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PODCAST · 521 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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VINHOS CHILENOS
13 Mar 20262:14EP 417

VINHOS CHILENOS

Há algum tempo fiz uma degustação de vários vinhos chilenos. Entre eles, conheci a Pérez Cruz e citei os vinhos da uva Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon da linha Limited Edition. Desta vez, degustei o Cihá, que vem ganhando inúmeros reconhecimentos em eventos, em guias e concursos, como o Descorchados, o Wines of Chile Awards e o Concurso Mundial de Bruxelas. Degustei a safra 2014, já que esta uva do Mediterrâneo se desenvolve, amadurece e evolui muito bem. Buscando na ficha técnica, o Pérez Cruz Cihá é feito com 90% da uva Cihá, 5% de ganacha e 5% da uva Movedre. Passa 14 meses no Carvalho Francês e tem um álcool elevado, 14%. São três aspectos importantes para saber se o vinho tem capacidade de evoluir bem e ainda estar em bom estágio de vida após 4 anos de concursos: colheita, a variedade da uva é a primeira, ao uso da madeira e o álcool elevado. E ok, o vinho estava delicioso. Achei mais um detalhe. O vinho passou 30 dias de maceração, 30 dias de contato entre o líquido e a casca, extraindo cores, aromas, sabores e mais potencial de evolução. Na verdade, o vinho estava espetacular. A fruta madura, pimenta, com uma acidez super gastronômica. E eu traduzo: acidez super gastronômica quer dizer que saliva a boca, dá vontade de comer alguma coisa. Um vinho de bom corpo, bem estruturado, redondo e sem arestas. E mais uma vez eu traduzo novamente: sem sobrar ou faltar os famosos 4 A's do vinho. Açúcar, amargura, acidez e álcool. O vinho tem que ter os 4 A's, só que nem de mais e nem de menos, muito menos desequilibrado. Tem vinho que tem muito açúcar e pouca acidez. O famoso vinho chato, xoxo, sem vida, sem graça. A vida é curta para se beber vinhos ruins. Então anota aí para você experimentar logo: Pérez Cruz Limited Edition Cijá. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

BRAMARE  MALBEC DE LUHANDECUYO
12 Mar 20261:30EP 416

BRAMARE MALBEC DE LUHANDECUYO

A Argentina Vinha Cobos é do renomado enólogo produtor Paul Hobbs, foi fundada em 1988 em Mendonça. Eu degustei o Brahmari Malbec de Luhandecuyo. A diferença de rótulos por terroir é um diferencial dessa vinícola. Eles prezam muito os diferentes aspectos dos vinhos que trazem as notas do terroir. Este é um supervinho de cor forte, intensa, aquele vermelho rubi quase negro, de terroir pedregoso, e traz um certo mineral, produz vinhos fortes. O envelhecimento e evolução do vinho acontece em barricas mescladas entre carvalho americano e francês, de novos e segundo uso, durante 18 meses. Além da coloração intensa, apresenta também fruta vermelha e negra. É um vinho amplo, de taninos macios, intensos e longa persistência. Mais um vinhão, como diria o Paul Hobbs. Bom dia, doutor Joaquim Spadone, um grande abraço, Joaquim Spadone. Me deu vontade de harmonizar e corri para fazer um risoto de filé com funghi. Malbec pede carne, não tem jeito. Funghi tem gosto de carne, e o risoto fica ainda mais escuro, untuoso, mais pesado, rico, complexo de sabores e harmônico. O vinho Cobus Brahmari Malbec combina com risoto de filé e funghi, e lembrando sempre de manter a moderação. Reúna os amigos, deguste o seu vinho, mas mantenha a moderação para aproveitar vinhos novos e diferentes.

TELLUS CERRADO LISO
11 Mar 20261:27EP 415

TELLUS CERRADO LISO

Vinho e seus deuses. Degustei o Telo e Cirrado Lázio. A propriedade fica a uns 50 km de Roma e o nome vem da deusa romana da terra, do solo fértil, Telo. O rótulo me chamou a atenção e descobri que foi escolhido em um concurso de arte que aconteceu no belíssimo Castelo de Sant'Angelo, em Roma. O Castelo de Sant'Angelo é um cenário belíssimo e foi lá que aconteceu a grande ópera Tosca, de Giacomo Puccini. Totalmente cheio de arte. Um monumento rico, que tem a estátua de um anjo coroando o edifício. Telo e Cirrado é um vinho cheio de arte. A garrafa tem o formato das antigas garrafas romanas e o vinho é do produtor Falesco. Um super Cirrado de coloração vermelho bem intenso, frutas frescas e as famosas especiarias da Cirá, com um toque de baunilha pelos seus 5 meses de carvalho. O Telo e Cirá é um vinho cedo, com taninos macios, rico e persistente. Acompanha super bem pizzas de calabresa, queijos maturados e massas com molhos fortes, como o nhoque de quatro queijos da minha amiga Gabriela Grandu. Que perfeição! Cremoso, aromas lácteos, sabores extremamente harmoniosos, incrível! Nhoque aos quatro queijos com vinho tinto é uma boa sugestão de harmonização, lembrando sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija!

PÃO E VINHO
10 Mar 20262:03EP 414

PÃO E VINHO

Em outros contextos já falamos sobre a dupla que eu amo: pão e vinho. No Música e Vinho de hoje, vamos harmonizar alguns tipos de pães, já que a cada dia surgem variedades de receitas e as antigas estão sendo resgatadas. Pão não é só pão e acabou. Muda a textura, o tipo de ingredientes, a fermentação, o recheio ou a cobertura, o formato, com ou sem casca, com ou sem leite e por aí vai. Começamos pelo espumante: combina com brioches. Espumante, inclusive, tem aroma de pão, lembrando os brioches. Você já deve ter visto, nas descrições de alguns champanhas, notas aromáticas de brioche. Experimente para ver como fica bom, porque o brioche é bem macio e tem um sabor meio adocicado, macio como a textura cremosa da espumatização dos vinhos espumantes. Pode ser uma entradinha: brioche com queijos e espumantes. Os pães doces, com frutas secas, chocolates e castanhas, se harmonizam com os vinhos do Porto. Pode ser a sua sobremesa: pão doce com sorvete e vinho do Porto. Os pães de azeitona combinam com os vinhos da uva Nerodávola, a uva italiana defumada da Sicília. O sabor defumado combina com o amargor das azeitonas. Se você combinar com uma berinjela ou uma caponata de berinjela, pode colocar no pão e já vira um prato bem gostoso. E as famosas focaccias? Combinam com vinhos rosés mais secos. É um super pão que eu adoro: bem leve e fresco, com sabor acentuado do sal e do alecrim. O frescor do pão com o frescor do rosé. Agora vamos para os pães recheados: recheados com linguiça, com queijos e outros sabores mais fortes. Combinam com vinhos tintos, como o malbec e o sirrá. Neste caso, você pode ficar só no pão ou servi-lo com massas com bastante molho de carnes ou queijo. Pão e vinho: nem só de pão e vinho vive o homem. Se tiver música, também fica muito bom.

HARMONIZAÇÃO DE VINHO E PEIXE
9 Mar 20262:12EP 413

HARMONIZAÇÃO DE VINHO E PEIXE

Nada é mais delicado que as lascas de um filé de robalo. Um peixe encontrado principalmente na costa do Nordeste brasileiro, onde atinge tamanho e peso ideais. É um peixe bom de briga com os pescadores, mas não perde a delicadeza, a textura e a umidade no prato. A versatilidade de receitas é grande. Eu provei um da estação, em caldo de sementes e especiarias, bem escuro e forte. Uma das maravilhas do Tangará, do Jean-Georges. O robalo merecia a delicadeza do Muscadet de Sèvre-et-Maine, do Bernard Chérot, de fermentação em sur lie, quando o vinho fermenta sobre as borras e ganha estrutura, complexidade aromática e profundidade. A fermentação em sur lie também auxilia retardando o processo de oxidação do vinho. O Muscadet é elaborado com a uva Melon de Bourgogne, também conhecida como Muscadet, uma uva de belíssima acidez, frescura e coloração com reflexos esverdeados. É uma das uvas principais do Vale do Loire, na França. A principal sugestão de harmonização para os Muscadets são frutos do mar e peixes. A sequência da degustação seguiu com outro francês: o Figaro Rosé, da Mas de Daumas Gassac, do sul da França, no Languedoc-Roussillon. Um rosé de Carignan que pedia um vinho com mais corpo que o branco. Poderia ser até um vinho tinto leve, mas eu escolhi rosé para fazer parte do Rosé Revolution, que tomou o mundo, e para não fugir do que acredito e defendo há muito tempo: a versatilidade e o lugar de destaque que os rosés merecem. A Mas de Daumas Gassac é uma vinícola orgânica que cultiva as uvas originais das sementes, sem clonagem, e assim preserva as qualidades aromáticas e os sabores das uvas. Robalo, vinhos rosé, ambos franceses, e a adstringência de um café para fechar a noite. Valeu a experiência do estrelado Michelin. Lembre-se de manter a moderação sempre. Se beber, não dirija.

VINHOS DE JERUSALÉM
7 Mar 20261:42EP 412

VINHOS DE JERUSALÉM

Uma excelente manhã para você. Curiosidades do mundo do vinho você tem aqui, no Musique Vinho. O vinho está tão presente na Bíblia que só não é citado em um dos livros, o Livro de Jonas. Ao fim do dilúvio, a primeira coisa que Noé fez foi plantar a videira, e o vinho foi a bebida escolhida para a última ceia de Jesus. Naquele tempo, a cirrá era a uva mais plantada na região de Jerusalém. Conta a história que São Patrício teria plantado a cirrá no Rhone ao retornar de uma peregrinação à Terra Santa, e hoje o Rhone é o berço da uva cirrá. Mas tudo começou há muitos anos, junto com a história da humanidade. Hoje, em Jerusalém, pesquisadores estão estudando sementes queimadas e secas, descobertas em escavações arqueológicas, para comparar a uvas vivas e talvez recriar as uvas daquele tempo, como se dizia nas celebrações. Daquele tempo ao nosso tempo, hoje temos o Domânio do Castel, de videiras plantadas nas colinas da Judeia, perto de Jerusalém. Israel tem hoje 6 mil hectares de vinhedos de Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Sauvignon Blanc e bem pouco da uva Sihá. As colinas da Galileia formam a região mais importante em qualidade, com excelente altitude, até 1.200 metros, e clima frio propício ao cultivo das videiras. Se quiser experimentar os vinhos da Judeia no estilo Bordeaux, como se chama em Bordeaux, segundo os vinhos equilibrados e cheios de sabor, o Domane do Castel é feito de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar vinhos diferentes, como os vinhos de Jerusalém

VINHO LA BANDA DE LOS
6 Mar 20261:56EP 411

VINHO LA BANDA DE LOS

Uma excelente manhã para você. Degustei, outro dia, um vinho do produtor Família Vicentina, Argentina, e me surpreendi positivamente com um vinho que tem um nome bem original. A linha se chama Banda de los Três Súcios e, a princípio, herdinaram três vinhos de uvas que foram consideradas totalmente inviáveis. Os vinhos se chamam El Contrabandista, de Petit Verdot; El Tramposo, de Cabernet Franc; e El Renegado, de Cabernet Sauvignon. A linha surgiu na safra de 2014, que não foi grande coisa. O cuidado com os vinhos foi redobrado e cada variedade foi deixada nos barris para ver como se comportavam e evoluíram: a Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc e a Petit Verdot. Pareciam que não dariam nada. Eram vinhos rebeldes, terrosos, sem expressão e impuros. O Tramposo, de Cabernet Franc, era tímido, mas se abriu ao ser engarrafado e mostrou sua elegância e intensidade. O Renegado, Cabernet Sauvignon, que era todo desalinhado, se converteu em um lorde. E o Contrabandista, de Petit Verdot, que eu degustei, mostra bastante fruta e profundidade. O Contrabandista de Petit Verdot é um vinho elaborado de vinhedos de 15 anos, com 25 dias de maceração — e eu traduzo: maceração é o líquido em contato com a casca para extrair força, cor e sabor. Armazenado por 12 meses em carvalho francês de tosta alta, tem um perfume de flores, expressão aromática de tabac, com certo mineral, taninos elegantes, fruta doce e baunilha. Um vinho daqueles encorpados, gordos, mas muito diferente. Tem personalidade. Aliás, é um 100% Petit Verdot, uma uva com poucos varietais pelo mundo. Vale experimentar o Contrabandista Petit Verdot da família Vicentin, na Argentina. Lembrando sempre de manter a moderação.

CHATEAU SAINT MICHEL RIESLING
5 Mar 20262:14EP 410

CHATEAU SAINT MICHEL RIESLING

Antes mesmo de gravar, eu já postei e comentei muito sobre uma vinícola que eu gosto demais nos Estados Unidos, da região noroeste, no estado de Washington: Chateau San Michel. Tem vinhos de excelente custo e qualidade indiscutível, e o mais legal é que eles unem música e vinho. Durante o verão americano, até o dia 15 de setembro, eles seguem com vários concertos na vinícola. Já sabemos que música combina com vinho. As apresentações vão de Ben Harper a Pink Floyd. Conheci a vinícola em 2016 com Cabernet Sauvignon e depois degustei várias outras uvas, mas só agora tive a oportunidade de degustar o Riesling, o mais vendido do mundo. O Chateau San Michel Riesling, do Vale de Colúmbia, é super refrescante e crocante. Tem aromas de maçã verde e um mineral bem gostoso. Agrada a todos porque não é muito seco nem muito mineral, então, se tiver mais, dê uma olhada. Torna fácil de beber, mas tem todas as características de qualidade da uva Riesling. Harmonizei com vieiras ao yuzu: vieiras frescas e cruas, com muito frescor, salgadinho e o azedo intenso do molho de yuzu, que é uma compota, uma conserva de limão. Você pode harmonizar também com frutos do mar, frango, queijos frescos, comida japonesa, enfim, todos os pratos frescos e leves. A vinícola tem mais três rótulos de vinhos brancos feitos com a mesma uva Riesling, como o Heroica, o Cold Creek e o Colheita Tardia. A vinícola Chateau Saint Michel foi eleita, em 2012, como o produtor do ano dos Estados Unidos; em 2011, com a marca mais admirada; em 2013, como a vinícola do ano do Pacífico; e está sempre entre os Top 100 da Wine Spectator, comemorando mais de 50 anos usando as tradições do Velho Mundo e as tecnologias do Novo Mundo. Até pouco tempo diziam que grandes vinhos americanos eram só os californianos. Quero arriscar um vinho de Washington? Que tal começar com o Chateau Saint Michel? Lembre-se sempre de manter a moderação para aproveitar o seu próximo vinho e descobrir vinhos maravilhosos como o Chateau Saint Michel Riesling.

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