Música e Vinho | Morena FM - Easy | Cadena

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VINHOS CHILENOS

Uma excelente manhã para você que curte o Música e Vinho, e hoje temos mais uma degustação horizontal. Desta vez, quatro vinhos da uva Carmenere, todos chilenos, e só assim é possível comparar e entender o quão diferentes podem ser os vinhos de uma mesma variedade. Por isso, não dá para falar que você não gosta de Carmenere se só provou um vinho desta uva. Existem Carmenere com prensagem mais leve das uvas, que dão vinhos mais leves e fáceis de beber no dia a dia, e outros mais complexos, com maceração prolongada e envelhecimento em madeira. Para lembrar algumas características desta uva: ela apresenta notas vegetais um pouco mais persistentes que a Merlot, além de pimenta negra, fruta negra, tabaco, baunilha e couro, e uma cor profunda e inconfundível. São raros os Carmenere franceses, então não resta dúvida de onde procurar os vinhos desta uva: no Chile mesmo. Para harmonizar, o Carmenere é uma excelente escolha para carnes vermelhas grelhadas, assados, cordeiros ou filés com pimentas e especiarias. Na degustação de hoje, destaque para o Larroia Gran Reserva, 100% Carmenere, e o Aquitania Reserva, com 85% Carmenere e 15% Cabernet Sauvignon. Ambos, com cerca de 10 meses de madeira, me encantaram, especialmente porque gosto de vinhos com mais persistência de boca, presença e intensidade. Para quem prefere vinhos mais leves, o Caliterra Aventura Carmenere é uma escolha bem correta e de excelente custo-benefício. E você também pode fazer essa degustação em casa, com os amigos, escolhendo uma única uva e experimentando diferentes vinhos para entender melhor as características de cada um. Cada gosto é diferente, e você vai escolher o que mais lhe agrada, lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar plenamente o seu próximo vinho.

06/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:06

VINHOS BRANCOS

Se você já degustou Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio, Riesling ou Gewürztraminer e quer descobrir novos vinhos brancos, o Verdicchio tem um destaque esperando por você. As garrafas desses vinhos, em formato de ânforas, da uva da região central da Itália, o Marche, são belíssimas. Degustei o Titulus Verdicchio, que apresenta coloração esverdeada, notas muito herbáceas lembrando alecrim e sálvia, cítricos de limão e um final de boca bem vegetal. Não é aquele branco óbvio, levinho; nada disso. É um vinho de acidez elevada, muito aromático, com final longo, fresco, médio corpo e bem seco. Ficou perfeito com gaspacho de tomate e creme de mascarpone. Harmonizei também com carpaccio de pão, polvo e uma massa com frutos do mar. Esqueci de destacar as notas de limão siciliano, amêndoas tostadas e maçã verde. Os aromas deste vinho são tão intensos que dá vontade de ficar explorando o olfativo por horas. Tem vinhos assim: já conquistam pelo aroma antes mesmo do primeiro gole. Vale muito se aventurar e conhecer o Verdicchio!

04/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:23

EXPERIÊNCIAS COM DEGUSTAÇÃO

Eu sou Kezia Giugni e vou te contar todas as minhas experiências de degustação. Olha como as coisas mudam de posição: a rabada, que tem origem em Portugal e na Espanha, era originalmente a sopa do rabo de boi, usada para aproveitar todas as sobras do animal, assim como a feijoada. Já foi comida de boteco rejeitada e hoje é um dos pratos valorizados nos melhores restaurantes e, claro, lá na casa da minha mãe. Existem várias receitas de rabada ao vinho, e para preparar bem o prato, escolha um tinto seco de qualidade, não vai estragar a sua rabada com vinho ruim, né? Para acompanhar, precisamos pensar nas cores intensas, na suculência do molho, na complexidade dos temperos, na maciez do cozimento e no sabor longo que a rabada deixa na boca. O vinho precisa ser encorpado, seco, com tanino bem presente, textura e estrutura, aqueles vinhos que podem ter passagem em madeira. Eu harmonizei com um espanhol bem intenso, feito com Garnacha e Tempranillo, mas poderia ser também um tinto do Alentejo, em Portugal, berço do corte de uvas como Alicante, Buchê, Trincadeira e Aragonês, ou ainda um corte do sul da França, no Rhône, com Grenache, Syrah e Mourvèdre. Sabores ricos pedem vinhos ricos, lembrando sempre de manter a moderação.

03/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:42

TERRA DO TEMPRANILLO

Da mais tradicional região vitivinícola da Espanha, a Rioja, vem o vinho Luis Canhas. A terra das tempranilhos, mas que usa também no corte as uvas ganacha e graciano, mas não admite ainda a entrada de cabernet sauvignon, merlot e outras uvas francesas. É uma forma de preservar o estilo da Rioja. Aliás, uma coisa mudou: antes, o DOC Rioja, que é bem grande, só mencionava no rótulo Rioja. E agora já destaca as sub-regiões Rioja Alta, Rioja Baixa e Rioja Alavesa, que têm diferenças de terroir e altitude. E já começam também a ser aceitos destaques no rótulo mencionando as comunidades, os vilarejos ou os vilagens onde os vinhos são produzidos, para valorizar cada região. Degustei o Luis Canhas Crianza, que tem 95% de tempranilo e 5% da uva ganacha, de vinhedos com idade média de 30 anos. Já mostra uma força de raiz que busca nutrientes a fundo e que expressa no vinho intensidade e força, desde a coloração até ao paladar. Passa 18 meses em carvalho, exatamente como determina a classificação de envelhecimento na Espanha para ser um Rioja Crianza. Na boca, tem notas de morango, um pouquinho de baunilha, muita madeira, é claro, e um aceto balsâmico. De taninos redondos e bom retrogosto, é um vinho super gastronômico. O Luis Canhas Crianza pode ser harmonizado com um churrasco com batatas assadas, pode ser mandioca frita também ou um cozido de carnes com legumes, lembrando sempre, é claro, de manter a moderação.

02/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:55

FEIRA WINE SOUTH AMERICA

E parece que a feira internacional Wine South America fez o mercado de vinhos nacionais balançar. Os vinhos já estavam ali na prateleira, me olhando, te seguindo, tentando nos seduzir, mas eu passava, olhava e não via. Mais uma vez, o preconceito com os vinhos brasileiros me afastou de conhecer maravilhosos rótulos, como o Dom Cândido, da vinícola do mesmo nome. A vinícola é pequena, na região de Vale dos Vinhedos, e até 2015 era comandada pelo próprio senhor Cândido. Produz vinhos e sucos de uva. Degustei o Dom Cândido Autêntico Petit Verdot. Essa linha Autêntico tem três varietais: um Cabernet Sauvignon, um Merlot e o Petit Verdot. E é claro que eu preferi começar pelo diferente, a uva Petit Verdot. A “pequena verdinha” tem origem em Bordeaux, é muito usada em cortes; inclusive, entra no assemblage de Château Margaux e Latour, os ícones de Bordeaux. Chama-se “pequena verdinha” porque é difícil de amadurecer no clima de Bordeaux, mas, em países mais quentes, tem surpreendido os especialistas — e me surpreendeu mesmo. O Dom Cândido Petit Verdot tem uma coloração intensa e é simplesmente perfeito em nariz e boca. Quase não consegui entender o que eu degustava, porque foi muito superior à minha expectativa. A Petit Verdot ganhou o merecido destaque em um vinho 100% Petit Verdot e mostrou toda sua força, potência e elegância. Superestruturado e bem sutil no carvalho, foram só cinco meses, o suficiente para não mascarar a identidade real da uva, apresenta notas de frutas negras mescladas às vermelhas. Que persistência gostosa, bom preço, e o nosso vinho brasileiro Dom Cândido Petit Verdot. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar novos vinhos com o Dom Cândido.

01/04/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:06

VIDEIRAS

Você já deve ter ouvido falar que as videiras precisam sofrer para ter boas uvas. É que, quanto mais ela luta para buscar água no solo, mais ela absorve nutrientes da terra e mais força ganha em cada caixa. Chuva boa para a videira é no período de outono, inverno e início de primavera, quando ela está invernando e dá início ao período de brotação. O ideal é mais ou menos 680 milímetros de chuva ao ano. No verão, só o sol já basta, já que sol e chuva pode aumentar o risco de fungos e diminuir o processo de maturação. Na Europa, países como Portugal, Espanha e Itália já conseguiram autorização para irrigar seus vinhedos, assim como acontece no novo mundo, por gotejamento. As entidades que regulamentam a viticultura na Europa entendem, ainda, que qualidade é mais importante que quantidade, já que videiras irrigadas produzem maior quantidade, mas, se equilibrado, como no novo mundo, conseguem bons resultados. E quais nutrientes são esses que a videira precisa? O que muda no meu vinho? Um dos nutrientes é o fósforo, que ajuda no crescimento e desenvolvimento da planta; o potássio, que ajuda na maturação das uvas e crescimento dos cachos; e o cálcio, que também atua no crescimento dos ramos e raízes e contribui para o desenvolvimento da planta, além de outros nutrientes como zinco, manganês, ferro, cobre, enxofre e nitrogênio. E aí, na busca do equilíbrio e análise do campo, que entra um trabalho imenso do enólogo e de todos os viticultores. É uma interação entre homem e natureza e o equilíbrio do uso de conhecimento para se obter o melhor da planta e da terra. Videiras sem nutrientes ou com excesso de água resultam em uvas diluídas, em caixos duros e extremamente ácidos. Por isso, vale lembrar que vinho é o resultado da transformação do açúcar em álcool a partir de uvas sadias. A sanidade das uvas resulta em bons vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação, claro, e, se beber, não dirija.

31/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:22

EXPERIÊNCIAS DE DEGUSTAÇÃO

Vou te contar todas as minhas experiências de degustações. Olha como as coisas mudam de posição: a rabada, que tem a sua origem em Portugal e na Espanha, era a sopa do rabo de boi, usada como aproveitamento de todas as sobras das partes do animal, tipo a feijoada. Já foi comida de boteco rejeitada e hoje é um dos pratos agraciados nos melhores restaurantes e lá na casa da minha mãe. Tem várias receitas de rabada ao vinho. Escolha um tinto seco de qualidade. Não vai estragar o seu prato com vinho ruim, né? E, para acompanhar, vamos pensar em cores intensas, a suculência do molho, a complexidade de vários temperos, a maciez do cozimento e o sabor longo que a rabada deixa na boca. O vinho precisa ser mais encorpado, então: um tinto seco, com tanino bem presente, textura e estrutura, aqueles vinhos mais encorpados, e pode ter passagem na madeira. Eu harmonizei com um espanhol bem intenso, da uva garnacha com tempranilo, mas poderia ser também um tinto do Alentejo, em Portugal, berço do corte das uvas alicante, buchê, trincadeira e aragonês, ou ainda um corte do sul da França, no Rhone, com grenache, sirra e mouvedre. Sabores ricos harmonizados a vinhos ricos, lembrando sempre de manter a moderação.

30/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:43

LENDAS DO MUNDO DO VINHO

Eu adoro as lendas do mundo do vinho. Conta-se que, no século XII, os monges da ordem de cartucha, os mesmos do vinho português cartucha famoso, procuravam um lugar para construir um novo mosteiro. Encontraram um pastor que lhes informou sobre um lugar onde os anjos subiam aos céus por uma escada. Construíram, exatamente nesse local, o mosteiro chamado Scaladei. E plantaram vinhas e elaboraram vinhos. Ao redor do mosteiro nasceu o vilarejo Scaladei. Mais tarde, a região ficou conhecida como priorat, ou priorato, que significa comunidade religiosa. Para entender melhor a região, a denominação de origem controlada priorat, que faz parte da Catalunha. Essa é uma região que cultiva uvas no estilo garnacha tinta e carinhenha. Elabora vinhos clássicos, de aromas de cereja em calda. Os vinhos do Priorato costumam estagiar pelo menos 12 meses em Carvalho. O Priorato recebeu a denominação de origem de qualidade, o título máximo de denominação espanhola. A região tem produzido vinhos espetaculares, potentes, concentrados e longevos. Lembrando que a Catalunha tem baixa produtividade pela condição climática de baixo índice pluviumétrico. São vinhos de coloração intensa, boa textura e taninos afinados. Um dos principais produtores chama-se Álvaro Palácios. Se você também busca novidades, experimente um espanhol do Priorato, porque Espanha não é só tempranilo.

27/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:51

VINHOS CHILENOS

E uma ótima manhã pra você que curte música e vinho. O Chile é o país símbolo da uva carmener, e todo mundo já conhece a história de que a carmener era plantada como merlot, por engano, até ser descoberta a real origem da uva carmener, já na década de 90. As mais antigas uvas carmener estão plantadas no vale de Almaue, que pertence a Cachapoal. As videiras de carmener estão plantadas desde 1945. São vinhas de mais de 70 anos; por isso, o vale do Almaue é considerado berço original da carmener no Chile. A vinha Close de Luz é uma casa que busca resgatar a cultura vitivinícola do Chile e está localizada exatamente nessa região. O vinho Maçal, 1945, da uva carmener. Carmener traz toda essa cultura e expressão. É um vinho tinto, elegante e potente, com altas notas herbáceas, típico da uva Carmener. Tem ainda uma cremosidade, com toques de chocolate e tabaco. A vinha Close de Luz tem ainda o vinho azul da garnacha, totalmente diferente da uva Carmener. A uva garnacha é bem mais leve, com notas florais: um vinho mais vibrante, para acompanhar pratos com molhos e temperos herbáceos e frescos. O vinho azul da garnacha recebeu 93 pontos no guia Descorchados, da safra de 2015. Tem muita novidade no Chile para você degustar

26/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:38

ARTE DA TANOARIA

Uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho, e hoje vamos à arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas, hoje, os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível colar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a madeira que apresenta a melhor porosidade, que possibilita a micro oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem também uma impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as varricas de carvalho, além de resistência, podendo durar até 100 anos, e é precisa para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes, que vai aparecer no seu vinho, é a tosta do barril de carvalho. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. A tosta pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante: o padrão é 225 litros, e, quanto menor o barril, maior ele influencia no estilo do seu vinho. O uso do barril de carvalho influencia a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita baseada no envelhecimento da madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas, só para lembrar, os vinhos mais jovens podem ter. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos, na estrutura e na textura dos vinhos. Pode variar nessa evolução de aromas e também no sabor do seu vinho. Por trás de cada barrica, há a história, uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

25/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 3:09

SOUVIGNON BLANC

Vamos começar mais um Música e Vinho. A Toscana no meio do Chile, já imaginou? É o conhecimento da família Antinori no Vale do Maipo para desenvolver a vinha Aras de Pirque. A vinícola tem o formato de uma ferradura de cavalos, para expressar a paixão da família pelos cavalos de puro-sangue inglês. A vinícola é símbolo de grandes vinhos chilenos, como o Alba Clara Sauvignon Blanc, que degustei no evento Wines of Chile Luxury Tasting. E a surpresa foi muito boa desde a primeira impressão aromática. Notas herbáceas de folha cortada, que lembravam folha de cajueiro, que eu adoro e faz parte da minha memória olfativa de infância. Que super Sauvignon Blanc do Vale do Leida! Que, aliás, é uma das principais regiões para Sauvignon Blanc. O vinho traz toda a expressão da Sauvignon Blanc, com muita pureza de frutas, um volume de boca com as notas de maracujá em flor, a mineralidade na sua vibração do primeiro gole e o herbáceo das folhas de cajueiro, integradas a um manjericão que me fez salivar. É a acidez da Sauvignon Blanc que saliva e traz a gastronomia à mente. Um peixe ao molho de ervas vai super bem com o top chileno Alba Clara Sauvignon Blanc.

24/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:31

UVA SYRAH

Saint Joseph, ou traduzindo, São José, o esposo de Maria, teve sua aparição como santo no sul da França e originou o nome de uma das mais famosas apelações do Rhone, os vinhos no estilo Saint Joseph. Originalmente, só produzia vinhos tintos da uva Syrah. Essa é a maravilha aos amantes da uva Syrah. Mas, em 1979, foi permitida a introdução de até 10% de uvas brancas, como Marsanne e Roussane. Mesmo assim, ainda produz vinhos intensos, de coloração bem profunda. Muito aromáticos, a frutas maduras, especiarias e baunilha. Não se deve esperar dos Saint Joseph menos que taninos suaves e sedosos e longa persistência. São, normalmente, vinhos canudos gastronômicos para acompanhar caças e queijos intensos. E um dos produtores mais conhecidos a produzir vinhos no estilo Saint Joseph é o famoso Gigao, que você já deve ter visto. Os rótulos de Gigao destacam muito bem cada apelação. Além das apelações de Coturron e Cotroti, que você já pode ter provado, que tal experimentar um diferente, o Saint Joseph? Mais uma sugestão de vinhos para você continuar a explorar e se inspirar. E eu quero saber o que você está degustando, é só compartilhar conosco, usando a hashtag música e vinho, nas redes sociais.

23/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:34

LAPOSTOLLE APALTA

Tem vinho que é sucesso, sem dúvida. O Lapostolle Apalta é um queridinho do mais francês produtor chileno Lapostol. O vinho é cheio, intenso, elegante, redondo, macio e suculente. O produtor está localizado no Chile, no Vale de A Pauta, e o Lapostolle Apalta, que foi lançado em 2015, tem a Cabernet Sauvignon como base e o corte de Merlot, Carmenet, Cabernet Franc e Syrah. O A Pauta tem 14,5% de álcool, mas não pesa, porque tem excelente estrutura das uvas para aguentar. São 28 dias de maceração. Maceração você já sabe, né? É o tempo que a casca fica em contato com o suco, para ter o máximo de extração da polpa, da cor, taninos e de todas as substâncias que estão na casca. 70% do Lapostolle Apalta 12 meses em carvalho francês de segundo e terceiro uso, e 30% só em aço inoxidável, para manter o frutado. Agora pode começar a preparar a brasa e seus melhores cortes para um bom churrasco. De verdade, se eu fosse você, já iria procurar agora um Lapostolle Apalta. Bom Lapostole para você!

21/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:30

VINHOS ITALIANOS

A Eslovênia fica ao norte da Itália, no leste europeu. E, embora os vinhos eslovenos sejam pouco conhecidos, a história é bem antiga. Os Celtas levaram o vinho há 2500 anos, antes mesmo de os romanos terem levado a cultura para França e Espanha. Descobri, nessa pesquisa, que o povo esloveno consome 43 litros de vinho per capita ao ano, mas o consumo é regular e moderado. São cerca de 28 mil vinícolas produzindo na Eslovênia. Tem tanta história antiga que a videira considerada mais antiga do mundo, com cerca de 500 anos, está na Eslovênia, na cidade de Maribor. A vinha tem 30 metros de extensão, em um tronco de cerca de 80 centímetros de diâmetro: as famosas vinhas velhas. É uma variedade tinta local chamada de Modra Cavicina. Pinturas de quadros do século XVI confirmam o retrato do casarão onde a vinha está sustentada, já com a videira ornamentando a fachada. A casa histórica e a vinha são patrimônios da humanidade pela Unesco. Existe uma colheita simbólica dessa videira, e os vinhos são usados apenas para presentear autoridades. Mais de tempos em tempos, mudas são plantadas pelo mundo.

20/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:28

VINHOS VERDES

Os vinhos verdes não são mais tão verdes assim, não são tão jovens assim, não tão ácidos. A vinícola Montez Champalimoy, proprietária da Quinta do Coto, no Douro, é também proprietária do Passo de Teixeiró, no Minho, e elabora o Passo de Teixeiró branco. O que se espera de um vinho verde branco são vinhos leves, jovens, até com data de validade, leve gasificação e alta acidez. Pois o Passo de Teixeiró é o avesso, literalmente elaborado com a uva avesso, que tem baixa acidez e pode ser longevo, o avesso da característica das uvas da região. O Passo de Teixeiró branco é elaborado com 80% da uva avesso e 20% de loureiro, com vinhas de mais ou menos 40 anos, são vinhas velhas. A maturação é sobre lias, sobre as borras, por três meses em tanques de aço inoxidável, e isso traz muita personalidade ao vinho. Tem a coloração dourada, aromas intensos de flor de camomila e cascas cítricas. Em boca, é longo, gastronômico, fino, vibrante, muito firme. Harmonizei com sardinha na brasa, bolinho de bacalhau, queijo Serra da Estrela bastante intenso, alheiras e polvo com páprica. Não espere um vinho ligeiro como os demais vinhos verdes, espere um super vinho verde: Passo de Teixeiró branco, é um Montez Champalimoy.

19/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:48

ROBIN HOOD DOS VINHOS

O Robin Hood dos vinhos, o fora da lei. Imagine só plantar e produzir vinhos da uva cirá no Alentejo, região historicamente super tradicional, que fermentava seus vinhos em ânforas desde os tempos romanos. A região portuguesa é também terra das uvas tintas de brincadeira, aragonês e alicante boucher. Até que, em 1998, a vinícola corte de cima produziu o vinho incógnito. Fácil entender esse nome, porque o nome da uva não poderia aparecer. O vinho ganhou prêmios pelo mundo, além das pontuações, com 92 por Robert Parker e 92 pela Wine Enthusiast. Frutos selecionados de vinho dos jovens, bem maduros e colhidos à mão. O incógnito é 100% da uva cirrá e tem aromas bem complexos, de frutos negros, como a meixa, notas de tosta, especiarias e terroso. É um vinho de taninos firmes e estruturado pela longa evolução, pelos seus oito meses de carvalho francês. O fora da lei leva no rótulo ainda uma frase do famoso compositor Bob Dylan: pra viver à margem da lei tem que ser honesto. E assim, o incógnito escreveu no contrarrótulo sua verdadeira origem: 100% cirrá.

18/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:31

VINHEDO PAREDONES

Paredones é o nome de um vinhedo que fica na região de Colchagua, um vinhedo da costa fria do Chile, a apenas seis quilômetros do oceano Pacífico, chamado Cool Coast. É pouco explorado, mas tem superpotencial para a produção de uvas de alta qualidade, que se desenvolvem melhor em climas frios. Produz vinhos de expressão muito frutada, muito fresca e elegante. E é de lá que vem o Cool Coast Pinot Noir, da vinha Casa Silva, uma vinícola tradicional chilena que existe desde 1892. Degustei o Pinot Noir 2015, 100% da uva Pinot Noir. Pinot Noir de regiões frias se apresentam com muita fruta fresca, como morangos, cerejas, frutas silvestres e framboesas. Um vinho fresco, de refrescante acidez, taninos suaves e final longo. Elegante. A primavera chegou, e com ela os vinhos mais leves, como este Pinot Noir. Para completar a elegância e manter a expressão do terroir, o produtor usou barricas usadas, de terceiro uso, para arredondar e dar elegância, sem mascarar o vinho com excesso de madeira. O Casa Silva Cool Coast Pinot Noir harmoniza com atum, salmão grelhado, pato e queijos de meia-cura com geleia de frutas vermelhas.

17/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:25

VINHOS DOCES

Se você gosta dos docinhos, vamos encontrá-los, mesmo que venham de longe, das colinas do Piemonte, uma região belíssima, premiada como Patrimônio Mundial da Unesco. Sobre vinhos docinhos, eles são perfeitos para harmonizar com sobremesas e ainda para você criar drinks com algum ingrediente que quebre a doçura. É nessa região do Piemonte que se produzem os famosos Asti. Asti é o nome da região e também do método de elaboração desses espumantes. O método Asti forma a espumatização em uma única etapa de fermentação, dentro de autoclaves, como é feito no método Charmat. Pelo método Asti, o vinho atinge entre 6 e 10 graus de álcool e a fermentação é interrompida. Assim, sobra açúcar e o gás é mantido, sem deixar escapar na atmosfera. Os aromas frutados são bem presentes e o álcool é bem levinho. Da mesma região, descobri um vinho feito não com as uvas moscatos, mas com uma uva diferente: a Brachetto, uma uva tinta cultivada predominantemente no Piemonte. A Brachetto é usada normalmente para a elaboração de espumantes tintos, pouco usuais para nós, mas eles são deliciosos, especialmente os docinhos, como o Acqui Brachetto. Aromas de flores, morango, framboesa, amora e cravo. Um espumante tinto e docinho para você harmonizar com saladas de frutas, lembrando sempre de manter a moderação. Uma ótima manhã para você!

16/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:40

WINE SPECTATOR

Em 2015, Portugal ganhou a capa da revista Wine Spectator com o mais belo cenário de Portugal, o Rio Douro, e começou a mostrar seu caminho de volta ao cenário internacional, ganhando inúmeras premiações. Em apenas dois meses de 2015, Portugal conquistou 279 medalhas em países como Alemanha, França e China. Em 2016, ganhou 92 medalhas na Alemanha, 79 medalhas na França e mais 108 medalhas no concurso China Wine and Spirits Awards. Essa multiplicação tão grande de medalhas ainda vem crescendo, e eu percebi as pessoas comentando, comprando e postando mais rótulos portugueses. Em maio de 2016, acompanhei um evento, e os produtores portugueses presentes eram os filhos e os netos. Percebi o entusiasmo e a dedicação deles em permanecer na tradição, mas também em dar a sua pitada de modernidade e conquistar o mundo. Veja como os vinhos portugueses são, em sua grande maioria, assemblages, misturas de uvas. É isso que dá equilíbrio aos vinhos. Tem aparecido algumas pontinhas de Cihá, um merlozinho no meio das trincadeiras, e Aragonês, as uvas autóctones portuguesas. Na minha análise, os vinhos estão melhorando a cada dia. E você, o que acha? Por que os vinhos portugueses estão melhorando? Lembre-se de manter a moderação e, se beber, não dirija.

13/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

INSTITUTO VINHO DO BRASIL

Hoje eu vou falar novamente sobre vinho sem regras, a campanha do Instituto do Vinho do Brasil. Sem deixar de valorizar, é claro, todo o trabalho dos sommeliers nos últimos anos. Após quase 15 anos estudando sobre a bebida e tudo que a cerca, chegou a época da campanha que eu tanto queria nos últimos tempos. A campanha que abraça cada amante do vinho, que quebra preconceitos, que liberta de algumas regras, que recebe e que acolhe a todos em torno da bebida: o vinho. É a campanha Vinhos sem Regras, da instituição Vinhos do Brasil. Eu brinco que já fiz de tudo nessa vida para falar de vinhos, e atualmente até canto, danço e represento no palco para contar e disseminar a história do vinho. Tudo isso para chegar mais perto do público e usar uma linguagem mais lúdica. Agora posso tomar vinho descalça no sofá, beber drinks no bar, me fantasiar de deuses do vinho, de rainha, subir na bicicleta, me jogar na piscina, para mostrar que vinho é para todos os momentos da vida e não precisa ter tantas regras. E você vai passar a aceitar os vinhos do dia a dia nas rolhas de rosca sem reclamar, a beber vinhos em taças variadas, a colocar um gelinho no vinho, a beber na pescaria, na piscina, com copos de plástico, harmonizar vinho com coxinha também, presentear o seu amigo e aceitar que tem, sim, vinho bom e barato. Você pode beber vinho no bar, no barco e ao meio-dia. O vinho definitivamente desceu do salto. O serviço mudou e está mais informal. As situações não precisam mais ser escolhidas para se beber um vinho. Se tem vinho, apenas abra. As combinações são mais casuais e as possibilidades só ampliam. Ganha o mercado, ganham os consumidores, ganha todo mundo. Lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

12/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:59

VALPOLICELLA

Eu fico encantada com as boas coincidências da vida, e o vinho sempre me proporciona isso. O encontro de quase 200 anos da vinícola com uma amizade de 20 anos. Foi assim o meu sábado em Atibaia, no interior de São Paulo, uma região de clima perfeito para o vinho e cultivo de morangos. Consegui unir a degustação de um clássico Valpolicella Zonin, da Asiana Zonin, a um reencontro com duas amigas que também curtem vinho. São 197 anos de história da família em torno do vinho italiano. Hoje o grupo tem 9 vinícolas em 7 diferentes regiões da Itália. Eu escolhi o mais clássico Valpolicella. Sabe aquele vinho tinto do Veneto, de Rondinella, Molinari e Corvina, que você abre a qualquer hora do dia para combinar com tudo, para agradar a vida de todos? É um Valpolicella frutadinho, mas com evoluções aromáticas que eu amo, como amêndoas. Médio a encorpado e com final longo, tanino presente, mas equilibrado. Mais que os aromas, as conversas de tantas alegrias de uma linda amizade, que unem gerações com diferenças de 40 anos, evoluíram sem perder alegria durante horas e horas. Assim como os vinhos evoluem, uma amizade também evolui. A sabedoria, uma das grandes dádivas da vida, se desenvolve com a idade. Por isso eu gosto tanto de estar perto dos mais velhos. Eles têm sempre algo de bom para nos ensinar. A idade traz novas habilidades, e os vinhos ou as vinícolas com mais tempo de atividade, como a zonim, que são quase 200 anos de história, conseguem manter o padrão e ainda criar novos produtos. É a vida que se renova e o vinho que se renova. Em um dia todo de conversa, regado a vinhos, evoluímos a conversa que vai virar livro e perpetuar as mil histórias. Será que o vinho vai fazer parte desse livro também?

11/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:56

CELLO SYRAH

Não é todo dia que a gente encontra essa sintonia. Ainda não havia degustado, mas já sabia a história do vinho australiano cello-cirá. O nome do vinho é uma homenagem à intensa relação do embaixador da marca da vinícola Kilikannam Wine's, chamado Nathan Walks. Nathan Walks foi violoncelista da Orquestra Sinfônica de Sydney. Uniu suas duas paixões e elaborou o vinho cello-cirá. Poderia ser qualquer uva, mas cirá é a uva símbolo da Austrália. Não só por isso: a palavra cirá também significa música, melodia. Tem sintonia melhor? Finalmente parei para degustá-lo e, literalmente, soou como música para os meus ouvidos. Tem tudo que eu gosto. Coloração rubi intensa. Ao nariz, as frutas maduras negras, como a mora e a ameixa. Adoro os aromas de frutas negras, aliado às especiarias da sirrá e um tabaco no final. É um vinho pra me deixar quietinha, só curtindo, quase mastigando de tão encorpado. Os taninos estavam ali, presentes, dão aquele aperto na boca, mas bem equilibrados, e com uma excelente persistência. Pena que eu estava em uma feira e não dava pra harmonizar, mas colocaria uma degustação Tchelo sirrá com uma costeleta de porco defumada. E você, com o que você harmonizaria o seu sirrá? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

10/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:41

ARTE DA TANOARIA

É uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. E hoje vamos falar sobre a arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada é o carvalho em todo o mundo, porque é a que apresenta a melhor porosidade, possibilitando a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho também tem impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, resistência, podendo durar até 100 anos, e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, trazendo aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é de 225 litros e, quanto menor o barril, maior será sua influência no estilo do vinho. O uso do barril de carvalho influencia, inclusive, a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita com base no tempo de envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas vale lembrar: os vinhos mais jovens podem não ter estágio em madeira ou ter menos de 12 meses. Os Crianza passam 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Os Reserva ficam cerca de 12 meses em madeira e mais tempo em garrafa. Já os Gran Reserva passam cerca de 24 meses em madeira e vários anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos. Influencia na estrutura, na textura e na evolução dos aromas e sabores do vinho. Por trás de cada barrica existe uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

09/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 3:09

LENDAS E MITOS DO MUNDO DO VINHO

Adoro as lendas e mitologias em torno do mundo do vinho. Imagine a deusa da luz, da lua e do sol espalhando brilho e luminosidade. Essa é Theia, a deusa que dá nome ao espumante brasileiro da vinícola Hélios, produzido em Bento Gonçalves. Um super espumante no método champenoise, elaborado com 93% da uva branca Chardonnay e 7% da tinta Pinot Noir. Apenas 900 garrafas foram produzidas em um único lote. Amadurece sobre as borras, o que traz complexos aromas de pão, lembrando brioche, muito floral, fresco, com perlage fino e abundante. Notas cítricas e acidez bem presente. Poucos espumantes me ganham de cara, porque normalmente trazem muita doçura. O Theia tem a cor esverdeada, que eu acho linda, notas acentuadas de pão, sabor bem seco, mas harmonioso com a acidez e o frescor. O espumante Theia abrilhantou o meu dia, brindou a amizade e a qualidade dos vinhos brasileiros. Degustei como aperitivo, mas cabe muito bem com uma paella, um bacalhau e até um risoto de camarão.

07/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 1:24

VINHOS CHILENOS

Vinhos chilenos: do Vale do Elqui, ao norte de Santiago, vem um produtor que está totalmente conectado à cultura astrofísica da região. A vinha Alcahuás está no Vale do Elqui, que é um super polo de astroturismo. É considerado o céu mais limpo e claro do Hemisfério Sul e, por isso, possui vários observatórios astronômicos. A vinha Alcahuás preserva o pisa-pé das uvas, e isso é incrível. É difícil uma vinícola, atualmente, ainda fazer o pisa-pé. Uma outra particularidade da vinícola é que eles plantaram inicialmente Cabernet Sauvignon e Carménère, as uvas de maior destaque no Chile. Porém, elas não se desenvolveram bem na região. Mudaram então para duas variedades do Mediterrâneo: a Syrah e a Garnacha, e o resultado foi excepcional. Inclusive, espera-se que a Syrah dos vinhedos de Alcahuás se torne uma das melhores Syrahs do mundo. A uva entra na elaboração dos vinhos Drú e Rú, e também no varietal de Syrah. O Rú é o nome do portal de conexão entre a divindade e a humanidade, uma homenagem ao misticismo do Vale do Elqui. É um super vinho de Syrah, Garnacha e Petit Syrah. Já o Grus é uma mescla tinta, igual ao Rú, mas com uma parcela de Malbec. É o segundo vinho da casa e homenageia a constelação Grus. Degustei ainda o Cuesta Tica, 100% Garnacha, da safra de 2017. Quis experimentar porque era a primeira safra. Um vinho de coloração rubi profunda e, ao nariz, fruta vermelha com ervas, especiarias rosas e notas lácteas. Fresco, de médio corpo e taninos bem firmes. Ao final, não degustei o varietal 100% Syrah, mas já vou atrás, porque sou uma enlouquecida por Syrah. E se essa é a nova promessa, já quero saber o que tem a Syrah do Vale do Elqui. E você, está degustando o quê? Compartilhe conosco usando a hashtag #musicaevinho através das redes sociais.

06/03/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:13