O MAIOR ÊXITO
30/12/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:59
Notas do Episódio
O Maior Êxito Trinta anos haviam se passado. A turma do ensino médio decidiu promover um reencontro. Foi numa tarde quente, na enorme mansão de um dos colegas. Não faltavam elogios ao anfitrião: a arquitetura, a disposição dos móveis, tudo parecia emoldurar um sonho realizado. Após o almoço, reunidos na ampla sala, começaram os relatos das conquistas pessoais e do sucesso profissional. Alguns eram médicos, engenheiros, advogados, professores universitários. Falavam de seus casamentos, de seus filhos, de carreiras bem-sucedidas. Era um longo desfile de alegrias. Comentavam sobre os filhos contratados por empresas multinacionais, sobre altos cargos ocupados em hospitais, indústrias e grandes organizações. Dava gosto perceber a felicidade que sentiam pelo êxito próprio — e também pelo êxito dos filhos. Depois de muito falarem, deram-se conta de que uma entre eles permanecia em silêncio, apenas vibrando com a felicidade de cada colega. Voltaram-se para ela e perguntaram: — E você? Quais foram os grandes lances da sua vida? Ela sorriu e respondeu, com serenidade: — Amigos, nada tão eletrizante quanto os seus relatos. Vi meus irmãos se formarem, constituírem suas famílias e partirem em busca de seus próprios destinos. Para mim, ao final do ensino médio, sucederam-se outros acontecimentos: a morte repentina de meu pai, um irmão menor sob meus cuidados, a necessidade de trabalhar para sustentar o lar. Relatou ainda a dedicação à avó e à mãe, que adoeceram em anos sucessivos, exigindo-lhe presença constante. Não conseguiu ingressar numa universidade, diante do acúmulo de deveres e das dificuldades que surgiam ano após ano, como uma avalanche. — Tive convites para crescer profissionalmente — continuou —, para trabalhar na Secretaria Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo. Mas a fragilidade de minha avó e de minha mãe não me permitiu aceitar. Elas tinham apenas a mim. Os anos se passaram. Não se casou. Não teve filhos, senão os filhos da alma, que acolheu por razões do coração. Nunca realizou grandes viagens, pois suas economias sempre foram — e ainda são — destinadas àqueles que dependem dela. — Então, acho melhor vocês continuarem falando de seus progressos e glórias. Tudo isso me encanta, porque considero fenomenais os seus relatos. Fez-se silêncio na sala. Havia lágrimas em alguns rostos. Todos olhavam para aquela colega que, nos tempos do ensino médio, tinha tantos sonhos: viajar para o exterior, aprender outros idiomas, cursar uma faculdade, casar-se, ter filhos. Tudo lhe fora frustrado. E, no entanto, ali estava ela, feliz com o sucesso dos amigos, regozijando-se com as conquistas alheias. Os olhares se cruzaram. Até que um deles disse: — Já sabemos quem alcançou o maior êxito entre todos nós. E completou: — Há os que vencem no mundo… e há os que vencem a si próprios, no silêncio da renúncia, servindo ao semelhante. Suas conquistas são tão valiosas quanto quaisquer outras. Não se desespere porque a vida tomou caminhos diferentes dos que você imaginava. O grande Criador do Universo conhece o nosso íntimo e sabe quais trilhas precisamos percorrer para alcançar a perfeição da alma. Pense nisso. Mas pense agora.