ERRAR OU QUASE ACERTAR
09/02/2026 06:30 | DURAÇÃO 4:06
Notas do Episódio
Errar ou quase acertar? Numa manhã ensolarada, pai e filha aproveitavam o tempo juntos numa quadra de esportes. Ela, aos seus 9 anos, fazia o pai de goleiro e chutava seguidas vezes a bola, mirando no desejado gol. Faltava prática, faltava experiência, naturalmente, e a maioria das tentativas era frustrada. Cada vez que a bola seguia para fora, ela ouvia: pra fora! Ou errou! O pai percebeu que ela ia se desestimulando, perdendo a paciência, emitindo sons de raiva toda vez que a bola não seguia na direção esperada. Ele então mudou a estratégia. Não quis facilitar simplesmente as coisas pra ela, pois sabia que não é assim que se prepara um filho para o mundo. Mas, ao invés de dizer errou ou pra fora, com o tom frustrado, ele começou a gritar quase. E esse quase veio com o tom de empolgação, de alegria, de quase lá, de faltou pouco. Incrivelmente, o humor da criança se transformou. Ela continuou chutando muitas vezes pra fora, na trave, mas numa alegria imensa, alegria de quem continuava tentando sem se desestimular. Naquele quase empolgante do pai, estava o elogio à tentativa, estava a congratulação pela persistência, pelo esforço, mostrando que quanto mais tentativas houvesse, mais bolas dentro ela conseguiria. E foi isso mesmo que ocorreu. Ela começou a acertar muito mais que antes. E cada antigo erro virou um divertido quase. Cheio de risadas. Pensemos em nossas vidas, em nossas atitudes. Na maioria das vezes, queremos acertar. Nossas intenções são boas e estão dentro da compreensão que temos sobre essa ou aquela situação. Chamar de erro, de falha, de defeito, parece crueldade conosco mesmo. Quem sabe se trocarmos o não consegui, o errei, o não deu certo, pelo quase. Consegamos perceber que tentamos, que fomos atrás e que precisamos nos dar novas chances. As leis divinas nos dão novas chances sempre. Por que nós mesmos não nos daríamos? Não se trata de iludir-se com palavras anenas, como alguns podem pensar. Trata-se de ser auto-exigente. Mas exigirmos da maneira correta, sem julgamentos frios, sem autodesestímulo ou autodepreciação. O quase da brincadeira de pai e filha será correspondente a dizer ou sentir: dessa vez eu não consegui, cheguei perto e agora eu sei como fazer melhor. Ou ainda, não cheguei lá. Quando alguém fracassa em qualquer atividade, isso não representa debilidade de esforço ou falta de vontade bem direcionada. Antes, transforma-se em um elemento de experiência para futuras tentativas. Por isso, mesmo que os seus resultados não sejam, neste momento, aqueles que você busca, continue acreditando. Utilize palavras otimistas no seu dia a dia. Persista. Acredite na sua capacidade e nas suas experiências. Pense nisso, mas. Pense agora.