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PODCAST · 521 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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PIZZATO CONCENTUS
26 Jan 20261:47EP 377

PIZZATO CONCENTUS

Tem uma vinícola brasileira que está ousando e provocando o mercado. A Pisato, do Vale dos Vinhedos, que já comentei sobre o Fausto Merlot e o espumante Brute Natur, que segue a tendência de zero açúcar. Bom para nós, porque açúcar só tira a nossa energia. A Pisato está plantando e elaborando vinhos com uvas bem diferentes, como Alicante Boucher desde 2004 e a uva Egiodola, uma das poucas versões dessa uva no Brasil, mas ainda não degustei. Está apostando também na Merlot, que há muito tempo o Brasil está tentando colocar como uva-bandeira, e outras versões ainda em assemblage. Ganhei, degustei o Pisato Consentos. Consentos, em latim, é harmonia, consenso, e o vinho é o perfeito consenso entre Merlot, Cabernet Sauvignon e Taná, um assemblage. O Consentos traz notas mais fechadas, como Bosque Molhado, Café com Leite, Ameixas, especiarias doces como cravo e chocolate. São 11 dias macerando, extraindo aromas e sabores das três uvas. 70% do vinho é Merlot, apesar de estar realmente se empenhando na uva Merlot. 70% do vinho é Merlot e, apesar de realmente estar se empenhando para que a Merlot seja a nossa uva bandeira, o restante é 15% de Taná e 15% de Cabernet Sauvignon. É bem encorpadinho para a maioria dos vinhos brasileiros. Tem uma persistência média longa e a sugestão de harmonização são as caças, churrascos e molhos com vinho tinto. Harmonizei com empadas de calabresa, o molho funghi. Deu certo. E você? Também inventa harmonizações com vinhos em casa? Aproveite e compartilhe comigo usando a hashtag música e vinho. 🍷

CHÂTEAU PUYCARPIN BORDEAUX
24 Jan 20261:30EP 376

CHÂTEAU PUYCARPIN BORDEAUX

Eu tenho um amigo que gosta muito de vinhos, mas nunca conseguiu se entender com os bordôs tintos. Você também acha difícil? O fantasma dos bordôs é o preço, sempre apresentados como os vinhos mais caros do mundo, daí espanta mesmo. Degustei uma opção muito boa de custo justo, na faixa dos 120 reais, o Chateau Puicarpan de Bordeaux. Bordeaux é uma região francesa de vinhos dividida em margem direita e margem esquerda. Na margem direita está a subregião de Saint-Emilion, de grandes vinhos da uva Merlot. E em Saint-Emilion há uma apelação, uma outra partezinha de terra dentro de Saint-Emilion, chamada de Cotes du Castillon. Ali produzem-se vinhos que usam a maior parcela da uva Merlot, em vinhos tintos que vão de médio corpo a encorpados. A Cote du Castillon produz vinhos com certa rusticidade, que vai se afinando com o tempo. Degustei o xatopo e carpam, 80% da uva merlot e 20% de cabernet sauvignon, com passagem de 8 meses em madeira e 14% de álcool, então você pode guardar por uns 4 anos. Na boca, um perfeito equilíbrio entre madeira e fruta. Acidez na medida certa, taninos presentes, aromas que lembram a meixa seca, caça e o famoso soboá, aquele aroma de terra molhada bem típico nos tintos bordaleses.

MACCIARELI DE MONTEPULCIANO
23 Jan 20261:34EP 375

MACCIARELI DE MONTEPULCIANO

Na década de 70, o produtor italiano Gianni Maciarelli resolveu mudar o sistema de condução dos vinhedos em Abruzo e foi criticado. Com rendimento bem inferior, ele produziu vinhos mais concentrados que os produzidos na região de Abruzo, que fica ao centro da Itália. Após algumas décadas, hoje ele é copiado e chamado de anjo da guarda do Abruzo, pois revolucionou a produção e colocou a região em evidência aos críticos e também aos consumidores de todo o mundo. Degusteio o Maciarelli de Monteputiano da safra de 2016. Uma das características da uva símbolo da região, a uva Monteputiano, é a coloração profunda, baixa acidez e taninos doces, deliciosos quando jovens, mas podendo evoluir até uns 10 anos. De Abruzo melhorou o estilo de Abruzo, mas sem perder a tipicidade italiana ​ Ao beber, você sabe que é um vinho italiano, pede comida, saliva na boca. Eu harmonizei com queijos, pastas, frutas, castanhas e carnes. Uma mesa bem farta, bem italiana mesmo. Agora é um momento de reflexão e pergunta, eu quero saber de você. Você procura vinhos que sejam muito diferentes um do outro? Quer encontrar vinhos que tenham a cara, ou melhor, o gosto de cada região ou país? Ou você procura vinhos que goste e pronto?

VINHO CLAUDE VAL
22 Jan 20261:04EP 374

VINHO CLAUDE VAL

O Domane Paul Mas do Languedoc produz um vinho branco chamado Claudeval. É o mesmo produtor do Arrogant Frog. A linha Claudeval é sempre feito de assemblages de uvas tradicionais e regionais do sul da França, como as uvas brancas Grenache Blanc, Vermentino, Chassant, Mausac, Sauvignon Blanc e Chenin Blanc. Essa é a composição das uvas do famoso Claudeval branco. O vinho permanece três meses sobre as borras, as chamadas lias. Ou você pode encontrar no rótulo ou na ficha técnica escrito como surli. Nesse período, o vinho ganha estrutura, acidez e notas de flores e frutas brancas, como pera e maçã. Eu adoro esse estilo de vinhos brancos secos e minerais para acompanhar com um arroz com frutos do mar e ervas frescas. Que tal a sua sugestão de harmonização? E eu quero saber qual é a sua sugestão de harmonização, o que você está degustando? Compartilhe conosco usando a hashtag Musica e Vinho através das redes sociais.

BENEFÍCIOS DO VINHO
21 Jan 20261:56EP 373

BENEFÍCIOS DO VINHO

A sabedoria popular sempre reconheceu as qualidades e contribuições físicas e espirituais do vinho. A ciência conseguiu provar após dois mil anos e não há dúvidas: vinho faz bem à saúde e para a alma. Tornou-se uma bebida fundamental. Já dizia o poeta romano Bábrios: o grau de civilização de um povo é sempre proporcional à qualidade e à quantidade de vinhos que consome. O vinho é, sim, um instrumento cultural repleto de simbolismos. Através do vinho, experimentamos novas culturas e adquirimos conhecimentos sobre cada povo, gastronomia e região à qual o vinho pertence. De Pasteur, no século XIX, a Serge Renaud, em 1991, o vinho faz bem à saúde. Pasteur introduziu a pasteurização, que elimina as bactérias do vinho por aquecimento da bebida. Renaud confirmou a boa relação entre o consumo de vinhos e a saúde, e a menor incidência de doenças coronarianas. Mais recentemente, os cientistas se concentram na ação rejuvenecedora dos antioxidantes do vinho. Os estudos continuam a examinar várias partes do corpo humano onde o vinho pode agir beneficamente, mas, dos efeitos da mente, ninguém tem dúvidas. E há muitas contribuições quanto aos avanços da política, ciência e literatura, desde a antiguidade à atualidade, desenvolvidas a partir do vinho. Do comércio marítimo do Mediterrâneo aos simpósios políticos e filosóficos em que partilhavam uma taça de vinho, o vinho sempre teve seu prestígio e hoje é capaz de unir as pessoas com fortes laços histórico-culturais, das taças de cristal aos copos de acrílico. Um bom vinho para você, uma ótima manhã, e lembre-se de compartilhar o que você está degustando usando a hashtag musica&vinho através das redes sociais.

COLLE PETRITO ROSSO
20 Jan 20261:51EP 372

COLLE PETRITO ROSSO

O dia estava muito quente, e eu estava sem companhia para tomar um vinho. Todos procuravam uma bebida para gelar, para refrescar, e eu concordei. Mas, depois de alguns minutos, minhas papilas gustativas pediram um vinho, e lá fui eu a mais um desafio: agradar a quem não é tão fã de vinho e, para completar, ao meio-dia, em um. Os pratos eram linguiça suína com ervas, bife de angos e carneiro assados. Escolhi o país dos vinhos mais gastronômicos, a Itália. Decidi por álcool mais baixo, apenas 12%, que permite gelar um pouco mais o vinho sem amargar. Escolhi um vinho tinto para acompanhar as carnes e, depois, o preço, que, aliás, era o vinho mais barato da carta. Um vinho jovem chamado Colepetrito Rosso, apenas rosso, tinto e italiano. O vinho agradou em cheio, porque é um estilo muito simples e fácil de beber, com notas aromáticas de chá preto, frutas vermelhas e orégano. E era exatamente o aroma de orégano, que é uma especiaria que dá muita vontade de comer. E, como a linguiça tinha ervas, entre elas o orégano, ficou perfeita a harmonização. O colepetrito rosso é feito com a uva monteputiano. Essa é a segunda uva, a segunda variedade mais plantada na Itália, atrás somente da uva sangiovese. A sangiovese, ao lado da cirá, são as duas uvas que formam belos assemblages com a monteputiano. Desafio concluído. Só ouvia as descrições: acidez boa, o sabor combina com a comida, vinho equilibrado de médio corpo, macio, melhor ainda com a comida, e por aí vai. Desafio concluído, consegui agradar a turma. Lembre-se sempre que, se beber, não dirija.

VINHOS ESLOVENOS
19 Jan 20261:45EP 371

VINHOS ESLOVENOS

A Priscila Carvalho sugeriu o tema Eslovênia, e esse é o nosso assunto de hoje. A Eslovênia fica ao norte da Itália, no leste europeu, e, embora os vinhos eslovenos sejam pouco conhecidos, a história é bem antiga. Os Celtas levaram o vinho a 2500 anos, antes mesmo dos romanos terem levado a cultura para França e Espanha. Descobri nessa pesquisa que o povo esloveno consome 43 litros de vinho per capita ano, mas o consumo é regular e moderado. São cerca de 28 mil vinícolas produzindo na Eslovênia. Tem tanta história antiga que a videira considerada mais antiga do mundo, com cerca de 500 anos, está na Eslovênia, na cidade de Maribor. A vinha tem 30 metros de extensão, em um tronco de cerca de 80 centímetros de diâmetro, as famosas vinhas velhas. É uma variedade tinta local chamada de Modra Cavicina. Pinturas de quadros do século XVI confirmam o retrato do casarão onde a vinha está sustentada, já com a videira ornamentando a fachada. A casa histórica e a vinha são patrimônios da humanidade pela Unesco. Existe uma colheita simbólica dessa videira, e os vinhos são usados apenas para presentear autoridades. Mais de tempos em tempos, mudas são plantadas pelo mundo. Em 2018, no dia 26 de setembro, essa muda chegou ao Brasil, em Bento Gonçalves, e foi plantada durante a primeira edição da Wines of South America. Já tem uma muda da videira mais antiga do mundo no Brasil. Vamos produzir um vinho esloveno brasileiro.

DESCOBERTAS DO VINHO
17 Jan 20261:52EP 370

DESCOBERTAS DO VINHO

Quem acha que sabe tudo de vinho está muito enganado! Eis o motivo de tanto fascínio pelo assunto: novas descobertas a cada dia! Você conhece a uva Gioia del Colle, Merelone, Zim? Uva de Corato, Della Pérgula ou Primitivo de Goya, Primitivo Nero? Todos são outros nomes da mesma uva Zinfandel. Pesquisas indicam que 90% da produção da uva Zinfandel é feita nos Estados Unidos. E o estilo mais produzido por lá é o White Zinfandel, o rosé que se chama branco, numa coloração rosé e levemente adocicada. O estilo White Zinfandel ganhou destaque nos anos 70, quando os Estados Unidos descobriram a uva Zinfandel após o período de proibição das bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. O estilo ganhou o paladar dos Estados Unidos. Americanos, são vinhos de curtíssima maceração. Mais um acaso do processo de fermentação interrompida sem motivo aparente, e o vinho não extraiu coloração e tinha alto nível de açúcar. Só pra lembrar: durante a fermentação, o açúcar é transformado em álcool, de forma que, se a fermentação é interrompida, sobra açúcar e o álcool é baixo. E, já que o vinho não tinha mais como extrair coloração, o produtor resolveu retomar a fermentação seguindo o processo de vinhos brancos e obteve um vinho rosé fresco, levemente adocicado, que tem um mercado imenso nos Estados Unidos e no mundo. O White's Infandel é um estilo de vinho que ganhou o nome também de Blush. Procure um bom produtor americano e experimente seu Blush em dias quentes, afinal, o verão está aí. Lembrando sempre de manter a moderação.

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