O SILENCIO QUE ORIENTA
15/10/2025 06:30 | DURAÇÃO 4:28
Notas do Episódio
O silêncio que orienta A vida agitada, a correria diária, as atribulações constantes costumam nos deixar tensos. Poucos nos permitimos momentos de descontração, de relaxamento e até mesmo de silêncio. Buscamos muito barulho externo para abafar o barulho interno que trazemos em nós. E como se sofréssemos de um zumbido intenso em nossos tímpanos, e para não sucumbir ao sofrimento, necessitamos de outros ruídos para mascarar os zumbidos. E, desta forma, perdemos a noção do valor do silêncio. Conta-se que um fazendeiro descobriu que tinha perdido um relógio muito valioso no celeiro. Era também de grande valor sentimental, pois ainda jovem. Lhe havia sido presenteado por sua mãe. Resultando em frutífera a sua busca, ele procurou a ajuda de um grupo de crianças. Prometeu uma recompensa para quem encontrasse o seu relógio. As crianças se entregaram à tarefa alvorossadas na ansiedade de receberem o prometido. Contudo, depois de algum tempo, ainda não haviam logrado o êxito. Quando o fazendeiro estava prestes a desistir, o menino lhe pediu a chance para mais uma tentativa. Autorizado, entrou sozinho no celeiro. Passado algum tempo, ele saiu triunfante com o relógio nas mãos. Todos ficaram admirados. O fazendeiro lhe perguntou o que ele fizera para conseguir. O garoto explicou que se sentava no chão, fecharam os olhos e escutara. No silêncio, ouviu o tic-tac do relógio e descobriu onde estava. Tantas são as perdas que vivenciamos em nossas vidas e que poderiam ser facilmente solucionadas. Muitas vezes nos permitimos que o desespero nos abrace. Em outras ocasiões temos desentendimentos sérios por simples pontos de vista antagônicos. Atritos surgem pelo fato de perdermos determinados objetos. Uma palavra desagradável estraga o nosso dia. Tristezas invadem nosso coração por mal entendidos surgidos por coisa nenhuma. Um olhar duro com ares de reprovação nos acompanha durante muito tempo magoando-nos. Amizades se desfazem por insignificantes tolices. Namoros terminam por conversas mal intencionadas de terceiros. Casais entram em batalhas domésticas ou judiciais por descontrolação. Confianças sem comprovação. Famílias se distanciam por interesses particulares. Vidas declinam por mágoas e ódios contínuos. Nisso tudo que nos envolve, não nos detemos para analisar detalhes importantes, por mantermos a mente focada e fervilhante no barulho perturbador. Não silenciamos para pensar com calma na situação que vivenciamos e encontrar soluções. Não conseguimos perceber que uma mente em paz pode pensar melhor do que uma mente confusa. Que alguns minutos de silêncio poderão nos acalmar e nos permitirão ouvir o som da compreensão. Silenciar a boca e a mente nos distanciará de coisas mesquinhas e nos permitirá perceber uma voz interna a nos conduzir na direção certa, ajudando-nos na definição das melhores soluções. Enxergar novos e mais leves panoramas. Alguns a definem como sendo a voz de Deus. Outros dizem ser a voz da consciência pacificada, que retrata a nossa realidade. De toda forma, somente o silêncio nos permitirá ouvi-la. Aprendamos a fazer silêncio vez ou outra. E pense nisso, em silêncio.