Capa de Música e Vinho

PODCAST · 521 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

Compartilhar

Episódios

Ordenar por:Mais recentes
VINHOS FORTIFICADOS
23 Mar 20262:20EP 425

VINHOS FORTIFICADOS

Quando falamos em vinhos fortificados, rapidamente vêm os vinhos do Porto à mente. Mas não podemos esquecer também dos vinhos Madeira e do Jerez. O Madeira é português também, da ilha de mesmo nome. São vinhos feitos com uma das uvas negras que citei, a tinta negra mole. Os Madeiras são altamente alcoólicos, como os Portos: únicos, longevos e de alta qualidade. Os vinhos Madeira eram o estilo preferido dos czares russos e foi também o estilo de vinho do famoso brinde erguido em comemoração à Declaração da Independência dos Estados Unidos, no 4 de julho. Os vinhos Madeira passam por processo de oxidação em cascas de madeiras antigas e, por isso, têm aromas que chamamos de etéreos, aromas de envelhecimento, como o mofo, mais fechados, além das frutas cristalizadas e um certo néctar. O Jerez, o mais antigo vinho da Europa, também é fortificado e produzido há mais de dois mil anos. É tão complexo na produção quanto no paladar e nos aromas. São vários estilos de Jerez, vão desde os secos até os açucarados. Eu degustei um Jerez doce numa prova de três vinhos fortificados: um Porto, um Madeira e um Jerez. É legal comparar as cores, os aromas e os sabores dos três vinhos juntos, todos com coloração bem envelhecida, meio opaca, diferente dos outros vinhos mais vivos que a gente costuma degustar. Com borras sobrando, aromas totalmente fechados, mistura o doce com mofo, caramelo, madeira velha, nozes, frutas secas, chocolate e mais mofo. Como alguém pode amar tanto aromas de coisas envelhecidas? É exatamente isso que eu curto. E, só para resumir esses três vinhos fortificados do Musique Vinho de hoje, todos os três têm alta graduação alcoólica. Têm adição de aguardente vínica no processo, todos com sabores fortes e texturas robustas. O Porto só tem doce, e o Madeira e o Jerez podem ser secos ou doces. Vamos lá: fortifique um pouquinho seu paladar à risca e na degustação com vinhos diferentes. Lembrando sempre, claro, de manter a moderação e, se beber, não dirija.

 UVA NERO D´AVOLA
21 Mar 20261:37EP 424

UVA NERO D´AVOLA

Outro dia, no tema “meu paladar não é igual ao seu”, encerrei falando sobre a uva Nero d’Avola, que de tanto insistir acabei gostando, mas é bom lembrar, nessa hora, que não quer dizer que todos os vinhos dessa uva sejam excelentes, tudo depende do produtor. Degustei o Luigi Leonardo, da Sicília, da uva Nero d’Avola com Merlot, da cantina Esguarze Luigi. O vinho fez sucesso, foi degustado com carnes grelhadas. Já comentei a impressão ruim que eu tinha dessa uva: eu achava muito dura. De verdade, confesso que não sei se os produtores passaram a trabalhar melhor a uva até encontrar seu equilíbrio de presença de taninos verdes demais, que, para mim, pareciam duros, ou se eu mesma mudei meu paladar, evolui para esse lado de aromas mais fechados. Ainda assim, eu sempre gostei, mas estou numa fase tão de aromas fechados e tostados que nem sei se volto ao frutadinho um dia. Aliás, eu sei sim: é a estação do ano. Entre outono e inverno, é isso mesmo, com roupas, comidas e vinhos. E depois, quando a primavera chegar, as taças serão invadidas novamente pelos rosés, pinoses, espumantes, brancos e todos os vinhos mais frutadinhos e leves. Por enquanto, sugiro o Luigi Leonardo, tanto o Nero d’Avola com Merlot, da Sicília, quanto o Luigi Leonardo de Nero d’Avola com Syrah, de outra região ali bem pertinho de Dock, chamado Terra Siciliane. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

REGRA DE HARMONIZAÇÃO
20 Mar 20261:50EP 423

REGRA DE HARMONIZAÇÃO

Regra de harmonização normalmente não contempla vinho para coxinha de galinha, mas até hoje eu digo que a melhor entrada que comi no restaurante mais estrelado do Brasil foi uma coxinha de galinha, e eu preciso descrever para vocês. Uma coxinha muito bem temperada. Na base da coxinha, um purê de mandioca muito bem cremoso com catupiry. Então, o catupiry veio por fora. O serviço foi feito em pratos fundos, para regar com o melhor caldo de galinha da vida. Realmente, uma coxinha inesquecível. Você acha que não combina? Ainda tem preconceitos e acha que vinho é só para alta gastronomia? Ou não gosta de coxinha? Eu te provo tecnicamente a harmonização. As comidas gordurosas têm que contrapor com vinhos mais frescos. A gordura seca o paladar, e a acidez faz salivar. A crocância da fritura combina com o creque-creque das bolhas do gás do espumante, traduzindo os perlages. Frango é uma carne branca e combina com vinhos brancos, como os espumantes brancos. A coxinha é cheia de temperos e ervas, e os espumantes têm aromas herbáceos maravilhosos. Para encher a boca e salivar de vez, o purê de mandioca com catupiry é super cremoso, assim como a textura da espumatização que se forma na boca a cada gole de vinhos espumantes. Prato quente com vinho gelado oscela uma armonização de contraponto, que é a cara da nova era do mundo do vinho. Bem-vindos à descontração, à liberdade que os antigos deuses já pregavam desde a antiguidade, à alegria dos jovens consumidores de vinhos e à paixão pela bebida que é secular e que se renova a cada dia, a cada música e vinho. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINHEDOS DE PENFOLDSA
19 Mar 20261:12EP 422

VINHEDOS DE PENFOLDSA

A história do produtor australiano Penfolds se confunde com a história vitivinícola do próprio país. Fundada em 1844, a Penfolds é hoje a marca mais prestigiada e admirada do mundo, título recebido em 2019 pela Drinks International. A avaliação considera que a vinícola conseguiu manter um alto nível de qualidade em toda sua linha, que, aliás, é bem extensa. Os vinhedos de Penfolds estão localizados ao sul da Austrália, a região mais privilegiada do país. Mas o produtor utiliza uvas não só de vinhedos próprios, mas também de vinhedos arrendados e de produtores independentes, um total de 220 vinhedos em toda a Austrália. Produz excelentes vinhos de custo-benefício, como Rawson's Retreat ou Koonunga Hill, até superícones como Grange, já eleito o melhor vinho do mundo em 1995 pela revista Wine Spectator. O Grange foi designado como Heritage Icon, patrimônio nacional na Austrália, sendo o único vinho a merecer essa marca.

VINHO E MEMÓRIA
18 Mar 20262:21EP 421

VINHO E MEMÓRIA

O nosso tema de hoje é o vinho memórias. Para os filósofos, a memória é a garantia da nossa própria identidade. São as lembranças conservadas, ideias ou imagens que lembramos sem esforço algum. Podem ser as memórias visuais, memórias olfativas e até as memórias sentimentais. Boas lembranças é tudo aquilo que te traz calorzinho ao coração. E o vinho memórias da vinícola El Principal, do Chile, foi criado em 1999, em homenagem aos quatro séculos de história, quatro séculos de memórias. O símbolo do roto é o espiral da vida e representa o círculo da vida, que é o permanente movimento gerado pelas nossas experiências e pelas nossas memórias. O espiral da vida é presente nas antigas civilizações e representa a evolução e o constante desenvolvimento. Podemos dizer que hoje já gosto melhor, porque tenho memórias olfativas e memórias visuais. No mundo do vinho, essa evolução e desenvolvimento acontece a cada nova safra, a cada geração e, a cada degustação, vamos formando nossas memórias olfativas. Cada um tem sua memória vinífera: aquele vinho em tal lugar, com tal pessoa. A composição do vinho Memórias foi cuidadosamente elaborado para manter o frescor da fruta e preservar a intensidade do vinho. A base é a uva Cabernet Sauvignon, com um assemblage de peti verdot para aumentar a acidez e o frescor do vinho. Cirrar, para dar suas notas de especiarias, a uva Carmeneri foi utilizada para intensificar a cor vermelha e os taninos redondos. E a uva Cabernet Franc, pelos seus intensos sabores e aromas. Este é o famoso assemblage do vinho Memórias. Resulta um vinho que coleciona reconhecimentos, como o melhor vinho do concurso Catador Santiago, em 2018, e 90 pontos por Robert Parker com a safra de 2015. O vinho chileno Memórias traz contigo toda a carga de informações, de memórias e de lembranças dos estudos da vinícula e também a carga de informações, histórias e memórias da própria videira. Lembrando sempre de manter a moderação para aproveitar novos vinhos.

BODEGA ROUTINE
17 Mar 20261:22EP 420

BODEGA ROUTINE

A bodega Routine se instalou no Vale do Uco, na Argentina. Foi a primeira a se instalar nessa região. De lá para cá, a região se despontou como uma das principais produtoras da Argentina. A vinícola está presente com três vinhedos: Guatala Rari, a 1200 metros; Altamira, a 1100 metros; e o vinhedo chamado La consulta, a 950 metros, onde se planta apenas Malbec. Escolhi o Routine 50% Malbec e 50% Cabernet Sauvignon, um vinhão. A cor chega a vibrar na taça, super intenso, um roxo profundo. A união das duas super uvas deu um resultado super harmônico. A Cabernet Sauvignon entrega ao vinho corpo e estrutura, e a vinícola que suaviza os taninos, em uma combinação única de aromas e sabores, com camadas e camadas de fruta, ameixa, baunilha e leite. Muita força no vinho. Realmente, o enólogo Mariano de Paola tem razão quando diz que a vinícola foi desenhada para produzir vinhos ultraprêmios. A revista britânica The Canter já o destacou como um dos 30 melhores enólogos do mundo. Para nós, só nos resta aproveitar vinhos como o rutine Cabernet Sauvignon Malbec Argentino.

ARTE DA TANOARIA
16 Mar 20262:59EP 419

ARTE DA TANOARIA

E uma excelente manhã para você, apaixonado por todos os assuntos relacionados ao mundo do vinho. Hoje vamos falar da arte da tanoaria. Tanoa significa carvalho, e é daí que vem o ofício artesanal e ancestral da arte da tanoaria, que é a elaboração dos famosos barris de vinho. A atividade cresceu junto com o mercado e a cultura vinícola no mundo e é passada de geração em geração. Historicamente, desde 200 anos antes de Cristo, a ânfora de argila começou a ser substituída pelos barris de madeira. No início, o objetivo era apenas o transporte e o armazenamento, mas hoje os barris de carvalho são verdadeiros instrumentos enológicos. O formato arredondado facilitou o transporte, já que era possível rolar o barril. A madeira mais utilizada em todo o mundo é o carvalho, porque apresenta a melhor porosidade, o que possibilita a micro-oxigenação, super importante para a troca de aromas do vinho. Além disso, o carvalho tem também impermeabilidade, maleabilidade para se trabalhar e elaborar as barricas, além de resistência — podendo durar até 100 anos — e leveza para o transporte. Durante o processo de elaboração dos barris de carvalho, uma das partes super importantes que vai aparecer no seu vinho é a tosta do barril de carvalho. A tosta pode ser alta e proporcionar aromas que lembram chocolate, defumado e especiarias. Pode ser média, com aromas de baunilha e carvalho, ou leve, com baunilha e coco, aromas mais adocicados. Outro fator importante que vai aparecer no seu vinho é a idade da madeira. Quanto mais jovem a madeira, maior o impacto de aromas no seu vinho. O tamanho das barricas também é importante. O padrão é 225 litros e, quanto menor o barril, maior ele influencia no estilo do seu vinho. O uso do barril de carvalho influencia a regulamentação da classificação de vinhos na região da Rioja, na Espanha, por exemplo. A classificação é feita baseada no envelhecimento na madeira. Já falamos sobre esse assunto, mas só para lembrar: os vinhos mais jovens podem ter nenhum estágio na madeira ou inferior a 12 meses. Os Crianza, 12 meses na madeira e mais 3 em garrafa. Os Reserva, 12 meses em madeira mais 4 em garrafa. E os Gran Reserva, 24 meses em madeira e 6 anos em garrafa antes de serem comercializados. A arte da tanoaria influencia também na paleta de cores, tanto dos vinhos brancos quanto dos vinhos tintos, na estrutura e na textura dos vinhos. Pode variar nessa evolução de aromas e também no sabor do seu vinho. Por trás de cada barrica há uma história: uma longa história e uma infinidade de pequenos e grandes detalhes que podem fazer a diferença no resultado final de um vinho. Esta é a arte da tanoaria.

CORTE BORDALÊS
14 Mar 20262:08EP 418

CORTE BORDALÊS

O tema de hoje será o corte bordalês. Quando se fala em vinhos de corte, a maior referência é o corte bordalês, que tem a base das uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, e pode ter uma porcentagem pequena de Petit Verdot e Malbec. O corte bordalês é, sem dúvida, um dos mais admirados e copiados do mundo; por isso, é possível encontrar vinhos deste estilo por todo o mundo. Os produtores bordaleses dizem que a mistura das uvas é que dá aos vinhos a melhor qualidade, equilíbrio, delicadeza e nobreza: uma uva completa a outra. A harmonização entre potência, cor, taninos, longevidade, aromas e acidez resulta nos vinhos chamados de “receita”: um elemento de cada uva, e o enólogo consegue chegar à proporção e resultado que busca. Até porque as uvas se comportam de maneira distinta conforme a safra, então essa proporção não é rígida. Cada produtor pode escolher entre as uvas da região,Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, um pouquinho de Petit Verdot e Malbec, e fazer a sua própria mistura, sem fugir muito do estilo Bordeaux, tão reverenciado em todo o mundo. Falamos sempre em cortes de uvas tintas, mas a região Bordeaux também tem o corte branco, e as uvas principais são, geralmente, Sauvignon Blanc e Muscadet. Bordeaux, para quem está entrando agora no mundo do vinho, é o nome de uma região vinícola que fica no sudoeste da França e produz alguns dos vinhos mais caros do mundo. Mas você também pode encontrar opções de vinhos que imitam o estilo Bordeaux a preços bem mais acessíveis. É só encontrar algum vinho que tenha esse assemblage entre Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. São os mais comuns de se encontrar, principalmente na Argentina, mas também no Chile, na Nova Zelândia, além dos franceses, é claro. E lembre-se de manter a moderação: se beber, não dirija.

Nada tocando
Música e Vinho
0:00
0:00