VINHOS DE GUARDA
06/05/2026 08:00 | DURAÇÃO 2:10
Notas do Episódio
Nesta manhã, eu te convido para a gente falar sobre vinhos de guarda, compras para o futuro. Será que existe um tempo certo para abrir um vinho mais velho ou mais jovem? Atualmente, 90% dos vinhos produzidos são para consumo imediato. Outros 10% duram décadas. Quando for compor a sua adega, também é bom manter a mesma proporção: só 10% dos vinhos de guarda. Eu tenho degustado alguns vinhos franceses de 2010, 2011, especialmente os Bordeaux médios, nada de Grand Cruz, que ainda estão meio verdinhos. São vinhos gostosos, porém estariam mais harmoniosos com uns três anos ou mais, talvez. Todos os vinhos mudam ao longo do tempo de garrafa, mas melhorar mesmo, só alguns. Com o tempo, o vinho perde um pouco de cor e perde também tanino e acidez. Os vinhos que têm essas duas últimas características, de tanino e acidez muito elevadas, fazem bem ao vinho melhorar: ele fica mais fácil de beber, com menos tanino e menos acidez com o tempo, menos agressivo e um pouco mais suave. Certa vez, eu falei para um cliente, que não gostou muito dessa comparação de vinho agressivo, achou meio piada. Mas, segundo uma das mais respeitadas enólogas do mundo, filha de Ângelo Gaia, italiana, chamada Gaia Gaja, ela disse que todo vinho engarrafado já está pronto. Alguns podem melhorar com a evolução da garrafa, mas é gosto pessoal. E, como só no Brasil nós já temos mais de 30 mil rótulos disponíveis, por que não deixar os vinhos que podem melhorar com o tempo de garrafa esperando um pouquinho mais? É claro que você não precisa ter muito. Como eu disse, 10% dos vinhos que você tem em casa. Ou, de vez em quando, comprar um vinho que você tenha que esperar um pouco mais, para poder sentir todos aqueles aromas mais complexos e terciários que só os vinhos mais envelhecidos têm. Lembrando sempre, claro, que, se beber, não dirija.