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PODCAST · 313 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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Ser como se já não fôssemos
26 Jan 20213:36EP 89

Ser como se já não fôssemos

SER COMO SE JA NÃO FÔSSEMOS É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante. É preciso não esquecer de ver a nova borboleta, nem o céu de sempre. O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a ideia de recompensas e de glória. O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos, severos conosco, pois o resto... o resto não nos pertence. * * * Cecília Meirelles nos faz pensar e viajar por entre suas palavras singelas e profundas. Seria possível viver como se já não fôssemos, em um mundo de tangibilidade plena como o nosso? Seria possível como que viver em dimensões diferentes ao mesmo tempo? E, será que já não vivemos? Há uma parte de nós vivendo na esfera ponderável, da matéria, das necessidades de sobrevivência. Há outra, habitante do eterno, onde os espelhos do mundo não refletem nada, imponderável, espiritual. Viver como se já não fôssemos, pode significar estar no mundo, sem ser do mundo. Dependemos do material para a sobrevivência, para a manutenção da encarnação. Porém, nosso coração, nossas mais valiosas energias podem estar sendo investidas nessa vida maior, na vida eterna do Espírito imortal. Quando investimos no amor, na doação, no sorriso para os infelizes ao nosso redor, estamos sendo como se já não fôssemos, pois estamos vivendo o espiritual, o permanente, acima do efêmero, do passageiro. Quando investimos no autoconhecimento, buscando em nós, diariamente, o que precisa de reforma, estamos sendo como se já não fôssemos. Quando não esperamos as recompensas e glórias do mundo, vivendo com leveza o dia carregado de atos, estamos sendo como se já não fôssemos. Severos conosco, no sentido de vigiarmos nossos pensamentos e atos, dando conta de nossa própria administração. Não a severidade que pune, que enche de culpa, mas aquela que previne e que corrige sempre, evitando perdermos tempo em caminhos infelizes. E o resto... o resto não nos pertence. Pertencem a Deus a Lei e a Justiça. Pertence à consciência de cada um seu próprio julgamento. * * * Léon Denis, grande sábio do século 18, em sua obra Depois da morte, ensina:dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. . Ainda há tempo de escolher. Ainda há tempo de se preparar. Pensemos nisso. Redação do Pense Nisso com base no poema É preciso não esquecer nada, do livro Poesia completa, de Cecília Meirelles, ed. Nova Fronteira e no cap. 30, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb. Em 8.10.2012.

No próximo amanhecer
25 Jan 20212:47EP 88

No próximo amanhecer

NO PRÓXIMO AMANHECER Hoje me dei “um tempo” para pensar na vida. Na minha vida! Decidi então que a partir do próximo amanhecer , vou mudar alguns detalhes para ser a cada novo dia, um pouco mais feliz. Para começar, vou procurar não olhar mais para trás. O que passou é passado, se errei, agora não vou conseguir corrigir. Então, para que remoer o que passou? Refletir sobre aqueles erros sim, e fazer deles o aprendizado para o “meu hoje”. Nem todas as pessoas que amo, retribuem meus carinhos como “eu” gostaria...E DAÍ? A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, mas sem tentar querer mudar ninguém. Pode ser que elas ficassem do jeito que eu gostaria que elas fossem, mas já não seriam as pessoas que eu amo. Isso eu não quero. Mudo eu...mudo a minha maneira de vê-las , respeitando o modo delas serem. Mas não pense que vou desistir dos meus sonhos!!! A partir do próximo amanhecer , vou lutar com mais garra para que eles aconteçam. Mas vai ser diferente. Não vou responsabilizar ninguém por minha felicidade.Eu simplesmente vou ser feliz, por minha conta própria. Não vou mais parar a minha vida, Porque o que desejo não acontece , Porque uma mensagem não chega, Porque não ouço o que gostaria de ouvir. Vou fazer o meu momento ...vou ser feliz agora... Terei outros dias pela frente!!! A partir do próximo amanhecer vou ser mais grato pela oportunidade que tenho de viver, apesar dos meus problemas. A partir do próximo amanhecer não vou mais querer ser um modelo de perfeição, porque se eu aceitar as minhas limitações, serei mais tolerante com as dificuldades dos meus irmão. A partir do próximo amanhecer vou viver a minha vida, sem medo de ser feliz.Mas sem esquecer de ninguém e compartilhar essa felicidade com todos ao meu redor. A partir do próximo amanhecer vou dizer sem medo, a mais pessoas, o quanto elas são especiais para mim, o quanto eu as amo. Mas pensando bem, não vou esperar o próximo amanhecer para fazer tudo isso.Porque pode ser que não haja o próximo amanhecer. É...vou dar aquele abraço apertado, sorrir e dizer que tenho muito amor para dar, HOJE.AGORA!!! Redação do Pense Nisso, com base no texto recebido por e-mail de autor desconhecido. Em 18.10.2012

A arte dos elogios
23 Jan 20214:06EP 87

A arte dos elogios

A ARTE DOS ELOGIOS A baixa autoestima é vista como uma espécie de carência de vitaminas emocionais para as crianças e adultos. Preocupados com o desenvolvimento dos seus filhos e com suas conquistas, alguns pais exageram na hora dos elogios. Adulada em excesso e sem motivo, a criança cresce esperando o mesmo de todas as pessoas. Hoje, ela espera o afago verbal dos pais, dos professores. Amanhã será do chefe, da namorada ou do namorado para se sentir bem. É que o excesso de elogios, e nem sempre verdadeiros, gera insegurança e não autoestima. O educador, escritor e pai de cinco filhos, Paul Kropp, de Toronto, estabeleceu alguns itens que acredita importantes para aumentar a autoconfiança dos nossos filhos, sem correr o risco de sermos demasiadamente generosos em elogios, sejam eles merecidos ou não: 1. Inclua seu filho no que você estiver fazendo. E lembre-se de que nem tudo precisa ser perfeito no trabalho dele. Deixe a criança experimentar, agir, auxiliar. Pequenas tarefas falam de responsabilidade e amadurecimento. 2. Não apresente ao seu filho obstáculos grandes demais. A dificuldade das tarefas atribuídas às crianças deve ir aumentando aos poucos. 3. Não corra para ajudar o seu filho. Dê a ele a chance de experimentar a frustração. A frustração faz parte do mundo real e a criança deve aprender, desde cedo, a lidar com ela. 4. Certifique-se de que ele tenha desafios fora de casa: grupos de excursão, equipes de natação, aulas de música. 5. Elogie os resultados finais com sensatez. Quando descobrir nos olhos de seu filho que ele está satisfeito com algo que fez, não seja severo na crítica. Finalmente, para ajudar a criança a desenvolver uma noção real de seu valor: Preste atenção ao que seu filho faz ou diz - você não precisa concordar, mas tem de ouvir. Encontre tempo suficiente para desenvolverem projetos juntos, sem perder de vistas as habilidades da criança. Lembre-se de que não são os falsos elogios que constroem a identidade de seu filho, mas sim a atividade e o sucesso. Os elogios, por si mesmos, não levam os filhos a crescer e buscar novos desafios. E para aquele que sabe o que quer, não serão uma ou duas críticas que o irão abater. Por tudo isso os pais, que conhecem seus filhos, devem usar de bom senso. Elogios e críticas bem dosadas, aliadas ao tempo e esforço pessoal, possibilitam a autoconfiança e a consciência do próprio valor. * * * O falso elogio enche a criança de expectativas irreais. A falta deles acaba por desvalorizá-la e deprimir. Quando a criança precisa de um elogio para elevar a sua autoestima, terá dificuldades para aprimorar o seu caráter porque estará sempre na dependência do que os outros pensam. Estará buscando aprovação e não aprimoramento. Incentivar é permitir a possibilidade da experiência, do erro e do acerto. Eis o caminho ideal para a correta formação do caráter dos nossos filhos. Pensemos nisso. Redação do Pense Nisso, com base no artigo Seu filho é viciado em elogios?, da revista Seleções Reader's Digest, de maio de 2000. Em 24.07.2012.

Solidão numa multidão
22 Jan 20216:07EP 86

Solidão numa multidão

SOLIDÃO NUMA MULTIDÃO O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar. O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo. Em tempos de facebook, Instagram, Whatsapp...não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida. Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra. O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos. Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão. Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitamos tão pouco. Assim, raros são os momentos em que estamos sozinhos. E o medo de estarmos sozinhos nos faz cada vez mais mergulhar nas comunicações, nos contatos, não poucas vezes vazios e sem significados reais. E o medo da solidão nasce muitas vezes do medo de encontrarmos a nós mesmos, nossa essência. Como se isso não fosse necessário e inevitável. Assim, fugimos de nós mesmos, mergulhando nos barulhos do mundo. Afastamo-nos de nós mesmos buscando respostas que, ao final, só poderão ser encontradas em nossa intimidade. Por isso se faz necessário que busquemos a nós mesmos, de tempos em tempos. Buscar a solidão para encontrarmo-nos conosco, em um reencontro com a própria alma, de maneira tranquila e serena, sabendo que guardamos em nossa intimidade a chave para nossa felicidade. Será nesses momentos de introspecção que conseguiremos analisar nossas atitudes, nossos valores e sentimentos. Quando fazemos silêncio exterior, damos vazão ao mundo interno, intenso e palpitante e que, muitas vezes, relegamos ao esquecimento. Nessas horas, teremos a oportunidade de entender nossas reações, repensar nossos atos, ponderar valores e atitudes para os próximos embates. Somente assim, ao permitirmos esse encontro conosco mesmos, conseguiremos alçar a patamares mais maduros e tranquilos em nosso mundo emocional. Dessa forma, a solidão será oportuna companheira a ser buscada, para que possamos nos encontrar e conhecer. * * * Permitamo-nos, assim, com regularidade, evadirmo-nos do mundo, buscando momentos de solidão, onde teremos apenas a nós mesmos para conversar. Aproveitemo-los para rever, repensar ações, horas de dificuldade e apreensão. Serão esses espaços de solidão que nos permitirão reavaliar atitudes para, nas próximas experiências, evitar que venhamos a repetir os mesmos erros, em idênticas situações. Sem nos permitirmos esse encontro interior, continuaremos a ser aqueles que tropeçamos em nós mesmos, sem saber porquê, nem como, tentando achar algum culpado, quando, na verdade, somos apenas nós a andar, sem rumo e sem autoconhecimento. * * * A sós, todos os dias, alguns momentos para reflexionar a respeito do que fazemos, como fazemos nos permitirá o autoconhecimento. E essa é a chave do progresso individual. Pensemos nisso.

Para mudar o mundo
21 Jan 20215:12EP 85

Para mudar o mundo

Para mudar o mundo Na manhã que apenas se espreguiçava, a manchete estampada na primeira página do jornal, chamava a atenção: Maldade registrada. Em outro jornal, a notícia, em letras garrafais, era a respeito da infelicidade de uma família, cujo filho adolescente fora vítima de uma dita bala perdida. Isso, no Dia das Mães, enquanto a família se preparava para o almoço, e o jovem se dirigia à farmácia para comprar medicamento para o pai. Desgraças. Violência. Olhamos o mundo e, por vezes, nos sentimos inseguros, amedrontados. Parece que a honra se despediu da Humanidade, a decência se escondeu em algum recanto secreto e os maus tomam conta do mundo. Parece. Só parece. Tudo isso acontece, em verdade, porque, embora estejamos no Terceiro Milênio, no século XXI, ainda o homem se compraz com as coisas ruins. Senão vejamos: por que estampamos na primeira página do jornal o criminoso cruel, desumano, com a descrição do seu crime hediondo? Por que tanto espaço para a atrocidade que ele cometeu, que é descrita em detalhes? Por que a visita de um cientista que se dedica, há anos, à pesquisa em laboratório, para a descoberta de uma vacina, recebe uma nota pequena, numa página interna? Por que estampamos na primeira página a corrupção, enquanto um ato de heroísmo é noticiado sem destaque algum? Por que valorizamos o mal, a maldade, em detrimento do que é bom, belo e deve ser imitado? Por que não usamos a primeira página do jornal para noticiar a conquista de uma medalha por um atleta? Ou para anunciar o espetáculo de ballet que uma escola apresentará? Ou, ainda, um espetáculo, cuja renda beneficiará a portadores de determinada enfermidade? Por que premiamos os que fazem o mal e não apontamos os que realizam o bem? Quem já viu estampada manchete sobre entidade beneficente que abriga pessoas portadoras de necessidades especiais? Por que não se mostra a dedicação de fisioterapeutas, de fonoaudiólogos trabalhando com paralisados cerebrais? Os que trabalham com idosos, os portadores de Alzheimer? Por que não se relata o trabalho dos médicos sem fronteiras, em manchete? Dos benefícios que propiciam, das batalhas vitoriosas contra a morte, das vidas que modificam? Por que não se mostra a abnegação de mães valorosas que abraçam, todos os dias, seus filhos totalmente dependentes de seus cuidados? O carinho de filhos adultos por pais idosos e dependentes? Por que não se colocam, em amplo destaque, as entidades que protegem cães e gatos abandonados pelas ruas? Por que não se anuncia, com grandes fotos coloridas, a inauguração de uma nova creche, de um jardim, de um parque? Por que não se fala do bom trabalho de um hospital, de uma escola? Quase sempre essas instituições aparecem, quando algo suspeito ou equivocado por lá acontece. Será que anos e anos de dedicação, de serviço ao povo não valem nada? * * * Pensemos nisso e comecemos a exigir dos que movimentam a imprensa, a inserção de coisas positivas. Digamos, não aderindo à onda de violência e maldade que deseja tomar conta da Terra, que desejamos ver, ouvir e sentir coisas boas. Por isso, invistamos nas boas revistas, nos bons periódicos, nos programas de valor. Ajudemos a sustentar um bom programa de rádio, de televisão. E, se somos dos que escrevem, ilustram, criam, evidenciemos em nossas letras, gravuras e criações, com muito destaque, o que é bom, belo e proveitoso. Guardemos a certeza que, dessa forma, estaremos investindo no mundo melhor que todos desejamos para nós e para nossos filhos. Redação do Pense Nisso Em 05.7.2017.

Um amor especial
20 Jan 20215:33EP 84

Um amor especial

Um amor especial Quando Jéssica veio ao mundo, trazia a cabeça amassada e os traços deformados, devido ao parto difícil vivido por sua mãe. Todos a olhavam e faziam careta, dizendo que ela se parecia com um jogador de futebol americano espancado. Todos tinham a mesma reação, menos a sua avó. Quando a viu, a tomou nos braços, e seus olhos brilharam. Olhou para aquele bebê, sua primeira netinha e, emocionada, falou: Linda. No transcorrer do desenvolvimento daquela sua primeira netinha, ela estaria sempre presente. E um amor mútuo, profundo, passou a ser compartilhado. Quando a avó recebeu o diagnóstico, anos depois, de mal de Alzheimer, toda a família se tornou especialista no assunto. Parecia que, aos poucos, ela ia se despedindo. Ou eles a estavam perdendo. Começou a falar em fragmentos. Depois, o número de palavras foi ficando sempre menor, até não dizer mais nada. Uma semana antes de morrer, seu corpo perdeu funções vitais e ela foi removida, a conselho médico, para uma clínica de doentes terminais. Jéssica insistiu para ir vê-la e seus pais a levaram. Ela entrou no quarto onde a avó Nana estava e a viu sentada em uma enorme poltrona, ao lado da cama. O corpo estava encurvado, os olhos fechados e a boca aberta, mole. A morfina a mantinha adormecida. Lentamente, Jéssica se sentou à sua frente. Tomou a sua mão esquerda e a segurou. Afastou daquele rosto amado uma mecha de cabelos brancos e ficou ali, sentada, sem se mover, incapaz de dizer coisa alguma. Desejava falar, mas a tristeza que a dominava era tamanha, que não a conseguia controlar. Então, aconteceu... A mão da avó foi se fechando em torno da mão da neta, apertando mais e mais. O que parecia ser um pequeno gemido se transformou em um som, e de sua boca saiu uma palavra: Jéssica. A garota tremeu. O seu nome. A avó tinha quatro filhos, dois genros, uma nora e seis netos. Como ela sabia que era ela? Naquele momento, a impressão que Jéssica teve foi que um filme era exibido em sua cabeça. Viu e reviu sua avó nos quatorze recitais de dança em que ela se apresentou. Viu-a sapateando na cozinha, com ela. Brincando com os netos, enquanto os demais adultos faziam a ceia na sala grande. Viu-a, sentada ao seu lado, no Natal, admirando a árvore decorada com enfeites luminosos. Então Jéssica olhou para ela, ali, e vendo em que se transformara aquela mulher, chorou. Deu-se conta de que ela não assistiria, no corpo, ao seu último recital de dança, nem voltaria a torcer com ela pelo seu time de futebol. Nunca mais poderia se sentar ao seu lado, para admirar a árvore de Natal. Não a veria toda arrumada para o baile de sua formatura, ao final daquele ano. Não estaria presente no seu casamento, nem quando seu primeiro filho nascesse. As lágrimas corriam abundantes pelas suas faces. Acima de tudo, chorava porque finalmente compreendia como a avó havia se sentido no dia em que ela nascera. A avó olhara através da sua aparência, enxergara lá dentro e vira uma vida. Lentamente, Jéssica soltou a mão da avó e enxugou as lágrimas que molhavam o seu rosto. Ficou de pé, inclinou-se para a frente e a beijou. Num sussurro, disse para a avó: Você está linda. * * * Se desejas ensinar a teu filho o que é o amor, demonstra-o. Não lhe negues a carícia, a atenção, a palavra. O que faças ou digas é hoje a semeadura farta de bênçãos que o mundo colherá, no transcurso dos anos dos teus rebentos. E o mundo te agradecerá, por teres sido alguém que entregou ao mundo um ser que saiba amar, de forma incondicional e irrestrita. Redação do Pense Nisso, com base no cap. Linda, de autoria de Jéssica Gardner, do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante. Em 23.10.2017.

Seja patrão
19 Jan 20213:56EP 83

Seja patrão

SEJA PATRÃO Você é empregado? ... Desculpe, usei o termo errado. Nesses tempos do politicamente correto e de eufemismos, a pergunta correta é: Você é um colaborador? Vivem reclamando da empresa, do chefe...do Patrão? Se sente um injustiçado e acha que merece ganhar mais? Tudo bem. Não há mal algum em querer um soldo maior, é um direito seu. Mas, será que você tem ideia do que é administrar uma empresa e ter sobre os seus ombros a responsabilidade de centenas, quando não, milhares de famílias que dependem das suas decisões nos negócios, para que ganhem os seus sustentos? Então, aconselho que você abra uma empresa e se torne Patrão. Eu indico a todos abrirem uma empresa um dia e experimentar por alguns anos o que é a responsabilidade de enfrentar uma folha de pagamento, a regularização de impostos e equipe, o processo de seleção do time, o investimento em equipamentos, estrutura e conforto para o trabalho. Indico a todos que façam esse experimento. Que aprendam a calcular o valor hora de um trabalho. Aprenda a calcular o valor de um salário. Que invistam incontáveis horas com contadores. Que fiquem outras noites sem conseguir dormir preocupado com as contas. Indico também que experimentem formar pessoas, inspirar o melhor em cada um. Motivar com palavras, com respeito, honestidade e com dinheiro. Invista em marketing, vista a camisa e saia pelas ruas e redes sociais para atrair clientes. Experimente também segurar a onda quando os” haters”(inimigo em inglês) e as críticas chegarem. Quando duvidarem de você e quando você mesmo duvidar. De verdade eu recomendo isso. Recomendo ficar no cheque especial para não atrasar um dia a folha. Experimente também olhar no olho de um funcionário e demiti-lo. Chegar em casa detonado por cada plano, ideia, estratégia que não deu certo. Mas mesmo assim continuar firme e animado tentando. Faça esse teste. Vai se ver acordando as 3 da manhã sem razão e com o pensamento num produto, numa conversa de escritório ou num plano para evitar a falência. Faça esse favor a você mesmo. Tente ser o filho da puta (colocar o bip de censura) do patrão por alguns anos. Ser visto como explorador. Faça esse teste. Mas faça por acreditar que seu negócio vai muito além de dinheiro. E quando você cansar, falir, ou tiver sucesso... lembre-se de tudo que você passou. Guarde isso na alma. Você um dia vai precisar, quando a maré virar e transformar a vaidade em humildade, o ego em me desculpe, a marra em companheirismo, a malandragem em dedicação, a inveja em desejo de sucesso e as certezas em dúvidas. Faça esse experimento um dia. Abra uma empresa...ou pelo menos, Pense Nisso.

É preciso saber morrer
18 Jan 20216:08EP 82

É preciso saber morrer

É PRECISO SABER MORRER Depois que nascemos só temos uma certeza: nós vamos morrer! E paradoxalmente vivemos como se ela, a morte, não existisse. Se a morte é uma das poucas certezas da vida, por que temos tanta resistência em aceitá-la com a naturalidade que lhe é inerente? Talvez, por isso, vivemos com tanto medo...com tantas ansiedades. É esse medo da morte, esse medo de morrer antes de ter realizado o que desejamos ou de ver nossos filhos crescerem. É isso o que mais nos perturba. Devemos ter em mente que a morte é parte da vida, querendo ou não, e ignorar essa verdade essencial tem um custo psicológico pesado. Neste sentido, não é desproposito algum, propor que se medite cinco minutos por dia a respeito da morte. Isso vai, com o tempo, nos deixando menos ansiosos e perturbados diante do inevitável. Foi publicada no New York Times no dia 19 de fevereiro de 2015, uma matéria intitulada “Oliver Sacks: Minha Própria Vida”. Nela o escritor e neurologista declara ter descoberto um câncer em estado terminal. É uma belíssima reportagem onde o mesmo relata seus sentimentos diante de tal revelação. Oliver encara a morte como um processo natural e mostra gratidão pela vida que teve. “Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; recebi muito e dei algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Tive uma boa relação com o mundo”– escreveu Oliver. Se a morte é uma das poucas certezas da vida, por que temos tanta resistência em aceitá-la com a naturalidade que lhe é inerente? Talvez, porque vivemos em uma sociedade pautada no apego. Nossa jornada é baseada em acumular, e dessa forma é praticamente impossível ter o desprendimento necessário para aceitar que nosso tempo, ou de entes queridos, por aqui possa estar no fim. É muito comum relacionarmos a morte com dor, desespero e sofrimento, essa é a atitude esperada quando lidamos com este assunto. Cada um desses sentimentos está intrínseco em nós culturalmente, socialmente e religiosamente. Porém, não é necessário ser dessa forma, no caso de Sacks houve uma quebra de tabus em relação a um tema tão pouco explorado. “Depende de mim agora escolher como levar os meses que me restam. Tenho de viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que conseguir” – disse Oliver, nos seus últimos dias de vida Todos têm medo do desconhecido, porém pode ser mais digno aceitar vivê-lo com intensidade e gratidão, do que se revoltar diante de uma situação irreversível como a morte. Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, perguntaram a São Francisco de Assis: Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria? Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza. Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno: Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim. E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade. Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciamos a palavra, porque pensamos atraí-la. Outros, nem comparecemos ao enterro de colegas, amigos, porque dizemos que aquilo nos deprime, quando não nos atemoriza. Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar. E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce, morre um dia. Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos. Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro. Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção. Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos. Sorrir, abraçar, amar. Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos. Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de que vivemos na Terra doando o nosso melhor. Lembre-se, é preciso saber morrer. Pensemos nisso.

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