Capa de Música e Vinho

PODCAST · 521 EPISÓDIOS

Música e Vinho

Descubra a harmonia perfeita entre sons e sabores no Música & Vinho. Em cada episódio, histórias envolventes se encontram com vinhos selecionados, criando uma experiência sensorial que convida você a apreciar, com calma, tudo aquilo que agrada ao ouvido e ao paladar.

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HARMONIZAÇÃO CLÁSSICA
1 Abr 20261:56EP 433

HARMONIZAÇÃO CLÁSSICA

Cada região do mundo tem uma comida típica que tem relação com o clima, o solo, as influências de colonização, além de guerras e seus rios, além do seu povo. O Velho Mundo do vinho, especificamente a Europa, tem suas harmonizações clássicas que valem ser lembradas. Alguns pratos têm nomes bem diferentes, mas eu vou te mostrar que, na realidade, eles são velhos conhecidos da nossa mesa. Quer ver? Bife bourguignon com Pinot Noir. Eu adoro bife bourguignon, e você também. É a famosa carne de panela com vinho e legumes, com aquele caldo suculento. Tradicionalmente, a receita é da Borgonha, na França, e a carne era marinada no vinho da região, os tintos de Pinot Noir. Daí o motivo da harmonização. Quer ver outro nome francês que, na verdade, é o nosso grande conhecido? Entrecote, harmonizado com vinho Bordeaux. O entrecote é o contrafilé, ideal para grelhar. Na França, eles servem com molho e batatas fritas ou grelhadas. É o prato feito francês, que harmoniza com o tinto de Bordeaux, vinho mais encorpado e de taninos ativos, para acompanhar carnes grelhadas. E, para fechar, a terra das massas: a Itália. Espaguete à bolonhesa com o vinho de Chianti. Não dá para falar de espaguete à bolonhesa sem lembrar da surpresa de uma cliente, na hora em que degustou e descobriu que espaguete à bolonhesa era o molho de tomate com aquela carne moída bem gostosa. A acidez do tomate fica perfeita com a acidez da uva Sangiovese, que é a base dos vinhos de Chianti. E você, também se inspirou para fazer em casa uma harmonização clássica? Você pode compartilhar comigo usando a hashtag musica&vinho pelas redes sociais.

RIOJA RED BLEND
31 Mar 20261:49EP 432

RIOJA RED BLEND

Descobri uma terminologia usada no vocabulário do vinho que eu não sabia. Rioja Red Blend é o termo usado para descrever a combinação das uvas tintas da região espanhola de Rioja, que usa normalmente as uvas tempranilo. Além de tempranilo, esse corte tem também garnacha, amazoelo e graciano. A base é a tempranilo, com sua variedade de sabores e aromas, que vão das frutas vermelhas, como o morango e a cereja, até sabores mais ricos e suculentos, como ameixa, chocolate e frutas cozidas. A garnacha traz corpo ao vinho e adiciona sabores como framboesa e uma certa picância. A amazoelo, ou também conhecida como carinam, traz coloração escura ao vinho e taninos bem presentes. E a uva graciano incorpora ao vinho perfumes e estrutura. Que tal experimentar um Rioja Red Blend e sair do lugar comum? Lembre-se: a Espanha não é só tempranilo. O promessar a criança é uma boa opção, com pelo menos 12 meses em carvalho e 2 anos de envelhecimento geral. E essa mistura de uvas, o Rioja Red Blend, pode ser encontrado não só na Espanha, mas na Califórnia e Austrália. Eu entendi esse estilo como corte bordalês, das três principais uvas tintas da região de Bordeaux, que unicabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Juntas, formam uma bela parceria, e esse corte típico é copiado em várias regiões vinícolas do mundo. O corte da Rioja Red Blend também começa a ser copiado e, por isso, aparece não só na Espanha, mas na Califórnia e Austrália. Talvez a gente comece a ver mais Rioja Red Blend no mercado. Por enquanto, a minha sugestão é o promessar a criança.

DEGUSTAÇÃO TÉCNICA
30 Mar 20261:50EP 431

DEGUSTAÇÃO TÉCNICA

É legal identificar se o vinho é do seu gosto ou não, mas melhor ainda é entender por quê. Quais são os aspectos que te agradam? Será que você gosta do vinho mais leve ou mais encorpado? Mais ou menos acidez? Mais ou menos taninos? Em uma degustação técnica, procure colocar o vinho na boca e depois girá-lo, porque ele percorre todos os lados da língua, onde sentimos as sensações do vinho: açúcar, amargor, acidez e álcool. Esses são os quatro elementos possíveis de sentir. E depois você engole, e assim você prepara as papilas gustativas para degustar o vinho, e os aromas entram pelo nariz, e o álcool evapora. O ideal é beber uma boa quantidade, mas sem encher demais a boca, para dar esse espaço de giro para o vinho na boca. Se você ainda não experimentou assim, vai ver que faz grande diferença. Se estiver degustando, colocando um vinho espumante, vai perceber o gás, as borbulhas que dão a sensação de picadas na língua, causando uma provocação e trazendo junto acidez, fazendo a boca salivar. Um vinho branco da uva Pinogrid pode ter sensação de médio corpo, pouca acidez e certa doçura ao final de boca. Um vinho já é mais encorpado, vai pesar na boca e até esquentar a língua, pois, muito provavelmente, será bem alcoólico. Daí vem a sensação de peso e calor na boca. Há muitos termos para se usar nas degustações de vinhos, e isso é fácil de encontrar na internet, como termos de vinho: adstringente, equilibrado, verde, fechado e por aí vai. Se você também tem experiências na sua degustação, compartilhe conosco nas redes sociais, usando a hashtag música e vinho.

UVA SOUVIGNON
28 Mar 20262:22EP 430

UVA SOUVIGNON

Quando a uva sobrevive às temperaturas geladas e até neve da Serra Catarinense, no Brasil, dizem ser uma uva selvagem ou uma Sauvignon. E é assim que se comporta a Sauvignon Blanc. Ela vem se destacando no terroir catarinense, e já se discute a criação de uma DOC, uma denominação de origem controlada, para proteger as características da Sauvignon Blanc na região da Serra Catarinense. A Serra, na região de São Joaquim, tem altitudes entre 900 e 1400 metros. Um dos fatores atribuídos pelos enólogos para o destaque da Sauvignon Blanc em terras catarinenses é o ciclo intermediário da uva, que consegue escapar das grandes geadas no período de brotação e não tem maturação nem precoce nem tardia. A Sauvignon Blanc é resistente aos ventos fortes, que tem uma casca espessa e resistente. E a uva, diferente das demais, se beneficia da loucura climática que acontece na região, fazendo as quatro estações em um único dia. A amplitude térmica, e eu traduzo: é a variação de temperatura entre o dia e a noite, faz com que a uva absorva e mantenha o calor durante o dia e se refresque à noite, liberando os ácidos que compõem o vinho de maneira bem lenta. Assim, a uva é colhida na sua plena maturação de açúcares e aromática perfeita. Na taça, em linhas gerais, os vinhos da uva Sauvignon Blanc de Santa Catarina são bastante minerais, elegantes, complexos aromaticamente e sutis. São vinhos intensos, com boa acidez e aromas que lembram maracujá, abacaxi, além de aspargos, folhas, vegetais e um cítrico bem intenso. Os produtores têm preferido colher a uva um pouco antes da completa maturação para preservar o aromático, aromas minerais, e não deixar sobressair tanto os aromas de frutas tropicais mais doces. Esse é o estilo do Sauvignon Blanc de Santa Catarina. Nos últimos anos, os melhores vinhos brancos brasileiros vieram de lá, e tudo indica que esse caminho de sucesso é só o começo. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

VINHO COURELA
27 Mar 20261:51EP 429

VINHO COURELA

Corela, no português de Portugal, significa uma parcela de terra e é o nome de um vinho regional alentejano. O corela tinto é uma delícia para o dia a dia, uma assemblagem entre toriga nacional e aragonês e ainda a francesa cirá, que esse produtor corte de cima insiste, desde o início, em colocar no meio do alentejo e desobedecer totalmente as leis. O que encanta a maioria dos vinhos portugueses é que são saborosos. Não é só álcool e ternino, sabe? E tem cor intensa e frutas maduras. Nada de madeira, está pronto para beber, como a maioria dos vinhos de hoje, como a maioria dos vinhos alentejanos que brasileiros amam. Tem cor intensa, bom corpo, são saborosos e aveludados. A tradição vitivinícula vem desde o Império Romano, por isso é possível encontrar ruínas de lagares, onde acontecia o pis a pé. E é aí, no alentejo, também que se encontram as ânforas utilizadas antigamente para a fermentação das uvas. Nesse método, as ânforas são fechadas com seira de abelha e enterradas durante sete meses. Dizem que o barro não interfere no sabor do vinho. Com essa referência, surgiram novos vinhos em ânforas pelo mundo e um já no Brasil. Mas eu te conto outro dia. O alentejo, no centro de Portugal, produz cerca de 85 milhões de litros de vinho por ano e é o maior produtor do país. Tem muitas opções de vinhos bebê do alentejo, os bons e baratos, como o corela tinto, para você experimentar. E eu quero saber o que mais você está degustando. Compartilhe conosco usando a hashtag Música e Vinho através das redes sociais.

VINHOS E COGUMELOS
26 Mar 20261:48EP 428

VINHOS E COGUMELOS

O músico vinho está no ar, e eu lhe desejo uma excelente manhã. A Itália é considerada a pátria dos cogumelos. São centenas de espécies, e o consumo é tão popular que virou atração turística no período da colheita, chamado de Andaria funghi, e todos vão em busca do tesouro nas florestas. O funghi portini é o mais famoso e cresce ao norte da Itália. O cogumelo chamado cantarela tem a coloração laranja. Os cardoncelli são os mais populares ao sul da Itália e são servidos assados, fritos ou cozidos em azeite. As trufas crescem embaixo da terra e têm sabor único: ou você ama, ou odeia. Todos fazem parte dos ingredientes de diversas receitas na Itália e pelo mundo, que pedem vinho para harmonizar. Pela variedade de sabores e intensidade dos cogumelos, não se pode generalizar e dizer que cogumelos combinam com pinot noir, como já ouvi dizer: suave e fresco, enquanto as trufas negras ou brancas são uma explosão de sabores. Seguindo a intensidade de aromas e sabores, harmoniza-se o vinho: do pinot noir ao barolo de nebiolo para as trufas. Além desses cogumelos italianos, que são mais raros por aqui, temos o shiitake e o shimeji, que parecem carne vermelha; o paris, que é bastante fresco; o portobello, que vai bem com carnes; o champignon, que eu amo fresco, e todos pedem vinho. A receita vai da sua criatividade: desde os cremes de cogumelos, fatiados na salada, assados, molhos de cogumelos e muito mais. Cogumelos são ricos em vitamina D e super combinam com vinhos. Lembre-se sempre de manter a moderação para criar a sua próxima harmonização.

VINHO CHIANTI RUFFINO
25 Mar 20262:12EP 427

VINHO CHIANTI RUFFINO

Tem um vinho que todo mundo conhece: o Chianti Rufino. Ele é um clássico, e do consagrado produtor da Toscana. Um vinho que tem sua produção controlada para garantir a qualidade e foi a primeira garrafa a exibir o selo de Doc G na Itália. A vinícola Rufino foi fundada em 1877, em Chianti, e, em apenas quatro anos, conquistou a primeira medalha de ouro em Chianti. Eles ganharam também o ouro na Feira de Bordeaux, logo nos primeiros anos. Todo mundo conhece um Chianti, o tinto de Sangiovese com canaiolo, mas a vinícola tem deliciosos vinhos brancos também da uva Pinogridio, que é uma uva que eu amo. Vinhos frescos, aromas de frutas tropicais e mineral. Tem espumantes rosés, moscatos dastes, além de pras secos e tintos com base em Sangiovese e outras uvas, como merlot, cirá, cabernet sauvignon, petit verdot e até alicante branco. Boucher. São vinhos como o Asiano, o Ducale e o Modus, além de Brunelos, como o Grepeno Masi, um Sangiovese grosso — é a uva —, um estágio mais longo, mais maduro e com aromas e final de boca que lembram chocolate e um tabaco bem suave. E o rico e encorpado Alouda, feito de Cabernet Franc, Merlot e Colorino, um vintage que só sai em safras excepcionais, como a afina no tanque de aço e depois na garrafa. Extremamente elegante, encorpado, aromas balsâmicos, baunilha, para harmonizar com a Bisteca Fiorentina, que eu tive o prazer de experimentar em Florença, com batatas assadas, muito alho e azeite. Lembre-se sempre de manter a moderação, para você ver que Ante Rufino tem muito mais do que só Quianti. A gente acha que é o nome do produtor, e não: o produtor se chama Rufino, e você vai encontrar todas essas outras variações de vinhos, como Modos Alouda, do Cali, asiano, moscatos pra secos e rosês, todos de produção do mesmo produtor na região mais famosa da Itália. Lembre-se sempre de manter a moderação e, se beber, não dirija.

TILIA MALBEC SYRAH
24 Mar 20261:26EP 426

TILIA MALBEC SYRAH

E se você também procura vinhos bons e baratos, está na hora de anotar o nome do vinho de hoje. No mundo do vinho, a palavra terroir é sempre falada, e o vinho argentino Tilha traz no rótulo e na concepção a valorização do terroir argentino. Tilha é uma árvore cultivada na Argentina que simboliza o sagrado e que protege os guerreiros. O chá da flor da Tilha é calmante, e os trabalhadores dos vinhedos costumam descansar bebendo chá de Tilha à sombra das próprias árvores. A ideia do vinho é justamente valorizar a árvore regional Tilha. Os vinhos do produtor Tilha são da família Catena Zapata e recebem os melhores elogios da crítica internacional especializada. O Tilha Malbec-Cirá, por exemplo, passa seis meses em carvalho francês e americano. É um vinho super moderno e saboroso. Combina com carnes assadas, massas e risotos. Ainda recebeu 90 pontos de James Sutley, em 2017, e 90 pontos do renomado Robert Parker, em 2015, que o considerou impressionante e melhor custo-benefício. Combinei com carnes assadas, frango, maminha e linguiças assadas, para comer sem frescura, num churrasco bem descontraído, com vinho fácil de beber entre amigos. Tem vinho que é assim: bom, gostoso, barato e fácil de beber.

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