astroturismo. É considerado o céu mais limpo e claro do Hemisfério Sul e, por isso, possui vários observatórios astronômicos. A vinha Alcahuás preserva o pisa-pé das uvas, e isso é incrível. É difícil uma vinícola, atualmente, ainda fazer o pisa-pé. Uma outra particularidade da vinícola é que eles plantaram inicialmente Cabernet Sauvignon e Carménère, as uvas de maior destaque no Chile. Porém, elas não se desenvolveram bem na região. Mudaram então para duas variedades do Mediterrâneo: a Syrah e a Garnacha, e o resultado foi excepcional. Inclusive, espera-se que a Syrah dos vinhedos de Alcahuás se torne uma das melhores Syrahs do mundo. A uva entra na elaboração dos vinhos Drú e Rú, e também no varietal de Syrah. O Rú é o nome do portal de conexão entre a divindade e a humanidade, uma homenagem ao misticismo do Vale do Elqui. É um super vinho de Syrah, Garnacha e Petit Syrah. Já o Grus é uma mescla tinta, igual ao Rú, mas com uma parcela de Malbec. É o segundo vinho da casa e homenageia a constelação Grus. Degustei ainda o Cuesta Tica, 100% Garnacha, da safra de 2017. Quis experimentar porque era a primeira safra. Um vinho de coloração rubi profunda e, ao nariz, fruta vermelha com ervas, especiarias rosas e notas lácteas. Fresco, de médio corpo e taninos bem firmes. Ao final, não degustei o varietal 100% Syrah, mas já vou atrás, porque sou uma enlouquecida por Syrah. E se essa é a nova promessa, já quero saber o que tem a Syrah do Vale do Elqui. E você, está degustando o quê? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

06/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:13

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