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PODCAST · 313 EPISÓDIOS

Pense Nisso

Um programa que traz minutos de reflexão sobre a vida, escolhas e atitudes do dia a dia, convidando você a desacelerar e olhar para dentro, despertando novos pensamentos e perspectivas que podem fazer toda a diferença.

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A EQUIPE MAIS IMPORTANTE
30 Jul 20264:34EP 313

A EQUIPE MAIS IMPORTANTE

Era o dia das profissões na escola municipal. Os pais compareciam e relatavam detalhes de como exerciam sua profissão. Os alunos curiosos faziam perguntas. Algumas profissões encantavam a turma pela coragem necessária, como a dos bombeiros. Ou excitavam a fantasia da criançada como de ator ou músico ou jogador de futebol. Quando o pai de Sérgio entrou na sala, o menino foi escorregando na cadeira, desejando se esconder. Ele ficou imaginando o que o pai iria dizer. Coro de vergonha. No entanto, Roberto, mostrando-se bem à vontade, contou que no momento estava desempregado. Que profissão é esta? O que é exatamente que o senhor faz? Perguntou logo um aflito garoto. Bom, eu diria que minha principal ocupação no momento é procurar trabalho. Um grande silêncio se fez na sala. Roberto, corajoso, continuou o seu relato. Imaginem vocês que somos uma equipe de futebol e estamos perdendo de 4 a 0. Então temos duas alternativas. Podemos desistir ou podemos lutar até o final do jogo e tentar reverter o placar. O que vocês fariam? A turma se entusiasmou e cada um foi dizendo que continuaria jogando, que faria cinco gols para ganhar a partida, que daria o melhor de si. Pois é, continuou aquele pai. Imagino quantos de vocês têm pais que trabalham o dia todo fora de casa e à noite, quando chegam cansados, ainda se desdobram com as tarefas domésticas. Penso em quantos de vocês têm irmãos mais velhos que, depois de terem saído de casa para ganhar a própria vida, sofreram dificuldades e tiveram que voltar para a casa dos pais. Tenho certeza que alguns de vocês vêm para a escola acompanhados por um irmão ou uma irmã. Isso é equipe. Um ajuda o outro, sustenta o outro, ampara. Eu sou jogador de uma equipe maravilhosa, a mais sensacional equipe que se possa ter, minha família. Nesse momento, o garoto Sérgio levantou a cabeça, voltou a se sentar ereto e começou a prestar atenção no que dizia o seu pai. Família é o que há de mais importante na vida. Minha família me sustenta nesse período em que saio a cada dia tentando conseguir um trabalho. Quando acordo pela manhã, é o sorriso da minha família que me anima a prosseguir lutando, buscando. Minha família suporta meu mau humor quando tem um dia ruim. Somos uma equipe e, como no futebol, não importa em que posição estejamos jogando. Não importa se estamos perdendo a partida, o que importa é como se joga, porque sempre há a possibilidade de se reverter à situação. Por isso, eu continuo todos os dias procurando um trabalho que me garanta auxiliar a minha família, enquanto ela mesmo me sustenta sem reclamar, sem acusar. Minha família é a melhor equipe, a mais importante da minha vida. E, para cada um de nós, é, com certeza, a equipe graças a qual vamos em frente. Não paramos perante os obstáculos que possam se fazer maiores. Família é um, é auxílio. Quando Roberto concluiu, foi tão aplaudido quanto qualquer outro dos pais que por ali havia passado, descrevendo os lances emocionantes de sua profissão. Nos olhos das crianças havia o brilho da emoção. Em seus corações, a lição de um pai agradecido à esposa e filhos que lhe entendiam o esforço e lhe davam apoio. Uma lição que eles levariam em pressa, de forma indelével, para as suas próprias vidas. Pense nisso. Mas, pense agora.

PAZ
29 Jul 20263:49EP 312

PAZ

Certa vez, um rei ofereceu um grande prêmio aos seus artistas para fazer uma pintura que representasse a paz perfeita. Vários artistas apresentaram suas obras como a representação do que é ter paz. De todas, o rei escolheu duas finalistas. Uma, um lago espelhado, perfeito, onde se refletiam plácidas montanhas que o rodeavam. E a outra, um céu furioso, do qual saía um impetuoso aguaceiro, com raios e trovões. E as montanhas pareciam retumbar uma forte e espumosa torrente de água. Então, perguntaram ao rei qual seria a pintura ganhadora. E ele respondeu: a segunda. Sabem por quê? Atrás de uma cascata, cresce um delicado arbusto na fenda de uma rocha. E ali, no meio da violenta queda da água, tem um ninho e um passarinho dormindo serenamente. A paz não significa estar num lugar sem barulhos, sem problemas, sem trabalho duro ou sem dor. A paz significa que, apesar de estar em meio a todas essas coisas, podemos permanecer calmos dentro do nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz. Hoje, vivemos em meio a mísseis, explosões e infrações devido à guerra que o mundo está vivenciando. Ficamos apreensivos e desejando que tudo se acalme para que possamos viver em paz. A paz é um dos tesouros mais desejados. Só que, ao contrário do que se acredita, a paz não engloba apenas a simples inexistência de um confronto armado. A paz começa no íntimo de cada um. É a força interior que precisamos para manter o equilíbrio, nos livrando de cair nas armadilhas da frustração, dos desgostos e da negatividade. A guerra sempre existiu e sempre esteve presente em nossas vidas, seja entre países, famílias, vizinhos, e os impactos emocionais que essas guerras trazem são negativos para nossa existência. Nos trazem dor, tristeza, caos. A paz é possível, mas demanda esforços. Comecemos por praticar a paz em nossos lares e, aos poucos, vamos transbordando para os nossos círculos de pessoas, garantindo a estabilidade física e emocional de todos. Sejamos artesãos da paz ao nosso redor. Busquemos sempre viver em paz, em harmonia com o nosso próximo. Busquemos sempre a solução diplomática e, em toda circunstância, busquemos fazer o bem. Aprecie a vida e as boas dádivas que recebemos. Acalma tua alma e a tua mente, porque, quanto mais buscamos a paz, mais podemos viver uma vida longínqua, profícua e prazerosa, com sabedoria e benevolência. Benditos sejam aqueles que conseguem encontrar a paz. Pense nisso, mas pense agora.

TEMPO E OPORTUNIDADE
28 Jul 20263:58EP 311

TEMPO E OPORTUNIDADE

Troca-se um relógio com tempo rápido por um relógio de horas longas para olhar a natureza e apreciar os pássaros. Troca-se um dia apavorado, preso, rápido por um dia solto, leve e comprido para brincar e aproveitar. Este singelo poema é de uma jovem estudante. De alguém que, mesmo em tenra e idade, descobriu que o tempo é um dos bens mais preciosos que temos. Nenhum dia é igual ao outro na natureza. Eles não se repetem, são únicos. O homem é que os torna iguais, repetitivos, cansativos quando simplesmente se esquece de dirigir a sua vida e permite que a vida o carregue. É certo que o mundo moderno nos exige muito para acompanhá-lo, para estar em sintonia com tudo de novo que surge. Mas poderíamos questionar, precisamos realmente de tudo isso? Precisamos deixar que o trabalho nos escravize, que ocupe grande parte de nosso tempo, de nossas forças? Precisamos estar sempre pensando na competição, em ser melhores do que os outros, em estar na frente das outras ideias, em estar sempre na vanguarda de tudo? Será preciso acompanhar os modismos, as novidades das mídias, para nos sentirmos bem? Se fizermos uma análise profunda, veremos que não. Que não precisamos de muito do que temos, de muito do que dizem que devemos ter para construir uma vida agradável e feliz. Para quem raciocina que tempo é dinheiro, talvez olhar a natureza seja perda de tempo. Mas para quem já aprendeu a ver que tempo é oportunidade, descobrirá que apreciar os pássaros, passar mais tempo com a família, ouvir uma boa música, ler um bom livro, são oportunidades da vida bem aproveitadas. Um pai ou uma mãe que tomem a resolução de abrir mão de um sucesso maior na profissão, por acreditar em que necessitam estar mais próximos dos filhos, com certeza se sentirão mais realizados do que aqueles que lutam incansavelmente para dar tudo à família e esquecem que a sua presença, a sua atenção, o seu tempo é o que de mais valioso podem dar a eles. Esta existência é uma oportunidade única e é chegado o momento de despertar para os verdadeiros objetivos que devemos ter aqui. É chegado o instante de redescobrir o tempo e a sua utilidade. Que tal pensarmos? Quando foi a última vez que dedicamos o dia para estar com os nossos afetos, com os nossos queridos? Quando foi a última vez que conseguimos nos desligar dos problemas profissionais para nos ocuparmos com atividades filantrópicas? Quando foi a última vez que paramos para ouvir de corpo e alma uma música, deixando-nos penetrar pela harmonia? Quando foi a última vez que lemos um livro nobre, uma página edificante? Quando foi a última vez que lembramos que somos um espírito imortal e que nada levaremos deste mundo além das nossas conquistas morais? Pensemos nisso, mas pensemos agora.

PORQUE OS CÃES VIVEM MENOS
27 Jul 20263:37EP 310

PORQUE OS CÃES VIVEM MENOS

Você já se perguntou por que os cães vivem menos que as pessoas? O veterinário Jorge encontrou esta resposta num dia de trabalho quando conheceu Pedro, um garotinho de 6 anos de idade. Jorge foi chamado para examinar um cão de 13 anos de vida chamado Batuta. A família esperava por um milagre. O veterinário examinou Batuta e descobriu que o animalzinho já estava muito mal e que nada poderia ser feito. O cão foi cercado pela família. O menino Pedro parecia tão calmo, acariciando o cãozinho pela última vez. Jorge se perguntava se a criança entendia o que estava acontecendo. Em poucos minutos, Batuta caiu pacificamente dormindo para nunca mais acordar. O garotinho parecia aceitar sem dificuldade. A mãe perguntava, por que a vida dos cães é mais curta do que a dos seres humanos? Pedro disse, eu sei por quê. A explicação do menino mudou a maneira de ver a vida de todos a sua volta. Ele disse, a gente vem ao mundo para aprender a viver uma boa vida, como amar aos outros o tempo todo e ser uma boa pessoa, né? Como os cães já nascem sabendo fazer tudo isso, eles não têm que viver por tanto tempo como nós, entendeu? Aquela resposta trouxe um nó na garganta. E é verdade, faz todo o sentido. Se observássemos melhor os cães, nós, seres humanos, aprenderíamos muito com eles. Talvez, quando nossa família chegasse em casa, passaríamos a correr até a porta para cumprimentá-la. Não seríamos indiferentes com sua chegada. Também não perderíamos uma oportunidade de passear com quem amamos. Assim como os cães, permita que a experiência do ar fresco e do vento no seu rosto seja de puro extasia. Tire cochilos e alongue-se antes de se levantar. Separe um tempo para correr e brincar. Seus filhos e netos vão gostar muito disso. Aprenda com os cães. Evite um morder quando apenas um rosnado seria suficiente. Uma atitude precipitada pode provocar feridas, dores e deixar marcas. Quando o clima estiver muito quente, faça como os cães. Beba muita água e deite-se na sombra de uma árvore. Quando você estiver feliz, dança movendo todo o seu corpo. Não desista dos seus sonhos. Se o que você quer está enterrado, cabe até encontrar. Ah, e seja fiel, independente da situação. Quando alguém estiver num mau dia, fique em silêncio. Sente-se próximo e suavemente faça-o sentir que você está ali. Pode ter certeza, a sua companhia fará toda diferença. Pense nisso, mas pense agora.

ANTE OS DEFICIENTES
25 Jul 20264:05EP 309

ANTE OS DEFICIENTES

Há algum tempo, em Roma, os jornais noticiaram que um jovem pai lançou seu filho, Ivano, um bebê deformado, de uma ponte do rio Tibre. ''Meu filho nunca me teria perdoado se eu o tivesse deixado viver somente para sofrer'' disse o pai, justificando a sua atitude. Numa pesquisa de opinião realizada por jornalistas europeus na capital italiana, na ocasião, foi verificado que 76 pessoas entre 100 tendem a eliminação dos atípicos, porque pensam que a vida na terra não é feita para sofrer. Em 10 de maio de 1912, em Nova York, nasceu o menino Henry Viscardi Junior, filho de um barbeiro, imigrante italiano, ele não tinha as duas pelas. No seu lugar apenas dois cotos, exatamente como o pequeno Ivano. Seus pais o amaram e o criaram com duplicado carinho. Até os 25 anos de idade, ele não tinha mais do que um metro de altura e andava graças a umas botas enormes que pareciam luvas de boxe. Frequentava a universidade, custeando os seus estudos, trabalhando como juiz de basquetebol, garçom e repórter. Aos 26 anos passou a utilizar pernas artificiais. A operação foi gratuita. O médico lhe disse ''um dia faça alguma coisa por outros deficientes, então a dívida estará quitada.'' Casado e com filhos, Henry se tornou presidente de uma indústria de peças de automóveis, competindo no grande mercado industrial de Nova York. O importante a salientar em sua indústria, é que todos que ali trabalhavam, desde o presidente ao faxineiro, eram deficientes físicos ou mentais. Tetraplégicos, em macas, usavam alguns dedos das mãos. Senhoras com deficiência mental confeccionavam trabalhos num perfeito desafio à dignidade humana. Ele escreveu um livro que se tornou um verdadeiro best seller em todo o mundo. Nós poderemos vencer. A primeira página é dedicada à sua mãe. A apresentação da obra é feita pela senhora Eleanor Roosevelt, esposa do ex-presidente americano Theodore Roosevelt. E aí nos perguntamos, será que o pequeno Ivano, lançado ao tibre, não teria nascido para fazer na Europa o que seu colega Henry realizou nos Estados Unidos? Será que, se deixado viver, não teria mostrado ao mundo que o espírito suplanta a matéria e a domina? Os deficientes enviam recados à sociedade humana. Os que transmitem com dignidade, sem reclamações, acreditando no crescimento do hoje. Recados como este estão se preparando para assumir papéis na vida familiar e na vida social, bastando que recebam uma chance. Bastando que as portas não se fechem para eles. Estão nas escolas e nas oficinas de treinamento. Andam ou são conduzidos pelas ruas, transportando suas pastas com material de estudo ou como instrumentos de trabalho. Conseguiram confiar em si mesmos e estão dispostos a fazer duplo esforço para contribuir no desenvolvimento do seu potencial existente ou o restante. Observemos quantos exemplos de extraordinária superação física e mental. Acabamos nisso e nos disponhamos sempre a investir na vida.

GENÉTICA NÃO TEM PRECONCEITO
24 Jul 20264:33EP 308

GENÉTICA NÃO TEM PRECONCEITO

Durante uma conferência de ciências, uma pergunta é feita por Lawrence Summers, um dos convidados e ex-presidente da Universidade de Harvard, que sugere que diferenças genéticas explicariam o fato de haver bem menos mulheres no campo da ciência do que homens. O mediador da conferência disse, alguém que queira falar sobre diferenças genéticas entre homens e mulheres? Um dos mais notáveis cientistas do nosso tempo, o astrofísico americano Neil de Grasse Tyson, se apresentou para responder a tal questão. Eis a resposta do famoso físico. Bem, senhoras e senhores, eu nunca fui uma mulher. Iniciou com bom humor o cientista. Houve muitos risos na plateia. E Tyson dá prosseguimento à sua resposta. Mas tenho sido negro a vida toda. Portanto, lhes ofereço uma perspectiva deste ponto de vista, pois há similaridade no tema ao acesso das oportunidades sociais que são dadas quando se fala sobre negros e as oportunidades às mulheres em uma sociedade dominada por homens brancos. E serei breve, pois quero ouvir outras questões. Durante toda a minha vida, eu sempre soube que queria ser um astrofísico. Desde os 9 anos, quando visitei um planetário, para ser mais exato. Então, eu tinha que ver como o mundo ao meu redor reagiria ao expressar as minhas ambições. E tudo que eu posso dizer é, o fato de eu querer ser um cientista astrofísico teve grande resistência da maioria. São as raízes das forças que naturalmente agem na sociedade. Toda vez que eu expressava este interesse, os professores diziam você não quer ser um atleta? Ou outra coisa? Porém, eu queria algo que estivesse fora dos paradigmas das expectativas das pessoas que estavam no poder. E por sorte, o meu interesse científico era tão profundo e tão rico em combustível que todas essas dificuldades e barreiras que tive que enfrentar, eu usava de mais combustível e continuava em frente. Agora aqui estou, creio, um dos cientistas mais reconhecidos. E quando olho para trás me pergunto, onde estão os outros que poderiam estar aqui como eu? E não estão. E eu me questiono, quem, ou o que se passou para que eu tenha sobrevivido e os outros não? Apenas porque as forças da sociedade estão resistindo em cada esquina, a cada lugar. Cada momento. Chegou ao ponto em que seguranças de mercado me perseguiram presumindo que eu era um ladrão. Eu saí de uma loja uma vez e o alarme disparou, então eles vieram para cima de mim. Eu passei pelo alarme ao mesmo tempo que um homem branco passou. E esse homem foi embora, com as mercadorias roubadas, sabendo que eles iam me parar e não a ele. Então, minha experiência de vida me conta que se não temos muitos cientistas negros e não temos muitas mulheres cientistas, é por uma questão de forças que a sociedade usa para estigmatizar as mulheres. Portanto, antes de começarmos a falar sobre diferenças genéticas, temos que encontrar um sistema onde as oportunidades sejam iguais. E aí sim, podemos falar de genética. Sim, caros ouvintes, quando se dá oportunidades, as diferenças genéticas são irrelevantes. Um exemplo disso é a mãe da física moderna, Marie Courrier. Famosa por sua pesquisa sobre a radioatividade, pela descoberta dos elementos polônio e rádio e por conseguir isolar isótopos desses elementos. Marie Courrier ganhou o prêmio Nobel de Química de 1911. A genialidade não está no sexo ou na raça, pois a genética não tem preconceitos. Pense nisso, mas pense agora.

NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL
23 Jul 20263:57EP 307

NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

No exercício profissional, Marcella, revoltada por precisar trabalhar desde muito cedo, não conseguia entender o porquê de muitas situações em sua vida. Adolescente, se tornou babá de um pequenino em meio período, depois da escola. Mais tarde, trocou essa função pela de empregada doméstica, tarefa em que se manteve até o matrimônio, quando passou a cuidar da própria casa. Como precisasse colaborar com a renda familiar, tendo um filho pequeno, ela se sentiu obrigada a fazer salgadinhos para vender. Depois, conseguiu trabalho como teleoperadora. Um sentimento, no entanto, era sempre o mesmo: nada daquilo era o que desejava fazer. Optou por continuar os estudos e adentrou à universidade, cursando Psicologia. O qual, finalmente, sentiu que eram valorizados os seus talentos. Todavia, guardava certa mágoa pelos trabalhos que tivera anteriormente. Em um de seus momentos difíceis, foi conversar com uma professora em quem confiava e expôs seus conflitos. Analisada a situação, a professora propôs que ela passasse em revista detalhada seu passado e pensasse no que aprendera em cada profissão que exercera. E Marcela relatou que, como babá, aprendera a cuidar de criança e observar o seu desenvolvimento. Como empregada doméstica, aprendera a cozinhar, limpar, lavar e passar a ferro. Fazendo salgadinhos, aprendera a administrar o dinheiro e a lidar com pessoas diferentes. Como teleoperadora, conhecera muita gente, melhorara a sua conversação e aprendera, principalmente, a escutar. A professora, que a ouvira com interesse, lhe perguntou, então: — Você não percebeu que todas essas profissões estavam preparando você para o sucesso na área da Psicologia? Ser babá lhe adiantou, na prática, um ponto básico, considerando que o curso que frequenta estuda esse período da vida humana. Enquanto empregada doméstica, você se preparou para cuidar de sua própria casa, também a respeitar os desejos e vontades dos outros. Como vendedora de salgadinhos, aprendeu a lidar com pessoas diferentes e com o dinheiro, uma tarefa que nos acompanha a vida toda. Como teleoperadora, aprendeu a escutar, que é o ponto primordial no exercício da Psicologia. Marcela não teve opção senão concordar e concluir: — É verdade. O exercício de tarefas nos é sempre importante. Trabalho útil. É sempre trabalho abençoado que nos prepara para a vida. Todo trabalho que produz o bem e o belo tem o seu valor. Tanto o trabalho braçal como o trabalho mental são talentos que Deus nos concede para colaborarmos com o próximo e em prol do nosso melhoramento. Não existe profissão mais ou menos digna. Somos nós que valorizamos aquela em que nos encontramos, com nossa forma de executá-la. Pensemos: o que seria da salubridade do mundo sem os lixeiros? O que seria do centro cirúrgico sem quem se encarregasse da sua sepsia e dos instrumentos? Não importa a profissão, mas sim a dedicação com a qual a exercemos.

CERTEZAS DA VIDA
22 Jul 20264:04EP 306

CERTEZAS DA VIDA

CERTEZAS DA VIDA Possivelmente, em algum momento da sua vida, suas experiências te levaram a pensar sobre a morte. Talvez o medo de se encontrar com ela, ou a tristeza por perder alguém que você muito amava, alguém que fez história, deixou de existir nessa terra e hoje faz muita falta. Nos enganamos quando algo acontece e passamos a acreditar que a única certeza que temos é que um dia morreremos. Esse é um pensamento um tanto quanto pessimista. Não, essa não é a nossa única certeza. Nós temos outras confianças na vida. Por isso, decidi rever os meus conceitos. Essa mentalidade me gerava insegurança, medo, transtornos psicológicos. Hoje consigo ver que, até que a morte nos alcance, temos muitas histórias positivas para viver, muitas surpresas, conquistas, experiências inimagináveis para compartilhar. Quando passamos a enxergar a existência e a nós mesmos sob o ponto de vista espiritual, pessoal, além da casca material, ganhamos muitas outras certezas. A certeza de que o amor que cultivamos será colhido, em algum momento, seja no hoje ou no amanhã. A certeza de que os laços de amor que criamos ou fortificamos permanecem conosco para sempre. Nada se perde. Passamos a entender que o amor é importante que a herança. A herança é deixada por quem já morreu e, ao longo do tempo, se perde. O legado é deixado por alguém que fez a diferença em vida, ainda que não esteja mais presente. Alcança gerações com um brilho diferente. O pai que deixa o filho legado, ao invés de herança, transmite valores inegociáveis, princípios. E isso muda tudo. Quando nos permitimos desfrutar da vida na sua essência, cuidamos da nossa saúde. Saúde do corpo, da alma e também do espírito. Adquirimos a certeza de que há uma inteligência maior no leme, no comando de tudo, e que não precisamos nos desesperar quando as coisas saem do nosso controle. A certeza da vida antes da certeza da morte. A certeza de que cada minuto importa, de que cada dia é um tesouro inestimável. E, na fragilidade do nosso corpo, percebamos a resistência e a exuberância da vida. Um vírus imperceptível pode nos fazer adoecer e pode nos levar a passar pela morte a qualquer instante. Mas que isso não revele nossa fraqueza, e sim nossa grandiosidade. Estamos aqui de passagem. A terra é escola, é hospital, é campo de semeadura. Que possamos usar o tempo que temos para nos educar, para nos curar e para trabalhar sempre pelo bem. Não nos deixemos desanimar perante as crises, perante os momentos de sofrimento. Esta é mais uma certeza que temos: de que a dor não dura para sempre e de que podemos ser, hoje, melhores do que fomos ontem. Pense nisso, mas pense agora.

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