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PODCAST · 521 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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VIDEIRAS COM BOAS UVAS
5 Mai 20262:18EP 457

VIDEIRAS COM BOAS UVAS

Que bom ter a sua companhia nesta manhã aqui na Centro América FM, para falar de música e vinho. Você já deve ter ouvido falar que as videiras precisam sofrer para ter boas uvas. É que, quanto mais ela luta para buscar água no solo, mais ela absorve nutrientes da terra e mais força ganha em cada cacho. Chuva boa para videira é no período de outono, inverno e início de primavera, quando ela está invernando e dá início ao período de brotação. O ideal é mais ou menos 680 milímetros de chuva ao ano. No verão, só o sol já basta, já que sol e chuva podem aumentar o risco de fungos e diminuir o processo de maturação. Na Europa, países como Portugal, Espanha e Itália já conseguiram autorização para irrigar seus vinhedos, assim como acontece no Novo Mundo, por gotejamento. As entidades que regulamentam a viticultura na Europa entendem, ainda, que cada vez mais a qualidade é mais importante que a quantidade, já que videiras irrigadas produzem maior quantidade, mas, se equilibrado, como no Novo Mundo, conseguem bons resultados. E quais nutrientes são esses que a videira precisa? O que muda no meu vinho? Um dos nutrientes é o fósforo, que ajuda no crescimento e desenvolvimento da planta; o potássio, que ajuda na maturação das uvas e crescimento dos cachos; e o cálcio, que também atua no crescimento dos ramos e raízes e contribui para o desenvolvimento da planta, além de outros nutrientes como zinco, manganês, ferro, cobre, enxofre e nitrogênio. É aí, na busca do equilíbrio e análise do campo, que entra um trabalho imenso do enólogo e de todos os viticultores. É uma interação entre homem e natureza e o equilíbrio do uso de conhecimento para se obter o melhor da planta e da terra. Videiras sem nutrientes ou com excesso de água resultam em uvas diluídas em cálcio, baixas, duras e extremamente ácidas. Por isso, vale lembrar que vinho é o resultado da transformação do açúcar em álcool a partir de uvas sadias. A sanidade das uvas resulta em bons vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação, claro, e, se beber, não dirija.

BERÇO DE TRÊS PAIXÕES BRASILEIRAS
4 Mai 20261:55EP 456

BERÇO DE TRÊS PAIXÕES BRASILEIRAS

E que delícia ter a sua companhia nesta tarde aqui na Centro América FM. Hoje eu vou, literalmente, invadir a hora do café. Hoje eu vou para o sul da Itália, na região de Nápoles, a cidade berço de três paixões brasileiras: a pizza, o café e uma paixão que cresce a cada dia, o vinho. Para começar bem o dia, café expresso, que em Nápoles é servido bem forte e dá, no máximo, um gole e meio, de sabor bem marcado e com longa persistência. É tradição, em Nápoles, beber um café e deixar o outro pago como gentileza ao próximo cliente. Então, sem quebrar a corrente, tem sempre um café para você em uma cafeteria da cidade. A pizza é a outra grande paixão, especialmente a marguerita, feita em homenagem à rainha Margherita de Savoia, que gostou muito do sabor — molho de tomate, muçarela, azeite e manjericão — e deu nome à famosa pizza margherita. A grande paixão que cresce a cada dia no gosto dos brasileiros é o vinho. Nápoles foi devastada pelo vulcão Vesúvio e se recuperou ainda mais forte, com o solo vulcânico, ideal para uvas regionais como Fiano, Greco, Falanghina e Aglianico. A história dos vinhos napolitanos remonta a 120 anos antes de Cristo, quando há registros do vinho romano Opimiano. É muito legal descobrir novos vinhos, como o Pipoli Aglianico, um vinho forte, com aromas de cereja preta, cereja amarga, especiarias e baunilha; um vinho bem estruturado e de taninos maduros, perfeito para harmonizar com pizza margherita, claro, e encerrar com um bom café. Lembrando sempre de manter a moderação. Só assim você poderá descobrir novos vinhos, como os da região napolitana e italiana — vinhos de solo vulcânico, intensos, para você aproveitar.

UVA PRIMITIVO
2 Mai 20261:42EP 455

UVA PRIMITIVO

Será que o meu paladar é igual ao seu? Eu já sei que muita gente ama a uva Primitivo, mas eu não. Lancei, então, o desafio de vocês me indicarem um vinho da uva Primitivo que você amou e me dizer o porquê. Eu já tentei vários, juro. Vários produtores e até regiões e países — tanto faz se Itália ou Estados Unidos. O açúcar residual e a falta de acidez e vivacidade não são compatíveis com o meu paladar. Não estou falando mal do estilo, só confessando que cada um tem um paladar. O que me agrada, não te agrada. E olha que tem uvas que eu torcia o nariz e, mesmo assim, não desisti. Ora ou outra, eu tentava de novo, e foi aí que passei a gostar da uva Nero d’Avola, por exemplo, que eu achava totalmente dura. Já encontrei alguns bons exemplares com notas defumadas, taninos presentes sem serem tão duros e um final mais macio, embora ainda tenha essa força na boca. Se você também tem alguma uva ou estilo de vinho que já tentou várias vezes, mas mesmo assim não gosta, e outro que te surpreendeu após algumas degustações, conte pra mim. Quero compartilhar com vocês aqui no Musique Vinho, através das nossas redes sociais: @musiquivinhocafm ou através das minhas redes sociais, @kesiadjune. Eu amei o Luigi Leonardo de Nero d’Avola com Merlot. Se você também quiser experimentar, tem o Luigi Leonardo de Nero d’Avola com a uva Syrah. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

HARMONIZAÇÃO COM TEMPRANILLO
1 Mai 20261:28EP 454

HARMONIZAÇÃO COM TEMPRANILLO

Harmonizações com Tempranillo A uva da Península Ibérica, Tempranillo, tem outras dezenas de nomes pelo mundo e tantos outros rótulos fáceis de encontrar e super dinâmicos para harmonizar com comida. Pode ser um Tempranillo espanhol, um argentino ou brasileiro, da região da Campanha Gaúcha, mais ao sul da Serra Gaúcha. Normalmente, os vinhos desta uva têm coloração não muito intensa e aromas de frutas vermelhas, especiarias, um defumado, baunilha e caramelo, podendo evoluir para frutas secas e toques herbáceos quando têm passagem em madeira. Têm acidez média, pouco açúcar e taninos expressivos. São vinhos de médio corpo a encorpados e super gastronômicos. Que tal começar com uma seleção de presuntos? Outras sugestões de harmonizações vão desde um atum com crosta de gergelim e ervas, para um Tempranillo sem madeira, mais jovem, com taninos leves, até um hambúrguer de carne com sabor mais acentuado, como um angus. Também combinam muito bem com cordeiro assado, marinado no próprio vinho tinto. E que tal um arroz de pato com chorizo, um cozido português ou uma rabada com polenta? Já deu água na boca? Já está salivando por um Tempranillo? Então é só aproveitar, escolher o seu rótulo e degustar com muita moderação. Lembre-se sempre: se beber, não dirija.

 UVA TANNAT
30 Abr 20261:59EP 453

UVA TANNAT

E uma excelente manhã pra você Que tal curtir agora a música e vinho? Temos um vizinho que nos brinda com paisagens maravilhosas para o turismo e, ainda, vinhos com a famosa uva-bandeira Taná. Degustando uma linguiça caseira bem apimentada e com aquele gostinho de brasa, pensei em um Taná. Encontrei o Elerrido, de Taná com Merlot. Aliás, a Merlot é uma fofa, porque tem aparecido nos últimos vinhos que degustei com maestria, trazendo elegância, frescor e equilíbrio. Foi o que ela fez com o Luí, de Leonardo, de Nerodávola com Merlot, que eu já falei um monte desse vinho aqui, e agora com o Elerrido Taná com corte de Merlot. Normalmente, Taná é bem tânico, mas esse vinho é uma boa opção de Taná mais leve para se degustar durante o dia, e eu harmonizei com a linguiçinha e o liger na brasa também. Só 12% de álcool, muito leve; dá para refrescar vinhos com graduação alcoólica mais baixa. Logo que você abre o vinho, já baixa para uns 10% de álcool, e fica muito leve. A vinícola que produz o Elerido é a Monte Toscanini, de 1908, com tradições italianas. A vinícola faz parte também do roteiro Los Caminos del Vino e tem várias atividades para os visitantes. Outro vinho uruguaio que gostei muito foi o Sepas Nobles, da Bodegas Carral. Este, 100% Taná. Aí já é mais marcadinho na boca e eu traduzo: o tanino, aquela adstringência que seca a boca, é mais forte. E, se você ainda acha isso estranho ao paladar, mas já entrou ou quer entrar para o mundo do vinho, pode ir se acostumando, porque isso é bom, acredite, você vai gostar. A Bodegas Carral é uma das mais antigas do Uruguai, tem 265 anos de história e vários rótulos. Boas sugestões de Taná para o seu dia a dia: Elerido Taná com Merlot e o Sepas Nobles, da Bodegas Carral. Lembre-se sempre de manter a moderação e um bom Taná para você.

VINHOS COLORIDOS
29 Abr 20262:14EP 452

VINHOS COLORIDOS

Outro dia, li uma matéria da revista Adegas sobre vinhos laranjas que dizia que essa busca pelo que é simples é uma reafirmação de valores da humanidade. E os vinhos naturais buscam trazer essa inocência perdida e mostram os anseios de pequenos grupos sociais. Pequenos, mas nem tanto: eles vêm crescendo junto com a consciência alimentar. Comida e bebida cada vez mais naturais. Quem curte e acompanha o Musica e Vinho deve se lembrar do programa sobre vinhos coloridos. Falei sobre as colorações de vinhos brancos, tintos, azuis, verdes, rosés e também dos laranjas. E você pode ouvir mais no nosso site da Centro América FM. Pois bem, os vinhos laranjas são vinhos brancos tratados como tintos. A técnica vem da Geórgia e da Armênia, onde o suco da uva fica em contato com as cascas para adquirir a cor. A cor laranja, ou seja, a casca de uva branca também tem cor. O enólogo Josco Gravner, o rei dos vinhos laranjas, é um esloveno radicado em Friuli, na Itália. Foi ele quem trouxe à tona a metodologia dos vinhos laranja. E, ainda, a vinificação acontece com cachos, engaços e sementes, o que pode trazer certo amargor ao vinho laranja, além do tanino da casca, que, neste caso, fica em contato com o mosto. Neste estilo de vinhos, há duas controvérsias conhecidas no mundo do vinho: casca de uva branca não tem cor, tem sim, a coloração laranja, e vinho branco não tem taninos, a não ser que fique em contato com a casca, como é o caso dos vinhos laranjas. O estilo laranja é um vinho com frescor de branco que ganhou coloração, ganhou corpo, ganhou tanino. E eu harmonizaria vinhos laranjas com uma bela galinhada ou um frango no estilo indiano com molho ao curry. E você? Compartilhe comigo e com todos os amantes do Música e Vinho, usando a hashtag Música e Vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar e conhecer novos vinhos, como os estilos de vinhos laranjas.

CABERNET SAUVIGNON
28 Abr 20262:14EP 451

CABERNET SAUVIGNON

O tema é a Cabernet Sauvignon, a famosa rainha das uvas tintas. Engraçado como eu fujo de tudo que é muito comum, óbvio, especialmente o que está na moda. Se todo mundo gosta, já desconfio. E havia muito tempo que eu não parava para degustar um Cabernet Sauvignon 100%, a não serem degustações técnicas, mas eu mesma escolher um Cabernet Sauvignon para beber é coisa rara. Resolvi me render à moda de um Cabernet Sauvignon e escolhi um vinho para o dia a dia, para o almoço com carne de porco ao molho barbecue. Lembrei daquele aroma de barbecue que encontrei no vinho tinto espanhol, Marquês de Grinhão, da Rioja, mas, já que não era possível encontrá-la, vamos a um Cabernet Sauvignon. Degustei o Petirrojo chileno, 100% da uva Cabernet Sauvignon. Um vinho super correto e um Cabernet Sauvignon fácil de beber. Pode-se dizer que é um Cabernet Sauvignon dos leves, de média cor e corpo, já que não existe Cabernet Sauvignon totalmente leve. Apenas 30% do vinho passa em carvalho, então mantém bem o frutado. Na madeira, ganha um toque de tostado que harmoniza muito bem com a carne de porco bem assada e com aromas defumados. Talvez você se lembre que eu falei no Música & Vinho outro dia sobre vinho e pássaros. Pássaros têm a simbologia de mensageiros da paz, e muitos rótulos de vinhos têm pássaros estampados, como este vinho, o Petirrojo, que é um pássaro vermelho e preto da região do Colchagua, no Chile. A Cabernet Sauvignon é a rainha das uvas tintas, a que melhor se adapta em todo o mundo e é uma unanimidade: todo mundo gosta. Eu prefiro os Cabernet Sauvignon como base e soberana, sim, mas com o assemblage de outras uvas, como os vinhos australianos, que misturam Cabernet Sauvignon com Syrah, ou os franceses, com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, e até os Cabernet Sauvignon com Sangiovese, na região da Toscana. A mistura, como sempre digo, traz mais complexidade, mais camadas, mais aromas e há mais a se descobrir. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija!

CUVELIER DE LOS ANDES
22 Abr 20261:51EP 450

CUVELIER DE LOS ANDES

O estilo é francês em terras argentinas. Este é o estilo dos vinhos da linha Cuvellier de Los Andes, elaborado em Mendoza. A bodega Cuvellier de Los Andes é de 1998, ano em que as atividades na Argentina iniciaram; porém, a família Cuvellier vem de longa história vitivinícola na França desde 1804. O fundador Henri Cuvellier desenvolveu super bem o negócio de vinhos, vendendo aos seus amigos burgueses na França, e, a partir daí, adquiriu novos châteaux, como o famoso Chateau Le Croc, em Saint-Stéphe, e o L'Eauville Pois Ferré, em Saint-Julien. Atualmente, possui, além da bodega argentina Cuvellier de Los Andes, o Clos de Los Yeti e a agrícola Cuvellier, no Chile. Por falar em Clos de Los Yeti, esse é um projeto que eu curto muito, idealizado por Michel Rolland, o super enólogo francês, que reúne quatro super vinícolas para elaborar um assemblage argentino, com cinco uvas: a Malbec, que é a base da Argentina, além de Merlot, Cabernet Sauvignon, Sihá e Petit Verdot. Assim, são também os cortes da linha Cuvelier de Los Andes, como o Grand Van, o Collection e o Top El, que usam os assemblages das principais uvas plantadas por esse produtor: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Sihá e Petit Verdot. A Cuvelier de Los Andes se dedica às variedades tintas, em um estilo de plantio orgânico e biodinômico, aproveitando ao máximo o potencial do Vale do Uco. O vale é perfeito para as uvas tintas mais intensas, com terrenos de pedra, clima quente e seco, noites frias e altitude de mil metros. Mais um super produtor com vinhos de alta qualidade e super assemblages, porque a Argentina não é só Malbec.

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