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A SOBERBA

02/03/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:29

Notas do Episódio

A soberba. Carl Sagan escreveu que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina a humildade. Certamente, não há melhor demonstração da tolice das vaidades humanas do que observar um mapa astronômico em que o nosso planeta aparece como um minúsculo ponto. E basta estudar um pouco a história da humanidade para se ter ainda mais a dimensão da tolice das nossas ambições. Lemos a respeito dos grandes conquistadores e nos perguntamos de que lhes valeu tantos crimes em nome de conquistas de territórios e submissão de povos. Lembramos de Gengis Khan, que comandou a Mangólia, sucedendo ao pai. Bastou uma vitória militar e o povo declarou: Gengis Khan, que quer dizer imperador universal. Para fazer jus à homenagem, ele saiu em uma campanha militar que durou 25 anos. Conquistou os tártaros e a China. Depois, as hordas mongóis varreram a Rússia, detonaram o Império Persa, engoliram a Polônia, a Hungria e ameaçaram a Europa como um todo. Temujin morreu aos 65 anos. Foi sucedido por seu filho Ogedei Khan e, por algum tempo, as conquistas continuaram. Mas, depois, o Império começou a se esfacelar, e as hordas mongóis tomaram o rumo de casa. Recordamos de Alexandre, o Grande, o mais célebre conquistador do mundo antigo. Tornou-se rei aos 20 anos, após o assassinato de seu pai. Sua carreira é muito conhecida. Conquistou o Império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo o Egito e o atual Afeganistão. Foi o maior e mais rico império que já existiu. Morreu antes de completar 33 anos. Não se sabe se por envenenamento, malária, febre tifoide ou alcoolismo. Não se discutem os benefícios das campanhas, pois Gengis Khan uniu as tribos mongóis e tornou conhecidos do Ocidente os povos do Oriente, enquanto Alexandre, admirador das ciências e das artes, transformou Alexandria em centro cultural, científico e econômico por 300 anos. No entanto, de que lhes valeu tanto sangue derramado, tantas terras conquistadas? A morte lhes encerrou as carreiras, e seus impérios bem cedo se esfacelaram. Isso nos remete a reflexionarmos a respeito de nós mesmos. O que estamos fazendo para alcançar nossa vida? Realização pessoal? Estamos agindo de forma ética, correta? Ou buscamos destruir quem esteja à frente, exatamente como faziam os grandes conquistadores? Certo, não nos servimos do assassinato físico, mas quantos sonhos alheios teremos destruído em nosso propósito de ascensão? Os verdadeiros valores são morais. Esses não são destruídos pelo tempo, nem são amaldiçoados pela memória dos que foram derrotados no decorrer da nossa jornada de conquistas. Pensemos nisso. Os verdadeiros objetivos da vida são transcendentais. Afinal, a vida nesse planeta é transitória. Rapidamente se esvai. O importante é o que levaremos em nossa bagagem individual, dentro da alma. Pensemos nisso e, aproveitando os dias que se nos oferecem à frente, façamos um planejamento estribado no amor. Assim, por curta ou longa que seja a nossa existência, sempre seremos lembrados como quem semeou a boa semente em algum canteiro do mundo. Sermos benevolentes e justos. Eis a neta acerbativa. Pense nisso, mas pense agora.