Pense Nisso | Centro América FM Cuiabá - Easy | Cadena

Episódios

Servos e anjos

Servos e Anjos Quando tuas mãos ainda cabiam dentro das minhas e num abraço eu te fazia como que desaparecer, a ventania passava veloz e enfurecida, e feito árvore de raiz profunda, nada nos fazia mover. Quando teus sonhos ainda cabiam dentro dos meus e uma dúzia e meia eram os habitantes da Terra, nem um dia sequer de sorriso se perdeu e de meu rosto sempre tiveste a expressão mais sincera. Quando teus deuses do Olimpo eram apenas dois, socorrendo-te e atendendo-te na velocidade do pensar, percebi que servir me fez feliz, pois a entrega me deu sentido. Viver é se entregar. Quando tua mente ainda era casa de brinquedo, que eu conhecia cômodo a cômodo, do teto ao chão; Quando ainda tua morada não possuía sequer um segredo, e o teu respirar, no colo, era letra da minha canção; Quando tua voz no mundo ainda era a minha, eu me desafiava tentando te entender. Perdi-me de mim e encontrei a linha; teci no teu linho e aceitei te ensinar a tecer. Quando teu ir e vir dependia do meu e ainda te levava para onde meu coração queria, já aceitava o futuro meu, o futuro teu, o dia em que esse meu amor, sem pesar, te libertaria. * * * Estudos mostram que até em torno dos seis meses, os bebês se percebem como extensão das mães, isto é, não se veem ainda como um outro ser. As mães, por sua vez, pela intensa ligação que têm com os filhos, desde a vida intrauterina, acabam tendo a impressão de que os filhos são como que partes de si mesmas. Os filhos crescem. Enxergam-se como individualidades. Pensam por si só. têm vontade própria e tornam-se independentes em quase tudo. Por outro lado, muitos corações de mãe e de pai ainda permanecem com aquela impressão singela de que continuam sendo seus bebês. Como se uma parte de seu amor tivesse ficado mergulhado no passado... Tornam-se nostálgicos, voltam a olhar os álbuns de fotografias para tentar entender quando foi que cresceram, quando foi que mudaram tanto e não conseguem encontrar... Tudo isso é saudável quando serve para reforçar os laços, quando torna os vínculos cada vez mais fortes e perenes, impossíveis de serem afetados por qualquer dificuldade encontrada pelo caminho. Os pais devem apenas ter atenção quando esses sentimentos descambam para as esferas da superproteção, do excessivo cuidado que sempre trazem prejuízo para todos na família. Há o tempo de carregar no colo, de atender as vontades, de seguir as escolhas dos pais. Depois há o tempo de caminhar ao lado, atender uma ou outra vontade e lhes dar a chance de fazer algumas escolhas. E, por fim, o tempo de observar sua nova caminhada à distância, de permitir que eles mesmos satisfaçam suas vontades, aceitando as consequências de todas suas decisões e escolhas. Não se trata de um abandono, mas é o momento em que os pais deixam de ser servos – e não há nada depreciativo nesta palavra – e passam a ser anjos de guarda. Os anjos guardiões estão sempre presentes, atuam prontamente em toda necessidade, porém, não interferem no livre-arbítrio das criaturas. Aconselham, advertem, consolam. A decisão final é sempre do protegido. Redação do Pense Nisso, com base no poema Tuas mãos cabiam dentro das minhas, de Andrey Cechelero. Em 24.9.2017.

11/02/2021 08:00 | DURAÇÃO 4:38

Agir ou reagir

AGIR OU REAGIR É possível ser “easy” o tempo todo? É possível sempre levar tudo de boa? Embora considere um sinal de sabedoria não jogar tempero em cima de problemas menores nem supervalorizar pequenos imprevistos, pequenas alfinetadas, creio que nem sempre a gente consegue segurar a onda. Nem sempre a gente consegue respirar fundo antes de soltar um comentário maldoso ou sentir um forte incômodo pela situação vivida. Estamos cercados constantemente por pessoas e circunstâncias. A nossa paciência é posta à prova diariamente, nas mais variadas situações cotidianas, desde pegar um transporte público lotado às sete da manhã até conviver com pessoas que nos desagradam. Passamos por imprevistos que incluem desde um pequeno atraso por conta do trânsito até a necessidade de engolirmos a nossa opinião para não ferir as pessoas, até o ponto de fingir que certas atitudes não magoam tanto assim para manter a paz no ambiente de trabalho, no ambiente familiar , entre os amigos , entre parceiros amorosos. Me parece que sublimar algumas frustrações e ofensas é bastante salutar para a vida. Por outro lado, segurar tudo na garganta, não expressar as emoções, não falar a respeito do que nos fere pode ser um bom começo para o acúmulo nocivo de mágoas que começam pequenas e desimportantes, mas que vão ganhando corpo com o decorrer do tempo. Não digo que devemos botar tudo em discussão, que devemos debater cada mínimo detalhe da relação. Debater o tempo todo por tudo pode ser bem desgastante. Pode ampliar problemas insignificantes. Porém, nunca conversar sobre nada, nunca tentar aparar arestas, pode gerar um desinteresse pela relação, pode gerar um sentimento de que nada pode ser transformado para algo melhor, mais significativo. Sim, nem tudo deveria ser debatido, mas quando uma questão realmente nos incomoda e nos faz perder um pouco da vontade de estar junto, me parece importante conversar a respeito. Nem sempre conseguimos ser compreensivos. Nem sempre conseguimos relevar, passar por cima, deixar para lá. Nem sempre conseguimos ser “easy. Por mais que seja importante exercitar a paciência, forte qualidade de pessoas emocionalmente maduras, nem sempre é possível ficar de boa com tudo. Sim, a vida tem um lado pesado, querendo ou não aceitá-lo. Se , por um lado, não é saudável fazer uma guerra por tudo, por outro, me soa estranho achar tudo normal, não se indignar com nada , concordar com tudo. Me soa estranho não nos sentirmos abalados por nada nem ninguém. Quando nada nos afeta é porque estamos com as emoções amortecidas. Estamos impregnados pela indiferença. Claro, devemos ter uma ação diante de uma injustiça. Mas, nunca uma reação que cause o mesmo efeito. O grande desafio é deixar de reagir, escolhendo o agir, que gerará sempre melhores resultados, posto que é fruto do equilíbrio e da reflexão. E a transformação do nosso comportamento acontecerá paulatinamente e será o resultado da disciplina no pensar, que gera o hábito da reflexão, culminando pelo desarmar de nossas atitudes. Portanto, já não mais vítima das palavras rudes, do comportamento infeliz ou da atitude impensada. Que a análise e reflexão de nossas atitudes possam fazer com que, aos poucos, a reação ceda lugar a ações, pautadas em um comportamento de paz, lucidez e fraternidade. * * * Quando reagimos, revidando ofensas, agressões, descuidos alheios, passamos a sintonizar com quem as produziu. A partir daí, mantemos uma interdependência psíquica, que nos aprisiona em nuvens mentais de sentimentos malsãos, que somente nos prejudicam, física e espiritualmente. Optemos sempre pela ação ponderada e gozemos de saúde, de tranquilidade, vivendo sem sintonia com aqueles que ainda transitam pelas faixas da inconsequência ou da maldade. Façamos isso e nos sentiremos leves, felizes, plenificando-nos com as celestes bênçãos. Redação do Pense Nisso Em 24.9.2016.

10/02/2021 08:00 | DURAÇÃO 4:58

Telha de vidro

Telha de vidro

09/02/2021 08:30 | DURAÇÃO 4:45

A Vida e o Tempo

A Vida e o Tempo Tudo começou de repente... Não lembro quando foi... Cheguei sem saber de onde vim... Tudo era novo... Dependia sem saber de quem... Aos poucos meu mundo foi nascendo... Aos poucos, a luz do sol... A cada dia algo novo... Tudo era tão simples... Nem vi o tempo passar... Não percebi quando virei eu... Quando as cores mudaram... E os sonhos já não eram os mesmos... Novos desafios... Poxa, já tenho quase trinta anos! No tempo que voava... sem me dar explicações.... Sem que eu soubesse a razão... Sem ouvir a batida de suas asas... Sem notar quando as coisas mudaram... Tão rapidamente... Deixando de me reconhecer... Como se agora fosse outra pessoa... Mudei sem perceber... Me transformando todos os dias...Chegara o tempo que exclamarei: “Estou chegando aos sessenta anos! Como o tempo passa! (breve pausa)E eu não me dei conta desse tempo que passou.. Sem ver o tempo passar, pois que, só posso enxergar um dia depois do outro. Virei outra pessoa, perdida no tempo que me enganou. Esse tempo me transformou, me conduziu, me deu... Me tirou... E me deixou sem chão. Sem saber porque... agora, no final da minha existência, tenho essa sensação; a sensação de estar fora de casa. Como se tudo tivesse sido um sonho, que estranhamente nunca vai acabar. Talvez, eu só perceba em parte, que estou indo a algum lugar. E que tudo é uma coisa só; que todos os dias são um. Que tudo faz sentido, mesmo quando não faz sentido algum. E que todas as coisas só existiram dentro de mim, e elas me conduziam, todos os dias, de volta para casa. Onde fica essa casa? Sinceramente, eu não sei. Quem deve ter essa resposta é o tempo e a vida...que ainda está por ser vivida em outro tempo. *** O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que o conheça, o tempo é, contudo, nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim. O tempo sabe ser bom. O tempo é largo, o tempo é grande, é generoso, é farto. É sempre abundante em suas entregas. Diminui nossas aflições, dilui a tensão dos preocupados, suspende a dor dos torturados. Traz a luz aos que vivem nas trevas, o ânimo aos indiferentes, o conforto aos que se lamentam, a alegria aos homens tristes, o consolo aos desamparados. Também a serenidade aos inquietos, o repouso aos sem sossego, a paz aos intranquilos, a umidade às almas secas. O tempo é manancial de sabedoria que flui por entre nossas existências. Nas incertezas do caminho, nos momentos de angústia, nas aflições da jornada, confiemos nele, que tem a medida de todas as coisas e o consolo para todas as lágrimas. Jamais nos permitamos acreditar que não há tempo. Fechemos os olhos, ouçamos sua voz... Lá ele está: o tempo de um abraço, de um sorriso, de um ato de caridade, de uma mudança de vida. O tempo para a família, para os amigos e para nós mesmos. Sempre há tempo...Sempre há vida. Pense Nisso. Redação do Pense Nisso, com base no texto De Volta Pra Casa de autoria de Flávio Siqueira e das percepções do autor deste texto”. Em 23.06.2017.

08/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:40

Ser gentil

Ser gentil Os procedimentos se faziam apressados para o embarque dos passageiros na aeronave. A preocupação para não haver atraso, o tempo exíguo, exigia um tanto mais. O bom andamento na entrada do avião, para que todos logo se acomodassem, preocupava a tripulação. Nesse afã de logo completar a tarefa e seguir viagem, se empenhavam os comissários de bordo. Estando acomodados um certo número de pessoas, adentrou o avião uma jovem. De compleição física robusta, alta, embora de aparência saudável, denotava em seu semblante que algo não estava bem. Vinha seguida pela mãe, idosa, miúda na sua constituição, que a encorajava a seguir em frente. Os passos se faziam titubeantes. As mãos, suadas, apoiavam-se lentamente, poltrona a poltrona, como a querer agarrar-se, fincar-se ao solo. Parecia tomada de pavor, como se algo fosse lhe acontecer. A mãe, bem próxima, a incentivava a dar os próximos passos a fim de chegar nas poltronas que lhes cabiam. Porém, a jovem não venceu mais do que três ou quatro fileiras. Ao vislumbrar o imenso corredor, as inúmeras poltronas, filas, pessoas, foi tomada de um medo colossal, e não pôde prosseguir. A face se fez pálida. As mãos agarraram a poltrona mais próxima e os pés estaquearam de vez. A mãe, entre acabrunhada e nervosa, tentava em vão pedir-lhe que prosseguisse. A fila dos passageiros se alongava, às suas costas. Vendo a cena, um comissário de bordo se aproximou. Ele tinha todo o treinamento necessário para lidar com essas situações. Sabia da sua obrigação de dar conta do embarque de todos os passageiros, para que o piloto pudesse dar início à decolagem. Conhecia as regras e a correta abordagem, sem perder a calma e a polidez. Porém, ele resolveu utilizar outra ferramenta, essa talvez mais rara nos manuais de treinamento. Aproximou-se da jovem, trêmula e parecendo apavorada. Suavemente apoiou sua mão sobre o ombro dela, e gentil, convidou: Vamos sentar na poltrona, minha flor? Aquelas palavras, que manifestavam compreensão pela dificuldade que ela enfrentava, soaram aos seus ouvidos como bálsamo. Tomada de nova coragem, envolvida pela gentileza do rapaz, ela retomou os passos até o local indicado, permitindo que o embarque retornasse ao fluxo normal. * * * Este é o poder da gentileza. Derrete a frieza das relações, supera obstáculos interpostos entre as pessoas, encoraja o mais frágil, fortalece o mais fraco. Muitas vezes, todas as técnicas, conhecimento e destreza não superam o que a doçura de uma palavra, um gesto suave, um olhar carinhoso são capazes de realizar. Ser gentil extrapola a polidez. Vai além da obrigação e mesmo do profissionalismo. Ser gentil é semear pequenas flores na estrada alheia, para que o próximo se impregne, mesmo que somente por curta distância, poucos passos apenas, de um leve perfume que extravasa solidariedade, fraternidade, preocupação pelo outro. Redação do Pense Nisso, com base em fato narrado por Suely Caldas Schubert, em palestra de 8.2.2015. Em 06.5.2015.

06/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 3:59

Aprisionados pelo medo

Aprisionados pelo medo Na sala de aula, a professora perguntou aos seus alunos: Do que vocês têm mais medo? Depois de um breve e tenso silêncio, um garoto respondeu, um tanto tímido: Eu tenho medo do escuro. Outro, falou: Tenho muito medo do bicho-papão. Medo da morte, medo de altura, medo de ser esquecido pelos pais na escola... Vários medos foram confessados e anotados pela sábia professora, que desejava libertar os pequenos do sofrimento gerado pelo medo, através do uso da razão. Por fim, uma garotinha disse, com ar de assustada: Tenho muito medo do “malamém”, que é um monstro muito perigoso... E você já viu esse monstro? - Perguntou, interessada, a professora. Nunca vi, mas é um monstro tão perigoso que minha mãe pede todos os dias a Deus que nos livre dele, esclareceu a menina. E concluiu: Minha mãe sempre pede a Deus no fim da sua oração: ...e livrai-nos do malamém. Não é preciso refletir muito para entender a situação daquela criança com relação ao medo do monstro, criado pela sua imaginação. O medo era tão tirano que ela nunca ousou confessá-lo à mãe. Um medo terrível de algo que nunca existiu. Mas será que somente as crianças têm medo do que desconhecem? Certamente não. A ignorância tem sido, desde todos os tempos, a grande responsável pelo terror imposto pelo medo. O desconhecido gera medos inconfessáveis, em pessoas de todas as idades. Mas como podemos ter tanto medo do desconhecido? Isso ocorre justamente porque os monstros criados pela imaginação geralmente são mais terríveis do que os reais. O medo da morte é um exemplo disso. O medo do inferno também tem feito reféns. O juízo final é outro tirano que atemoriza muita gente. Todos esses temores são frutos da ignorância, não há dúvida. Existem pessoas que têm medo do futuro, medo da solidão, medo de sentir medo, e por aí vai... Enquanto a razão não lançar suas luzes sobre essas questões, o medo continuará a infelicitar os indivíduos, fazendo-os reféns da própria ignorância. Muitos pensadores já afirmaram que só o conhecimento liberta das garras do medo sem sentido O conhecimento é diferente de crença. A crença é sempre cega, vazia de certezas. Para crer em algo não é preciso conhecer, basta acreditar. Mas a convicção só se adquire através do conhecimento. . Assim sendo, vale a pena envidar esforços para libertar-nos dos medos, buscando lançar luz sobre o que a ignorância oculta. Importante libertar nossas crianças, muitas delas reféns de monstros imaginários terríveis, dialogando com elas sobre seus medos. É preciso considerar que o medo é o pior de todos os monstros, e precisa ser aniquilado com urgência. É preciso clarear os caminhos escuros da ignorância com a luz do conhecimento, para que o medo bata em retirada... Como asseverou o grande filósofo grego, Sócrates: Há apenas um bem: o conhecimento; e um mal: a ignorância. Sócrates foi o precursor da dialética da razão e logica, foi vítima da ignorância de seus contemporâneos. Pensemos nisso e busquemos, com vontade firme, conhecer as leis que regem a vida! Só assim seremos verdadeiramente livres de todos os medos que tanto nos infelicitam. Redação do Pense Nisso Em 09.02.2011.

05/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:26

Resiliência

RESILIÊNCIA Resiliência é a capacidade da pessoa se recobrar facilmente ou se adaptar às adversidades ou às mudanças. Também pode ser entendida como a capacidade de vencer obstáculos, permitindo-se o aprendizado a partir dos problemas e até ajudar o próximo. Perdas, traumas emocionais, sentimentos marcantes interferem, por vezes, de forma negativa, na vida de milhares de pessoas. Para algumas, problemas e desafios são apenas pequenas barreiras, logo transpostas. Contudo, para outras pessoas, se transformam em gigantescas muralhas. E é exatamente nesse momento que entra a resiliência, essa capacidade de o indivíduo lidar com problemas, de superar obstáculos, de transformar traumas em aprendizados ou de resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico. A advogada maranhense Marlene, com uma carreira bem sucedida na Procuradoria Pública, uma condição financeira invejável, se descobriu grávida pela terceira vez. Aos quarenta anos, recebeu a notícia, dada pelo próprio médico, de que sua filha nasceria comSíndrome de Down e não viveria além dos doze anos. Ela se sentiu precipitar em um buraco negro. Parecia ser o fim do mundo, do seu mundo. Ela não tinha conhecimento a respeito da Síndrome e os meses seguintes foram de luto, dor e muitos questionamentos. Por que comigo? O que foi que eu fiz de errado? Marlene sentiu raiva, ficou deprimida e, por último, resolveu ir à luta. No dizer de uma psicóloga clínica, ela começou a ver que podia tirar uma flor de uma pedra. O primeiro passo foi se esclarecer a respeito do que era a Síndrome de Down. E, para oferecer à filha melhores condições, saiu de sua terra natal, demandando localidade que oferecesse todas as oportunidades possíveis para que sua filha se pudesse desenvolver. E Mayara nasceu. Hoje, com vinte e oito anos, está feliz. Trabalha, namora. Tem uma vida normal. Mas, mais do que superar o trauma inicial e proporcionar à filha as melhores condições para seu desenvolvimento, amparando-a em todas as fases, Marlene optou por auxiliar ao próximo. Hoje, ela é presidente da Associação Reviver Down, uma entidade sem fins lucrativos que reúne pais e pessoas com Síndrome de Down. Ali, ela compartilha a sua experiência com pais de portadores de deficiência. Superando a questão que a alcançou, um dia, Marlene demonstrou a importância da resiliência ante o desafio. E atendendo ao propósito de auxiliar a que outras pessoas não necessitem passar por seus mesmos traumas e pavores, se dedica a repassar a sua experiência, multiplicando benefícios. Uma história de coragem. Uma história de superação e de amor que demonstra que o ser humano é sempre mais forte do que imagina. E que, afinal, ninguém recebe fardo maior do que possam suportar seus ombros. Deus é sábio e conhece a fortaleza de cada um dos seus filhos. Por que nem sempre vencemos? Porque, por vezes, deixamos, exatamente, de acionar essas alavancas internas, nossa força moral. Porque nos permitimos influenciar por aqueles que nos dizem que não conseguiremos vencer. Pensemos nisso e sigamos os exemplos de superação. Redação do Pense Nisso, com base no artigo Do desafio à superação, de Willian Bressan, do Jornal Gazeta do Povo, de 20.9.2015. Em 14.12.2015.

04/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:14

Provocações

Provocações A provocação de qualquer natureza é mal que gera contágio e, quando aceita, transforma-se em desequilíbrio. O provocador está de mal com ele mesmo, saindo da cela escura em que se domicilia para perturbar, irradiando azedume, propondo anarquia. Ignora-o e segue adiante. Por ele assediado, considera as desvantagens da empresa, aplicando o teu tempo de forma produtiva. Tens um compromisso com a própria consciência, que te ensina respeito ao próximo, a quem deves amizade, não, porém, obediência, sujeição. A tua tarefa, deves realizá-la, conforme a abraçaste. A opinião dos outros merece a consideração que lhe dás. Assim, não te detenhas em justificativas ou discussões inúteis, que somente aumentariam as desarticulações do trabalho, estabelecendo balbúrdia, perturbação. Os provocadores de polêmicas agem com insensatez. Estão sempre contra todos aqueles que os não homenageiam. A sua cegueira é farta de presunção. Acreditam deter a verdade, a sabedoria, só eles que se autonomearam seus zeladores, olvidados de que passam pela Terra e não permanecerão no posto de vigilância, que dizem resguardar. A polêmica, nascida no despeito, na mágoa, na paixão, somente produz desarmonia, trevas, nunca esclarecendo. Adotemos o comportamento de construtor da esperança, iluminador de consciências, mensageiro do amor. Quando for preciso responder às críticas, façamos com elevação de linguagem, com argumentação sólida e clara, com respeito pelo opositor. Lembre-se; todos nós temos o direito de combater ideias e argumentos. Porém, a obrigação de manter o nível da discussão na órbita das ideias e nunca da agressão às pessoas. Constantemente somos provocados, mas devemos usar de sobriedade e equilíbrio e permanecer em alto padrão de comentário, aplicando a terapêutica da compaixão em favor dos Seus provocadores. É fácil? Claro que não. É preciso exercitar a paciência e o auto controle. O tempo é sempre o melhor medicamento para todos os males. Ninguém escapa à sua marcha inevitável. * * * Você costuma levar desaforo pra casa? Algumas pessoas proclamam que não. Que resolvem tudo ali, na hora. Não deixam para depois. Mas, será que no calor do momento, com as emoções à flor da pele, estamos aptos a tomar as melhores decisões? Quase sempre não. Por isso, levar desaforo para casa pode ser uma excelente ideia, pois em casa podemos pensar, refletir, sozinhos e também com os outros. Colocar para fora, pedir opiniões, conselhos. Pedir ajuda. Na maioria das vezes o que não nos deixa engolir sapos não é o desejo de resolver o problema o quanto antes, mas sim o orgulho ferido. Por isso, a postura equilibrada é tão importante. E muitas vezes ela significa calar num primeiro momento. Em outros, significa se colocar, porém de maneira humilde e fraterna, sem posição de contra-ataque. Defender-se atacando é sinal de ego machucado. Sinal de que nossos argumentos estão contaminados e de que nossa resposta não será a melhor possível no momento. Quando recebermos críticas saibamos ouvi-las, retirando delas a verdade e deixando de lado as afirmações vazias. Sempre podemos aprender algo, mesmo com aqueles que desejam nosso mal. Redação do Pense Nisso, com base no cap. 3, do livro Desperte e seja feliz, ed. LEAL. E na experiência vivida pelo autor deste texto. Em 23.9.2015.

03/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:21

As Estações da Vida

As Estações da Vida Quando chega o outono, as folhas das árvores mudam seus tons de verde para uma variedade de cores inigualável. Se a primavera é uma explosão de flores e perfumes, a estação outonal é a dos coloridos mais exuberantes. A impressão que se tem é de que algumas árvores disputam entre si qual se vestirá com a cor mais exótica. Olhamos para suas folhas e difícil nos é dizer qual a cor verdadeira, pois elas se mostram em tons que variam entre o laranja, amarelo e vermelho. Algumas apresentam uma mistura de cobre e cinza, levando-nos a um quase êxtase ao contemplá-las. E ficarão assim, trocando os tons, nos surpreendendo a cada dia, durante os meses em que se preparam para se vestir de inverno. Outras simplesmente vão, paulatinamente, se jogando ao chão, uma a uma, como num desmaio constante, despindo os galhos e formando arabescos e tapetes pelas calçadas, praças e ruas. Em nossas vidas, as estações também se apresentam. E no outono da idade alguns de nós optamos por desistir de viver. Olhamos o rosto que apresenta as linhas modeladas pelo tempo e dizemos que estamos no fim da vida. Passou a juventude. Passou o entusiasmo. Passou a alegria de viver. Os sonhos foram armazenados para sempre. Por vezes, um tanto dramáticos, até acrescentamos: Agora, é só esperar a morte. E se somos incentivados a aproveitar as horas de que dispomos, com leituras, estudo, algo que nos ilustre um tanto mais, invocamos os vacilos da memória, as dificuldades de guardar informações. Um verdadeiro declínio. No entanto, deveríamos aprender com a natureza. A primavera é a estação das flores, dos dias amenos, da profusão de frutos se esparramando pelos pomares. No verão, as cores quentes se apresentam com todo o vigor. Os arbustos com sua perenidade se vestem de um verde mais intenso. Nos canteiros, as flores se revezam em cores e perfumes. E, quando chega o inverno, ela se deixa despir pelos ventos gélidos, pelas chuvas insistentes, pela geada que se estende branca e fria. Parece adormecer. É uma espécie de reclusão para, logo mais, despertar gloriosa aos beijos da primavera que se permite reprisar em beleza e cores. E a quadra do outono é exatamente aquela dos dias lentos, do sol que se apresenta morno e preguiçoso, das folhas que caem. Poderíamos viver assim. Considerando a infância a primavera. Época de aproveitar todos os folguedos, os dias de despreocupação e abastança de horas. Depois, na maturidade do verão, mostrarmos as nossas produções, assinalando nossa passagem pelo mundo. E no outono, nos servirmos da oportunidade de demonstrarmos todas as nossas nuances, conquistadas ao longo das primeiras estações. Demonstrar nossa habilidade como profissional, que atravessou os anos, esmerando-se na qualificação; como ser humano que vivenciou dias conturbados, experimentou a alegria e a tristeza, presenciou o progresso chegar e precisou se adequar. Demonstrar nossa qualidade de amante das coisas belas, que se debruça nas horas para contemplar os dias de luz. Pensemos nisso e vivamos melhor essa quadra outonal que nos chega, às vezes, com algumas limitações, mas, com certeza, cheia de oportunidades de usufruir cada hora, em totalidade. Utilizemos de forma sábia o tempo que tenhamos, convivendo com a família mais estreitamente, compartilhando as conquistas realizadas. Redação do Pense Nisso. Em 28.2.1994

02/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:46

Amor sem preço

Amor sem preço Havia um garoto que, nos seus quase oito anos, adquirira um hábito nada salutar. Tudo para ele se resumia em dinheiro. Queria saber o preço de tudo o que via. Se não custasse grande coisa, para ele não tinha valor algum. Nem se apercebia o pequeno que há muitas coisas que dinheiro algum compra. E dentre essas coisas, algumas são as melhores do mundo. Certo dia, no café da manhã, ele teve o cuidado de colocar sobre o prato da sua mãe um papelzinho cuidadosamente dobrado. A mãe o abriu e leu: Mamãe me deve: por levar recados - três reais; por tirar o lixo - dois reais; por varrer o chão - dois reais; extras - um real. Total que mamãe me deve: oito reais. A mãe espantou-se no primeiro momento. Depois, sorriu, guardou o bilhetinho no bolso do avental e não disse nada. O garoto foi para a escola e, naturalmente, retornou faminto. Correu para a mesa do almoço. Sobre o seu prato estava o seu bilhetinho com os oito reais. Os seus olhos faiscaram. Enfiou depressa o dinheiro no bolso e ficou imaginando o que compraria com aquela recompensa. Mas então, percebeu que havia um outro papel ao lado do seu prato. Igualzinho ao seu e bem dobrado. Abriu e viu que sua mãe também lhe deixara uma conta. Filhinho deve à mamãe: por amá-lo - nada. Por cuidar da sua catapora - nada. Pelas roupas, calçados e brinquedos - nada. Pelas refeições e pelo lindo quarto - nada. Total que filhinho deve à mamãe - nada. O menino ficou sentado, lendo e relendo a sua nova conta. Não conseguia dizer nenhuma palavra. Depois se levantou, pegou os oito reais e os colocou na mão de sua mãe. A partir desse dia, ele passou a ajudar sua mãe por amor. * * * Nossos filhos trazem suas virtudes e seus defeitos. Cabe-nos examiná-las para auxiliá-los na consolidação das primeiras e no combate às segundas. Todo momento é propício e não deve ser desperdiçado. As ações são sempre mais fortes que as palavras. Na condução dos nossos filhos, cabe-nos executar a especial tarefa de agir sempre com dignidade e bom senso, o que equivale a dizer, educar-nos. Com exceção dos filhos extremamente rebeldes, uma boa dose de amor somada à energia, sempre dá bons resultados. * * * É no lar que recebemos os primeiros ensinamentos sobre as virtudes. Na construção do senso moral, dos conceitos de certo e errado são muito importantes os exemplos dados pelos pais. É no doce mundo familiar que se adquire o hábito da virtude que nos guiará as ações quando sairmos mundo afora. Redação do Pense Nisso. Em 30.10.2017.

01/02/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:14

O abraço que eu não posso dar

O abraço que eu não posso dar É de nossa cultura a expressão afetuosa que envolve o toque, o contato físico. Sentimos muita falta do abraço. Sabe-se que o abraço carinhoso tem um poder sem igual, revitalizante e curador. Segundo alguns estudiosos, o abraço amplia nosso sentimento de autoaceitação, minimiza ansiedade e estresse, libera dopamina, o hormônio do humor e da motivação. Além disso, fortalece nossas conexões, possibilitando o exercício do perdão, apoio e amor. Em resumo, é essencial para nossas vidas. Mas, o que fazer quando ele nos falta? O que fazer quando, para preservar o outro, somos obrigados a nos manter afastados fisicamente? É aí que entra nossa criatividade e também o conhecimento da realidade. Há muitas outras formas de abraçar. A parte física do abraço é apenas uma pequena porção de uma expressão muito maior. Quem abraça não é o corpo. Abraçamos utilizando este corpo, que hoje existe e amanhã não existirá mais. Abraçamos com a alma, ou com o coração, utilizando dessa referência tão comum na esfera dos nossos sentimentos. Quando oramos por alguém, com sinceridade, estamos abraçando. Quando telefonamos para saber como o outro está, oferecendo alguns minutos para ouvir, doando nosso sorriso, nosso ombro amigo, estamos abraçando. Quando fazemos uma gentileza, alguma produção própria com a qual presenteamos as pessoas, estamos igualmente abraçando. Quando, finalmente, abrimos nosso coração, proferindo doces palavras, destacando qualidades, expressando nossa admiração, nosso amor a alguém, estamos lhe dando um forte e poderoso abraço. E como isso é bom!!! Assim, não nos preocupemos tanto pela falta do contato físico temporal. Encontremos outras formas de nos relacionarmos. Continuemos doando o abraço, o carinho, o interesse, de diferentes formas. Alguns escrevem poemas expressando seu amor. Outros alimentam e cozinham algo de especial, pensando no próximo. Alguns enviam seu canto ou compartilham uma Palavra para consolar. Há aqueles que oram, enviando o abraço dos fluidos invisíveis que revigoram tanto aquele que oferece quanto aquele que recebe. Então, pensemos de que forma podemos abraçar à distância. Cada um encontrará o seu jeitinho, a sua maneira, dentro de suas possibilidades infinitas, neste Universo onde tudo está conectado. A verdade é que estamos mais próximos uns dos outros do que imaginamos. Pense nisso, mas... pense agora! (*) Pense Nisso com base em texto do Momento Espírita

30/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 3:48

Um novo ano pela frente

Um novo ano pela frente Estamos no primeiro mês do ano. Quando o mês de janeiro chega, é sempre um momento de renovação de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas, propósitos renovados para tantas coisas... É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para os próximos meses. Parar para pensar em seus projetos... Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período reinicia. Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos? Por muitas vezes, nem sabemos onde guardamos a tal lista... Um Ano Novo deve ter um significado especial. Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos motivados a uma renovação. Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional. Ainda mais depois de um ano tão atípico que vivemos em 2020. Quanta coisa aprendemos... Agora, talvez seja o momento de colocarmos em prática todo nosso aprendizado. Podemos e devemos nos importar mais com os filhos, lembrando de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, interessando-se pelos conteúdos disciplinares. Dedicar mais tempo às crianças, não somente para passeios como a praia, a viagem de férias. Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete... e olhar a carinha lambuzada de chocolate. Uma tarde para um papo com os mais velhos. Ainda que a distância, por telefone ou internet. Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um Olá, desejar Boa viagem, Feliz Aniversário! Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso. Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, talvez aprender um novo idioma. Fazer uma visita ao dentista... E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial. Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma. Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, dedicar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo. Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista. Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho para casa. Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois. Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o novo ano. Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória. Ainda estamos no mês de janeiro. Tem um ano todo pela frente. Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida! Faça algo diferente, Pense nisso, mas... pense agora (*) Pense nisso baseado em texto do Momento Espírita

29/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:37

Pais brilhantes

PAIS BRILHANTES É bastante comum as pessoas justificarem os seus erros, invocando suas precárias condições de vida. Dizem que foi o desespero que as levou a tomar atitudes equivocadas ou que circunstâncias negativas as fizeram agredir o seu semelhante ou suas propriedades. Filhos agridem pais porque eles não lhes deram o que pediram, no momento exato em que o fizeram. Irmãos que mentem, enganam para ter um quinhão maior em heranças, não se importando em que condições ficarão os demais irmãos. Viktor Frankl, um judeu vienense, que foi prisioneiro dos alemães, durante a segunda guerra mundial, escreveu: Nós que vivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que andavam pelos alojamentos confortando os outros, distribuindo seus últimos pedaços de pão. Talvez eles tenham sido poucos. Mas são prova suficiente de que tudo pode ser retirado de um homem. Menos uma coisa, a última das liberdades humanas – escolher que atitude tomar em quaisquer circunstâncias, escolher o seu próprio caminho. Portanto, escolher o bem ou o mal compete a cada um. O que nos falta, sim, é uma melhor educação. Não essa educação que se aprende nos livros. Mas aquela que tem a ver com a formação do caráter da criatura. E para isso precisamos urgentemente, de pais conscientes que ensinem verdadeiros valores a seus filhos. Que lhes digam que é nobre dizer a verdade, mesmo que isso não os credencie a receber algum prêmio ou compensação. Pais que tenham coragem de falar aos seus filhos sobre os dias mais tristes das suas vidas. Que tenham a ousadia de contar sobre as suas dificuldades do passado e como as conseguiram vencer. Pais que não desejem dar o mundo aos seus filhos, mas que queiram sim lhes abrir o livro da vida. Pais presentes que desenvolvam em seus filhos: auto-estima, capacidade de trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos estressantes, dialogar e ouvir. Pais que tenham tempo, mesmo que o tempo seja muito curto. Pais que joguem menos golfe, futebol e se sentem para conversar com os filhos, descobrindo-lhes o mundo íntimo. Pais que não se preocupem somente com festas de aniversário, tênis, roupas, produtos eletrônicos. Mas que também se preocupem em dialogar. Pais que sabem que não devem atender todos os desejos dos seus filhos, pois isso os tornará fracos, dependentes. Pais que dêem algo que todo o dinheiro do mundo não pode comprar: o seu amor, as suas experiências, as suas lágrimas e o seu tempo. Em suma: um autêntico processo de educação, em que o filho aprende que amar é o maior dos tesouros. E não haverá de se tornar infeliz somente porque não tem a roupa de griffe, ou não conseguiu viajar ao exterior nas férias. Será alguém que se preocupa não somente consigo mesmo, mas com o seu semelhante. Alguém que reconhecerá a grande diferença entre ter coisas e ser uma pessoa útil à comunidade, um cidadão honrado, um homem de bem. *** É possível que você diga que trabalha muito e não tem tempo. Contudo, faça do pouco tempo disponível, grandes momentos de convívio com seus filhos. Role no tapete, faça poesias. Brinque, sorria. Conheça-os e permita que eles o conheçam. Lembre-se, por fim: seus filhos não precisam de um super-homem, de um executivo bem sucedido, de um empresário muito rico. Para eles não importa se você é médico, professor, administrador de empresa, copeiro, enfermeiro. Importa, sim, o ser humano que você é e que os ensinará a ser. Equipe de Redação do Pense Nisso com base no cap. 1 do livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, de Augusto Cury e do cap. Obstáculos, do livro Histórias para Aquecer o Coração – edição de ouro, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ambos da ed. Sextante.

28/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:35

Descontrole

DESCONTROLE Naquele dia de sol, Mário chegou feliz e estacionou o reluzente caminhão em frente à porta de sua casa. Após vinte anos de muita economia e muito trabalho, sacrificando dias de repouso e lazer, ele conseguira. Comprara um caminhão. Orgulhoso, entrou em casa e chamou a esposa para ver a sua aquisição. A partir de agora, seria seu próprio patrão. Ao chegar próximo do veículo, uma cena o deixou descontrolado. Seu filho, de apenas seis anos, estava martelando alegremente a lataria do caminhão. Irritado, aos berros, ele investiu contra o filho. Tomou o martelo das mãos dele e, totalmente fora de controle, martelou as mãozinhas do garoto. Sem entender o que estava acontecendo, o menino se pôs a chorar de dor, enquanto a mãe interferiu e retirou o pequeno da cena. Na sequência, ela trouxe o marido de volta à realidade e juntos levaram o filho ao hospital, para fazer um curativo nos machucados. O que imaginavam, no entanto, fosse simples, descobriram ser muito grave. As marteladas nas frágeis mãozinhas tinham feito tal estrago que o garoto foi encaminhado para imediata cirurgia. Passadas várias horas, o cirurgião veio ao encontro dos pais e lhes informou que as dilacerações tinham sido de grande extensão e os dedinhos tiveram que ser amputados. De resto, falou ainda o médico, a criança era forte e tinha resistido bem ao ato cirúrgico. Os pais poderiam aguardá-lo no quarto para onde logo mais seria conduzido. Com a morte no coração, os pais esperaram que a criança despertasse. Quando, finalmente, abriu os olhos e viu o pai, o menino sorriu e falou: Papai, me desculpe, eu só queria consertar o seu caminhão, como você me ensinou outro dia. Não fique bravo comigo. O pai, com lágrimas a escorrer pela face, em desconsolo, se aproximou mais e lhe disse que não tinha importância o que ele havia feito. Mesmo porque, a lataria do caminhão nem tinha sido estragada. O menino insistiu: Quer dizer que não está mais bravo comigo? Não mesmo, falou o pai. Então, perguntou a criança, se estou perdoado, quando é que meus dedinhos vão nascer de novo? Toda vez que perdemos a calma, perdemos também a lucidez e o bom senso. Nesses momentos, podemos cometer muitas tolices. E quando investimos contra as criaturas que amamos, podemos machucá-las muito. Podemos feri-las com palavras e com atos. E, em se tratando de crianças, que são frágeis e ficam indefesas frente ao descontrole dos adultos, tudo assume maior gravidade. Jamais nos permitamos a ira, que é sempre má companhia. Domemos as nossas tendências e impulsos agressivos, recordando que nada na vida é mais precioso do que as pessoas. As coisas que possamos adquirir nos servirão por algum tempo, mas, somente os nossos amores estarão conosco sempre, não importando o local, as condições que venhamos a nos encontrar. Preservemos a calma e ofertemos para aqueles que são os sóis das nossas vidas somente o carinho, a ternura e as doces manifestações do amor.

27/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:04

Ser como se já não fôssemos

SER COMO SE JA NÃO FÔSSEMOS É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante. É preciso não esquecer de ver a nova borboleta, nem o céu de sempre. O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a ideia de recompensas e de glória. O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos, severos conosco, pois o resto... o resto não nos pertence. * * * Cecília Meirelles nos faz pensar e viajar por entre suas palavras singelas e profundas. Seria possível viver como se já não fôssemos, em um mundo de tangibilidade plena como o nosso? Seria possível como que viver em dimensões diferentes ao mesmo tempo? E, será que já não vivemos? Há uma parte de nós vivendo na esfera ponderável, da matéria, das necessidades de sobrevivência. Há outra, habitante do eterno, onde os espelhos do mundo não refletem nada, imponderável, espiritual. Viver como se já não fôssemos, pode significar estar no mundo, sem ser do mundo. Dependemos do material para a sobrevivência, para a manutenção da encarnação. Porém, nosso coração, nossas mais valiosas energias podem estar sendo investidas nessa vida maior, na vida eterna do Espírito imortal. Quando investimos no amor, na doação, no sorriso para os infelizes ao nosso redor, estamos sendo como se já não fôssemos, pois estamos vivendo o espiritual, o permanente, acima do efêmero, do passageiro. Quando investimos no autoconhecimento, buscando em nós, diariamente, o que precisa de reforma, estamos sendo como se já não fôssemos. Quando não esperamos as recompensas e glórias do mundo, vivendo com leveza o dia carregado de atos, estamos sendo como se já não fôssemos. Severos conosco, no sentido de vigiarmos nossos pensamentos e atos, dando conta de nossa própria administração. Não a severidade que pune, que enche de culpa, mas aquela que previne e que corrige sempre, evitando perdermos tempo em caminhos infelizes. E o resto... o resto não nos pertence. Pertencem a Deus a Lei e a Justiça. Pertence à consciência de cada um seu próprio julgamento. * * * Léon Denis, grande sábio do século 18, em sua obra Depois da morte, ensina:dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. . Ainda há tempo de escolher. Ainda há tempo de se preparar. Pensemos nisso. Redação do Pense Nisso com base no poema É preciso não esquecer nada, do livro Poesia completa, de Cecília Meirelles, ed. Nova Fronteira e no cap. 30, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb. Em 8.10.2012.

26/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 3:36

No próximo amanhecer

NO PRÓXIMO AMANHECER Hoje me dei “um tempo” para pensar na vida. Na minha vida! Decidi então que a partir do próximo amanhecer , vou mudar alguns detalhes para ser a cada novo dia, um pouco mais feliz. Para começar, vou procurar não olhar mais para trás. O que passou é passado, se errei, agora não vou conseguir corrigir. Então, para que remoer o que passou? Refletir sobre aqueles erros sim, e fazer deles o aprendizado para o “meu hoje”. Nem todas as pessoas que amo, retribuem meus carinhos como “eu” gostaria...E DAÍ? A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, mas sem tentar querer mudar ninguém. Pode ser que elas ficassem do jeito que eu gostaria que elas fossem, mas já não seriam as pessoas que eu amo. Isso eu não quero. Mudo eu...mudo a minha maneira de vê-las , respeitando o modo delas serem. Mas não pense que vou desistir dos meus sonhos!!! A partir do próximo amanhecer , vou lutar com mais garra para que eles aconteçam. Mas vai ser diferente. Não vou responsabilizar ninguém por minha felicidade.Eu simplesmente vou ser feliz, por minha conta própria. Não vou mais parar a minha vida, Porque o que desejo não acontece , Porque uma mensagem não chega, Porque não ouço o que gostaria de ouvir. Vou fazer o meu momento ...vou ser feliz agora... Terei outros dias pela frente!!! A partir do próximo amanhecer vou ser mais grato pela oportunidade que tenho de viver, apesar dos meus problemas. A partir do próximo amanhecer não vou mais querer ser um modelo de perfeição, porque se eu aceitar as minhas limitações, serei mais tolerante com as dificuldades dos meus irmão. A partir do próximo amanhecer vou viver a minha vida, sem medo de ser feliz.Mas sem esquecer de ninguém e compartilhar essa felicidade com todos ao meu redor. A partir do próximo amanhecer vou dizer sem medo, a mais pessoas, o quanto elas são especiais para mim, o quanto eu as amo. Mas pensando bem, não vou esperar o próximo amanhecer para fazer tudo isso.Porque pode ser que não haja o próximo amanhecer. É...vou dar aquele abraço apertado, sorrir e dizer que tenho muito amor para dar, HOJE.AGORA!!! Redação do Pense Nisso, com base no texto recebido por e-mail de autor desconhecido. Em 18.10.2012

25/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 2:47

A arte dos elogios

A ARTE DOS ELOGIOS A baixa autoestima é vista como uma espécie de carência de vitaminas emocionais para as crianças e adultos. Preocupados com o desenvolvimento dos seus filhos e com suas conquistas, alguns pais exageram na hora dos elogios. Adulada em excesso e sem motivo, a criança cresce esperando o mesmo de todas as pessoas. Hoje, ela espera o afago verbal dos pais, dos professores. Amanhã será do chefe, da namorada ou do namorado para se sentir bem. É que o excesso de elogios, e nem sempre verdadeiros, gera insegurança e não autoestima. O educador, escritor e pai de cinco filhos, Paul Kropp, de Toronto, estabeleceu alguns itens que acredita importantes para aumentar a autoconfiança dos nossos filhos, sem correr o risco de sermos demasiadamente generosos em elogios, sejam eles merecidos ou não: 1. Inclua seu filho no que você estiver fazendo. E lembre-se de que nem tudo precisa ser perfeito no trabalho dele. Deixe a criança experimentar, agir, auxiliar. Pequenas tarefas falam de responsabilidade e amadurecimento. 2. Não apresente ao seu filho obstáculos grandes demais. A dificuldade das tarefas atribuídas às crianças deve ir aumentando aos poucos. 3. Não corra para ajudar o seu filho. Dê a ele a chance de experimentar a frustração. A frustração faz parte do mundo real e a criança deve aprender, desde cedo, a lidar com ela. 4. Certifique-se de que ele tenha desafios fora de casa: grupos de excursão, equipes de natação, aulas de música. 5. Elogie os resultados finais com sensatez. Quando descobrir nos olhos de seu filho que ele está satisfeito com algo que fez, não seja severo na crítica. Finalmente, para ajudar a criança a desenvolver uma noção real de seu valor: Preste atenção ao que seu filho faz ou diz - você não precisa concordar, mas tem de ouvir. Encontre tempo suficiente para desenvolverem projetos juntos, sem perder de vistas as habilidades da criança. Lembre-se de que não são os falsos elogios que constroem a identidade de seu filho, mas sim a atividade e o sucesso. Os elogios, por si mesmos, não levam os filhos a crescer e buscar novos desafios. E para aquele que sabe o que quer, não serão uma ou duas críticas que o irão abater. Por tudo isso os pais, que conhecem seus filhos, devem usar de bom senso. Elogios e críticas bem dosadas, aliadas ao tempo e esforço pessoal, possibilitam a autoconfiança e a consciência do próprio valor. * * * O falso elogio enche a criança de expectativas irreais. A falta deles acaba por desvalorizá-la e deprimir. Quando a criança precisa de um elogio para elevar a sua autoestima, terá dificuldades para aprimorar o seu caráter porque estará sempre na dependência do que os outros pensam. Estará buscando aprovação e não aprimoramento. Incentivar é permitir a possibilidade da experiência, do erro e do acerto. Eis o caminho ideal para a correta formação do caráter dos nossos filhos. Pensemos nisso. Redação do Pense Nisso, com base no artigo Seu filho é viciado em elogios?, da revista Seleções Reader's Digest, de maio de 2000. Em 24.07.2012.

23/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:06

Solidão numa multidão

SOLIDÃO NUMA MULTIDÃO O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar. O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo. Em tempos de facebook, Instagram, Whatsapp...não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida. Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra. O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos. Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão. Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitamos tão pouco. Assim, raros são os momentos em que estamos sozinhos. E o medo de estarmos sozinhos nos faz cada vez mais mergulhar nas comunicações, nos contatos, não poucas vezes vazios e sem significados reais. E o medo da solidão nasce muitas vezes do medo de encontrarmos a nós mesmos, nossa essência. Como se isso não fosse necessário e inevitável. Assim, fugimos de nós mesmos, mergulhando nos barulhos do mundo. Afastamo-nos de nós mesmos buscando respostas que, ao final, só poderão ser encontradas em nossa intimidade. Por isso se faz necessário que busquemos a nós mesmos, de tempos em tempos. Buscar a solidão para encontrarmo-nos conosco, em um reencontro com a própria alma, de maneira tranquila e serena, sabendo que guardamos em nossa intimidade a chave para nossa felicidade. Será nesses momentos de introspecção que conseguiremos analisar nossas atitudes, nossos valores e sentimentos. Quando fazemos silêncio exterior, damos vazão ao mundo interno, intenso e palpitante e que, muitas vezes, relegamos ao esquecimento. Nessas horas, teremos a oportunidade de entender nossas reações, repensar nossos atos, ponderar valores e atitudes para os próximos embates. Somente assim, ao permitirmos esse encontro conosco mesmos, conseguiremos alçar a patamares mais maduros e tranquilos em nosso mundo emocional. Dessa forma, a solidão será oportuna companheira a ser buscada, para que possamos nos encontrar e conhecer. * * * Permitamo-nos, assim, com regularidade, evadirmo-nos do mundo, buscando momentos de solidão, onde teremos apenas a nós mesmos para conversar. Aproveitemo-los para rever, repensar ações, horas de dificuldade e apreensão. Serão esses espaços de solidão que nos permitirão reavaliar atitudes para, nas próximas experiências, evitar que venhamos a repetir os mesmos erros, em idênticas situações. Sem nos permitirmos esse encontro interior, continuaremos a ser aqueles que tropeçamos em nós mesmos, sem saber porquê, nem como, tentando achar algum culpado, quando, na verdade, somos apenas nós a andar, sem rumo e sem autoconhecimento. * * * A sós, todos os dias, alguns momentos para reflexionar a respeito do que fazemos, como fazemos nos permitirá o autoconhecimento. E essa é a chave do progresso individual. Pensemos nisso.

22/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 6:07

Para mudar o mundo

Para mudar o mundo Na manhã que apenas se espreguiçava, a manchete estampada na primeira página do jornal, chamava a atenção: Maldade registrada. Em outro jornal, a notícia, em letras garrafais, era a respeito da infelicidade de uma família, cujo filho adolescente fora vítima de uma dita bala perdida. Isso, no Dia das Mães, enquanto a família se preparava para o almoço, e o jovem se dirigia à farmácia para comprar medicamento para o pai. Desgraças. Violência. Olhamos o mundo e, por vezes, nos sentimos inseguros, amedrontados. Parece que a honra se despediu da Humanidade, a decência se escondeu em algum recanto secreto e os maus tomam conta do mundo. Parece. Só parece. Tudo isso acontece, em verdade, porque, embora estejamos no Terceiro Milênio, no século XXI, ainda o homem se compraz com as coisas ruins. Senão vejamos: por que estampamos na primeira página do jornal o criminoso cruel, desumano, com a descrição do seu crime hediondo? Por que tanto espaço para a atrocidade que ele cometeu, que é descrita em detalhes? Por que a visita de um cientista que se dedica, há anos, à pesquisa em laboratório, para a descoberta de uma vacina, recebe uma nota pequena, numa página interna? Por que estampamos na primeira página a corrupção, enquanto um ato de heroísmo é noticiado sem destaque algum? Por que valorizamos o mal, a maldade, em detrimento do que é bom, belo e deve ser imitado? Por que não usamos a primeira página do jornal para noticiar a conquista de uma medalha por um atleta? Ou para anunciar o espetáculo de ballet que uma escola apresentará? Ou, ainda, um espetáculo, cuja renda beneficiará a portadores de determinada enfermidade? Por que premiamos os que fazem o mal e não apontamos os que realizam o bem? Quem já viu estampada manchete sobre entidade beneficente que abriga pessoas portadoras de necessidades especiais? Por que não se mostra a dedicação de fisioterapeutas, de fonoaudiólogos trabalhando com paralisados cerebrais? Os que trabalham com idosos, os portadores de Alzheimer? Por que não se relata o trabalho dos médicos sem fronteiras, em manchete? Dos benefícios que propiciam, das batalhas vitoriosas contra a morte, das vidas que modificam? Por que não se mostra a abnegação de mães valorosas que abraçam, todos os dias, seus filhos totalmente dependentes de seus cuidados? O carinho de filhos adultos por pais idosos e dependentes? Por que não se colocam, em amplo destaque, as entidades que protegem cães e gatos abandonados pelas ruas? Por que não se anuncia, com grandes fotos coloridas, a inauguração de uma nova creche, de um jardim, de um parque? Por que não se fala do bom trabalho de um hospital, de uma escola? Quase sempre essas instituições aparecem, quando algo suspeito ou equivocado por lá acontece. Será que anos e anos de dedicação, de serviço ao povo não valem nada? * * * Pensemos nisso e comecemos a exigir dos que movimentam a imprensa, a inserção de coisas positivas. Digamos, não aderindo à onda de violência e maldade que deseja tomar conta da Terra, que desejamos ver, ouvir e sentir coisas boas. Por isso, invistamos nas boas revistas, nos bons periódicos, nos programas de valor. Ajudemos a sustentar um bom programa de rádio, de televisão. E, se somos dos que escrevem, ilustram, criam, evidenciemos em nossas letras, gravuras e criações, com muito destaque, o que é bom, belo e proveitoso. Guardemos a certeza que, dessa forma, estaremos investindo no mundo melhor que todos desejamos para nós e para nossos filhos. Redação do Pense Nisso Em 05.7.2017.

21/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 5:12

Um amor especial

Um amor especial Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça amassada e os traços deformados, devido ao parto difícil vivido por sua mãe. Todos a olhavam e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um jogador de futebol americano espancado. Todos tinham a mesma reação, menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços, e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua primeira netinha e, emocionada, falou: Linda. No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha, ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo, passou a ser compartilhado. Quando a avó recebeu o diagnóstico, anos depois, de mal de Alzheimer, toda a família se tornou especialista no assunto. Parecia que, aos poucos, ela ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo. Começou a falar em fragmentos. Depois, o número de palavras foi ficando sempre menor, até não dizer mais nada. Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu funções vitais e ela foi removida, a conselho médico, para uma clínica de doentes terminais. Jéssica insistiu para ir vê-la e seus pais a levaram. Ela entrou no quarto onde a avó Nana estava e a viu sentada em uma enorme poltrona, ao lado da cama. O corpo estava encurvado, os olhos fechados e a boca aberta, mole. A morfina a mantinha adormecida. Lentamente, Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se mover, incapaz de dizer coisa alguma. Desejava falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não a conseguia controlar. Então, aconteceu... A mão da avó foi se fechando em torno da mão da neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma palavra: Jéssica. A garota tremeu. O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros, uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela? Naquele momento, a impressão que Jéssica teve foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e reviu sua avó nos quatorze recitais de dança em que ela se apresentou. Viu-a sapateando na cozinha, com ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos faziam a ceia na sala grande. Viu-a, sentada ao seu lado, no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites luminosos. Então Jéssica olhou para ela, ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, chorou. Deu-se conta de que ela não assistiria, no corpo, ao seu último recital de dança, nem voltaria a torcer com ela pelo seu time de futebol. Nunca mais poderia se sentar ao seu lado, para admirar a árvore de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile de sua formatura, ao final daquele ano. Não estaria presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho nascesse. As lágrimas corriam abundantes pelas suas faces. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia como a avó havia se sentido no dia em que ela nascera. A avó olhara através da sua aparência, enxergara lá dentro e vira uma vida. Lentamente, Jéssica soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas que molhavam o seu rosto. Ficou de pé, inclinou-se para a frente e a beijou. Num sussurro, disse para a avó: Você está linda. * * * Se desejas ensinar a teu filho o que é o amor, demonstra-o. Não lhe negues a carícia, a atenção, a palavra. O que faças ou digas é hoje a semeadura farta de bênçãos que o mundo colherá, no transcurso dos anos dos teus rebentos. E o mundo te agradecerá, por teres sido alguém que entregou ao mundo um ser que saiba amar, de forma incondicional e irrestrita. Redação do Pense Nisso, com base no cap. Linda, de autoria de Jéssica Gardner, do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante. Em 23.10.2017.

20/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 5:33

Seja patrão

SEJA PATRÃO Você é empregado? ... Desculpe, usei o termo errado. Nesses tempos do politicamente correto e de eufemismos, a pergunta correta é: Você é um colaborador? Vivem reclamando da empresa, do chefe...do Patrão? Se sente um injustiçado e acha que merece ganhar mais? Tudo bem. Não há mal algum em querer um soldo maior, é um direito seu. Mas, será que você tem ideia do que é administrar uma empresa e ter sobre os seus ombros a responsabilidade de centenas, quando não, milhares de famílias que dependem das suas decisões nos negócios, para que ganhem os seus sustentos? Então, aconselho que você abra uma empresa e se torne Patrão. Eu indico a todos abrirem uma empresa um dia e experimentar por alguns anos o que é a responsabilidade de enfrentar uma folha de pagamento, a regularização de impostos e equipe, o processo de seleção do time, o investimento em equipamentos, estrutura e conforto para o trabalho. Indico a todos que façam esse experimento. Que aprendam a calcular o valor hora de um trabalho. Aprenda a calcular o valor de um salário. Que invistam incontáveis horas com contadores. Que fiquem outras noites sem conseguir dormir preocupado com as contas. Indico também que experimentem formar pessoas, inspirar o melhor em cada um. Motivar com palavras, com respeito, honestidade e com dinheiro. Invista em marketing, vista a camisa e saia pelas ruas e redes sociais para atrair clientes. Experimente também segurar a onda quando os” haters”(inimigo em inglês) e as críticas chegarem. Quando duvidarem de você e quando você mesmo duvidar. De verdade eu recomendo isso. Recomendo ficar no cheque especial para não atrasar um dia a folha. Experimente também olhar no olho de um funcionário e demiti-lo. Chegar em casa detonado por cada plano, ideia, estratégia que não deu certo. Mas mesmo assim continuar firme e animado tentando. Faça esse teste. Vai se ver acordando as 3 da manhã sem razão e com o pensamento num produto, numa conversa de escritório ou num plano para evitar a falência. Faça esse favor a você mesmo. Tente ser o filho da puta (colocar o bip de censura) do patrão por alguns anos. Ser visto como explorador. Faça esse teste. Mas faça por acreditar que seu negócio vai muito além de dinheiro. E quando você cansar, falir, ou tiver sucesso... lembre-se de tudo que você passou. Guarde isso na alma. Você um dia vai precisar, quando a maré virar e transformar a vaidade em humildade, o ego em me desculpe, a marra em companheirismo, a malandragem em dedicação, a inveja em desejo de sucesso e as certezas em dúvidas. Faça esse experimento um dia. Abra uma empresa...ou pelo menos, Pense Nisso.

19/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 3:56

É preciso saber morrer

É PRECISO SABER MORRER Depois que nascemos só temos uma certeza: nós vamos morrer! E paradoxalmente vivemos como se ela, a morte, não existisse. Se a morte é uma das poucas certezas da vida, por que temos tanta resistência em aceitá-la com a naturalidade que lhe é inerente? Talvez, por isso, vivemos com tanto medo...com tantas ansiedades. É esse medo da morte, esse medo de morrer antes de ter realizado o que desejamos ou de ver nossos filhos crescerem. É isso o que mais nos perturba. Devemos ter em mente que a morte é parte da vida, querendo ou não, e ignorar essa verdade essencial tem um custo psicológico pesado. Neste sentido, não é desproposito algum, propor que se medite cinco minutos por dia a respeito da morte. Isso vai, com o tempo, nos deixando menos ansiosos e perturbados diante do inevitável. Foi publicada no New York Times no dia 19 de fevereiro de 2015, uma matéria intitulada “Oliver Sacks: Minha Própria Vida”. Nela o escritor e neurologista declara ter descoberto um câncer em estado terminal. É uma belíssima reportagem onde o mesmo relata seus sentimentos diante de tal revelação. Oliver encara a morte como um processo natural e mostra gratidão pela vida que teve. “Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; recebi muito e dei algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Tive uma boa relação com o mundo”– escreveu Oliver. Se a morte é uma das poucas certezas da vida, por que temos tanta resistência em aceitá-la com a naturalidade que lhe é inerente? Talvez, porque vivemos em uma sociedade pautada no apego. Nossa jornada é baseada em acumular, e dessa forma é praticamente impossível ter o desprendimento necessário para aceitar que nosso tempo, ou de entes queridos, por aqui possa estar no fim. É muito comum relacionarmos a morte com dor, desespero e sofrimento, essa é a atitude esperada quando lidamos com este assunto. Cada um desses sentimentos está intrínseco em nós culturalmente, socialmente e religiosamente. Porém, não é necessário ser dessa forma, no caso de Sacks houve uma quebra de tabus em relação a um tema tão pouco explorado. “Depende de mim agora escolher como levar os meses que me restam. Tenho de viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que conseguir” – disse Oliver, nos seus últimos dias de vida Todos têm medo do desconhecido, porém pode ser mais digno aceitar vivê-lo com intensidade e gratidão, do que se revoltar diante de uma situação irreversível como a morte. Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, perguntaram a São Francisco de Assis: Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria? Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza. Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno: Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim. E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade. Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciamos a palavra, porque pensamos atraí-la. Outros, nem comparecemos ao enterro de colegas, amigos, porque dizemos que aquilo nos deprime, quando não nos atemoriza. Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar. E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce, morre um dia. Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos. Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro. Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção. Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos. Sorrir, abraçar, amar. Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos. Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de que vivemos na Terra doando o nosso melhor. Lembre-se, é preciso saber morrer. Pensemos nisso.

18/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 6:08

Tato de pais

TATO DE PAIS Um menino, com um breve poeminha à mão, entrou correndo pela porta do quarto dos pais, ansioso para que o lessem. Encontrou os pais numa discussão acirrada a respeito de um tema que desconhecia. À maneira que só as crianças conseguem fazer, ficou ali, ao lado, quase invisível, tentando ser escutado. Pai, mãe, olha o que escrevi! Repetiu esse acalanto algumas vezes, falando cada vez mais alto, tornando a balbúrdia no aposento quase insuportável. Ninguém se entendia e todos queriam ser ouvidos. Repentinamente, o pai, já sem paciência, tomou a folha de papel das mãos do filho, amassou com força e disse: Já não expliquei que agora não posso!? Atirou o papelote na lixeira mais próxima, o que deixou o filho sem chão e repleto de lágrimas. Mais tarde, a mãe, que não havia ficado satisfeita com a cena presenciada e se enchia de compaixão, procurou o menino. Ela carregava na mão esquerda uma folha de papel enrugada. Tinha a expressão emocionada e condoída. Filho... Foi você quemescreveu este poema? O menino, que ainda estava cabisbaixo, apenas acenou com a cabeça que sim. Que coisa mais linda! Você é um poeta, meu filho! Você é um poeta! –E abraçou, carinhosamente, a criança. A partir daquele dia, diz a história desse menino, ele resolveu definitivamente ser poeta. O relato é do próprio autor que conta que, se não fosse pela destreza e tato de sua mãe, possivelmente não se dedicaria à poesia. Assim, graças à sensibilidade daquela mulher, o mundo pôde conhecer a arte e inspiração de Pablo Neruda. * * * O tato é essa capacidade que temos, ou não, de lidar com situações delicadas. Saber dizer as coisas certas na hora certa. Saber calar. Saber abraçar e chorar junto. Para se ter tato faz-se necessário desenvolver a empatia, essa capacidade sublime de colocar-se no sentimento do outro. O amor também faz parte da conquista do tato, pois tudo aquilo que é dito com carinho, tem muito mais chance de ser bem recebido pelo outro. Ficamos a pensar quantos Neruda deixamos de conhecer no mundo, pela simples falta de tato de pais e educadores, que não promoveram o incentivo necessário ou que simplesmente abafaram, silenciaram talentos tão importantes. Assim, olhemos nossas crianças com atenção. Operemos sempre com muito tato, psicologia, em tudo que façamos, falemos ou deixemos de falar a eles. Nem sempre serão grandes talentos ou gênios. Porém, um incentivo aqui, um elogio ali são os responsáveis primeiros pela formação de uma boa autoestima. Tratemos o lar como a terra que necessita estar sempre fértil, preparada para receber as mudas da filiação bendita, que Deus nos dá como presente e responsabilidade. Redação do Pense Nisso. Em 24.09.2012.

16/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 3:38

Vozes amigas

Vozes amigas Pedro e Ana se conheceram no colégio. De início, não simpatizaram muito um com o outro, mas reconheceram a inteligência e a integridade mútuas e se tornaram amigos. A amizade foi se consolidando e, em pouco tempo, evoluiu para algo mais forte, mais intenso. Eram companheiros de ideias e ideais. Um até sabia o que o outro estava pensando. Casaram-se, tiveram filhos, alguns cachorros, gatos, peixes. Fizeram amigos, viajaram, trabalharam em parceria. A vida nem sempre foi fácil, mas encararam unidos as dificuldades. O amor crescia, amadurecia e se fortalecia. Entraram na meia idade planejando a aposentadoria e as viagens que fariam. Os filhos, criados, não precisavam mais de dedicação integral. Estavam batendo asas, independentes e autônomos. Em meio a planos resgatados do fundo do baú e o nascimento de novos sonhos, Ana começou a sentir que algo não estava bem. Evitou alarmar o marido e foi ao médico. Para sua surpresa, foi diagnosticada com um tipo de câncer raro e agressivo. Passado o choque inicial, ela não se rendeu. Buscou informações, médicos e tratamentos alternativos. As perspectivas, no entanto, eram bastante sombrias. A família se uniu e Ana decidiu seguir a vida até o momento em que não seria possível fazer mais nada. Foram anos de batalha com quimioterapia, cirurgias para a retirada de tumores, testes com novos medicamentos. Uma noite, internada na Unidade de Terapia Intensiva e desenganada pelos médicos, pediu ao marido para conversar com familiares e amigos distantes. Como seria possível, contudo, se a entrada na UTI era restrita e nem todos conseguiriam chegar a tempo? Além disso, conversar com todos lhe seria exaustivo e desgastante. Pedro teve uma ideia. Conversou com o médico de plantão e obteve autorização para permanecer ao lado dela e usar o celular. Fez contato com quase toda a sua lista de amigos e familiares, solicitando que gravassem, num dos aplicativos do celular, mensagens de afeto para Ana. Muitos não conseguiram gravar, por conta da emoção. Mas vieram mensagens de todos os cantos, com palavras entoadas, cantadas, sussurradas. Todas carregavam carinho, respeito e a esperança de um reencontro. Ana passou a noite ouvindo as mensagens, que Pedro tocava de tempos em tempos, em seu celular. Lágrimas escorriam dos olhos de ambos. Lágrimas escorriam também dos olhos de enfermeiros e médicos. Aquela UTI estava cheia de pessoas, não fisicamente, mas em boas energias, em luz. Ana atravessou aquela noite, acordou na manhã seguinte e permaneceu por mais uma semana, tranquila e serena, até a sua morte. Nesse período, pedia para ouvir as vozes amigas que tanto bem lhe haviam feito, que tanto carinho lhe haviam transmitido. Partiu em paz, sabendo que não estava só. As vozes amigas a ladeavam, amparavam e a preparavam para retornar, segundo a sua crença, à pátria espiritual, onde iria se encontrar com outras vozes amigas, igualmente cheias de amor e saudade, ansiosas por aquele tão esperado reencontro. Redação do Pense Nisso. Em 28.10.2017

15/01/2021 06:45 | DURAÇÃO 4:29

STEPHEN HAWKING – Um Homem Notável

STEPHEN HAWKING – Um Homem Notável. Era o dia 8 de janeiro de 1942, dia em que o mundo lembrava os 300 anos da morte de Galileu Galilei. Em uma maternidade da cidade de Oxford, Inglaterra, nascia um menino que seria chamado Stephen. Em plena Segunda Guerra Mundial, a cidade de Oxford era segura devido a um acordo mútuo de não agressão às cidades de grandes universidades, firmado entre a Inglaterra e a Alemanha. Criado em Londres, foi um garoto saudável e de desempenho escolar regular, nunca ficando entre os primeiros da classe. Aos 17 anos, contra a vontade do pai que o queria médico, Stephen Hawking inicia o curso de Física, seu grande sonho, em Oxford. Ainda durante a Universidade começou a mostrar sintomas de uma estranha doença: lentidão nos movimentos, quedas, dificuldades de fala. Aos 21 anos o diagnóstico sombrio: esclerose lateral amiotrófica. Até hoje sem cura, essa doença destrói os neurônios que controlam os movimentos, e os músculos vão paralisando lentamente. É como uma sentença de morte sem data para acontecer, como escreveria ele mais tarde. Os médicos tinham dado 3 anos, no máximo, de vida ao jovem Stephen. O jovem rapaz, aturdido pelo diagnóstico, encontrou apoio em sua namorada, Jane, que o incentivou a fazer o doutorado e a procurar emprego, pois os dois deveriam casar. Em sua tese iniciou os estudos que comprovaram a teoria do Universo em expansão, a partir de um ponto conhecido como Big Bang. Casou-se e teve três filhos, encontrando, na esposa, uma companheira incansável. A lentidão física, segundo ele, lhe dava tempo para pensar mais.Em 1991, Hawking e Jane se divorciaram, mas continuaram unidos pelo amor. Ganhou fama também com o estudo dos Buracos Negros, publicando trabalhos científicos e livros que o notabilizaram, enquanto seu corpo paralisava progressivamente. No início do livro Uma breve história do tempo, ele diz que, exceção feita à sua doença, ele é feliz em todos os aspectos de sua vida, tendo sorte de ter escolhido uma profissão que só precisa do intelecto. Chegou a escrever que sua deficiência não lhe causara maiores problemas, tendo contado com auxílio da família, de colegas e alunos. Ele se comunicava por um sintetizador de fala, ligado a um computador, possibilitando-o até de dar palestras. Nunca parou de estudar. Desafiou a medicina com sua longa sobrevida. Em 14 de março de 2018, Stephen Hawking morreu sereno aos 76 anos, em sua casa em Cambridge, Reino Unido, no mesmo dia do nascimento de outro grande gênio, Albert Einstein. . * * * Pensemos quantos de nós, frente ao mais leve sintoma de doença, cuidamos de nos afastar do trabalho ou dos estudos, com atestados médicos de longa duração. Quantos se aposentam por invalidez e não voltam mais a estudar, sequer desenvolvendo algum trabalho que esteja dentro das novas condições físicas. Que o exemplo desse notável homem, que ocupou a cadeira de Professor Lucasiano de matemática, na Universidade de Cambridge, lugar já ocupado por Isaac Newton, nos sirva de reflexão e de exemplo de vida. Para finalizar o Pense Nisso de hoje, vamos refletir com as palavras de Stephen Hawking: Você pode me ouvir? Tem sido uma época gloriosa estar vivo e fazer pesquisas em Física Teórica. Nossa imagem do Universo mudou muito nos últimos cinquenta anos e estou feliz por ter feito uma pequena contribuição. O fato de nós humanos, que somos uma mera coleção de partículas fundamentais da Natureza, termos sido capazes de chegar tão perto para compreender as leis que governam nós e o nosso universo. Quero compartilhar a minha alegria e entusiasmo sobre essa busca. Então, lembre-se de olhar para as estrelas e não para os pés. Tente compreender o que você vê e se pergunte o que faz o Universo existir. Seja curioso. E por mais que a vida possa parecer difícil há sempre algo que você pode fazer para ter sucesso. O que importa é que você não desista. Quando temos de enfrentar a possibilidade de uma morte prematura, nos damos conta do quanto vale a pena viver! Obrigado por me ouvir. Redação do Pense Nisso. Em 14.03.2018.

14/01/2021 08:30 | DURAÇÃO 5:41