Música e Vinho | Morena FM - Easy | Cadena

Episódios

PINOT NOIR

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. Música em vinho. Com a sommelier. Kezia Giugni. Ser clássico e tradicional é manter o que já é habitual, seja na música, na arte ou na gastronomia e no vinho. Como a harmonização entre comida francesa e vinho. Como o pato e Pinot Noir. Como o produtor José Bderouin e os vinhos da uva Pinot Noir. Há 130 anos, a Maison José Bderouin produz vinhos de excepcional qualidade na Borgoia, na França. A casa tem como principal objetivo a elegância e a perfeição. Eu resolvi buscar essa harmonização clássica e escolhi um parmentier de pato. Um picadinho de pato com muito creme de queijo. Gratinado e fumegante, com a delicadeza das frutas vermelhas da Borgoia. Essa foi a harmonização, feito com o Borgoim Pinot Noir da Maison José Bderouin. O vinho é leve, porém muito presente em boca. Não por potência, mas por elegância. Aromas intensos, não por força, mas por complexidade. Sedoso e macio, com aromas de mirtilo, amora, framboesa e muitas frutas vermelhas frescas, que evoluem para as frutas em compota. E os aromas continuam a evoluir com uma delicadeza muito sutil e típica dos terroirs da Borgonha. A maturação do carvalho francês mantém a tradição e deixa notas clássicas de fungos, que eu curto muito. Curto tudo que tem nostalgia, história e tradição. Ok, eu confesso que gosto de tudo que é mais antigo. Aromas de coisas e vinhos que têm alguma história para contar. Como Le Caceroli, que desde 1954 se instalou à frente da banca de flores do Largo do Arochi, no Centro Histórico de São Paulo. Criaram ares parisiense e pratos de bistrô francês, com uma bela carta de vinhos, e hoje é um patrimônio da cidade. Há 64 anos, o local mantém sua excelência, buscando o que chamamos de terceiro sabor, que é o resultado da harmonização entre o prato e o vinho. Eu diria que as flores do outro lado da rua e até o cheiro das paredes ajudam a formar esse sabor. Pato e Pinot Noir é clássico. A carne de pato é bem estruturada, rica em gordura, então precisa de acidez e vivacidade. E é isso que você encontra na harmonização entre o parmentier de pato com o borgon tinto de Pinot Noir da Josette Drouin. Um casamento perfeito e entrará, com certeza, para os meus clássicos. Lembrando sempre de manter a moderação, à tarde eu volto com mais informações do Musica e Vinho.

19/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:42

CHÂTEAU PUYCARPIN BORDEAUX

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e vinho com a Sommelier Kezia Giugni. Eu tenho um amigo que gosta muito de vinhos, mas nunca conseguiu se entender com os bordôs tintos. Você também acha difícil? O fantasma dos bordôs é o preço, sempre apresentados como os vinhos mais caros do mundo, dá espanta mesmo. Degustei uma opção muito boa de custo justo, na faixa dos R$ 120,00, o Chateau Puicarpan de Bordeaux. Bordeaux é uma região francesa de vinhos dividida em margem direita e margem esquerda. Na margem direita está a subregião de Saint-Emilion, de grandes vinhos da uva Merlot. E em Saint-Emilion há uma apelação, uma outra partezinha de terra dentro de Saint-Emilion, chamada de Cotes du Castillon. Ali produzem-se vinhos que usam a maior parcela da uva Merlot em vinhos tintos que vão de médio corpo a engordar, corpados. A cotes do castrilhão produz vinhos com certa rusticidade que vai se afinando com o tempo. Degusteio chatopo e carpam, 80% da uva merlot e 20% de cabernet Sauvignon. Com passagem de 8 meses em madeira e 14% de álcool, então você pode guardar por uns 4 anos. Na boca, um perfeito equilíbrio entre madeira e fruta. Acidez na medida certa, taninos presentes, aromas que lembram a meixa seca, caça e o famoso Saubois, aquele aroma de terra molhada bem típico nos tintos bordaleses.

18/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:35

VINHOS DA UVA CARMÉNÈRE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Uma excelente manhã para você que curte o Música e Vinho e mais uma degustação horizontal. Desta vez, quatro vinhos da uva Carmenes. Todos chilenos. E só assim é possível comparar e entender o quão diferente podem ser os vinhos de uma mesma variedade. Por Isso, não dá para falar que você não gosta de Carmenes se só provou um vinho desta uva. Pode ter Carmeneres com prensagem mais leve das uvas, que dão vinhos mais leves e mais fáceis de beber para o seu dia a dia. E outros Carmeneres mais complexos, como acerações prolongadas e envelhecimento e amadurecimento. Só para lembrar algumas características desta uva: ela tem notas vegetais um pouquinho mais persistentes que a uva Merlot, além de pimenta negra, fruta negra, tabaco, baunilha e couro. E uma cor profunda, inconfundível. São raros os carmeneres franceses, então não resta dúvida em qual país procurar os vinhos da uva carmenere: é no chile mesmo. Para carnes vermelhas grelhadas, assados, cordeiros, filés com pimentas ou especiarias, o carmenere é uma boa escolha. O vinho la roya gran reserva é 100% da uva carmenere, e o aquitânia reserva, com 85% da uva carmenere e 15% de cabernet Sauvignon. Ambos os vinhos, com mais ou menos 10 meses de madeira, me encantaram nesta degustação só dos vinhos da uva carmenere, mas isso porque eu gosto de vinhos com mais persistência de boca, com mais presença, com mais intensidade. Para quem prefere os vinhos mais leves, o caliterra aventura carmenere é um vinho bem correto e de excelente custo-benefício. E você também pode fazer essa degustação em casa com os amigos, escolhendo uma única uva, experimentando para fazer as comparações e entender melhor as características de cada um. Cada gosto é diferente. E você vai escolher o que melhor lhe agrada, lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar o seu próximo vinho.

17/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:06

VINHO CIRRÀ

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. O Vinho e seus deuses. Degusteio Telo e Cirrado Lázio. A propriedade fica uns 50 quilômetros de Roma, e o nome vem da deusa romana da terra, do solo fértil Telo. O rótulo me chamou a atenção, e descobri que foi escolhido em um concurso de arte, que aconteceu no belíssimo Castelo de Sant'Angelo, em Roma. O Castelo de Sant'Angelo é um cenário belíssimo, e foi lá que aconteceu a grande ópera Tosca, de Giacomo Puccini, totalmente cheio de arte. Um monumento rico, que tem a estátua de um anjo coroando o edifício. Telo e Cirrà é um vinho cheio de arte. A garrafa tem o formato das antigas garrafas romanas, e o vinho é do produtor Falesco. Um super Cirrà de coloração vermelho bem intenso, frutas frescas e as especiarias da Cirrà. Um toque de baunilha pelos seus cinco meses de carvalho. O Telo e Serrai é um vinho sedoso, com taninos macios, rico e persistente. Acompanha super bem pizzas de calabresa, queijos maturados e massas com molhos fortes, como o nhoque de quatro queijos da minha amiga Gabriela Grandu. Que perfeição! Cremoso, aromas lácteos, sabores extremamente harmoniosos, incrível! Nhoque aos quatro queijos com vinho tinto é uma boa sugestão de harmonização, lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

16/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:32

VINHOS DE FERMENTAÇÃO EM CONCRETO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em Vinho com a sommelier Kezia Giugni. A sugestão de tema de hoje é do Marcelo Padua, a respeito dos vinhos de fermentação em concreto. A fermentação em concreto não é nenhuma novidade, assim como a fermentação em ânforas, que acontece desde a antiguidade. Os tanques em concreto estão sendo cada vez mais usados na elaboração dos vinhos. Eles deixaram de ser usados e perderam espaço para o inox e também para a madeira, porém têm várias vantagens. São tanques com paredes resistentes e espessas, com revestimento neutro, que mantêm a temperatura constante naturalmente. Têm a micropurosidade, que permite a micro-oxigenação, assim como a madeira, porém sem transferências de aromas, o que acontece com a fermentação no carvalho. Os vinhos ficam mais cremosos e preservam as características da uva, mantendo seu terroir. Para os enólogos que buscam aromas mais complexos e macieis em tanino, sem interferências da madeira, o tanque em concreto é perfeito, mas nada impede que, posteriormente, o vinho seja amadurecido em carvalho. Esse formato oval, que está sendo muito utilizado nos tanques de concreto, é vantajoso, pois permite a movimentação do vinho por todo o espaço do tanque, sem a necessidade de remontagem, e tem uma grande durabilidade. Só precisa ser lavado com água morna a cada ciclo. Aqui no Brasil, a vinícola Guaspari, do Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo, já utiliza o tanque em formato ovo, feito em concreto, para o seu Sauvignon Blanc.

15/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:41

HARMONIZAÇÃO ENTRE PÃES E VINHOS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho com a sommelier Kezia June. Em outros contextos, já falamos sobre a dupla que eu amo, pão e vinho. No Música e Vinho de hoje, vamos harmonizar alguns tipos de pães, já que a cada dia surgem variedades de receitas e as antigas estão sendo resgatadas. Pão não é só pão e acabou. Muda a textura, o tipo de ingredientes, a fermentação, o recheio ou a cobertura, o formato, com ou sem casca, com ou sem leite, e por aí vai. Começamos pelo espumante. Combina com brioches. Espumante, inclusive, tem aroma de pão, lembrando os brioches. Você já deve ter visto, nas descrições de alguns champanhas, notas aromáticas de brioche. Experimente para ver como fica bom, porque o brioche é bem macio e tem um sabor docicado, macio, como a textura cremosa da espumatização dos vinhos espumantes. Pode ser uma entradinha, que tal brioche com queijos e espumante? Os pães doces com frutas secas, chocolates e castanha se harmonizam com os vinhos do Porto. Pode ser a sua sobremesa: pão doce com sorvete e vinho do Porto. Os pães de azeitona combinam com os vinhos da uva Nerodávola, a uva italiana defumada da Sicília. O sabor defumado combina com o amargor das azeitonas. Se você combinar com uma berinjela ou uma caponata de berinjela, pode colocar no pão e já vira um prato bem gostoso. E as famosas focacias combinam com vinhos rosés mais secos. Um super pão que eu adoro, bem leve e fresco, com sabor acentuado do sal e alecrim. O frescor do pão com o frescor do rosé. Agora vamos para os pães recheados. Recheado com linguiça, com queijos e outros sabores mais fortes, combina com vinhos tintos como o Malbec e Sihá. Neste caso, você pode ficar só no pão ou servi-lo com massas com bastante molho de carnes ou queijo. Pão e vinho. Nem só de pão e vinho vive o homem. Se tiver música, também fica muito bom.

13/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:07

VINHO ALENTEJANO BOJADOR

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Já virou moda beber vinhos em taças, rolha de vinho fria em quase todos os estabelecimentos de gastronomia. A ideia é democratizar. Cada um leva o vinho que gosta e que pode pagar. No mesmo grupo de amigos, cada um tem um gosto ou está com vontade de beber um vinho diferente do outro. Não tem problema, cada um degusta a taça de vinho que mais gosta. E eu estive recentemente na Disneyland dos Enófilos, um wine bar com mais de 96 rótulos de vinhos disponíveis em taça. Degustei vários vinhos e, entre eles, também o Alentejano Borrador. Um vinho elaborado com as uvas tradicionais e, se você acompanha o Música e Vinho, já sabe que eu amo os vinhos do Alentejanos. Já falei sobre eles com o tema de vinhos quentes, os vinhos fáceis de agradar. Uvas aragonês, toriga nacional e trincadeira. O vinho borrador passa nove meses em barricas fermentando e depois mais seis meses sobre as borras, para extrair toda a qualidade das uvas e elaborar um supervinho. Sem filtragem, é um vinho no estilo natural. Uma boa fruta e toque terroso, com taninos bem maduros. Mais uma sugestão de vinhos alentejanos para você gostar e descobrir quais são as características principais dos vinhos portugueses.

12/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:31

UVA PINOGRIDIO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em Vinho com a sommelier Kezia Giugni. A vinícola Barone Montalto é uma jovenzinha na ilha da Sicília. Ela é colonizada por gregos e, posteriormente, pelos romanos, que deixaram muitas influências, como teatro e arquitetura. A Barone Montalto foi fundada em 2000 e acompanha a nova tendência dos vinhos sicilianos, muito próximos aos vinhos do Novo Mundo. Embora sejam vinhos de terroir vulcânico, apresentam sabor; são vinhos de aromas vivos, pronunciados e bem aparentes, que se mostram fácil e, principalmente, vinhos que agradam a todos. Tenho um carinho pelo Barone Montalto, pois o degustei pela primeira vez na Itália, e a uva Pinogridio está entre as minhas brancas preferidas. O Barone Montalto Pinogridio, da linha Aquarelo, tem a coloração esverdeada, lembrando maçã verde e libão; aromas que aparecem no olfato. Na boca, é um vinho de paladar suave, como uma mousse, e traz acidez e mais notas de limão, como um limão siciliano. Um vinho de tampa de rosca para facilitar. Pode gelar, beber jovem e acompanhado de risoto de camarão, massas com ervas frescas e manteiga. Um vinho de alta salivação causada pelo frescor da acidez do Barone Montalto. Para lembrar que esse vinho é siciliano, leve estoque de defumado. Afinal, estamos na ilha de terroir vulcânico e vulcões ativos. Bom pinogride para você!

11/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:37

TITULUS È IL VERDICCHIO DEI CASTELLI DI JESI

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Se você já degustou o Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Riesling, Guia Vustraminer, quer descobrir novos vinhos brancos, tem um Verdicchio te esperando. Em formato de ânforas, as garrafas dos vinhos dessa uva da região central da Itália, o Marche, é bem linda. Deguste o Titulus Verdicchio, com coloração bem esverdeada, notas muito herbáceas, lembrando um alecrim, sálvia, cítricos de limão e final de boca bem vegetal. Não é um branco tão óbvio, daqueles levinhos, nada disso. É um vinho de acidez elevada, muito aromático e final longo, porém fresco, médio corpo e bem seco. Ficou perfeito com gaspacho de tomate e creme de mascarpone. E harmonizei também com um carpaccio de pão, de polvo, e uma massa com frutos do mar. Esqueci de destacar as notas de limão siciliano, amêndoas, tostadas e maçã verde. É tão intenso nesse vinho os aromas que dá vontade de ficar no olfativo por horas. Tem vinho que assim já te conquista pelos aromas intensos. Vale muito se aventurar e conhecer o Verdíquio Títulos.

10/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:23

MUSCADET DE SÈVRE-MAINE

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. Obrigada pela sua companhia de sempre, mais uma edição do Música e Vinho que hoje fala sobre a harmonização entre o peixe robalo e um vinho branco e um vinho francês. Nada é mais delicado que as lascas de um filé de robalo, um peixe encontrado principalmente na costa do Nordeste brasileiro, onde atinge tamanho e peso ideal. É um peixe bom de briga com os pescadores, mas não perde a delicadeza, a textura e a umidade no prato. A versatilidade de receitas é grande e eu experimentei uma versão com crosta de especiarias, mini legumes da estação e caldo de sementes e especiarias bem escuro e forte. Uma das maravilhas do Música e Vinho é o Tangerá Jean-Georges, inaugurado em maio de 2017, apenas um ano de atividade, já com uma estrela no famoso Guia Michelin. O robalo merecia a delicadeza do Muscadet de Sèvret-Main, do Bernard Chérot, de fermentação em Surly, quando o vinho fermenta sobre as borras e ganha estrutura, complexidade aromática e profundidade. A fermentação em Surly também auxilia retardando o processo de oxidação do vinho. O Muscadet é elaborado com a uva Melon de Bourgogne, também conhecida como Muscadet, uma uva de belíssima acidez, frescor e coloração com reflexos esverdeados. É uma das uvas principais do Vale du Loire, na França. A principal sugestão de harmonização para os Muscadets são frutos do mar e peixes. A sequência da degustação seguiu com outro francês, o Figarro Rosé, da Masle d'Almas Gassac, do Sul da França, no Languedoc Routillon, um rosé de Carinam e Grenache. Como o caldo era de sabor mais acentuado pelas especiarias, pediam vinho com mais corpo que o branco. Poderia ser até um vinho tinto leve, mas eu escolhi rosé para fazer parte do. Do rosé revolution que tomou o mundo. E pra não fugir do que acredito e defendo há muito tempo, a versatilidade e o lugar de destaque que os rosés merecem. A Mazde da Umazgaçá, que é uma vinícola orgânica, que cultiva as uvas originais das sementes sem clonagem, e assim preserva as qualidades aromáticas e dos sabores das uvas. Robá-lo com um mouscadet e um rosé, ambos franceses, e a distringência de um café pra fechar a noite. Valeu a experiência do estrelado Michelin. Lembre-se de manter a moderação sempre. Se beber, não dirija.

09/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:35

UVA PRIMITIVO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. Será que o meu paladar é igual ao seu? Eu já sei que muita gente ama a uva Primitivo, mas eu não. Mas lancei o desafio de vocês me indicarem um vinho da uva Primitivo que você amou e me dizer o porquê. Eu já tentei vários, juro. Vários produtores e até regiões e países. Tanto faz se Itália ou Estados Unidos, o açúcar residual e a falta de acidez e vivacidade não são compatíveis com o meu paladar. Não estou falando mal do estilo, só confessando que cada um tem um paladar. O que me agrada não te agrada. E olha que tem uvas que eu torcia o nariz, mas mesmo assim não desisti. Ora ou outra eu tentava de novo e foi aí que passei a gostar da uva Nero d'Ávola, por exemplo, que eu achava total. Totalmente dura. Já encontrei alguns bons exemplares com as notas defumadas, taninos presentes sem ser tão duros e o final mais macio, embora tenha essa força na boca. Se você também tem alguma uva ou estilo de vinho que já tentou várias vezes, mas mesmo assim não gosta, e outro que te surpreendeu após algumas degustações, conte para mim. Quero compartilhar com vocês aqui no Musica e Vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

08/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:30

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CAVA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. A região da Catalunha é a área vinícola com o maior número de denominações de origem controlada. Entre as mais conhecidas estão Costa del Segre, Monsant, Penedes, Priorat e Cava, bastante conhecido. Ao todo são 12 sub-regiões, mas hoje vamos entender melhor a denominação de origem Cava. Primeiro que cava, em espanhol, é masculino, então não é a cava e sim o cava. O clima da Catalunha é de poucas chuvas e isso faz com que as videiras apresentem uma baixa produtividade, obrigando as uvas a se concentrarem mais em aromas e sabores. Daí o resultado: são vinhos de coloração profunda, excelente textura e taninos finos. A denominação de vinhos no estilo cava foi exclusividade da Catalunha durante muito tempo e ainda é responsável por 85% da produção. Porém, hoje os espumantes espanhóis em todo o território podem ser chamados de cava. São elaborados no mesmo método tradicional dos famosos champanis, mas o sabor é bem diferente, já que as uvas são distintas. Enquanto em champanis se usa Pinot Noir, Pinot Munier e Chardonnay, na Espanha você utiliza chareolot, macabeu e parelhada para fazer os cavas, além das uvas Pinot Noir, garnacha e monastrel para os cavas rosados e tintos. Desde 1960, o cava ganha o mercado, pois a qualidade cresceu com as novas regras de elaboração e o uso de novas tecnologias, chegou a ser chamado de champanhe espanhol. O bom disso tudo é que o cava é mais suave, mais frutado que os champanhes franceses e é bem mais barato também. São três estilos de cavas que você vai encontrar nos rótulos, em seguida, supermercados: os cavas de selo branco são os mais jovens, com nove meses de maturação; os de selo verde são os reservas, com 15 meses de maturação; e os de selo negro, os Grand Reserva, com 30 meses de maturação. É superfácil harmonizar cava porque vai com quase tudo, desde os embutidos da Catalunha aos mariscos com arroz e açafrão, lembrando sempre de manter a moderação.

06/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:25

CASTAS DE UVAS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho com a sommelier Kezia June. Uma excelente manhã para você, obrigada pela sua companhia. Hoje tem música e vinho e eu estou a fim de falar de uvas de novo. Há cerca de 10 mil diferentes castas de uvas no mundo e, assim como todos os nomes, tem algum significado. Alguns vêm da mitologia, outros são nomes científicos e outros são bem curiosos. Malbec, em francês, quer dizer boca amarga, o que discordo, porque os malbecs são quase doces, se bem que os argentinos… os franceses são bem amarguinhos mesmo. Merlot vem do pássaro merle, que adora comer a uva merlot ainda na videira. Pinot noir é o formato dos cachos, como um pinho escuro: pinot noir. Sangiovese é, em latim, sangue Joves. Carmeneri vem do carmim, do vermelho forte e intenso da sua coloração. Sihá tem mil hipóteses para o seu nome, mas eu acredito na versão da cidade de Sihá, no Irã, da antiga Pérsia. Tempranilo é do espanhol temprano, cedo; a uva amadurece bem cedo. E Cabernet Sauvignon é a união da Sauvignon Blanc; a Cabernet Franc deu Cabernet Sauvignon. Além da uva Nebiolo, a uva das névoas no período da colheita na região do Piemonte, aos pés do monte, muita névoa deu Nebiolo. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

05/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:30

HARMONIZAÇÃO ENTRE O VINHO E A COMIDA

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. Alguém tem dúvida da harmonia entre chá com bolo, arroz e feijão, café com leite, queijo e goiabada? Mas o que explica essa harmonia? Eu não sei de nenhuma regra ou livro que explique ou oriente a bela parceria entre o chá com bolo, por exemplo. Mas eles combinam. Não é uma simples mistura. Se for o bolo de queijo e arroz da nossa capital, então, tem muita história: a receita, o carinho e a imagem de simplicidade e hospitalidade vêm junto. No vinho também é assim. Harmonizar não é uma ciência exata. Não é só misturar. É a sensibilidade e a experiência criada que gera prazer e conforto ao paladar. Mas eu posso compartilhar algumas experiências sobre o que já deu certo comigo. Pratos com cogumelo combinam com vinhos da uva Pinot Noir, peixes de rio com vinho de vinhos brancos da uva Chardonnay. O churrasco fica perfeito com os vinhos tintos da uva Malbec. Se a receita do dia for um ossobuco, nem vou citar nomes de uvas, mas principalmente vinhos tintos mais fortes e alcoólicos. Camarão combinam com vinhos rosés franceses especialmente. Um ceviche, com aquela acidez gostosa, pode ser um Sauvignon Blanc. Tortas de frutas com espumantes da uva Moscatel, chocolates com vinho do Porto, saladas e soufflés ou todos os pratos à base de vegetais com um bom pinogrid bem geladinho. Massas italianas à Bolognese podem ser um Chianti ou um Valpolicella. Carnes com temperos mais apimentados, entre sena uva Sihá. Cordeiro com tempranilo ou carmener. E a carne de panela ou famoso bife Bourguignon pode ser uma uva Cabernet Franc com Merlot ou o próprio corte bordalês da França, a mistura entre as três uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot.

04/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:55

UVA GARNACHA COM TEMPRANILLO

Saber beber, saber viver, com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E hoje tem harmonização aqui no Música e Vinho. Eu sou Kezia Giugni e vou te contar todas as minhas experiências de degustações. Olha como as coisas mudam de posição: a rabada, que tem a sua origem em Portugal e na Espanha, era a sopa do rabo de boi, usada como aproveitamento de todas as sobras das partes do animal, tipo a feijoada. Já foi comida de boteco rejeitada e hoje é um dos pratos agraciados nos melhores restaurantes e lá na casa da minha mãe. Tem várias receitas de rabada ao vinho. Escolha um tinto seco de qualidade. Não vai estragar o seu prato com vinho ruim, né? E para acompanhar, vamos pensar em cores intensas, a suculência do molho, complexidade de vários temperos, a maciez do vinho, do cozimento e o sabor longo que a rabada deixa na boca. O vinho precisa ser mais encorpado então: um tinto seco, com tanino bem presente, textura e estrutura, daqueles vinhos mais encorpados, e pode ter passagem na madeira. Eu harmonizei com um espanhol bem intenso da uva garnacha com tempranilo, mas poderia ser também um tinto do Alentejo, em Portugal, berço do corte das uvas alicante, buchê, trincadeira e aragonês, ou ainda um corte do sul da França, no Rhone, com grenache, sirra e mouvedre. Sabores ricos harmonizados a vinhos ricos, lembrando sempre de manter a moderação.

03/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:42

CORTE DE RIESLING, ALVARINHO E SAVAGNAN

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a Sommelier Kézia Giugni. Tem vinhos que a gente precisa se render e reconhecer que é bom mesmo. Quando ouvi o corte de Riesling, Alvarinho e Savagnan, é claro que estranhei, pois é uma mistura bem diferente. Savagnan é uma uva branca responsável pela maioria dos vinhos brancos do Juhá, na França, os famosos vinhos dourados. Pois a Vinha Alicea, de Mendonça, na Argentina, aproveitou o terroir calcário de Lujan de Cuyo, a 1300 metros, e o clima de montanha para elaborar o Tiara Branco, com 50% da uva Riesling, 40% da uva branca Alvarinho e 10% de Savagnan, uma uva pouco produzida no Novo Mundo. O resultado é espetacular. Uma uva de coloração palha com tons esverde. Aromas de gengibre, pêssego, flores brancas e limão confitado. O vinho tem o cítrico, mas tem também a doçura desde o aroma. Um super vinho, bem presente, mas delicado nos aromas, e na boca continua a surpreender. Super equilibrado, bem mineral e de excelente corpo. Super gastronômico, pé de frutos do mar, caranguejos, lagostas, camarões graúdos. Sabe que eu nunca usei tanto o adjetivo super pro mesmo vinho? É que o Tiara é mesmo uma ousadia da Vinha Alícia. Sai totalmente fora do comum. Nada de Chardonnay, nem de Sauvignon Blanc e muito menos a uva Torrontês. Experimente sem medo, vale muito, pode ousar.

02/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:45

BODEGA LUIS CAÑAS

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. A região mais tradicionalmente arraigada à cultura vitivinícula espanhola é a Rioja, e eu conversei com a Laura Vásquez, embaixadora do grupo vinícula Araex, da Espanha, da região da Rioja, que distribui a linha Bodega Luis Canhas. A Bodega Luis Canhas está na sua quarta geração e, em 1994, o filho Juan Luis Canhas assumiu, aos 33 anos, a nova filosofia da vinícula, que antes só fazia vinhos mais jovens. Ele modernizou a vinícula sem perder a tradição, é claro, e inseriu a produção de vinhos nas classificações da Rioja: Crianza, Reserva e Gran Reserva. Essa classificação está dividida em… Antes de Crianza, Reserva e Gran Reserva, tem ainda o Rioja Jovem, com vinhos sem estágio em carvalho ou estágio inferior ao Crianza. O Rioja Crianza passa mínimo de 12 meses em madeira e mais três anos na garrafa antes de ser comercializado. Já o Rioja Reserva, mínimo de 12 meses em madeira e quatro anos na garrafa. O Rioja Gran Reserva, mínimo de 24 meses em madeira e seis anos para comercializar. Já foi tendência os vinhos quanto mais madeira e mais envelhecidos, melhor. Já foi moda os vinhos quanto mais frescos e jovens… E hoje tem consumidor para tudo, e tem vinho para todos os estilos de paladar. A Rioja já embala também vinhos bag-in-box de 5 litros. São vinhos jovens, é claro, mas são boas opções para o seu dia a dia. A Bodega Luis Canhas, além de produzir excelentes vinhos, foi a vinícola do ano de 2015 pelas suas práticas sustentáveis com relação ao meio ambiente e em feito aos trabalhadores. Eles têm uma vila rural dando qualidade de vida no campo a quem ama e cuida da terra. Se a uva é cuidada com amor, colherá bons frutos e elaborará bons vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar o seu próximo vinho e descobrir as maravilhas da Rioja.

01/12/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:15

VINHO MONTEPULCIANO DA ABRUZZO VASARI

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho com a Sommelier Kézia June. Eu sei que você curte música e vinho, então vem comigo. Eu sou Kézia Giugni, Sommelier, e vamos começar mais uma edição do Música e Vinho. Adoro descobrir uns vinhos gostosinhos, daqueles que a gente compra sem medo. Repete. Abre de olho fechado, sem compromisso de uma super harmonização. Um vinho que você possa agilizar um pouco mais nos dias super quentes, porque tem pouco álcool, só 12,5. Degustei o Montepulciano da Abruzzo Vasari, do produtor Fratelli Barba, um dos mais tradicionais da região de Abruzzo, na região central da Itália, chamada Região Verde da Europa. O enólogo da vinícola é Stefano Ciotioli, que tem 46 Trebiquiere em seu currículo, classificação ímpar na Itália. O Montepulciano Vasari que degustei numa tarde quente tem dois biquheres e é considerado uma das maiores pechinchas da Europa. Frutas vermelhas e terrosas e notas de chá preto, com um tanino bem macio e acidez refrescante, perfeita para um risoto de cogumelos, um filé com risoto ou um frango com arroz e açafrão que acompanhou o meu. Mais uma opção de vinhos para o seu dia a dia, lembrando sempre de manter a moderação.

29/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:31

CHATEAU DE MIRAVAL ROSÉ

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Sabe qual é o queridinho do momento? São os vinhos rosés. Apaixonados por vinhos rosés são declarados rosé lovers, como eu. Já degustou vinhos rosés? Se ainda tem preconceito, você não sabe o que está perdendo. Ele não é nem branco nem tinto, mas tem aromas de tinto e frescor de branco, o melhor dos dois mundos, e ainda a versatilidade de harmonizar com uma infinidade de pratos: desde saladas, massas ao sugo, embutidos mais leves, pode ser frutos do mar, frango, comida japonesa e muito mais. Celebridades como Angelina Jolie e Brad Pitt influenciaram muito o aumento do consumo de rosés quando lançaram o Chateau de Miraval Rosé. É sucesso absoluto na Provence, elaborado com as uvas cinso, grenache noir, cinquenta e cinquenta. Cirá e Roll. 5% do vinho passa em carvalho. Tem uma fruta intensa no nariz e, em boca, notas frutadas e minerais. O Chateau de Miraval é puro música e vinho. Olha que fantástica essa história: em 1970, o pianista e compositor de jazz Jacques Luzier comprou a propriedade e a transformou em um estúdio de gravação, onde músicos como a banda Pink Floyd e Sting gravaram algumas músicas. Da música para os filmes, me inspirei nos 50 Tons de Rosa. Só para você entender que a variação de cores dos vinhos rosés é imensa: vai do rosa salmão ao pink, cereja, pêssego, casca de cebola e até tons mais atijolados. Depende da uva ou dos cortes de uvas tintas usadas. Depende se a casca tem mais pigmentação ou não. Depende também do tempo de maceração, que é o contato do suco da uva com a casca. E o processo de elaboração. Tem sempre um rosé para te encantar. É só você escolher um dos tons de rosé que mais te agrada. Se você está aberto a novas experiências, o Música e Vinho te inspira e eu quero saber o que você está degustando. Compartilhe conosco usando a #Música&Vinho através das redes sociais.

28/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:20

WINE BARS

E uma ótima manhã pra você que me faz companhia aqui no Música e Vinho. Quem vem primeiro? O vinho ou o prato? E você? Escolhe primeiro o prato ou o vinho? Tudo bem, se o momento for da comida, se a estrela é o objetivo de um prato especial, tranquilo, você pode escolher o vinho depois. Mas isso vem mudando. Há vários wine bars que têm o vinho como foco e cardápios que possam atender aos vinhos da carta. Desta forma, os chefes de cozinha dos wine bars buscam criar cardápios neutros e que tenham mil possibilidades de se harmonizar com as opções de vinhos. Eu acho super bacana escolher um vinho e depois escolher várias entradinhas pra brincar com a harmonização e testar várias opções que agrade ao seu paladar. Bacana do vinho é se aventurar. E você, tá degustando o quê? Compartilhe comigo usando a hashtag Música e Vinho através das redes sociais.

27/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:09

LENDAS DO MUNDO DO VINHO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. E uma excelente manhã para você, apaixonado por música, vinho e histórias do mundo do vinho. Eu adoro as lendas do mundo do vinho. Conta-se que, no século XII, os monges da ordem de Cartuxa, os mesmos do vinho português Cartuxa, famoso, procuravam um lugar para construir um novo mosteiro. Encontraram um pastor que lhes informou sobre um lugar onde os anjos subiam aos céus por uma escada. Construíram exatamente nesse local o mosteiro chamado Scaladei, plantaram vinhas e elaboraram vinhos. Ao redor do mosteiro nasceu o vilarejo Scaladei. Mais tarde, a região ficou conhecida como Priorat, ou Priorato, que significa comunidade religiosa. Para entender melhor a região, há a denominação de origem controlada Priorato, que faz parte da Catalunha. Essa é uma região que cultiva uvas no estilo Garnacha, tinta, e Carinhenha. Elabora vinhos clássicos, de aromas de cereja em cauda. Os vinhos do Priorato costumam estagiar pelo menos 12 meses em carvalho. O Priorato recebeu a denominação de origem de qualidade, o título máximo de denominação espanhola. A região tem produzido vinhos espetaculares, potentes, concentrados e longevos. Lembrando que a Catalunha tem baixa produtividade devido à condição climática de baixo índice pluviométrico. São vinhos de coloração intensa, boa textura e taninos afinados. Um dos principais produtores chama-se Álvaro Palácios. Se você também busca novidades, experimente um espanhol do Priorato, porque Espanha não é só Tempranillo.

26/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:52

CALHA SIERRÁ ROSÉ

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em vinho com a sommelier Kezia Giugni. É sempre bom ter a sua companhia para compartilhar mais informações e degustações do mundo do vinho. Pela primeira vez, degustei a minha uva preferida, a Sierrana, versão rosé. Era para brindar uma amizade e admiração pela arte de colorir o rosto, vinho e maquiagem pelas mãos da querida Josie. Que mulher não gosta de uma pele com textura macia, uma cor rosada nas bochechas, nos olhos ou na boca? Escolhi um rosé de Sierrá, de coloração límpida. No mundo dos pincéis, seria uma cor cintilante, quase iluminada. Degustei o Calha Sierrá Rosé, da Argentina. Era tão frutado, tão meigo, tão delicado, que parecia mesmo um vinho muito feminino. Leve, fresco, para aperitivar, para dias quentes, e 100% Sierrá. Especiarias comuns em vinhos da uva cirá são evoluções que aparecem apenas em vinhos tintos. O cirá rosé é só morango e cereja mesmo.

25/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:09

MALBEC

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música em Vinho com a sommelier Kezia Juni. Desde 1925, a bodega Routine se instalou no Vale do Uco, na Argentina. Foi a primeira a se instalar nessa região. De lá pra cá, a região se despontou como uma das principais produtoras da Argentina. A vinícola está presente com três vinhedos: o Guatala Haria, a 1200 metros; a Altamira, a 1100 metros; e o vinhedo chamado Laconsulta, a 950 metros, onde se planta apenas Malbec. Escolhi o Routine 50% Malbec e 50% Cabernet Sauvignon. Vinhão. A cor chega a vibrar na taça, super intenso, um roxo profundo. A união das duas super uvas deu um resultado super harmônico. A Cabernet Sauvignon entrega ao vinho corpo e estrutura, e a Malbec suaviza os taninos em uma combinação única. Única de aromas e sabores, com camadas e camadas de fruta. A meixa, a baunilha e muita força no vinho. Realmente, o enólogo Mariano de Paola tem razão quando diz que a vinícola foi desenhada para produzir vinhos ultra prêmios. A revista britânica The Canter já o destacou como um dos 30 melhores enólogos do mundo. Para nós, só nos resta aproveitar vinhos como Routine e Cabernet Mariano Malbec, argentino. Uma excelente manhã para você!

24/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:31

MASCIARELLI MONTEPULCIANO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música no ar. Música e Vinho com a sommelier Kezia Giugni. Na década de 70, o produtor italiano Gianni Macciarelli resolveu mudar o sistema de condução dos vinhedos em Abruzzo e foi criticado. Com rendimento bem inferior, ele produziu vinhos mais concentrados que os produzidos na região de Abruzzo, que fica ao centro da Itália. Após algumas décadas, hoje ele é copiado e chamado de anjo da guarda do Abruzzo, pois revolucionou a produção e colocou a região em evidência aos críticos e também aos consumidores de todo o mundo. Degustei o Macciarelli de Monteputiano da safra de 2016. Uma das características da uva símbolo da região, a uva Monteputiano, é a coloração profunda, baixa acidez e taninos doces. Deliciosos quando jovens, mas podendo evoluir, ir até uns 10 anos. O Mattiarello e Monteputiano da Abruzzo melhorou o estilo de Abruzzo, mas sem perder a tipicidade italiana. Ao beber, você sabe que é um vinho italiano: pede comida, saliva na boca. Eu harmonizei com queijos, pastas, frutas, castanhas e carnes. Uma mesa bem farta, bem italiana mesmo. Agora é um momento de reflexão e pergunta. Eu quero saber de você: você procura vinhos que sejam muito diferentes um do outro? Quer encontrar vinhos que tenham a cara,ou melhor, o gosto, de cada região ou país? Ou você procura vinhos que goste e pronto? Lembre-se de manter a moderação e, se beber, não dirija.

22/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 1:40

CURADORIA DO VINHO

Saber beber. Saber viver. Com a melhor música. No ar, Música e Vinho, com a sommelier Kezia Giugni. É sempre bom ter a sua companhia para falar sobre vinhos. Já ouviu falar em curadoria de arte, moda e literatura? E curadoria de vinhos? Esse é um processo de cuidado e seleção de vinhos. A seleção é feita considerando aspectos técnicos de qualidade do vinho, o que deve estar acima de todas as opiniões pessoais. Considera-se a apresentação do rótulo na visão do consumidor, situações de consumo e períodos do ano, de acordo com clima e datas comemorativas. Analisa-se o preço e compara-se aos demais produtos similares já disponíveis no mercado. Fui convidada a participar de uma experiência de curadoria junto com especialistas como Manoel Luz, da Sonoma. Degustamos 20 rótulos numa tarde: vinhos brancos, espumantes brancos, rosés e tintos. Muitos simples, outros muito verdes ainda, amargura acentuado, alguns muito bons, mas com custo elevado para o padrão. Vinhos gastronômicos, como Terra Siciliane do Pieno Sud: fruta doce, licor de frutas silvestres, um vinho bastante quente, das uvas Nero d'Avola e 25% da uva Frappato, mais uma nova uva para minha lista. É típica da Sicília, e a denominação de origem controlada e garantida Cera Suolo é a mistura de Nero d'Avola com a Frappato. Juro que eu não sabia, achava que Cera Suolo era o nome do vinho e não é: é uma denominação de origem controlada de vinhos da Sicília, elaborados com Nero d'Avola e a uva Frappato. A Frappato é muito usada em assemblages, não só com a Nero d'Avola, mas também com Nerello Mascarelli, Nero Capuccio e Noceira. Seguimos ainda degustando os vinte rótulos, lembrando que o cuspitor é muito usado nessas degustações técnicas. O Villa Rossi Rubicone, redondinho, um Sangiovese para pizza; e mais um vinho, o Klein Kloof, um delicioso sul-africano de Merlot e Cabernet Sauvignon, muito frutado e rico, que pede um hambúrguer gourmet. Seguimos adiante com franceses simples, outros complexos, alguns elegantes, outros rústicos e muitos aromas e sabores incríveis, até chegar ao top Cabernet Sauvignon, que eu até esqueci de anotar o nome. Só sei que era muito bom! Aromas de goiaba, morango e figos no vinagre balsâmico. Essas misturas loucas e surpreendentes que eu amo. Experiência incrível, e eu só tenho a agradecer o convite ao Manuel Luz e Alican.

21/11/2025 08:00 | DURAÇÃO 2:42